sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ubik - Entre 2 Mundos

"Ubik - Entre 2 Mundos", de Philip K. Dick (Editorial Presença)

Sinopse:
Ubik, tal como Blade Runner ou Minority Report, é uma das obras-primas de Philip K. Dick. Um dos livros mais assinaláveis dos anos 60, foi escrito num estilo muito próximo da pulp fiction e encerra tanto um thriller como um romance. O enredo desenrola-se numa atmosfera futurista, no ano de 1992, em que os avanços tecnológicos permitem manter os defuntos num estado de meia-vida até à próxima reencarnação. É criada em Nova Iorque uma organização que emprega pessoas com vários talentos psíquicos, desde telepatas a precogs, entre outros. Do mesmo autor de Relatório Minoritário e de Os Três Estigmas de Palmer Eldritch, Ubik é uma espantosa comédia metafísica sobre o medo da morte e a salvação, em que as pessoas são congeladas, num estado de meia-vida. Mais um livro deste consagrado autor que integra a colecção Viajantes no Tempo.

Opinião:
O que posso dizer sobre este livro? Para começar, digo que esperava mais. Muito mais. Sendo Philip K. Dick um dos grandes nomes da ficção científica e tendo "Ubik - Entre 2 Mundos" ganho tantos prémios e recebido tantos elogios, aguardava por uma obra exemplar, coisa que no fim acabou por não ser.

A história em si está muito bem conseguida, com vários momentos de surpresa, muitas reviravoltas, inúmeros pormenores interessantes e com um bom compasso. Adorei também as descrições incluídas no texto, especialmente em relação ao 'passado'. estava tudo muito bem pensado e até moderadamente bem apresentado (embora nunca fosse verdadeiramente explicado como Joe Chip tinha conhecimento de certos pormenores que nunca fariam parte da cultura geral, mesmo se ele fosse da época em questão e a sua mente se adaptasse a tal).
Devo também apontar que gostei particularmente dos anúncios 'Ubik' que apareciam no início de cada capítulo. Foi especialmente fascinante perceber a crítica embutida nestes pequenos parágrafos (tal como acontecia várias vezes ao longo do restante texto). 
Contudo, a escrita do autor não e cativou, especialmente a escolha de voz narrativa. A sensação que ficou foi que, a forma como o autor decidiu contar a história quase que impediu que o leitor tivesse pensamentos seus. O que quero dizer e que o autor fê-lo de tal forma que qualquer ideia que o leitor tivesse por si só, ficasse desvalorizada. Noutras histórias, feito de outra forma, talvez isto fosse uma mais valia, mas em "Ubik - entre 2 mundos", isto não funcionou a favor da narrativa (não confundir isto com o facto de o autor criar reviravoltas a cada capítulo, estou a falar de coisas distintas).


Contudo, uma coisa é certa. Toda a história está muito bem pensada e interessante, no entanto acho que não foi 'entregue' da melhor forma.


Outro ponto fraco foram as personagens. Nenhuma tinha traços distintivos em termos de personalidade. Pareciam todas cópias umas das outras, sem vida própria, sem pensamento uno e cujas acções reflectiam as dos outros, como clones (que claramente não eram). Rucinter no início pareceu promissor, assim como Joe e Pat, mas a partir de um certo momento (a primeira grande reviravolta) as personagens perderam independência e traços distintivos. A meu ver isto foi de tal forma flagrante, que em certos momentos já nem sabia quem estava a fazer o quê, porque poderia ser qualquer um. Nem sequer Jory conseguia agir de forma surpreendente e autónoma, ou mesmo a Ella.

Em suma, este foi um livro que primou pela ideia central, mas cuja execução fez com que até a própria história perdesse força entre uma narrativa fraca e dispersa, personagens previsíveis, onde nem as maravilhosas descrições conseguiram validar o restante.
Não sinto que tenha sido uma leitura perdida, pois como disse a história em si é excelente e os pormenores são 'deliciosos',  mas tudo o resto está abaixo do mediano.
Irei ler outro trabalho do autor para perceber se foi só este "Ubik - entre 2 mundos" que falhou, ou se o estilo narrativo é mesmo uma 'marca' do autor. Caso se dê a segunda hipótese, temo ser das que não apreciará a obra do autor (mas logo veremos).


Tradução (Luís Santos):
A tradução estava bastante boa. Não percebi nenhuma inconsistência ou erro de maior.

Capa, Design e Edição:
Não compreendo muito bem o que a capa tem a ver com o conteúdo do livro (provavelmente nada). Poderia estar a retratar a Ella, mas se assim fosse a figura na capa tinha de ser loira. Pessoalmente não fiquei fã do ar esfumado, tanto da imagem, como das letras, mas também não é uma capa 'feia'. É apenas ... medíocre e com pouca ligação ao conteúdo (excepto no facto que de alguma forma dá a entender que um dos assuntos é a 'segunda vida'.
O Design interior está consistente com o resto da colecção. profissional, simples, mas bem conseguido, tal como a Edição em si.

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