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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Em Busca do Carneiro Selvagem

"Em Busca do Carneiro Selvagem", de Haruki Murakami (Casa das Letras)

Opinião:
Este é um daqueles livros que se lê num instantinho. Flui tão bem! Infelizmente cá em casa houve um acidente envolvendo uma cadela com problemas de ansiedade, uma mesinha de cabeceira com livros ... e o resto é história. Resultado, estava eu a meio da leitura quando, certo dia, chego a casa e descubro o meu exemplar de "Em Busca do careiro Selvagem" selvaticamente atacado pela já mencionada cadela.
Dava para ler mas não era nada bonito de se ver ou folhear, por isso acabei por trocar para a versão ebook (desta feita em inglês). Sinceramente, acho que a versão impressa portuguesa está mais interessante. Adorei o trabalho da tradutora (Maria João Lourenço).

Mas falando do conteúdo do livro, que é o que realmente interessa. Esta é o meu terceiro contacto com o trabalho de Haruki Murakami e estou muito contente por lhe ter dado uma segunda e terceira oportunidades porque gostei bastante deste "Em Busca do Carneiro Selvagem".
A prosa do autor envolve o leitor na história das personagens mais banais, que rapidamente se revelam ser na verdade muito peculiares. O que nos leva a reflectir que mesmo as pessoas mais comuns normalmente têm algo de fantástico e surpreendente a revelar-nos.

A história é mirabolante, ou a sua premissa pelo menos é. Um homem que é coagido a partir em busca de um carneiro que por acaso aparecia numa fotografia que ele usou numa publicidade, e que por outro acaso tinha-lhe sido enviada por um amigo que ele já não vê há anos.Há medida que a história vai avançando, o enredo vai ficando mais surreal e as próprias personagens também. O nosso protagonista, que já não é uma pessoa muito sociável, vai aos poucos distanciando-se da sua vida e do mundo, até culminar numa conversa muito estranha (mas profunda) com uma (ou duas) certa personagem ainda mais bizarra.

Voltando ao assunto da prosa, por vezes o autor tende a filosofar um pouco mas não é nada que se alastre demasiado ou que deixe de ser interessante. De resto adorei e, repito, o texto flui muito bem.
Também adorei a parte histórica (da vila), que não sei se é baseada em factos reais ou completamente inventada pelo autor.

Em suma, foi mais um trabalho do autor que eu gostei, embora não tenha amado tanto como o "Sono". A história pode parecer muito sem-sentido mas na verdade é uma viagem ao interior das personagens e ao interior do próprio Japão. Recomendo!

Sinopse:
Ambientado numa atmosfera japonesa, mas com um pé no noir americano, Murakami tece uma história detectivesca onde a realidade é palpável, dura e fria, e seria a verdade de qualquer um, não fosse um leve pormenor: é uma realidade absolutamente fantástica. Um publicitário divorciado, que tem um caso com uma rapariga de orelhas fascinantes, vê-se envolvido, graças a uma fotografia publicitária, numa trama inesperada: alguém quer que ele encontre um carneiro! Mas não é um carneiro qualquer. É um animal que pode mudar o rumo da história. Um carneiro sobrenatural... Murakami dá a esta estranha história um tom que só um oriental pode imprimir a uma crença, fazendo-a figurar como um facto da realidade. Coloca, de uma forma genial, a fantasia na aridez do mundo real.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sono

"Sono", de Haruki Murakami, com ilustrações de Kat Menschik (Casa das Letras)

Este pequeno livro pode ser lido numa manhã ou numa tarde, e isto vindo de alguém que até lê bastante devagar. No entanto, o tempo que demora a ler não afecta a qualidade do texto.

Sono é uma espécie de conto ilustrado (ou será melhor chamá-lo de noveleta?), narrado na primeira pessoa por uma mulher muito normal. Dona-de-casa, mãe e esposa dedicada, ela vive uma vida pacata até que começam as insónias e, mais tarde, a total ausência de sono.
A premissa é esta!

O que eu mais gostei em Sono, foi o texto. Não é particularmente belo ou poético mas funciona maravilhosamente bem. A narrativa ao mesmo tempo íntima e distante, a descrição tão normal da vida e dos pensamentos da protagonista, chocam directamente com o que se está a passar. E isso comigo funcionou.
Adorei o simbolismo, a máscara de nomalidade e dissimulação do fantástico que na verdade não o era.

O fim, confesso, apanhou-me desprevenida. Acabei o texto sem perceber que tinha chegado ao desfecho e quando virei a página e me dei conta que não havia mais nada, tive de voltar atrás. Reli o último parágrafo e  fez-se luz. Mais não digo!

Por outro lado as ilustrações são uma história por si só. Cheias de simbolismo e de uma aparente simplicidade que me deixou a estudar os desenhos bem depois de terminar. No entanto uma coisa que não entendi foi o facto de as ilustrações não acompanharem o texto. A maioria estava fora de ordem, mas nem todas, o que para mim não fez sentido. Ou haviam de estar todas, ou nenhuma.

Em suma, esta foi uma daquelas histórias que mexeu comigo e nem sei explicar bem porquê; talvez por tocar no assunto da depressão e do veneno da rotina. Só posso mesmo é recomendar que o leiam.

Sinopse:
«Há dezassete dias que não durmo.» Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas.

Nota: Tenho de agradecer ao Ângelo Marques, do Destante, que foi quem me emprestou o livro.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sputnik, Meu Amor

"Sputnik, Meu Amor", de Haruki Murakami (Biblioteca Sábado)

Sinopse:
Um jovem professor primário, identificado apenas pela inicial «K», apaixona-se por Sumire, uma jovem aspirante a escritora. Quando esta entabula uma relação amorosa com Miu, uma enigmática mulher de meia-idade que a emprega como secretária, K é relegado para o ingrato papel de confidente. Sumire, porém, estando de férias numa ilha grega com a sua amante, desaparece misteriosamente, e K é chamado para ajudar nas buscas. Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade.

Opinião:
Este foi um daqueles livros que terminei, mas fiquei sem saber o que dele pensava. É uma história que parece simples, mas na verdade é bastante estranha. Ao mesmo tempo, fiquei sem perceber muito bem porque a achei tão estranha.
Se calhar não consegui perceber o significado da história, ou por outro lado talvez não houvesse significado e eu esteja à procura de algo que não existe.
O que acontece é que, por culpa desta dualidade este é um daqueles livros que 'nem me aquece, nem me arrefece'.

Gostei da escrita do autor, simples mas com um laivos de poesia presente em cada momento. Gostei das personagens, tão simples e ainda assim tão estranhas como a própria história. E num quadro geral gostei muito da execução da história, onde até as coisas que me poderiam irritar noutras obras, acabaram por não me incomodar nesta.

Ainda assim, o que acontece é que nada neste livro me marcou. Certamente não as personagens, as três que têm praticamente um protagonismo só, mas que na verdade não parecem ser protagonistas de nada. Por outro lado a história também não me tocou o coração, apesar de certas cenas me ficarem na memória (nomeadamente a da roda gigante, a do gato da Sumire e a da subida de K ao cume da ilha). Talvez a dispersão das cenas me tenha cingido a relação com o livro. A verdade é que algumas cenas me pareceram desnecessárias, certas descrições julguei não terem qualquer finalidade, mas ainda assim não me incomodaram.

Na verdade não sei como definir esta minha leitura e já há algum tempo que isto não em acontecia. Talvez este livro precise ser relido um dia.

Posso dizer, no entanto, que não desgostei, daí que tenha intenções de ler o outro livro que tenho do autor (Em Busca do Carneiro Selvagem).
Perdoem-me a opinião vaga, mas não sei muito bem como me expressar em relação a este livro. Não foi marcante o suficiente para dizer que o adorei, mas também não me deixou indiferente o suficiente para dizer que não gostei. Fico assim numa estranha corda bamba.

Tradução(Maria João Lourenço):
O trabalho de tradução pareceu-me excelente. Viu-se que houve um esforço adicional para adaptar o texto às especificidades da língua portuguesa, sem que esta assoberbasse o texto original.

Capa, Design e Edição:
A capa está interessante e tem alguma relação com a história. Aliás, quanto mais a vejo, mais a acho excelente. Mais do que, diria, as outras capas que conheço de edições portuguesas e estrangeiras.
O design interior está igual à restante colecção (margens pequenas, mas suficientes). No entanto tenho de apontar uma falha de edição neste livro. Muitas palavras aparecem separadas por um hífen a meio da frase, vendo-se que estas, noutra edição, estavam no fim de uma linha e tinham então sido separadas, mas mantendo isto nesta edição, o leitor acaba distraído. Deviam ter tido mais cuidado.

---- Links relacionados: Site Oficial (?) - Goodreads - Wook - Fnac - MediaBooks - Editora Casa das Letras - Blog Murakami pt -

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