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sábado, 21 de março de 2015
Leituras de Dezembro 2014 a Fevereiro 2015
Se já leram algum destes livros deixem ficar as vossas opiniões.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
::Autor:: Inês Montenegro
Biografia (via Fantasy & Co):
Inês Montenegro nasceu em Novembro de 1988, na cidade do Porto, Portugal, onde estuda actualmente. Formada em Direito pela FDUP, encontra-se agora a tirar o segundo curso, em Línguas, Literaturas e Culturas, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Actualmente tem publicados ou em vias de publicação uma diversidade de contos que se espalham por antologias e fanzines, quer portuguesas quer brasileiras, além do blog Tales of Gondwana, maioritariamente dedicado a opiniões de livros e contos.
Livros que li da autora:
Vinho Fino (conto in Lusitânia 1) - Opinião
Pulsação (conto in Fénix 2) - Opinião
Histórias do Mal (conto) - Opinião
A Presa e o Caçador (conto in O Legado de Eros) - Opinião
Dogson (conto in Comandante Serralves - Despojos de Guerra) - Opinião
Trabalhos editados em Português:
Angelus - Histórias Fantásticas de Anjos, Literata(2012)
Lusitânia (2012)
Nanozine 7 (2012)
Terrir, Editora Estronho (2013)
Super-Heróis, Editora Draco (2013)
NanoZine 8 (2013)
Fénix 2 (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume I, EuEdito (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume II, EuEdito (2013)
Lusitânia 2 (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume III, EuEdito (2013)
Boy’s Love – histórias de amor sem preconceito, Editora Draco (2014)
Comandante Serralves - Despojos de Guerra, Imaginauta (2014)
A visitar: Blog do Autor, Goodreads do Autor, Fantasy & Co (projecto de autores de fantasia e FC)
Inês Montenegro nasceu em Novembro de 1988, na cidade do Porto, Portugal, onde estuda actualmente. Formada em Direito pela FDUP, encontra-se agora a tirar o segundo curso, em Línguas, Literaturas e Culturas, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Actualmente tem publicados ou em vias de publicação uma diversidade de contos que se espalham por antologias e fanzines, quer portuguesas quer brasileiras, além do blog Tales of Gondwana, maioritariamente dedicado a opiniões de livros e contos.
Livros que li da autora:
Vinho Fino (conto in Lusitânia 1) - Opinião
Pulsação (conto in Fénix 2) - Opinião
Histórias do Mal (conto) - Opinião
A Presa e o Caçador (conto in O Legado de Eros) - Opinião
Dogson (conto in Comandante Serralves - Despojos de Guerra) - Opinião
Trabalhos editados em Português:
Angelus - Histórias Fantásticas de Anjos, Literata(2012)
Lusitânia (2012)
Nanozine 7 (2012)
Terrir, Editora Estronho (2013)
Super-Heróis, Editora Draco (2013)
NanoZine 8 (2013)
Fénix 2 (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume I, EuEdito (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume II, EuEdito (2013)
Lusitânia 2 (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume III, EuEdito (2013)
Boy’s Love – histórias de amor sem preconceito, Editora Draco (2014)
Comandante Serralves - Despojos de Guerra, Imaginauta (2014)
A visitar: Blog do Autor, Goodreads do Autor, Fantasy & Co (projecto de autores de fantasia e FC)
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Comandante Serralves - Despojos de Guerra
"Comandante Serralves - Despojos de Guerra", de Ana Filipa Ferreira (Ana Ferreira), Carlos Silva, Inês Montenegro, Joel Puga, Rui Leite, Vitor Frazão
Este projecto, mais que uma antologia, é a raíz para algo que os criadores pretendem que seja mais grandioso, mais abrangente. Conhecem o conceito do Projecto Imaginauta? Convido-vos a visitarem o site para pereceberem melhor como nasceu este "Comandante Serralves - Despojos de Guerra" e, quem sabe, a contribuirem para o projecto.
Este antologia reúne várias aventuras do personagem que empresta o nome ao livro e cada uma é bastante independente das restantes, embora exista um centro coeso entre todas. Tudo se passa após uma guerra entre humanos e uns seres extraterrestres de nome Pahoehoentes, mas agora a luta é interna. Serralves e a sua tripulação querem mudar o sistema e nestas aventuras vemos alguns desses esforços intra e extra-planetários.
Como um todo a antologia funciona bem. Os contos não tem ligação imediata, ou sequer cronológica, entre si mas como refernciam os mesmos acontecimentos, os mesmos objectivos e algumas das mesmas personagens, torna-se fácil interligá-los. No entanto também esta falta de ligação imediata deixou alguns espaços mortos que, em certos acontecimentos maos maracantes, forma bastante sentidos, visto que não houve resolução ou consequências que fossem sentidas nos contos seguintes.
Em termos de personagens, por razões óbvias o Serralves é o mais explorado mas, estranhamente, é a Emily que se mostra mais consistente. o Serralves nem sempre age da mesma maneira, o que é um pouco bizarro, mas pode ser explicado or uma maior ou menor maturidade, visto que enm todos os episódios se passam no mesmo espaço temporal. Infelizmente o Serralves toma tão grande parte da história que torna todas as outras personagens esquecíveis e faz com que nenhuma se tenha gravado permanentemente na minha memória (tirando a Emily).
Todas as histórias têm algo de interessante e novo a acrescentar, mas nem todas me marcaram da mesma forma e as favoritas foram: "Métodos de Invasão, "Des Eigentum", e "A Guerra Esquecida".
Fica agora uma opinião mais individualizada de cada um dos contos:
"Métodos de Evasão", de Carlos Silva
Sem dúvida o meu conto favorito da antologia, esta história introduz-nos a este universo com uma bomba (não literal).
Apesar de não ter gostado da pressa do final (nem vemos como ele escapa), tudo o resto foi excelente.
Apresentou-nos o Serralves como um homem confiante, experiente e que é facilmente sobrestimado. Também nos mostra logo o(s) lado(s) inimigo(s) e algumas das motivações deste intrépido explorador do espaço.
A prosa está excelente e os diálogos fluem muito bem. Uma fantástica primeira incursão.
"Sinais", de Vitor Frazão
É neste segundo conto que conhecemos a "Maria" (nave espacial do Serralves) e a sua tripulação. Numa primeira parte cheia de conflito e desenvolviemento, passamos depois para uma segunda parte que prometia muito, mas que não funcionou tão bem como esperava.
Sem dúvida somos fornecidos com muita informação vital nesta história, e esta não nos é debitada de forma incómoda. Flui bem no contexto da aventura, mas em termos de acção (que é uma grande parte da última metade do conto) achei que ficou a faltar-lhe um certo brilho. E apesar de me apresentar uma série de pessoas, nenhuma ficou para a posteridade.
Por outro lado, o conceito da cidade está fabuloso!
"Dogson", de Inês Montenegro
Pela primeira vez vemos como funciona o sistema de vida continuada de Serralves e como isso afecta os que outrora se volutariaram para serem recipientes do icónico comandante. E, mais que isso, como lhes é impossível voltar atrás nessa decisão.
Dogson é o nome do desgraçadinho que um dia se lembrou de ser voluntário e que agora não tem grande vontade de dar o seu corpo ao Serralves.
Dito isto, o conceito está excelente e definitivamente funciona bem para mostrar em que consiste esta vida 'eterna' do Serralves. No entanto achei os diálogos fracos e houve pouco tempo para conhecer as personagens e, dessa forma, sentir pena (ou não) pelo desfecho que se seguiu.
"Despojos de Guerra", de Carlos Silva
Conto intenso e interessante, com uma sequência de cenas bem elaborada. Passa-se, maioritariamente, em Vénus, num Mercado Negro onde se pode arranjar de tudo, incluindo tecnologia extra-terrestre. E é isso que leva Serralves e a sua equipa a uma descoberta que pode ser tão promissora como perigosa.
A premissa está excelente, contudo a aventura, a escrita e as personagens não me cativaram tanto como no primeiro conto (também deste autor), apesar de não estarem más.
"Des Eigentum", de Ana Ferreira (Adeselna Davies)
Neste conto podemos ver o outro lado da guerra, entrar na mente de um Pahoehoente e só isso basta para tornar este um dos contos mais interessantes e, ao mesmo tempo, mais distante dos outros.
Gostei muito de como foi narrado de forma crua e directa, sem palavras desnecessárias, deixando lugar para que o leitor tire as suas próprias conclusões. E ainda, por fim, deu-nos um outro olhar sobre as acções do Comandante Serralves.
"A Guerra Esquecida", de Joel Puga
Uma história cheia de adrenalina, muito bem estruturada e que deixa sempre o leitor curioso e a querer mais. As personagens, enfim, estavam um pouco ocas, sacrificadas em detrimento do enredo, o que fez com que nenhuma me marcasse, nem mesmo o Serralves, apesar de eu ter gostado de ver como ele lidou com o novo corpo e com as pessoas que conheciam o dito corpo antes de ele tomar posse dele. No entanto isso me impediu de desfrutar bastante deste texto.
"Statica Falls", de Rui Leite
Entre este e os restantes contos nota-se uma maior diferença, tanto a nível temporal como por ser narrado na perspectiva de uma outra personagem: a Emily. E graças a isso posso dizer que o que mais gostei foi da interacção entre ela a o Serralves. Nota-se um amadurecimento na relação dos dois, em contraste com o segundo conto (Sinais).
Por outro lado, o conceito do povo que vive isolado do resto da humanidade, julgando-se a última colónia sobrevivente, foi bastante interessante, embora a resolução não me tenha enchido bem as medidas.
Nota: Na altura de divulgação do lançamento fiz uma entrevista relacionada com este livro e com o projecto Imaginauta. podem ler tudo AQUI.
Sinopse:
Depois da invasão Pahoehoente, a Aliança Humana trouxe paz e prosperidade ao Sistema Solar. Contudo trouxe também a supressão da cultura, a opressão e a padronização dos povos.
Existe, porém, uma lenda que há várias gerações traz esperança a todas as nações livres. O seu nome é: Comandante Serralves
Suba a bordo da nave Maria e deixe-se levar por um universo de relatos de resistência e luta. Conheça as muitas caras e corpos do Comandante e deixe-se maravilhar pelas comunidades que colonizaram os planetas de Mercúrio a Urano.
Que despojos de guerra contra os Pahoehoentes são esses que ainda hoje trazem perigo às nações livres? Que artefactos se escondem em torno do Sol que podem desiquilibrar o braço de ferro entre Serralves e a Aliança?
Este projecto, mais que uma antologia, é a raíz para algo que os criadores pretendem que seja mais grandioso, mais abrangente. Conhecem o conceito do Projecto Imaginauta? Convido-vos a visitarem o site para pereceberem melhor como nasceu este "Comandante Serralves - Despojos de Guerra" e, quem sabe, a contribuirem para o projecto.
Este antologia reúne várias aventuras do personagem que empresta o nome ao livro e cada uma é bastante independente das restantes, embora exista um centro coeso entre todas. Tudo se passa após uma guerra entre humanos e uns seres extraterrestres de nome Pahoehoentes, mas agora a luta é interna. Serralves e a sua tripulação querem mudar o sistema e nestas aventuras vemos alguns desses esforços intra e extra-planetários.
Como um todo a antologia funciona bem. Os contos não tem ligação imediata, ou sequer cronológica, entre si mas como refernciam os mesmos acontecimentos, os mesmos objectivos e algumas das mesmas personagens, torna-se fácil interligá-los. No entanto também esta falta de ligação imediata deixou alguns espaços mortos que, em certos acontecimentos maos maracantes, forma bastante sentidos, visto que não houve resolução ou consequências que fossem sentidas nos contos seguintes.
Em termos de personagens, por razões óbvias o Serralves é o mais explorado mas, estranhamente, é a Emily que se mostra mais consistente. o Serralves nem sempre age da mesma maneira, o que é um pouco bizarro, mas pode ser explicado or uma maior ou menor maturidade, visto que enm todos os episódios se passam no mesmo espaço temporal. Infelizmente o Serralves toma tão grande parte da história que torna todas as outras personagens esquecíveis e faz com que nenhuma se tenha gravado permanentemente na minha memória (tirando a Emily).
Todas as histórias têm algo de interessante e novo a acrescentar, mas nem todas me marcaram da mesma forma e as favoritas foram: "Métodos de Invasão, "Des Eigentum", e "A Guerra Esquecida".
Fica agora uma opinião mais individualizada de cada um dos contos:
"Métodos de Evasão", de Carlos Silva
Sem dúvida o meu conto favorito da antologia, esta história introduz-nos a este universo com uma bomba (não literal).
Apesar de não ter gostado da pressa do final (nem vemos como ele escapa), tudo o resto foi excelente.
Apresentou-nos o Serralves como um homem confiante, experiente e que é facilmente sobrestimado. Também nos mostra logo o(s) lado(s) inimigo(s) e algumas das motivações deste intrépido explorador do espaço.
A prosa está excelente e os diálogos fluem muito bem. Uma fantástica primeira incursão.
"Sinais", de Vitor Frazão
É neste segundo conto que conhecemos a "Maria" (nave espacial do Serralves) e a sua tripulação. Numa primeira parte cheia de conflito e desenvolviemento, passamos depois para uma segunda parte que prometia muito, mas que não funcionou tão bem como esperava.
Sem dúvida somos fornecidos com muita informação vital nesta história, e esta não nos é debitada de forma incómoda. Flui bem no contexto da aventura, mas em termos de acção (que é uma grande parte da última metade do conto) achei que ficou a faltar-lhe um certo brilho. E apesar de me apresentar uma série de pessoas, nenhuma ficou para a posteridade.
Por outro lado, o conceito da cidade está fabuloso!
"Dogson", de Inês Montenegro
Pela primeira vez vemos como funciona o sistema de vida continuada de Serralves e como isso afecta os que outrora se volutariaram para serem recipientes do icónico comandante. E, mais que isso, como lhes é impossível voltar atrás nessa decisão.
Dogson é o nome do desgraçadinho que um dia se lembrou de ser voluntário e que agora não tem grande vontade de dar o seu corpo ao Serralves.
Dito isto, o conceito está excelente e definitivamente funciona bem para mostrar em que consiste esta vida 'eterna' do Serralves. No entanto achei os diálogos fracos e houve pouco tempo para conhecer as personagens e, dessa forma, sentir pena (ou não) pelo desfecho que se seguiu.
"Despojos de Guerra", de Carlos Silva
Conto intenso e interessante, com uma sequência de cenas bem elaborada. Passa-se, maioritariamente, em Vénus, num Mercado Negro onde se pode arranjar de tudo, incluindo tecnologia extra-terrestre. E é isso que leva Serralves e a sua equipa a uma descoberta que pode ser tão promissora como perigosa.
A premissa está excelente, contudo a aventura, a escrita e as personagens não me cativaram tanto como no primeiro conto (também deste autor), apesar de não estarem más.
"Des Eigentum", de Ana Ferreira (Adeselna Davies)
Neste conto podemos ver o outro lado da guerra, entrar na mente de um Pahoehoente e só isso basta para tornar este um dos contos mais interessantes e, ao mesmo tempo, mais distante dos outros.
Gostei muito de como foi narrado de forma crua e directa, sem palavras desnecessárias, deixando lugar para que o leitor tire as suas próprias conclusões. E ainda, por fim, deu-nos um outro olhar sobre as acções do Comandante Serralves.
"A Guerra Esquecida", de Joel Puga
Uma história cheia de adrenalina, muito bem estruturada e que deixa sempre o leitor curioso e a querer mais. As personagens, enfim, estavam um pouco ocas, sacrificadas em detrimento do enredo, o que fez com que nenhuma me marcasse, nem mesmo o Serralves, apesar de eu ter gostado de ver como ele lidou com o novo corpo e com as pessoas que conheciam o dito corpo antes de ele tomar posse dele. No entanto isso me impediu de desfrutar bastante deste texto.
"Statica Falls", de Rui Leite
Entre este e os restantes contos nota-se uma maior diferença, tanto a nível temporal como por ser narrado na perspectiva de uma outra personagem: a Emily. E graças a isso posso dizer que o que mais gostei foi da interacção entre ela a o Serralves. Nota-se um amadurecimento na relação dos dois, em contraste com o segundo conto (Sinais).
Por outro lado, o conceito do povo que vive isolado do resto da humanidade, julgando-se a última colónia sobrevivente, foi bastante interessante, embora a resolução não me tenha enchido bem as medidas.
Nota: Na altura de divulgação do lançamento fiz uma entrevista relacionada com este livro e com o projecto Imaginauta. podem ler tudo AQUI.
Sinopse:
Depois da invasão Pahoehoente, a Aliança Humana trouxe paz e prosperidade ao Sistema Solar. Contudo trouxe também a supressão da cultura, a opressão e a padronização dos povos.
Existe, porém, uma lenda que há várias gerações traz esperança a todas as nações livres. O seu nome é: Comandante Serralves
Suba a bordo da nave Maria e deixe-se levar por um universo de relatos de resistência e luta. Conheça as muitas caras e corpos do Comandante e deixe-se maravilhar pelas comunidades que colonizaram os planetas de Mercúrio a Urano.
Que despojos de guerra contra os Pahoehoentes são esses que ainda hoje trazem perigo às nações livres? Que artefactos se escondem em torno do Sol que podem desiquilibrar o braço de ferro entre Serralves e a Aliança?
terça-feira, 22 de julho de 2014
::Entrevista:: Imaginauta
Hoje trago-vos algo novo: a primeira entrevista aqui do blog Floresta de Livros. Já tive oportunidade de vos falar do Projecto Imaginauta num post anterior (aqui) e agora segue-se uma entrevista exclusiva. Espero que gostem, e deixem os vossos comentários.
Floresta de Livros (FL): Começo então por perguntar: Exactamente em que consiste o Imaginauta? São uma espécie de Liga de autores nacionais? O vosso objectivo é somente partilhar as vossas histórias ou há algo mais?
Imaginauta (IM): Imaginauta é apenas um estandarte em redor do qual queremos unir esforços que até agora têm estado dispersos e trazer a público conteúdos que nos entusiasmam como escritores e leitores. Até agora, cada vez que um de nós começava um projecto tinha de construí-lo praticamente de raiz, com Imaginauta queremos usar o “balanço” gerado por um projecto para dar ritmo a outros, criando um sistema de apoio.
FL: Quantas pessoas fazem parte do projecto, neste momento, e como se dividem as tarefas?
IM: Somos um reduzido núcleo duro macgyveriano, com uma alergia patológica a hierarquias, com apenas uma prioridade: remar na mesma direcção. “Comandante Serralves – Despojos de Guerra” foi feito com Carlos Silva, Ana Ferreira, Rui Leite, Vitor Frazão, Joel Puga e Inês Montenegro, contudo, isso não significa que o próximo conteúdo o seja. Pode ser com apenas alguns deles ou mesmo com um alinhamento completamente novo. Até pode ser com um de vós.
FL: Sendo que todos os autores são conhecidos por escreverem maioritariamente Fantasia e Ficção Científica, será correcto dizer que o Imaginauta se focará nestes dois géneros (e todos os seus subgéneros) ou estender-se-ão por outros?
IM: Não escondemos a paixão por esses dois géneros, contudo, não queremos limitar-nos e estamos sempre dispostos a aceitar propostas/desafio. O Imaginauta não seria lá muito imaginativo se só viajasse por dois universos, não é?
FL: No que respeita à vossa primeira obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra", que segundo a vossa descrição é uma colectânea de várias histórias, sobre a mesma personagem, passadas no mesmo mundo; como foi trabalharem em conjunto? Como coordenaram as histórias de forma a serem um todo coeso e a manterem-se fiéis às personagens e ao cenário?
IM: A história nasceu de um conto que o Carlos Silva decidiu abrir a outros autores, para expandir o world-building, tornando-o mais complexo e fortalecendo-o como outras perspectivas. No centro dessa história estava uma personagem cujo mesmo “extra” que a torna diferente de todos os outros separatistas que lutam contra a Aliança Humana, também permite uma certa flexibilidade no manuseamento por vários autores. O facto do universo literário em questão ser um misto do que existia nesse conto inicial e do que foi criado à medida que novos contributos foram introduzidos, também ajudou a manter a coesão.
Desde o princípio tivemos consciência que garantir coesão requereria muitas leituras e muito lapidar de pormenores. Afinal, não queríamos apenas uma simples antologia de contos desconexos que apenas partilhavam o mesmo universo, antes um conjunto de episódios que, mesmo valendo por si mesmo, seguiam uma linha narrativa e complementavam-se uns aos outros.
Felizmente ao longo do processo tivemos duas boas surpresas. Em primeiro lugar, o autores entenderam bem o espírito das personagens criadas pelos colegas e, com os seus pontos de vista diferentes, ajudaram a vincá-lo. Em segundo, não se verificou o nosso receio que à medida que os primeiros contos saíssem e o world-building se tornasse mais definido, os outros autores se sentissem criativamente mais limitados. Não só isso não aconteceu, como elementos inseridos nos contos mais novos acabaram por influenciar alterações nos mais antigos, simplesmente porque funcionavam melhor ou levaram a ver o cenário de outro prisma.
Verdade seja dita, apesar de existirem pontos assentes, ainda há no world-building muita margem para manobrar e/ou introduzir novos conceitos. Afinal, temos todo um Sistema Solar (e além?) para brincar.
FL: Ainda em relação a esta colaboração, qual foi o maior desafio que enfrentaram?
IM: Todos sabemos que em qualquer grupo com mais de uma pessoa há potencial para conflito. É natural que assim seja. Afinal, as diferentes opiniões, perspectivas e paixões fazem parte do interesse e do valor de trabalhar com outras pessoas. Como estereotipados solitários, os escritores podem ter alguma dificuldade em adaptar-se aos métodos de trabalho uns dos outros. Mas com calma, muitas horas de diálogo, mais uma dose de calma, paciência e, não sei se já disse, calma, acabámos por não só trabalhar bem em conjunto como até alimentar a criatividade uns dos outros.
FL: Fala-se muito da existência, ou inexistência de fantasia e ficção científica com cunho verdadeiramente nacional, ou seja, com algo que a marque como portuguesa e distinga da FC&F anglófona. Como o título da vossa primeira obra é obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra" será correcto assumir que tentaram levar a lusofonia ao espaço? Tentaram criar uma space-opera, uma aventura espacial com cunho nacional?
IM: Serralves é português. Gosta de o ser, foi por isso é que chamou Maria à nave que “pediu emprestada” aos pahoehoentes. Contudo, isso deve-se menos ao nosso desejo de carimbar um cunho nacional ao livro e mais ao mundo em que a aventura espacial se insere.
Os separatistas lutam contra uma Aliança Humana que, entre outras coisas, procura activamente eliminar todas as evidências de um tempo em que os povos da Terra e suas colónias espaciais não estavam unidos sob uma égide. Falar em outros idiomas além da língua padrão oficial, comer determinados pratos, seguir determinadas tradições, etc, em suma, viver e mostrar a sua cultura é, por sim só, um acto de desafio perante o poder instituído. Sim, Serralves é português e ao mostrá-lo também está a lutar simbolicamente. Mas outros tripulantes da Maria têm outras nacionalidades e lutam da mesma maneira.
FL: Quando em entrevista no blog “Uma Biblioteca em Construção” dizem, e passo a citar: «(…) desde o início estamos preparados para expandir este universo em vários formatos.», querem dizer que não planeiam ficar-se apenas pela prosa? Podemos esperar trabalhos noutras áreas? Banda Desenhada, Cinema, Teatro, talvez?
IM: Tal como “Comandante Serralves - Despojos de Guerra” nasceu da partilha de um autor, temos todo o interesse em continuar nesse espírito, estando abertos a todo o tipo de colaborações, sejam elas textos em prosa ou outros formatos. Artistas das mais variadas áreas têm revelado algo interesse em contribuir, contudo, foram só conversas informais. Quando tivermos novidades partilharemos. Para já o importante é esclarecer que não é nossa intenção guardar o Serralves só para nós e que estamos sempre abertos a ideias, desafio, contributos, etc. Por isso, se tiverem vontade de aumentar este universo, enviem-nos um email.
FL: Por fim, será que podem desvendar um pouco do que pretendem fazer no futuro próximo no Imaginauta e como tentarão de diferenciar do que já existe no mercado nacional?
IM: É verdade que estamos a trabalhar em algumas coisinhas, mas mais interessante que levantar um pouco o véu seria passar a pergunta aos seguidores do blog. Que lacunas gostavam de ver preenchidas no mercado nacional? Que projectos gostariam de ver surgir? Quem quiser acompanhar o que vamos fazendo AQUI (newsletter)
FL: Deixo os meus mais sinceros agradecimentos pela vossa disponibilidade para esta entrevista. Votos de muito sucesso com este projecto.
Vistem o site IMAGINAUTA para seguirem de perto este projecto. E por fim convido-vos a deixarem os vossos comentários. Gostaram desta entrevista? Gostariam de ver mais do mesmo género ou diferentes? Digam de vossa justiça! :)
Floresta de Livros (FL): Começo então por perguntar: Exactamente em que consiste o Imaginauta? São uma espécie de Liga de autores nacionais? O vosso objectivo é somente partilhar as vossas histórias ou há algo mais?
Imaginauta (IM): Imaginauta é apenas um estandarte em redor do qual queremos unir esforços que até agora têm estado dispersos e trazer a público conteúdos que nos entusiasmam como escritores e leitores. Até agora, cada vez que um de nós começava um projecto tinha de construí-lo praticamente de raiz, com Imaginauta queremos usar o “balanço” gerado por um projecto para dar ritmo a outros, criando um sistema de apoio.
FL: Quantas pessoas fazem parte do projecto, neste momento, e como se dividem as tarefas?
IM: Somos um reduzido núcleo duro macgyveriano, com uma alergia patológica a hierarquias, com apenas uma prioridade: remar na mesma direcção. “Comandante Serralves – Despojos de Guerra” foi feito com Carlos Silva, Ana Ferreira, Rui Leite, Vitor Frazão, Joel Puga e Inês Montenegro, contudo, isso não significa que o próximo conteúdo o seja. Pode ser com apenas alguns deles ou mesmo com um alinhamento completamente novo. Até pode ser com um de vós.
FL: Sendo que todos os autores são conhecidos por escreverem maioritariamente Fantasia e Ficção Científica, será correcto dizer que o Imaginauta se focará nestes dois géneros (e todos os seus subgéneros) ou estender-se-ão por outros?
IM: Não escondemos a paixão por esses dois géneros, contudo, não queremos limitar-nos e estamos sempre dispostos a aceitar propostas/desafio. O Imaginauta não seria lá muito imaginativo se só viajasse por dois universos, não é?
FL: No que respeita à vossa primeira obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra", que segundo a vossa descrição é uma colectânea de várias histórias, sobre a mesma personagem, passadas no mesmo mundo; como foi trabalharem em conjunto? Como coordenaram as histórias de forma a serem um todo coeso e a manterem-se fiéis às personagens e ao cenário?
IM: A história nasceu de um conto que o Carlos Silva decidiu abrir a outros autores, para expandir o world-building, tornando-o mais complexo e fortalecendo-o como outras perspectivas. No centro dessa história estava uma personagem cujo mesmo “extra” que a torna diferente de todos os outros separatistas que lutam contra a Aliança Humana, também permite uma certa flexibilidade no manuseamento por vários autores. O facto do universo literário em questão ser um misto do que existia nesse conto inicial e do que foi criado à medida que novos contributos foram introduzidos, também ajudou a manter a coesão.
Desde o princípio tivemos consciência que garantir coesão requereria muitas leituras e muito lapidar de pormenores. Afinal, não queríamos apenas uma simples antologia de contos desconexos que apenas partilhavam o mesmo universo, antes um conjunto de episódios que, mesmo valendo por si mesmo, seguiam uma linha narrativa e complementavam-se uns aos outros.
Felizmente ao longo do processo tivemos duas boas surpresas. Em primeiro lugar, o autores entenderam bem o espírito das personagens criadas pelos colegas e, com os seus pontos de vista diferentes, ajudaram a vincá-lo. Em segundo, não se verificou o nosso receio que à medida que os primeiros contos saíssem e o world-building se tornasse mais definido, os outros autores se sentissem criativamente mais limitados. Não só isso não aconteceu, como elementos inseridos nos contos mais novos acabaram por influenciar alterações nos mais antigos, simplesmente porque funcionavam melhor ou levaram a ver o cenário de outro prisma.
Verdade seja dita, apesar de existirem pontos assentes, ainda há no world-building muita margem para manobrar e/ou introduzir novos conceitos. Afinal, temos todo um Sistema Solar (e além?) para brincar.
FL: Ainda em relação a esta colaboração, qual foi o maior desafio que enfrentaram?
IM: Todos sabemos que em qualquer grupo com mais de uma pessoa há potencial para conflito. É natural que assim seja. Afinal, as diferentes opiniões, perspectivas e paixões fazem parte do interesse e do valor de trabalhar com outras pessoas. Como estereotipados solitários, os escritores podem ter alguma dificuldade em adaptar-se aos métodos de trabalho uns dos outros. Mas com calma, muitas horas de diálogo, mais uma dose de calma, paciência e, não sei se já disse, calma, acabámos por não só trabalhar bem em conjunto como até alimentar a criatividade uns dos outros.
FL: Fala-se muito da existência, ou inexistência de fantasia e ficção científica com cunho verdadeiramente nacional, ou seja, com algo que a marque como portuguesa e distinga da FC&F anglófona. Como o título da vossa primeira obra é obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra" será correcto assumir que tentaram levar a lusofonia ao espaço? Tentaram criar uma space-opera, uma aventura espacial com cunho nacional?
IM: Serralves é português. Gosta de o ser, foi por isso é que chamou Maria à nave que “pediu emprestada” aos pahoehoentes. Contudo, isso deve-se menos ao nosso desejo de carimbar um cunho nacional ao livro e mais ao mundo em que a aventura espacial se insere.
Os separatistas lutam contra uma Aliança Humana que, entre outras coisas, procura activamente eliminar todas as evidências de um tempo em que os povos da Terra e suas colónias espaciais não estavam unidos sob uma égide. Falar em outros idiomas além da língua padrão oficial, comer determinados pratos, seguir determinadas tradições, etc, em suma, viver e mostrar a sua cultura é, por sim só, um acto de desafio perante o poder instituído. Sim, Serralves é português e ao mostrá-lo também está a lutar simbolicamente. Mas outros tripulantes da Maria têm outras nacionalidades e lutam da mesma maneira.
FL: Quando em entrevista no blog “Uma Biblioteca em Construção” dizem, e passo a citar: «(…) desde o início estamos preparados para expandir este universo em vários formatos.», querem dizer que não planeiam ficar-se apenas pela prosa? Podemos esperar trabalhos noutras áreas? Banda Desenhada, Cinema, Teatro, talvez?
IM: Tal como “Comandante Serralves - Despojos de Guerra” nasceu da partilha de um autor, temos todo o interesse em continuar nesse espírito, estando abertos a todo o tipo de colaborações, sejam elas textos em prosa ou outros formatos. Artistas das mais variadas áreas têm revelado algo interesse em contribuir, contudo, foram só conversas informais. Quando tivermos novidades partilharemos. Para já o importante é esclarecer que não é nossa intenção guardar o Serralves só para nós e que estamos sempre abertos a ideias, desafio, contributos, etc. Por isso, se tiverem vontade de aumentar este universo, enviem-nos um email.
FL: Por fim, será que podem desvendar um pouco do que pretendem fazer no futuro próximo no Imaginauta e como tentarão de diferenciar do que já existe no mercado nacional?
IM: É verdade que estamos a trabalhar em algumas coisinhas, mas mais interessante que levantar um pouco o véu seria passar a pergunta aos seguidores do blog. Que lacunas gostavam de ver preenchidas no mercado nacional? Que projectos gostariam de ver surgir? Quem quiser acompanhar o que vamos fazendo AQUI (newsletter)
FL: Deixo os meus mais sinceros agradecimentos pela vossa disponibilidade para esta entrevista. Votos de muito sucesso com este projecto.
Vistem o site IMAGINAUTA para seguirem de perto este projecto. E por fim convido-vos a deixarem os vossos comentários. Gostaram desta entrevista? Gostariam de ver mais do mesmo género ou diferentes? Digam de vossa justiça! :)
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sábado, 19 de julho de 2014
Projecto Imaginauta - Divulgação
Já devem ter ouvido falar do novo projecto IMAGINAUTA, que se define desta forma:
A primeira obra lançada é "Comandante Serralves - Despojos de Guerra", um livro escrito a várias mãos.
Aqui fica a sinopse:
Imaginauta é um projecto literário que está prestes a descolar. O seu principal objectivo é trazer à luz do dia boas obras independentes que se destaquem no panorama nacional. Não é uma editora, é uma marca comum a um conjunto de projectos. Juntem-se a ele e conheçam novos e excitantes Mundos, ficção de qualidade e vibrante de imaginação.
A primeira obra lançada é "Comandante Serralves - Despojos de Guerra", um livro escrito a várias mãos.
Aqui fica a sinopse:
Esta é a Era da Aliança Humana. Uma nova ordem Mundial forjada a sangue e fogo pela necessidade de unir os povos da Terra para derrotar uma invasão alienígena.
Não, esta não é a estória dessa guerra. Essa já nos foi contada e recontada pela FC desde os seus primórdios. Esta é a estória do que veio depois.São tempos de paz, união, desenvolvimento, abundância e colonização do sistema solar. No entanto, tudo tem um preço e nem todos estão dispostos a aceitar o sacrifício da liberdade e da cultura de cada povo em troco deste futuro unido sobre uma única égide. E ninguém se rebela mais que o vulpino, grandíloquo e questionável Comandante Serralves. Armado com umas quantas “prendas” deixadas pelos derrotados invasores e na companhia de um caótico imbróglio de aliados, o perigoso rebelde garantirá que o poder estabelecido nunca tenha uma noite de sono descansada.Na tradição das clássicas space operas, “Comandante Serralves – Despojos de Guerra” é um universo aberto escrito a seis mãos. O que começou como um modesto conto e um protagonista-conceito simples, floresceu em complexidade e novas perspectivas ao ser expostos aos talentos (e consideráveis neuroses) de um grupo de jovens escritores.Uma aventura espacial excitante e intrigante que promete apelar a todos os leitores.
Os autores deste primeiro livro são: Ana Ferreira, Carlos Silva, Joel Puga, Inês Montenegro, Rui Leite e Vítor Frazão. Tudo autores que aprecio, por isso o livro promete ser bom!
Podem saber tudo sobre este projecto no site oficial. leiam também a opinião do Artur Coelho (Intergalactic Robot), que já leu o "Comandante Serralves - Despojos de Guerra" e a entrevista no blog Uma Biblioteca em Construção.
Quanto a mim, fiquem atento porque espero em breve trazer mais novidades sobre este projecto. Visitem o SITE.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
O Legado de Eros
"O Legado de Eros", antologia com contos de Carina Portugal, Carlos Silva, Inês Montenegro, Pedro Cipriano, Sara Farinha e Vitor Frazão (ebook grátis)
Sinopse:
Contos eróticos e românticos, de vários autores do blog Fantasy & Co.
Opinião:
Na sequência do excelente trabalho que o grupo Fantasy & Co tem vindo a fazer, resulta mais uma antologia, que reúne contos de vários autores residentes do projecto. Como é habitual em colectâneas, alguns contos são melhores que outros, mas no geral posso dizer que gostei e que, definitivamente, há romance nestas páginas, e algum erotismo também, se bem que não muito.
Ficam então as apreciações individuais e no fim revelo os favoritos.
"A Presa e o Caçador", de Inês Montenegro
Neste conto a autora parece sair um pouco da sua zona de conforto. A ideia em si é bastante boa e a reviravolta final foi muito bem conseguida, no entanto a escrita romântica/erótica mostra-se crua e insípida, sem qualquer laivo de emoção, já para não falar que a mitologia envolvida não foi bem conseguida. Não fui capaz de me ligar com as personagens, ou de apreciar o que elas sentiam e os que as motivava.
"Rumo a Casa", de Sara Farinha
Uma história emotiva e com um final que marca, que consegue explorar uma das personagens sem necessidade de grandes artefactos. Contudo negligenciou a personagem feminina, o que se fez sentir no texto e deixou uma lacuna indesejável. No geral gostei mas queria algo mais.
"Carta para os Cosmos", de Carlos Silva
Bom conceito, apesar de não ser original, mas com diálogos um pouco fracos e algo lamechas, que peca por um final algo fácil, se bem que adequado. Não é que tenha desgostado, mas não é um trabalho que me fique na memória.
"Amor-Perfeito", de Vitor Frazão
Excelente texto, com bons diálogos, personagens que se gravam na memória do leitor e uma escrita muito coerente. O autor consegue sempre criar personagens marcantes e este conto não é excepção. Só não gostei particularmente da parte final, em que os diálogos tomaram demasiado protagonismo e houve uma lacuna temporal que eu senti que deveria ter sido preenchida. Fora isso, mais um excelente conto do Vitor Frazão.
"A Primavera", de Pedro Cipriano
Para esta história tenho uma opinião dividida. Se por um lado acho que o autor conseguiu retratar bem as personagens e as suas vidas, por outro acho que a ideia já está muito batida e não fiquei fã de algumas transições de acção. Por outro lado não entendo como o autor pode dizer que esta história se passa depois de 2019, quando na verdade em nada difere de um relato que se poderia ter passado na 1ª ou 2ª Guerra Mundial, num conto em que nada indica que estamos no futuro. Bem pelo contrário! E aí também reside uma incoerência, pois este é o único conto da antologia que não tem nada de ficção científica ou fantasia. Pelo menos não que eu tenha percebido.
Fora isso, como já disse, gostei de como está escrito e explorado, mas não trouxe nada de novo.
"Sementes de Fada", de Carina Portugal
Belíssimo conto, com muito boas personagens, uma mitologia bem explorada e cenas muito convincentes. Adorei esta pequena história, embora o fim não me tenha convencido completamente. A escrita da autora está excelente e conseguiu dar vida ás personagens, que acabaram por ser o melhor do conto.
E os meus contos favoritos são: "Amor-Perfeito" do Vitor Frazão, e "Sementes de Fada", da Carina Portugal.
Podem ler esta antologia, gratuitamente, AQUI:
Sinopse:
Contos eróticos e românticos, de vários autores do blog Fantasy & Co.
Opinião:
Na sequência do excelente trabalho que o grupo Fantasy & Co tem vindo a fazer, resulta mais uma antologia, que reúne contos de vários autores residentes do projecto. Como é habitual em colectâneas, alguns contos são melhores que outros, mas no geral posso dizer que gostei e que, definitivamente, há romance nestas páginas, e algum erotismo também, se bem que não muito.
Ficam então as apreciações individuais e no fim revelo os favoritos.
"A Presa e o Caçador", de Inês Montenegro
Neste conto a autora parece sair um pouco da sua zona de conforto. A ideia em si é bastante boa e a reviravolta final foi muito bem conseguida, no entanto a escrita romântica/erótica mostra-se crua e insípida, sem qualquer laivo de emoção, já para não falar que a mitologia envolvida não foi bem conseguida. Não fui capaz de me ligar com as personagens, ou de apreciar o que elas sentiam e os que as motivava.
"Rumo a Casa", de Sara Farinha
Uma história emotiva e com um final que marca, que consegue explorar uma das personagens sem necessidade de grandes artefactos. Contudo negligenciou a personagem feminina, o que se fez sentir no texto e deixou uma lacuna indesejável. No geral gostei mas queria algo mais.
"Carta para os Cosmos", de Carlos Silva
Bom conceito, apesar de não ser original, mas com diálogos um pouco fracos e algo lamechas, que peca por um final algo fácil, se bem que adequado. Não é que tenha desgostado, mas não é um trabalho que me fique na memória.
"Amor-Perfeito", de Vitor Frazão
Excelente texto, com bons diálogos, personagens que se gravam na memória do leitor e uma escrita muito coerente. O autor consegue sempre criar personagens marcantes e este conto não é excepção. Só não gostei particularmente da parte final, em que os diálogos tomaram demasiado protagonismo e houve uma lacuna temporal que eu senti que deveria ter sido preenchida. Fora isso, mais um excelente conto do Vitor Frazão.
"A Primavera", de Pedro Cipriano
Para esta história tenho uma opinião dividida. Se por um lado acho que o autor conseguiu retratar bem as personagens e as suas vidas, por outro acho que a ideia já está muito batida e não fiquei fã de algumas transições de acção. Por outro lado não entendo como o autor pode dizer que esta história se passa depois de 2019, quando na verdade em nada difere de um relato que se poderia ter passado na 1ª ou 2ª Guerra Mundial, num conto em que nada indica que estamos no futuro. Bem pelo contrário! E aí também reside uma incoerência, pois este é o único conto da antologia que não tem nada de ficção científica ou fantasia. Pelo menos não que eu tenha percebido.
Fora isso, como já disse, gostei de como está escrito e explorado, mas não trouxe nada de novo.
"Sementes de Fada", de Carina Portugal
Belíssimo conto, com muito boas personagens, uma mitologia bem explorada e cenas muito convincentes. Adorei esta pequena história, embora o fim não me tenha convencido completamente. A escrita da autora está excelente e conseguiu dar vida ás personagens, que acabaram por ser o melhor do conto.
E os meus contos favoritos são: "Amor-Perfeito" do Vitor Frazão, e "Sementes de Fada", da Carina Portugal.
Podem ler esta antologia, gratuitamente, AQUI:
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terça-feira, 14 de janeiro de 2014
::Conto:: História de um Mal
"História de um Mal", de Inês Montenegro (conto grátis)
Sinopse:
Um bichanou a outro, que cochichou a outro, que segredou a outro. “Já sabes?” E um mal nasceu.
Opinião:
Um conceito interessante mas que não foi explorado da melhor forma. Foi muito "contado" e não houve lugar a nenhuma ligação ou dinâmica entre o leitor ou com as personagens.
Infelizmente isso faz desta uma história muito pouco marcante, ao contrário do que normalmente a autora consegue fazer.
Visitem: Blog da Autora * Autor no Goodreads * Fantasy & Co
Sinopse:
Um bichanou a outro, que cochichou a outro, que segredou a outro. “Já sabes?” E um mal nasceu.
Opinião:
Um conceito interessante mas que não foi explorado da melhor forma. Foi muito "contado" e não houve lugar a nenhuma ligação ou dinâmica entre o leitor ou com as personagens.
Infelizmente isso faz desta uma história muito pouco marcante, ao contrário do que normalmente a autora consegue fazer.
Visitem: Blog da Autora * Autor no Goodreads * Fantasy & Co
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Fénix 2
"Fénix, nº 2", fanzine
O terceiro volume da Fanzine portuguesa dedicada à fantasia e ficção-científica, desta feita com o tema "Livros". Inclui contos, artigos, entrevistas, entre outros -- bem como o suplemento humorístico "Pumba".
Organizado, dirigido e editado por Marcelina Gama Leandro.
Opinião:
"A Escuridão", de André Carneiro
Com uma escrita intensa e descritiva o suficiente para que o leitor entre na história, este conto tem momentos sublimes em que o autor consegue transmitir muito bem que as personagens sentem. Ficou a faltar apenas uma explicação para o que ocorreu.
"O Homem de Areia", de Domingo Santos (tradução de Álvaro de Sousa Holstein)
Um enredo intrigante que o leitor vai captando lentamente. Achei o romance bem construído, embora o fim do mesmo não fosse imprevisível. Já o fim do conto foi muito bem conseguido em termos de acção, enquanto as palavras não pareceram acompanhá-lo da melhor forma.
"Esferas e Tormentas", de Carlos Espigueiro
Sinceramente não entendi qual a finalidade deste conto.
"Um dia de Trabalho", de Ricardo Dias
Apesar de um começo fraco, logo o conto fica mais interessante. No entanto, na segunda parte a personagem 'do mal' estava demasiado cliché e só me fez revirar os olhos. Gostei do twist final e gostei do conceito, mas o recurso a diálogos e acções clichés, na parte do demónio, não ajudou nada.
"O Estranho Caso do Livro sem Palavras", de Ana C. Silva
Aqui temos uma personagem feminina decidida e cujas aventuras eu gostaria de continuar a seguir. Num ambiente victoriano, mas passado em Portugal, vislumbramos um mundo complexo, cheio de magia e criaturas interessantes. O enredo central mantém o leitor atento e só achei que a magia podia ser mais bem explicada e que o uso de certos termos devia ser mais contida, ou melhor envolvido na história.
O conto vem acompanhado de uma bela ilustração da autora.
"Despertar", BD de Rui Ramos
Uma banda desenhada curiosa, com boa transição de cenas mas que deixa quase tudo por explicar.
"A Passagem Secreta", de Sara Farinha
Apesar de a ideia ser muito boa achei que a narrativa não estava suficientemente envolvida nos acontecimentos, criando uma separação entre o leitor e a história. Mas aquele final esteve mesmo bem!
"Fismoth - O Último Inquilino", de Manuel Mendonça
Não me ficou na memória e foi demasiado fugaz, ao mesmo tempo que ficou disperso.
"Mundos em Mundos", de Vitor Frazão
Excelente diálogo e premissa intrigante ao ponto de deixar o leitor com vontade de saber mais mas, ao mesmo tempo, esclarecedor o suficiente para se aguentar como um micro-conto.
"Livros do Tempo", de Carlos Coelho de Faria
Um conceito curioso e suficientemente bem escrito para satisfazer o leitor e o deixar a pensar sobre como a protagonista terá adquirido o livro. A ideia, estranhamente, fez-me pensar no manga "Death Note".
"Pulsação", de Inês Montenegro
O melhor micro-conto da fanzine. Emotivo, evocativo e algo com que todos os leitores se conseguirão relacionar.
"Uma Demanda Literária", de Joel Puga
Fiquei com uma opinião ambígua sobre este conto. Por um lado gostei da ideia e da acção, mas por outro aquele final não me deixou completamente satisfeita ou esclarecida, embora eu assuma saber o que o autor sugere.
"A Dança das letras", de Ana C. Nunes
Remeto-me ao silêncio sobre este, ou não fosse eu a sua autora. :)
"O Rosto Vivo", de Marcelina Gama Leandro
Não é certamente o melhor conto da autora mas é curioso chegar ao fim desta fanzine e ler este conto.
Depois de opinar sobre os contos, há que deixar umas palavras sobre o resto da revista. Gostei particularmente da entrevista a André Carneiro, uma autor que ainda não conhecia bem. No artigo sobre videojogos sentia-se que tinha sido escrito por alguém apaixonado pelo assunto e foi uma leitura interessante. A secção da Correspondência foi uma excelente adição à fanzine, dando mais uma vez a conhecer um pouco de Romeu de Melo. Também não posso deixar de mencionar o suplemento Pumba!, com um humor muito direccionado a quem anda a par do que se passa na FC&F em Portugal, mas que não deixa de ter muita graça, em certos momentos.
Fica também uma nota ao excelente design, maculado apenas por uma ou outra gafe que terá escapado à edição e que não incomoda por aí além. E, claro, não podia deixar de mencionar a belíssima capa da autoria da A.C. Silva.
Em suma, este segundo número da fanzine Fénix tem uma selecção bastante curiosa de contos, sendo que os que mais gostei foram: "A Escuridão" de André Carneiro, "O Estranho Caso do Livro sem Palavras" de A.C. Silva, "Mundos em Mundos de Vitor Frazão e "Pulsação" de Inês Montenegro".
Podem comprar esta fanzine AQUI.
E no seguimento desta, foi lançada a Antologia Fénix de Ficção Cíentifica e Fantasia - Volume 1, que está disponível gratuitamente AQUI.
O terceiro volume da Fanzine portuguesa dedicada à fantasia e ficção-científica, desta feita com o tema "Livros". Inclui contos, artigos, entrevistas, entre outros -- bem como o suplemento humorístico "Pumba".
Organizado, dirigido e editado por Marcelina Gama Leandro.
Opinião:
"A Escuridão", de André Carneiro
Com uma escrita intensa e descritiva o suficiente para que o leitor entre na história, este conto tem momentos sublimes em que o autor consegue transmitir muito bem que as personagens sentem. Ficou a faltar apenas uma explicação para o que ocorreu.
"O Homem de Areia", de Domingo Santos (tradução de Álvaro de Sousa Holstein)
Um enredo intrigante que o leitor vai captando lentamente. Achei o romance bem construído, embora o fim do mesmo não fosse imprevisível. Já o fim do conto foi muito bem conseguido em termos de acção, enquanto as palavras não pareceram acompanhá-lo da melhor forma.
"Esferas e Tormentas", de Carlos Espigueiro
Sinceramente não entendi qual a finalidade deste conto.
"Um dia de Trabalho", de Ricardo Dias
Apesar de um começo fraco, logo o conto fica mais interessante. No entanto, na segunda parte a personagem 'do mal' estava demasiado cliché e só me fez revirar os olhos. Gostei do twist final e gostei do conceito, mas o recurso a diálogos e acções clichés, na parte do demónio, não ajudou nada.
"O Estranho Caso do Livro sem Palavras", de Ana C. Silva
Aqui temos uma personagem feminina decidida e cujas aventuras eu gostaria de continuar a seguir. Num ambiente victoriano, mas passado em Portugal, vislumbramos um mundo complexo, cheio de magia e criaturas interessantes. O enredo central mantém o leitor atento e só achei que a magia podia ser mais bem explicada e que o uso de certos termos devia ser mais contida, ou melhor envolvido na história.
O conto vem acompanhado de uma bela ilustração da autora.
"Despertar", BD de Rui Ramos
Uma banda desenhada curiosa, com boa transição de cenas mas que deixa quase tudo por explicar.
"A Passagem Secreta", de Sara Farinha
Apesar de a ideia ser muito boa achei que a narrativa não estava suficientemente envolvida nos acontecimentos, criando uma separação entre o leitor e a história. Mas aquele final esteve mesmo bem!"Fismoth - O Último Inquilino", de Manuel Mendonça
Não me ficou na memória e foi demasiado fugaz, ao mesmo tempo que ficou disperso.
"Mundos em Mundos", de Vitor Frazão
Excelente diálogo e premissa intrigante ao ponto de deixar o leitor com vontade de saber mais mas, ao mesmo tempo, esclarecedor o suficiente para se aguentar como um micro-conto.
"Livros do Tempo", de Carlos Coelho de Faria
Um conceito curioso e suficientemente bem escrito para satisfazer o leitor e o deixar a pensar sobre como a protagonista terá adquirido o livro. A ideia, estranhamente, fez-me pensar no manga "Death Note".
"Pulsação", de Inês Montenegro
O melhor micro-conto da fanzine. Emotivo, evocativo e algo com que todos os leitores se conseguirão relacionar.
"Uma Demanda Literária", de Joel Puga
Fiquei com uma opinião ambígua sobre este conto. Por um lado gostei da ideia e da acção, mas por outro aquele final não me deixou completamente satisfeita ou esclarecida, embora eu assuma saber o que o autor sugere.
"A Dança das letras", de Ana C. Nunes
Remeto-me ao silêncio sobre este, ou não fosse eu a sua autora. :)
"O Rosto Vivo", de Marcelina Gama Leandro
Não é certamente o melhor conto da autora mas é curioso chegar ao fim desta fanzine e ler este conto.
Depois de opinar sobre os contos, há que deixar umas palavras sobre o resto da revista. Gostei particularmente da entrevista a André Carneiro, uma autor que ainda não conhecia bem. No artigo sobre videojogos sentia-se que tinha sido escrito por alguém apaixonado pelo assunto e foi uma leitura interessante. A secção da Correspondência foi uma excelente adição à fanzine, dando mais uma vez a conhecer um pouco de Romeu de Melo. Também não posso deixar de mencionar o suplemento Pumba!, com um humor muito direccionado a quem anda a par do que se passa na FC&F em Portugal, mas que não deixa de ter muita graça, em certos momentos.
Fica também uma nota ao excelente design, maculado apenas por uma ou outra gafe que terá escapado à edição e que não incomoda por aí além. E, claro, não podia deixar de mencionar a belíssima capa da autoria da A.C. Silva.
Em suma, este segundo número da fanzine Fénix tem uma selecção bastante curiosa de contos, sendo que os que mais gostei foram: "A Escuridão" de André Carneiro, "O Estranho Caso do Livro sem Palavras" de A.C. Silva, "Mundos em Mundos de Vitor Frazão e "Pulsação" de Inês Montenegro".
Podem comprar esta fanzine AQUI.
E no seguimento desta, foi lançada a Antologia Fénix de Ficção Cíentifica e Fantasia - Volume 1, que está disponível gratuitamente AQUI.
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terça-feira, 2 de abril de 2013
Lusitânia
"Lusitânia", fanzine com contos de Catarina Lima, Inês Montenegro, José Pedro Lopes, Marcelina Gama Leandro, Nuno Almeida e Pedro Cipriano (EuEdito)
Opinião:
Como sempre, deixo primeiro uma opinião sobre os contos e depois uma sobre a edição no geral.
"Sonhos Numa Noite de Natal", Marcelina Gama Leandro (ilustração de Inês Valente)
Um conto envolvente, muito português, e bem escrito, como a Marcelina já nos habituou. A história mantém o leitor agarrado, embora eu tenha achado o final um pouco exagerado.
A ilustração está muito fofa mas não se adapta bem ao tom lúgubre que toma conta do conto em quase toda a sua extensão.
"Vinho Fino", Inês Montenegro (ilustração de Bruno R.)
Esta história, muito agoirenta para os nortenhos (Hehe!) tem boas cenas e uma ideia muito interessante. A escrita da Inês é muito eficaz e funciona bem neste conto, no entanto achei que a 'invasão' foi demasiado genérica e precisava de ser mais explorada.
A ilustração que acompanha este conto é muitíssimo apropriada.
"Como Portugal foi Salvo pelos Pastéis de Nata", Catarina Lima (ilustrações de Andreia Silva)
Com uma protagonista muito vivaça e com quem é fácil simpatizar, Catarina dá vida a um conceito de fantasia urbana que é bastante credível. Só não percebi o porquê do título, já que não foi Portugal que foi salvo, mas sim Lisboa. Para terminar, tenho de dizer que gostava de ler mais aventuras da bruxa Maria Adelaide, uma personagem muito interessante.
Uma notinha especial para as belíssimas ilustrações da Andreia Silva.
"A Guerra do Fogo", Nuno Almeida (ilustrações de desconhecidos)
Um conto que vai buscar a raiz da história Lusitânia, algo que gosto sempre de ler, e cuja ideia principal é bastante interessante. No entanto a prosa nem sempre acompanhou bem as acções, especialmente por culpa da sucessão das cenas, que me pareceu, por vezes, exageradamente flexível. Por último, aquele diálogo final soou-me imensamente teatral.
A ilustração inicial está bem adequada ao conto, e a segunda também, embora num estilo completamente distinto. Gostava era de saber quem são os artistas.
"A Cidade das Luzes", José Pedro Lopes (foto de desconhecido)
Com uma ideia muito bem conseguida e original (ou tanto quanto se pode ser original no dias de hoje), esta história está interessante, embora aquela 'solução' final me tenha soado muito conveniente e totalmente inexplicada, o 'final' mesmo já foi mais satisfatório.
Este é, de toda a fanzine, o conto que menos parece lusitano. Podia-se passar em qualquer parte do mundo e não haveria diferença; no entanto não é isso que lhe tira mérito.
E a acentuar o que disse acima, a foto parece-me que nem é de Lisboa (ou sequer Portugal), mas acaba por funcionar no contexto. Mais uma vez, gostaria de saber quem é o artista.
"A Passagem Uivante", Pedro Cipriano (ilustração de Tiago Figueiras)
O tema deste conto é interessante e o Pedro conseguiu contar esta história de forma eficiente, sem dizer de mais, mas transmitindo que chegue.Senti foi falta de mais explicações sobre como as personagem chegaram ali. O autor dá-nos luzes, mas soube a pouco. No entanto tenho de confessar que adorei o final.
Este é outro conto que, apesar de mais lusitano que o anterior, poderia também passar-se em qualquer parte do mundo, sem que isso fosse muito notado.
A ilustração está de acordo com o tema, mas não directamente com o conto. Mesmo assim não deixa de ser bonita.
O balanço final é bastante positivo. Nenhum dos contos é particularmente mau e alguns são bastante bons. No entanto tenho de falar no design: fundos muito escuros, várias gralhas nos textos, hifenização de meter dó (no conto do Nuno Almeida) e descuido na atribuição de menções a artistas e escritores (ex: na capa falta o nome do José Pedro Lopes; e não sabemos quem são alguns dos artistas). Fora isso, o trabalho editorial não está mau, mas estes erros distraem o leitor (e muito, em certos casos).
Noutra nota, achei imensa graça ao anúncio do Almanaque Steampunk, embora na altura em que a fanzine foi publicada, o evento já tivesse passado.
Por fim, quanto à capa da Raquel Leite, confesso, não me convenceu, mas depois visitei o blog da artista e via a imagem em tamanho maior e é outra coisa! Embora a luz não me agrade muito, na capa da Lusitânia ficou bastante mal, parecendo uma foto-manipulação mal feita.
Visitem o blog da fanzine.
Opinião:
Como sempre, deixo primeiro uma opinião sobre os contos e depois uma sobre a edição no geral.
"Sonhos Numa Noite de Natal", Marcelina Gama Leandro (ilustração de Inês Valente)
Um conto envolvente, muito português, e bem escrito, como a Marcelina já nos habituou. A história mantém o leitor agarrado, embora eu tenha achado o final um pouco exagerado.
A ilustração está muito fofa mas não se adapta bem ao tom lúgubre que toma conta do conto em quase toda a sua extensão.
"Vinho Fino", Inês Montenegro (ilustração de Bruno R.)
Esta história, muito agoirenta para os nortenhos (Hehe!) tem boas cenas e uma ideia muito interessante. A escrita da Inês é muito eficaz e funciona bem neste conto, no entanto achei que a 'invasão' foi demasiado genérica e precisava de ser mais explorada.
A ilustração que acompanha este conto é muitíssimo apropriada.
"Como Portugal foi Salvo pelos Pastéis de Nata", Catarina Lima (ilustrações de Andreia Silva)
Com uma protagonista muito vivaça e com quem é fácil simpatizar, Catarina dá vida a um conceito de fantasia urbana que é bastante credível. Só não percebi o porquê do título, já que não foi Portugal que foi salvo, mas sim Lisboa. Para terminar, tenho de dizer que gostava de ler mais aventuras da bruxa Maria Adelaide, uma personagem muito interessante.
Uma notinha especial para as belíssimas ilustrações da Andreia Silva.
"A Guerra do Fogo", Nuno Almeida (ilustrações de desconhecidos)
Um conto que vai buscar a raiz da história Lusitânia, algo que gosto sempre de ler, e cuja ideia principal é bastante interessante. No entanto a prosa nem sempre acompanhou bem as acções, especialmente por culpa da sucessão das cenas, que me pareceu, por vezes, exageradamente flexível. Por último, aquele diálogo final soou-me imensamente teatral.
A ilustração inicial está bem adequada ao conto, e a segunda também, embora num estilo completamente distinto. Gostava era de saber quem são os artistas.
"A Cidade das Luzes", José Pedro Lopes (foto de desconhecido)
Com uma ideia muito bem conseguida e original (ou tanto quanto se pode ser original no dias de hoje), esta história está interessante, embora aquela 'solução' final me tenha soado muito conveniente e totalmente inexplicada, o 'final' mesmo já foi mais satisfatório.
Este é, de toda a fanzine, o conto que menos parece lusitano. Podia-se passar em qualquer parte do mundo e não haveria diferença; no entanto não é isso que lhe tira mérito.
E a acentuar o que disse acima, a foto parece-me que nem é de Lisboa (ou sequer Portugal), mas acaba por funcionar no contexto. Mais uma vez, gostaria de saber quem é o artista.
"A Passagem Uivante", Pedro Cipriano (ilustração de Tiago Figueiras)
O tema deste conto é interessante e o Pedro conseguiu contar esta história de forma eficiente, sem dizer de mais, mas transmitindo que chegue.Senti foi falta de mais explicações sobre como as personagem chegaram ali. O autor dá-nos luzes, mas soube a pouco. No entanto tenho de confessar que adorei o final.
Este é outro conto que, apesar de mais lusitano que o anterior, poderia também passar-se em qualquer parte do mundo, sem que isso fosse muito notado.
A ilustração está de acordo com o tema, mas não directamente com o conto. Mesmo assim não deixa de ser bonita.
O balanço final é bastante positivo. Nenhum dos contos é particularmente mau e alguns são bastante bons. No entanto tenho de falar no design: fundos muito escuros, várias gralhas nos textos, hifenização de meter dó (no conto do Nuno Almeida) e descuido na atribuição de menções a artistas e escritores (ex: na capa falta o nome do José Pedro Lopes; e não sabemos quem são alguns dos artistas). Fora isso, o trabalho editorial não está mau, mas estes erros distraem o leitor (e muito, em certos casos).
Noutra nota, achei imensa graça ao anúncio do Almanaque Steampunk, embora na altura em que a fanzine foi publicada, o evento já tivesse passado.
Por fim, quanto à capa da Raquel Leite, confesso, não me convenceu, mas depois visitei o blog da artista e via a imagem em tamanho maior e é outra coisa! Embora a luz não me agrade muito, na capa da Lusitânia ficou bastante mal, parecendo uma foto-manipulação mal feita.
Visitem o blog da fanzine.
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