segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Highlander Negro

"O Highlander Negro (Highlander 5)", de Karen Marie Moning (Saída de Emergência)

Sinopse:
Daegeus Mackeltar é um herói encantador assim como o seu pior inimigo. No final do anterior romance da autora, O Beijo do Highlander, Dageus usara os poderes dos druidas para viajar no passado e salvar o seu irmão gémeo, Drustan, que teria perecido num incêndio. Mas, ao fazê-lo, libertou os espíritos de treze maléficos druidas que agora vivem dentro dele. Durante a sua investigação de textos arcanos que podem conter a chave para aprisionar novamente os espíritos, Dageus conhece a muito curiosa Chloe Zanders, uma amante de antiguidades em Manhattan. Quando ela, acidentalmente,  tropeça" na sua colecção de documentos "emprestados", Daegus vê-se obrigado a mantê-la a sob a sua vigilância". A tensão e atracção atingem o ponto máximo quando os dois viajam até à Escócia para enfrentar os demónios de Daegus. A boa disposição de Chloe é a combinação perfeita para a sensualidade de Daegus. Esta história, selvagem e criativa, leva os leitores a uma viagem excitante através do tempo.

Opinião:
Tendo já ouvido falar muito desta autora, decidi começar por este livro (que tinha cá em casa). Não posso dizer que tenha sido a melhor escolha, pois o livro ficou muito aquém do que deveria ter sido.

A história, que tinha algum potencial (com a viagem no tempo e o choque de valores), não conseguiu transmitir a  riqueza do que poderia ter sido um dos pontos fortes do livro. O enredo desenrolou-se todo de forma muito simples e não existiram verdadeiros confrontos, sendo tudo finalizado de forma quase Deus-ex-Machina. Os vilões foram derrotados com um toque de magia e o herói foi salvo como se nada fosse.
Este livro é claramente um romance, mas infelizmente não se eleva acima disso, deixando-se vencer pelos facilitismos narrativos. A atracção esteve sempre presente (e quando digo sempre, é mesmo sempre), mas já tinha chegado ao fim do livro e não havia forma de eu ver uma pitada de amor, especialmente da parte da Chloe. Mesmo com o Daegeus, que profeçou o seu amor com demasiada rapidez e facilitismo (parecia que a amava só por ela ser virgem e curiosa), então a Chloe nem se fala, porque ela só o via como uma espécie de artefacto (ela adora artefactos) e sempre que pensava nele referia-se ao seu corpo divino e a sua origem antiga, nada mais. Por isso tive muita dificuldade em acreditar no suposto romance e amor entre os dois. Não estava lá, simplesmente.

Durante todo o livro, a Chloe quase pareceu uma personagem secundária. Não teve propósito nenhum na história, que não fosse servir de companheira sexual do Daegeus. Sendo ela uma estudiosa, podiam ao menos ter ajudado o Daegeus, mas nem isso. Simplesmente não fez nada! Felizmente em alguma coisa se tornou memorável, pois o 'amor' dela pelos artefactos foi deveras engraçado.
Gostei do Daegeus e da sua duplicidade, embora ficasse com a ideia de que poderia ter sido muito mais explorada (notou-se que a autora temia que pensássemos mal do protagonista, mas alguma maldade não lhe teria ficado mal, já que a história central é de como ele tem treze mauzões a azucrinarem-lhe a mente (literalmente)). Pareceu-me muito 'conveniente' que o único senão de ele usar magia fosse o crescente desespero sexual. A minha credulidade chega apenas até um certo ponto. Afinal treze almas maléficas não estariam apenas interessadas em sexo depois de 4 milénios aprisionados. Antes de tudo procurariam vingança, ou sou eu a única que pensa assim?
Já as personagens secundárias me pareceram mais interessantes que as principais. Tanto o Silvan como a Nelly, a rainha dos Tuátha dé Danan (não sei como se escreve ao certo) e o Adam, foram personagens bastante intrigantes.

A nível de escrita, não achei muito interessante. A autora não mostrou grande destreza a narrar os lugares maravilhosos que as personagens visitavam, ficando tudo à imaginação do autor. Focava-se apenas nas personagens e nas suas descrições, descurando o ambiente em volta. E quando temos lugares tão ricos como a Escócia presente e a Escócia passada, isto parece uma falha quase 'pecaminosa'.

Em suma, foi um livro medíocre, que não se destacou entre os demais no género e que fez dos protagonistas meros fantoches. Do romance propriamente dito, apenas se viu atracção e por isso o final parece forçado.
Darei outra hipótese à autora com a saga "Fever" (até porque tenho o primeiro livro em casa), por ser Fantasia Urbana e não Romance Paranormal. Talvez nesse campo a escrita consiga ser mais interessante.

Tradução (Teresa Martins de Carvalho):
A maior parte do tempo, a tradução estava razoável, mas de vez em quando apareciam uma expressões que me faziam 'comichão'. não porque parecessem arcaicas (que isso é de entender, já que sei que a própria autora as usa várias vezes, fazendo jus às origens do protagonista), mas porque a própria tradutora escolhia usar conjugações menos próprias.
Não me refiro ao 'moça' e afins (pois acabei por me habituar ao fim de algum tempo), mas outros termos que eram empregues. Foram demasiadas as vezes que tive de reler a frase para ver se não era eu que estava a imaginar duas palavras seguidas que acabavam por dizer a mesma coisa. Só para dar um exemplo, por várias vezes encontrei o seguinte: «demais mais» (o que é isto?).
Noutra nota, tenho de também de dizer que gostei muito do facto de a tradutora escolher usar as notas de rodapé para fazer referências culturais, históricas e outras.

Capa, Design e Edição:
Quando comprei o livro a capa não me apelou muito, mas enquanto o estava a ler, dei por mim a gostar dela. não só porque retrata bastante bem o protagonista, como na sua simplicidade dá pequenas pistas sobre a história (sem necessidade de ler a sinopse). É uma daquelas capas que não deslumbra, mas que não deixa de ser interessante.
O design interior está igual ao que a SdE sempre nos habituou. Muito simples, mas eficaz (apesar de por vezes achar que as margens poderiam ser um pouco mais pequenas, de forma a tornar os livros menos pesados).
Em relação à edição, pareceu-me que deveria ter sido muito mais cuidada, pois a ideia que ficou foi que nenhum editor se deu ao trabalho de reler a tradução, o que resultou em vários erros e frases dúbias, que não teriam escapado a um segundo par de olhos no texto.

Já agora, não compreendo a opção da SdE de editar os livros desta colecção somente a parti do nº 4 ("O Beijo do Highlander", volume anterior a este). Qual foi a ideia?

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