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domingo, 22 de fevereiro de 2015

::Autor:: Marcelina Gama Leandro

Biografia (via Goodreads):
-sem biografia-

Livros que li do autor:
Aleninan (conto in Conto Fantástico 1/2) - Opinião
O Roubo dos Figos (conto in Fénix 0) - Opinião
Jerisalém (conto in Antologia BBdE) - Opinião
Sonhos numa Noite de Natal (conto in Lusitânia) - Opinião
O Rosto Vivo (conto in Fénix 2) - Opinião
Zona F (conto in Conto Fantástico 3) - Opinião

Trabalhos editados em Português:
Conto Fantástico 1/2, Antagonista Editora (2010)
Inventário dos Padres da Freguesia da Sé do Porto, Instituto de Genealogia e Heráldica da Universidade Lusófona do Porto (2010)
Fénix 0 (2010)
Revista Lusófona de Genealogia e Heráldica nº 5, IGH-ULP (2010)
Antologia BBdE, Lulu (2010)
Nanozine 1 (2011)
Descendência de José Soares Pereira e Maria Angélica, do Lugar de Arada, Instituto de Genealogia e Heráldica da Universidade Lusófona do Porto (2011)
Revista Lusófona de Genealogia e Heráldica nº 6, IGH-ULP (2011)
Vollüspa (2012)
Miniatura 119 (2012)
Nanozine 6 (2012)
Piolho 10 (2012)
S.O.S. Maldição do Titanic, Editora Literata (2012)
Lusitânia (2012)
Nanozine 7 (2012)
Conto Fantástico 3 (2012)
Revista Lusófona de Genealogia e Heráldica nº 7, IGH-ULP (2012)
Nanozine 8 (2013)
Fénix 2 (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume I (2013)
Ficções Phantasticas (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume II (2013)
Ficções Phantasticas 2 (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume III (2013)
Ficções Phantasticas 3 (2013)


A visitar: Goodreads da Autora

Conto Fantástico 3

"Conto Fantástico n.º 3", com contos de Álvaro Sousa Holstein, Fernando Lobo Pimentel, Marcelina Gama Leandro e Citor Frazão (organizado pelo Roberto Mendes)

O Conto Fantástico foi uma revista que, primeiro, começou por ser publicada em papel, mas depois passou para digital. Este terceiro número reúne quatro contos de quatro autores portugueses. Todos, como devem imaginar, relacionados com o fantástico (incluindo horror e ficção científica).

A revista é feita apenas dos contos e de uma pequena introdução. Nada mais! Pura ficção em prosa curta.
E vale bem a pena ser lida. Todas as histórias são muito boas. Dito isto, deixo-vos então com as opiniões individuais:

"A Biblioteca", de Álvaro Holstein 
O protagonista deambula pela cidade do Porto e acaba por entrar numa biblioteca muito especial, onde se cruza com Eça de Queirós, Kafka, e tantos outros, assim como com manifestações físicas de  versos, metáforas, e uma míriade de outras coisas relacionadas com a literatura.
A minha parte favorita foi, sem dúvida quando o narrador dá um murro na metáfora, literalmente.
A única coisa que não gostei neste conto foi a escolha do autor em não descrever nenhum cenário, como quando, por exemplo, se limita a dizer que um edifício é estranho, em vez de mencionar o que o torna estranho. Fora isso, está muito curioso.

"O Hospital", de Fernando Lobo Pimentel
Neste conto seguimos um protagonista que trabalha num hospital e que começa a duvidar do sistema.
Não posso dizer muito mais sem revelar a peça fulcral do enredo, por isso fico-me apenas por referir que adorei o texto e o final. Muito bem conseguido!


"Zona F", de Marcelina Gama Leandro
Mais uma vez a autora não decepciona, com um conto bastante humano, simples mas ao mesmo tempo profundo. A sua escrita cativa, nesta narrativa de uma dia na vida de uma cientista encarregue de testar espécimens que são enviados para zonas aparentemente nocivas para os humanos. Estes espécimens incluem seres vivos (animais) e andróides.
Em poucas páginas temos pistas suficientes para perceber o tipo de mundo em que a protagonista vive, e isso está muito bem feito, Os diálogos também estão muito bons e o final está bem conseguido. Mais um belo exemplo da escrita da Marcelina!
 
"Crónicas Obscuras - A Despedida", de Vitor Frazão
Quando li este título pensei que esta era a despedida do autor ao universo das Crónicas Obscuras. Mas depois de ler julgo que não se trate disso, embora possa estar enganada.
Quem ainda não leu A Vingança do Lobo (o primeiro livro da série) não deve ter qualquer problema em ler este conto. Não e necessário saber nada de antemão. O autor consegue passar toda a informação pertinente no texto, de forma subtil.

Neste conto conhecemos um vampiro que parece ter passado uma noite bem animada com duas mulheres. Uma deles nunca chega a acordar, e a outra acredita que é naquela noite que vai tornar-se uma vampira. Depois o conto vira a página e a coisa acaba por não ser bem o que parecia no início.
Com excelentes diálogos e boas personagens, está aqui um conto bastante rico, que apesar de ser conclusivo, não impede que fique a vontade por mais histórias das Crónicas Obscura.

Podem ler os quatro contos, gratuitamente, AQUI.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fénix 2

"Fénix, nº 2", fanzine

O terceiro volume da Fanzine portuguesa dedicada à fantasia e ficção-científica, desta feita com o tema "Livros". Inclui contos, artigos, entrevistas, entre outros -- bem como o suplemento humorístico "Pumba".
Organizado, dirigido e editado por Marcelina Gama Leandro.


Opinião:
"A Escuridão", de André Carneiro
Com uma escrita intensa e descritiva o suficiente para que o leitor entre na história, este conto tem momentos sublimes em que o autor consegue transmitir muito bem que as personagens sentem. Ficou a faltar apenas uma explicação para o que ocorreu.

"O Homem de Areia", de Domingo Santos (tradução de Álvaro de Sousa Holstein)
Um enredo intrigante que o leitor vai captando lentamente. Achei o romance bem construído, embora o fim do mesmo não fosse imprevisível. Já o fim do conto foi muito bem conseguido em termos de acção, enquanto as palavras não pareceram acompanhá-lo da melhor forma.

"Esferas e Tormentas", de Carlos Espigueiro
Sinceramente não entendi qual a finalidade deste conto.

"Um dia de Trabalho", de Ricardo Dias
Apesar de um começo fraco, logo o conto fica mais interessante. No entanto, na segunda parte a personagem 'do mal' estava demasiado cliché e só me fez revirar os olhos. Gostei do twist final e gostei do conceito, mas o recurso a diálogos e acções clichés, na parte do demónio, não ajudou nada.

"O Estranho Caso do Livro sem Palavras", de Ana C. Silva
Aqui temos uma personagem feminina decidida e cujas aventuras eu gostaria de continuar a seguir. Num ambiente victoriano, mas passado em Portugal, vislumbramos um mundo complexo, cheio de magia e criaturas interessantes. O enredo central mantém o leitor atento e só achei que a magia podia ser mais bem explicada e que o uso de certos termos devia ser mais contida, ou melhor envolvido na história.
O conto vem acompanhado de uma bela ilustração da autora.

"Despertar", BD de Rui Ramos
Uma banda desenhada curiosa, com boa transição de cenas mas que deixa quase tudo por explicar.

"A Passagem Secreta", de Sara Farinha
Apesar de a ideia ser muito boa achei que a narrativa não estava suficientemente envolvida nos acontecimentos, criando uma separação entre o leitor e a história. Mas aquele final esteve mesmo bem!

"Fismoth - O Último Inquilino", de Manuel Mendonça
Não me ficou na memória e foi demasiado fugaz, ao mesmo tempo que ficou disperso.

"Mundos em Mundos", de Vitor Frazão
Excelente diálogo e premissa intrigante ao ponto de deixar o leitor com vontade de saber mais mas, ao mesmo tempo, esclarecedor o suficiente para se aguentar como um micro-conto.

"Livros do Tempo", de Carlos Coelho de Faria
Um conceito curioso e suficientemente bem escrito para satisfazer o leitor e o deixar a pensar sobre como a protagonista terá adquirido o livro. A ideia, estranhamente, fez-me pensar no manga "Death Note".

"Pulsação", de Inês Montenegro
O melhor micro-conto da fanzine. Emotivo, evocativo e algo com que todos os leitores se conseguirão relacionar.

"Uma Demanda Literária", de Joel Puga
Fiquei com uma opinião ambígua sobre este conto. Por um lado gostei da ideia e da acção, mas por outro aquele final não me deixou completamente satisfeita ou esclarecida, embora eu assuma saber o que o autor sugere.

"A Dança das letras", de Ana C. Nunes
Remeto-me ao silêncio sobre este, ou não fosse eu a sua autora. :)  

"O Rosto Vivo", de Marcelina Gama Leandro
Não é certamente o melhor conto da autora mas é curioso chegar ao fim desta fanzine e ler este conto.

Depois de opinar sobre os contos, há que deixar umas palavras sobre o resto da revista. Gostei particularmente da entrevista a André Carneiro, uma autor que ainda não conhecia bem. No artigo sobre videojogos sentia-se que tinha sido escrito por alguém apaixonado pelo assunto e foi uma leitura interessante. A secção da Correspondência foi uma excelente adição à fanzine, dando mais uma vez a conhecer um pouco de Romeu de Melo. Também não posso deixar de mencionar o suplemento Pumba!, com um humor muito direccionado a quem anda a par do que se passa na FC&F em Portugal, mas que não deixa de ter muita graça, em certos momentos.
Fica também uma nota ao excelente design, maculado apenas por uma ou outra gafe que terá escapado à edição e que não incomoda por aí além. E, claro, não podia deixar de mencionar a belíssima capa da autoria da A.C. Silva.

Em suma, este segundo número da fanzine Fénix tem uma selecção bastante curiosa de contos, sendo que os que mais gostei foram: "A Escuridão" de André Carneiro, "O Estranho Caso do Livro sem Palavras" de A.C. Silva, "Mundos em Mundos de Vitor Frazão e  "Pulsação" de Inês Montenegro".

Podem comprar esta fanzine AQUI.
E no seguimento desta, foi lançada a Antologia Fénix de Ficção Cíentifica e Fantasia - Volume 1, que está disponível gratuitamente AQUI.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Lusitânia

"Lusitânia", fanzine com contos de Catarina Lima, Inês Montenegro, José Pedro Lopes, Marcelina Gama Leandro, Nuno Almeida e Pedro Cipriano (EuEdito)

Opinião:
Como sempre, deixo primeiro uma opinião sobre os contos e depois uma sobre a edição no geral.

"Sonhos Numa Noite de Natal", Marcelina Gama Leandro (ilustração de Inês Valente)
Um conto envolvente, muito português, e bem escrito, como a Marcelina já nos habituou. A história mantém o leitor agarrado, embora eu tenha achado o final um pouco exagerado.
A ilustração está muito fofa mas não se adapta bem ao tom lúgubre que toma conta do conto em quase toda a sua extensão.

"Vinho Fino", Inês Montenegro (ilustração de Bruno R.)
Esta história, muito agoirenta para os nortenhos (Hehe!) tem boas cenas e uma ideia muito interessante. A escrita da Inês é muito eficaz e funciona bem neste conto, no entanto achei que a 'invasão' foi demasiado genérica e precisava de ser mais explorada.
A ilustração que acompanha este conto é muitíssimo apropriada.

"Como Portugal foi Salvo pelos Pastéis de Nata", Catarina Lima (ilustrações de Andreia Silva)
Com uma protagonista muito vivaça e com quem é fácil simpatizar, Catarina dá vida a um conceito de fantasia urbana que é bastante credível. Só não percebi o porquê do título, já que não foi Portugal que foi salvo, mas sim Lisboa. Para terminar, tenho de dizer que gostava de ler mais aventuras da bruxa Maria Adelaide, uma personagem muito interessante.
Uma notinha especial para as belíssimas ilustrações da Andreia Silva.

"A Guerra do Fogo", Nuno Almeida (ilustrações de desconhecidos)
Um conto que vai buscar a raiz da história Lusitânia, algo que gosto sempre de ler, e cuja ideia principal é bastante interessante. No entanto a prosa nem sempre acompanhou bem as acções, especialmente por culpa da sucessão das cenas, que me pareceu, por vezes, exageradamente flexível. Por último, aquele diálogo final soou-me imensamente teatral.
A ilustração inicial está bem adequada ao conto, e a segunda também, embora num estilo completamente distinto. Gostava era de saber quem são os artistas.

"A Cidade das Luzes", José Pedro Lopes (foto de desconhecido)
Com uma ideia muito bem conseguida e original (ou tanto quanto se pode ser original no dias de hoje), esta história está interessante, embora aquela 'solução' final me tenha soado muito conveniente e totalmente inexplicada, o 'final' mesmo já foi mais satisfatório.
Este é, de toda a fanzine, o conto que menos parece lusitano. Podia-se passar em qualquer parte do mundo e não haveria diferença; no entanto não é isso que lhe tira mérito.
E a acentuar o que disse acima, a foto parece-me que nem é de Lisboa (ou sequer Portugal), mas acaba por funcionar no contexto. Mais uma vez, gostaria de saber quem é o artista.

"A Passagem Uivante", Pedro Cipriano (ilustração de Tiago Figueiras)
O tema deste conto é interessante e o Pedro conseguiu contar esta história de forma eficiente, sem dizer de mais, mas transmitindo que chegue.Senti foi falta de mais explicações sobre como as personagem chegaram ali. O autor dá-nos luzes, mas soube a pouco. No entanto tenho de confessar que adorei o final.
Este é outro conto que, apesar de mais lusitano que o anterior, poderia também passar-se em qualquer parte do mundo, sem que isso fosse muito notado.
A ilustração está de acordo com o tema, mas não directamente com o conto. Mesmo assim não deixa de ser bonita.

O balanço final é bastante positivo. Nenhum dos contos é particularmente mau e alguns são bastante bons. No entanto tenho de falar no design: fundos muito escuros, várias gralhas nos textos, hifenização de meter dó (no conto do Nuno Almeida) e descuido na atribuição de menções a artistas e escritores (ex: na capa falta o nome do José Pedro Lopes; e não sabemos quem são alguns dos artistas). Fora isso, o trabalho editorial não está mau, mas estes erros distraem o leitor (e muito, em certos casos).
Noutra nota, achei imensa graça ao anúncio do Almanaque Steampunk, embora na altura em que a fanzine foi publicada, o evento já tivesse passado.
Por fim, quanto à capa da Raquel Leite, confesso, não me convenceu, mas depois visitei o blog da artista e via a imagem em tamanho maior e é outra coisa! Embora a luz não me agrade muito, na capa da Lusitânia ficou bastante mal, parecendo uma foto-manipulação mal feita.

Visitem o blog da fanzine.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Antologia BBdE!

"Antologia BBdE!", de Adeselna Davies (Ana Ferreira), Joana Cardoso, Joel Puga, Marcelina (Gama) Leandro, Pedro Pedroso, R.B. Nortor, Sofia Nobre, Zé Chove

Sinopse:
Antologia de contos organizada pelo Ricardo Loureiro, através do fórum Bad Book don't Exist (BBdE), com participações de vários membros.
Os contos distribuem-se em cinco temas: O Fim; Sangue; Identidade; Cidades Reais ou Imaginárias; Naufrágios.

Opinião: 
Sendo este livro uma antologia, vou como de costume rever os contos um a um e no final dar uma opinião geral.
 
"O Fim do Sonho", Zé Chove 
Com uma prosa bem conseguida e uma sequência de acontecimentos bastante característica, o conto peca um pouco pela dispersão e aquele final foi estranho se bem que não anti-climático. Um conto que se lê bem mas que não fica na memória. 

"Rosa sobre fundo branco", Joana Augusto 
Um conto bastante curto mas com excelente ambiente e muito evocativo. Os sentimentos da protagonista saltam das páginas, no entanto teria sido interessante saber um pouco mais sobre o desastre. 'Soube' a pouco mas leu-se bem. 

"Znuff", Pedro Pedroso 
Como o título indica este é um conto um pouco grotesco que não agradará a qualquer um. No entanto não é de total mau gosto, tanto a nível de enredo como narrativo, o que faz com que seja desconfortável mas ao mesmo tempo consiga prender o leitor o suficiente para ficar até ao fim e descobrir o que ali se passa. A ideia em si é interessante e está muito bem executada. Temos um protagonista muito bem desenvolvido e restantes personagens que também conseguem sobressair. No geral foi uma boa surpresa, se bem que desconfortável de ler. 

 "Carne da minha carne, sangue do meu sangue", Sofia Nobre 
Outro conto bastante cru, se bem que não tanto como o anterior, este conto está bem conseguido porque o que ao principio parece um romance acaba por se revelar outra coisa completamente. O único senão do conto são as perguntas que ficam por responder. Apesar de intrigante, pouco é explicado o que deixa um sensação de 'e depois?'. 

"Prisão de Gelo", Adeselna Davies  (Ana Ferreira)
Esta história é daquelas que sabemos que é ficção, mas que de alguma forma parecem absolutamente verossímeis (sinceramente espanta-me que não tenha acontecido). A narrativa é quase claustrofóbica e tão focada que é como se estivéssemos na pele da protagonista (prisioneira numa instituição correctiva). O final foi extremamente agridoce, mas em concordância com o resto do conto. 

"A Cidade", R.B. Nortor 
Com um conceito interessante e uma bela execução em prosa, o conto é bastante interessante, mas senti que se arrastou um pouco no início. Gostei do final e gostei das personagens e do tom narrativo. 

"Jerusalém", Marcelina Leandro 
Tendo em atenção o tema (Cidades Reais ou Imaginárias) o texto é bastante rico, com boas descrições tanto de Jerusalém como da outra cidade), mas em termos narrativos o conto deixa bastante a desejar. A história em si é bastante interessante, mas as personagens estão mal desenvolvidas (quem é a mulher misteriosa? porque é que o protagonista quebrou as regras?) e no início a prosa é um pouco lenta, com um pouco de informação a ser despejada a mais. A sensação que fica é que este conto é o primeiro capítulo de um enorme romance e que o leitor ficou apenas com uma pequena fatia do bolo, faltando-lhe todo o recheio. Ou seja, não funciona como um conto. Necessitava de mais espaço para mostrar todo o seu potencial (que parece bem vasto). 

"Hölestern", Joel Puga 
Este é um conto com excelente prosa, boa acção (em todos os momentos) e um 'mundo' bem apresentado e muito interessante, assim como uma história bem estruturada e auto-suficiente. No entanto onde peca é nas personagens. O protagonista não sofre qualquer desenvolvimento e pouco nos é dado a saber sobre ele (de onde veio, porque fez o que fez, como tem aqueles poderes? etc.). O mesmo acontece com as outras personagens, onde estranhamente o escudeiro é o mais 'verossímil' de todos. 

Em suma, esta é uma antologia muito interessante, em que nenhum dos contos é particularmente mau e alguns são bastante bons. Todos estão bem enquadrados no tema, o que é uma mais valia e fiquei a conhecer alguns novos autores cujo trabalho tenciono seguir, assim como reli alguns que já conheço e que foi bom reencontrar noutras histórias. Vale a pena, especialmente para quem aprecia contos de fantasia/ficção científica mas também a simples ficção narrativa.

Capa, Design  Edição: 
A capa não evoca nenhum dos contos em particular, mas é suficientemente sóbria para ser interessante, apesar de um pouco ... simples.

O design interior é também ele bastante simples, mas eficiente. Apesar de esta ser uma publicação de autor, nota-se um cuidado com as margens e o espaçamento que tornam o livro agradável de folhear.

Nota: Este livro foi-me emprestado pela Ana Filipa Dias (Adeselna Davies). Obrigada!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fénix 0

"Fénix, nº 0", fanzine

Esta é uma fanzine dedicada à divulgação da fantasia, Ficção Científica e do Horror, constituída apenas de contos de variados autores portugueses, com organização de Álvaro de Sousa Holstein.
Começa com um editorial do organizador/coordenador, que relata como tudo começou e como, uma ano depois, a fanzine ganhou forma.

Opinião:
"O satélite de Natal", de João de Mancelos
No início do conto, confesso que fiquei apreensiva, pois a escrita não me cativou (especialmente alguns dos termos usados), no entanto as reviravoltas que o autor subtilmente introduziu na história, foram simplesmente 'deliciosas' (permitam-me o termo). Cheguei ao fim com um sorriso no rosto, pois achei a ideia muito interessante e bem executada, se bem que a nível de escrita poderia ser ainda mais aprimorada (não que esteja mal, mas poderia ser mais intuitiva).

"A gloriosa raça das ratazanas", de Joel Puga
A história está bastante bem pensada e fez-me recordar o "encantador de ratos" dos irmãos Grimm. Imagino que se tenha baseado na fábula, e nesse aspecto conseguiu utilizá-la bem. No entanto, a prosa não me apaixonou, chegando mesmo a roçar o monótono. Pareceu-me que de início tentou contar coisas que não precisavam realmente ser contadas, e a acção do meio e fim perdeu-se um pouco, não por falta dela, mas por falta de convicção das palavras. Contudo, graças à trama, o conto leu-se bem.

"Os pilares", de José Manuel Morais
A escrita maravilhosa do autor, fez com que o tema passasse para segundo plano, ganhando a prosa uma vida própria. Fiquei rendida desde as primeiras frases, mas felizmente também a história conseguiu manter o interesse, embora as palavras fossem a sua verdadeira força. José Manuel Morais é um autor a manter debaixo de olho.

"O velho das terças-feiras", de José Pedro Cunha
Achei este conto extremamente pitoresco e muito bem contado. Pareceu-me quase uma daquelas histórias que nos contam nas aldeias, e a escrita do autor conseguiu captar muito bem esse ritmo narrativo. Noutra nota, é engraçado notar como este conto é tão tipicamente português, nos cenários que descreve.

"O roubo dos figos", de Marcelina Gama Leandro
Mal se inicia a leitura do conto, sente-se também uma presença Lusa que é estranhamente reconfortante. A história é doce e curta, mas o fim deixou-me pouco satisfeita.

"E agora algo completamente diferente", de Regina Catarino
O conto em si não me surpreendeu tanto quanto o título parecia indicar, mas soltei uma gargalhada com a última frase. (Eu sei. Que crueldade!) Imagino que o estilo da narrativa tenha sido propositado e até funciona bem neste caso, mas pouco mostra do que autora poderá ter para dar enquanto escritora.

Crónica de Roberto Mendes
Embora já conhecesse praticamente tudo o que foi relatado na rubrica, não deixou de ser interessante lê-lo pelas palavras do próprio Roberto. Louvo o esforço tem feito e projectos que ele tem desenvolvido, mas também sei o que correu bem e o que ... nem por isso. Vale a pena ler para os que não conhecem.

Suplemento Pumba!, de Banrion
Ri-me com todas as páginas, sem excepção. Posso não conhecer uma ou duas das caras retratadas nesta sátira em forma de ilustrações, mas ainda assim as piadas não se perderam e forma bem retratadas pelo artista. Há que levar estas coisas pela piada.


No geral penso que foi uma fanzine bem conseguida, bem estruturada, e que publicou uma boa dose de contos interessantes. É certamente um projecto a seguir com interesse.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conto Fantástico 1/2

"Conto Fantástico", revista/jornal com contribuições de vários autores (Antagonista Editora)

Sinopse:
Uma publicação que pretende apostar na divulgação da escrita de fantasia e ficção científica em Portugal, escrita por portugueses.

Opinião:
Este jornal, que mais parece uma revista, inclui os números 1 e 2 da publicação.
E depois de a ler de uma ponta à outra, posso dizer que vale bem a pena comprar e que é um projecto a seguir com interesse. De louvar a decisão de dedicá-lo exclusivamente à literatura fantástica portuguesa.
Seguem opiniões separadas de cada artigo/conto:

"Mutação Final", conto de João Rogaciano
Quando falamos em ficção científica, o que vem logo à cabeça da maioria das pessoas é: Viagens espaciais.
Achei que o conto tinha potencial, a história teve uma reviravolta interessante, embora não totalmente inesperada. O problema foi a forma como o conto foi mostrado. A narrativa não era aborrecida, e os pormenores, na sua maioria, não estavam despropositados, mas a sequência de acções estava mal aplicada e não houve lugar para o frenesim que um conto desta natureza poderia gerar no leitor.

"Memórias da Ficção Científica", coluna de Álvaro de Sousa Holstein
Foi bem divertido ler sobre como se faziam fanzines há uns anos atrás (A Nebulosa é mais velha que eu dois meses). E pensava eu que os anos 80 e 90 tinham sido bons anos para a ficção científica, mas parece que nem tanto. Realmente, temos a vida muito facilitada com as novas tecnologias (acho que se elas desaparecessem amanhã, me dava um "treco").

"Thalormis Zeta", conto de Carla Ribeiro
Numa escrita cativante, com pormenores que não aborrecem e numa narrativa que incita o leitor a continuar. este conto conseguiu ser mais que satisfatório, dando-nos um final, mas um final que deixa no ar a ideia de que há mais (não necessariamente noutro conto, mas não dá um fim definitivo, que é sempre bom).

"Space Oddity", conto de Regina Catarino
Curto! Muito curto mesmo, mas ainda assim conseguiu transmitir algo. Não é extremamente original, e sinceramente a menção ao David Bowie pareceu-me algo irrelevante pois duvido que quando as viagens no espaço se tornarem tão comuns as pessoas ainda oiçam David Bowie, mas bem, até isso pode ser perdoado.
A verdade é que este conto funcionou bem, sem no entanto poder ser algo mais que uma leitura agradável.

Entrevista a João Barreiros
Tendo já lido dois contos do autor, posso dizer que gosto do estilo dele. Ao ler esta entrevista, até me senti um pouco mal por não conhecer metade dos nomes mencionados. Mas eu sou apologista de que os "clássicos" não são tudo, o que não quer dizer que não goste de ler de tudo um pouco, porque gosto.
Gostei da entrevista, embora tivesse achado que falou pouco do autor, e muito mais do panorama português no campo da fantasia, e especialmente da ficção científica (que todos sabem estar pela hora da morte).

"Memórias da Ficção Científica", coluna sem autor (não é mencionado no artigo)
Nunca tinha ouvido falar do escritor Romeu de Melo, mas neste artigo ficamos a saber um resumo da vida daquele que é, na voz do colunista, o "pai" da ficção científica em Portugal.
Fiquei com vontade de saber mais sobre o autor, e não vale de muito meter o nome no google, pois segundo o artigo, nada de relevante surge. O esquecimento é muito penoso!

"Cometas Extintos", conto de Pedro Pedroso
Por alguma razão este conto recordou-me um certo jogo que o meu irmão muito adora, mas à parte disso, gostei da prosa (a escrita do autor é bastante boa) e das personagens: soldados que só pensam na missão e que se vêm perdidos sem a tecnologia a que tanto estão habituados.
O final ficou muito bem na história, chegando até a ser algo inesperado no entanto pareceu-me que faltou "algo" à história. Algo mais significativo e cativante. Não é um mau conto, de todo, mas também não conseguiu ficar na memória.

"Aleninan", conto de Marcelina Gama
A história não está nada mal, fazendo lembrar-me as ruelas mais negras das cidades futuristas. Gostei da prosa da autora e os diálogos estavam convincentes, mas aquele final estragou-me a festa toda. É como se cortasse a festa a meio.
Há finais em aberto que me deixam satisfeita, mas este não é um deles. Fica-se com uma sensação de vazio, de "onde está o resto?", que não é bom. Fiquei frustrada!
Outra coisa que não achei lógica foi a acção dos "polícias". Numa situação "normal" eles nunca deixariam a Aleninan ir sozinha.Não faz sentido e pareceu apenas um engendro para que ela ficasse só. Esta parte não convenceu.

Entrevista a Afonso Cruz
Soube a pouco, esta entrevista, mas foi mais focalizada que a anterior e conseguiu falar mais do multi-facetado autor e da sua obra.

Capa e Edição:
Para um "suposto" jornal, isto mais parece uma revista. Com papel de excelente qualidade e encadernação no patamar das boas revistas, justifica-se o preço (3,50€), se bem que  como era um jornal, bem poderiam ter feito no formato comum, que ninguém levaria a mal e ficaria, com certeza, muito mais em conta.
Ainda assim, dou o dinheiro por bem empregue e tenho de dar os meus parabéns ao projecto.

Notas: O "Conto Fantástico" irá ser fundido com a "Dagon", a partir do próximo número. Podem ler tudo aqui.
Vistem o site oficial da revista/jornal Conto Fantástico.

*actualização 2012/01/24
O nº 1/2 do Jornal Conto Fantástica está disponível para download AQUI.

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