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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Conto Fantástico 3

"Conto Fantástico n.º 3", com contos de Álvaro Sousa Holstein, Fernando Lobo Pimentel, Marcelina Gama Leandro e Citor Frazão (organizado pelo Roberto Mendes)

O Conto Fantástico foi uma revista que, primeiro, começou por ser publicada em papel, mas depois passou para digital. Este terceiro número reúne quatro contos de quatro autores portugueses. Todos, como devem imaginar, relacionados com o fantástico (incluindo horror e ficção científica).

A revista é feita apenas dos contos e de uma pequena introdução. Nada mais! Pura ficção em prosa curta.
E vale bem a pena ser lida. Todas as histórias são muito boas. Dito isto, deixo-vos então com as opiniões individuais:

"A Biblioteca", de Álvaro Holstein 
O protagonista deambula pela cidade do Porto e acaba por entrar numa biblioteca muito especial, onde se cruza com Eça de Queirós, Kafka, e tantos outros, assim como com manifestações físicas de  versos, metáforas, e uma míriade de outras coisas relacionadas com a literatura.
A minha parte favorita foi, sem dúvida quando o narrador dá um murro na metáfora, literalmente.
A única coisa que não gostei neste conto foi a escolha do autor em não descrever nenhum cenário, como quando, por exemplo, se limita a dizer que um edifício é estranho, em vez de mencionar o que o torna estranho. Fora isso, está muito curioso.

"O Hospital", de Fernando Lobo Pimentel
Neste conto seguimos um protagonista que trabalha num hospital e que começa a duvidar do sistema.
Não posso dizer muito mais sem revelar a peça fulcral do enredo, por isso fico-me apenas por referir que adorei o texto e o final. Muito bem conseguido!


"Zona F", de Marcelina Gama Leandro
Mais uma vez a autora não decepciona, com um conto bastante humano, simples mas ao mesmo tempo profundo. A sua escrita cativa, nesta narrativa de uma dia na vida de uma cientista encarregue de testar espécimens que são enviados para zonas aparentemente nocivas para os humanos. Estes espécimens incluem seres vivos (animais) e andróides.
Em poucas páginas temos pistas suficientes para perceber o tipo de mundo em que a protagonista vive, e isso está muito bem feito, Os diálogos também estão muito bons e o final está bem conseguido. Mais um belo exemplo da escrita da Marcelina!
 
"Crónicas Obscuras - A Despedida", de Vitor Frazão
Quando li este título pensei que esta era a despedida do autor ao universo das Crónicas Obscuras. Mas depois de ler julgo que não se trate disso, embora possa estar enganada.
Quem ainda não leu A Vingança do Lobo (o primeiro livro da série) não deve ter qualquer problema em ler este conto. Não e necessário saber nada de antemão. O autor consegue passar toda a informação pertinente no texto, de forma subtil.

Neste conto conhecemos um vampiro que parece ter passado uma noite bem animada com duas mulheres. Uma deles nunca chega a acordar, e a outra acredita que é naquela noite que vai tornar-se uma vampira. Depois o conto vira a página e a coisa acaba por não ser bem o que parecia no início.
Com excelentes diálogos e boas personagens, está aqui um conto bastante rico, que apesar de ser conclusivo, não impede que fique a vontade por mais histórias das Crónicas Obscura.

Podem ler os quatro contos, gratuitamente, AQUI.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Granta 1

"Granta 1", com contos de Saul Bellow, Fernando Pessoa, Hélia Correia, Ricardo Felner, Simon Gray , Ryszard Kapuściński, Rui Cardoso Martins, Orhan Pamuk, Valério Romão, António Costa Santos, Dulce Maria Cardoso, valter hugo mãe, Afonso Cruz e Rachel Cusk

Sinopse:
Sob a égide temática «Eu», o primeiro número da edição portuguesa, publicado pela tinta-da-china, inclui cinco sonetos inéditos de Fernando Pessoa, apresentados pelos investigadores Jerónimo Pizarro e Carlos Pitella-Leite; um inédito de Hélia Correia; um texto de Saul Bellow repescado da congénere britânica e um portefólio fotográfico de Daniel Blaufuks.

Opinião:
Não li todos os contos desta revista/antologia (que me parece que, em si mesmos, não sabe bem o que é em termos de formato, mas isso não é o mais importante). Acabei por desfrutar os primeiros textos, até meio do livro, não tendo lido os últimos e maiores. Do que li gostei muito e achei que eram textos com bastante qualidade. Já o portefólio do Daniel Blaufuks não me cativou por aí além, embora entenda porque é tão afamado. Por outro lado as ilustrações da Vera Tavares são muito boas!

Ficam agora as opiniões dos contos individuais:

"Em Busca d'Eus Desconhecidos", Dulce Maria Cardoso
Um texto agradável, com um certo nível de profundidade e que o leitor consegue sentir, mas que não fica na memória por muito tempo. É algo que se lê bem, mas que não marca.

"À Medida que Fomos Recuperando a Mãe", Valério Romão
Um conto que me perturbou imenso pelo que ele implica e sugere. Muito perturbador mas ao mesmo tempo muito credível. Conta a história de uma família abalada pela perda da figura materna/feminina e cujos filhos têm de encontrar forma de recuperar o pai que se perde na tristeza. Muito emotivo e com um final que me arrepiou.

"Memórias do Filho de um Contrabandista", Saul Bellow
Gostei muito da prosa do autor e das personagens (pessoais reais) a que ele deu vida no papel, contudo confesso que não gostei assim tato da forma como escolheu contar a história, ou encadear a sua lógica.
Não me parece que isto seja falha do texto, mas sim ao facto de este não ser o texto completo, ou pelo menos não o parecer. Falta ... algo!

"Intervencionados". Hélia Correia
Uma crítica, mais que outra coisa. De todos achei que foi um dos que menos "Eu" transmitia no texto. A autora manteve uma distância demasiado grande entre si, a história e as personagens, o que se notou no texto. Não que isso resulte num mau conto, mas não é tão marcante.

"Mar Negro", Ricardo Dias Felner
Um conto que mistura comida, uma busca pela "eu" e uma amálgama de pequenas coisas, como que ingredientes para o prato principal. Gostei do conceito e da execução mas confesso que não fiquei fã do final, pelo facto de vir completamente do nada, já que se relacionava com uma outra personagem que nunca apareceu na história em si e que apenas havia sido mencionada uma ou duas vezes, de forma muito supérflua. Daí que o final não tivesse um terço do impacto que poderia ter tido se a construção para a cena fosse outra.
Dito isto, eu gostei bastante deste texto.

"Como se eu fluísse …", Fernando Pessoa
Apesar de não conhecer bem a obra de Pessoa (eu sei, falha imperdoável!) a verdade é que gostei muito destes pequenos excertos dos seus textos. São bastante dispersos e falta-lhes unidade, mas são muito representativos do "eu" pessoa, por isso funcionam lindamente neste livro/revista. Os facsimiles também ajudaram a isso.

"Esboço para um Livro", Ryszard Kapuscinski
Um relato que tenta ser emotivo mas que falha: Especialmente porque me pareceu o texto menos "eu" de todos. Era mais sobre os outros e especialmente sobre uma personagem que não me suscitou nenhum interesse. Talvez por ser um esboço, um excerto, uma amostra, lhe faltasse algo que o distinguisse.
Não que não tivesse gostado do relato quase jornalístico mas esperava mais.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Lusitânia

"Lusitânia", fanzine com contos de Catarina Lima, Inês Montenegro, José Pedro Lopes, Marcelina Gama Leandro, Nuno Almeida e Pedro Cipriano (EuEdito)

Opinião:
Como sempre, deixo primeiro uma opinião sobre os contos e depois uma sobre a edição no geral.

"Sonhos Numa Noite de Natal", Marcelina Gama Leandro (ilustração de Inês Valente)
Um conto envolvente, muito português, e bem escrito, como a Marcelina já nos habituou. A história mantém o leitor agarrado, embora eu tenha achado o final um pouco exagerado.
A ilustração está muito fofa mas não se adapta bem ao tom lúgubre que toma conta do conto em quase toda a sua extensão.

"Vinho Fino", Inês Montenegro (ilustração de Bruno R.)
Esta história, muito agoirenta para os nortenhos (Hehe!) tem boas cenas e uma ideia muito interessante. A escrita da Inês é muito eficaz e funciona bem neste conto, no entanto achei que a 'invasão' foi demasiado genérica e precisava de ser mais explorada.
A ilustração que acompanha este conto é muitíssimo apropriada.

"Como Portugal foi Salvo pelos Pastéis de Nata", Catarina Lima (ilustrações de Andreia Silva)
Com uma protagonista muito vivaça e com quem é fácil simpatizar, Catarina dá vida a um conceito de fantasia urbana que é bastante credível. Só não percebi o porquê do título, já que não foi Portugal que foi salvo, mas sim Lisboa. Para terminar, tenho de dizer que gostava de ler mais aventuras da bruxa Maria Adelaide, uma personagem muito interessante.
Uma notinha especial para as belíssimas ilustrações da Andreia Silva.

"A Guerra do Fogo", Nuno Almeida (ilustrações de desconhecidos)
Um conto que vai buscar a raiz da história Lusitânia, algo que gosto sempre de ler, e cuja ideia principal é bastante interessante. No entanto a prosa nem sempre acompanhou bem as acções, especialmente por culpa da sucessão das cenas, que me pareceu, por vezes, exageradamente flexível. Por último, aquele diálogo final soou-me imensamente teatral.
A ilustração inicial está bem adequada ao conto, e a segunda também, embora num estilo completamente distinto. Gostava era de saber quem são os artistas.

"A Cidade das Luzes", José Pedro Lopes (foto de desconhecido)
Com uma ideia muito bem conseguida e original (ou tanto quanto se pode ser original no dias de hoje), esta história está interessante, embora aquela 'solução' final me tenha soado muito conveniente e totalmente inexplicada, o 'final' mesmo já foi mais satisfatório.
Este é, de toda a fanzine, o conto que menos parece lusitano. Podia-se passar em qualquer parte do mundo e não haveria diferença; no entanto não é isso que lhe tira mérito.
E a acentuar o que disse acima, a foto parece-me que nem é de Lisboa (ou sequer Portugal), mas acaba por funcionar no contexto. Mais uma vez, gostaria de saber quem é o artista.

"A Passagem Uivante", Pedro Cipriano (ilustração de Tiago Figueiras)
O tema deste conto é interessante e o Pedro conseguiu contar esta história de forma eficiente, sem dizer de mais, mas transmitindo que chegue.Senti foi falta de mais explicações sobre como as personagem chegaram ali. O autor dá-nos luzes, mas soube a pouco. No entanto tenho de confessar que adorei o final.
Este é outro conto que, apesar de mais lusitano que o anterior, poderia também passar-se em qualquer parte do mundo, sem que isso fosse muito notado.
A ilustração está de acordo com o tema, mas não directamente com o conto. Mesmo assim não deixa de ser bonita.

O balanço final é bastante positivo. Nenhum dos contos é particularmente mau e alguns são bastante bons. No entanto tenho de falar no design: fundos muito escuros, várias gralhas nos textos, hifenização de meter dó (no conto do Nuno Almeida) e descuido na atribuição de menções a artistas e escritores (ex: na capa falta o nome do José Pedro Lopes; e não sabemos quem são alguns dos artistas). Fora isso, o trabalho editorial não está mau, mas estes erros distraem o leitor (e muito, em certos casos).
Noutra nota, achei imensa graça ao anúncio do Almanaque Steampunk, embora na altura em que a fanzine foi publicada, o evento já tivesse passado.
Por fim, quanto à capa da Raquel Leite, confesso, não me convenceu, mas depois visitei o blog da artista e via a imagem em tamanho maior e é outra coisa! Embora a luz não me agrade muito, na capa da Lusitânia ficou bastante mal, parecendo uma foto-manipulação mal feita.

Visitem o blog da fanzine.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Fénix 1

"Fénix, nº1", fanzine


Esta fanzine é dedicada à divulgação da Fantasia, Ficção Científica e do Horror, constituída por contos e artigos de variados autores portugueses.
Este número foi organizado pelo Roberto Mendes e a belíssima capa é da autoria de Hauke Vagt (um ilustrador de origem alemã a viver em Lisboa).

Opinião:
"O Navio de Teseus", de Carlos Silva
Uma excelente ideia, bem executada. Um bom conto,cuja única falha me pareceu ser nos (poucos) diálogos. Mas vale a pena.

"Natal em Little Town", de João Ventura
Gostei do conceito deste conto, no entanto achei que o final não foi tão bem entregue como poderia ter sido e caiu um pouco do nada.

Romeu de Melo e a Ficção Científica, artigo de Álvaro de Sousa Holstein
A amizade e respeito que Álvaro Sousa Holstein tem por Romeu de Melo transparece neste texto- confesso que desconhecia o autor e fiquei muito curiosa por descobrir trabalhos deste senhor que infelizmente já cá não se encontra.

"O Factor Genético", de Romeu de Melo
Apesar de este conto ter sido publicado pela primeira vez em 1978, permanece bastante actual, o que de certo modo chega a ser assustador, se pensarmos bem nisso. O conceito está brilhante: uma raça de extra-terrestres que estuda os poucos terrestres sobreviventes e que avaliam como estes se auto-destruíram.
No entanto confesso que o facto de toda a informação nos ser dada através de diálogos extensos e explicativos, tirou um pouco de energia à história. Mesmo assim, é um bom conto e fiquei com vontade de ler mais deste autor.

"Floresta de Homens", de Valter Marques
O conto começa um pouco fraco, mas tal acontece para estabelecer as personagens e por isso não se incia mal. O autor consegue desenvolver bem as personagens e até o cenário o que cria um conto rico e cujo final adorei. Sem dúvida o meu favorito da fanzine.

Entrevista a José Manuel Morais
É sempre interessante ler entrevistas com autores portugueses, especialmente aqueles já um pouco esquecidos pelo tempo e quando o entrevistador os conhece bem. Concordando ou não com algumas das coisas ditas, vale a pena ler.

No geral este foi mais um bom número desta fanzine, com contos interessantes e diversificados, e alguns artigos curiosos. Apesar de alguns erros ortográficos que não incomodaram muito, a fanzine está bem organizada. Só gostaria também de ter visto um pequeno artigo sobre o artista da capa (temos alguma informação básica mas sabe a pouco).
Fica a vontade de ver mais números da Fénix em breve.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NanoZine 3


Photobucket"NanoZine, nº 3", fanzine dirigida por Adeselna Davies (Ana Ferreira), Alexandra Rolo e Leonor Ferrão (webzine)


"Um Erro várias culpas, de Ana C. Nunes
Este conto é da minha autoria e como tal é óbvio que não vou opinar sobre o mesmo. Deixo isso ao critério dos outros.

"Memórias de mim, pintadas por ti", de Miriam Fonseca
Uma história que se sente nas palavras, mas também no que fica por dizer. A prosa da autora é bastante bela e chega até a ser lírica em certos momentos.
Por último gostei muito do toque final, que deu à história outra dimensão.

"I kissed her goodbye", de Adeselna Davies (Ana Ferreira)
Disperso, mas cativante. É esta a forma como consigo definir este conto, embora tenha sentido falta de algo mais profundo, um pouco mais linear (em certos momentos), também é certo que gostei da forma como a escritora decidiu expor esta história.

"Rapto", de Leonora R. Campbell
Desde o início que este conto parecia sentir falta de algo mais. A escrita está bastante competente, mas é a evocação da acção e especialmente de sentimentos que torna esta história algo insípida. Apesar de os eventos serem apontados, a percepção que tive foi de lhe faltar vitalidade, emoção e algo que o tornasse distinto (já que a história em si é bastante básica). O que sobressai é somente um sufoco relacionado com uma sombra de indignação que parece conduzir todo o conto.

"O Cálice da vingança: parte III", de Adoa Coelho
Como seria de esperar, não tendo eu lido as anteriores duas partes desta história, senti-me realmente 'à nora'. Ainda assim posso dizer que gostei da prosa, embora não possa opinar de forma justa sobre a história, visto que me faltam trechos (terei de ler os números anteriores da fanzine).

"Noite", de Emanuel R. Marques
Curto. Demasiado curto. Mas mesmo assim, um verso que soa extremamente bem.

"O poeta nada ama", de Mariana Araújo
Não sou versada em poesia e devo confessar que o início deste poema não me cativou, mas a partir do meio realmente gostei pois pareceu-me que o tom se alterou solenemente.

"D. Quixote e a apologia da literatura", artigo de M.A.
Um artigo com uma visão que partilho, em parte. Muito pessoal, este texto, pareceu pecar por se desviar um pouco do parágrafo introdutório. Ainda assim foi curioso de ler e é verdade que muitos se esquecem de ler os clássicos, mas também não se devem ler apenas os clássicos. (embora, claro, mesmo eu sinta a necessidade de ler muitos mais clássicos do que os que leio)
Um artigo interessante.

Top 10 Livros para se consumir neste verão
Concordo com algumas escolhas, desconheço muitas e discordo com outras. No entanto está aqui uma lista curiosa, que consegue abranger vários ramos da literatura, desde os clássicos aos best-sellers.

No geral, foi uma fanzine bem organizada, onde apenas algumas gralhas escaparam à edição. Tem uma variedade interessante, tanto de ficção como de não-ficção e mostra que quem nela trabalha, realmente gosta do que faz.
Em termos de publicação (design) não notei nada de alarmante e acho que, no geral, fizeram um bom trabalho.Duas sugestões apenas: poderiam disponibilizar sites/blogs dos autores, caso estes existam; e também deixar um cantinho qualquer para dizerem que aceitam submissões. (a menos que me tenha falhado a existência de tal alerta).

terça-feira, 19 de julho de 2011

Bang! 10

"Bang!" nº10, revista lançada pela Saída de Emergência e FNAC

Começamos com um editorial a citar Ursula K. LeGuin, que diz que "a boa ficção não se destina a mentes preguiçosas" e Safaa Dibb faz todo o editorial a partir dessa afirmação.
A secção das novidades da colecção Bang! está cheia de surpresas no final, com grandes nomes a serem apontados como apostas para breve (H.P. Lovecraft, Ray Bradbury, Anne Bishop, Harry Turtledove, Dan Simmons, entre outros).
Tal como na revista anterior, também nesta podemos ler pequenas opiniões de bloggers, publicadas nos cantos de algumas páginas (entre essas está uma opinião minha, que já referi aqui).
As críticas literárias inseridas na secção própria da revista estavam, na sua maioria interessantes, embora uma em particular se tenha debruçado demasiado sobre a história do que sobre o estilo e a opinião (felizmente não foi exagerado).

Ilustrador (Andreas Rocha)
Já conhecia o trabalho deste artista há algum tempo, e reconheço-lhe bastante mérito, especialmente a nível de criação de cenários. Creio, no entanto, que os trabalhos mostrados na secção dedicada ao ilustrador, não foram os mais enaltecedores, especialmente estando reduzidos a tamanhos tão pequenos. O tipo de arte que ele cria, merece ser visto em tamanho grande, tal como acontece na capa ou no conto de Philip K. Dick.

Os Livros das Minhas Vidas (Fernando Ribeiro)
Reconheço que antes da saída do mais recente livro deste autor, desconheci-a fora do género musical. Gostei particularmente de como narrou esta crónica sobre os livros das suas vidas (como o próprio diz) e nota-se a paixão que te pelas histórias bem contadas.
Tenho cá em casa uma antologia que tem um conto dele (só o soube ao ler o artigo), e estou curiosa por ler pois gostei do que ele disse neste artigo, e da forma como o disse.

Admiráveis Mundos Novos (Safaa Dib)
Um artigo interessante, que ainda assim pareceu deixar de lado certos nomes que me pareciam merecedores de atenção. Contudo, se esta for uma secção habitual da revista, isto poderá ser facilmente resolvido de futuro.

"O Turno da Noite", de João Barreiros
Estranhei o início deste conto, mas passada primeira parte, vi-me novamente imersa na escrita e prosa deste grande autor português, que conseguiu dar um fôlego extraordinário a algo até bastante 'normal' (dentro da sua anormalidade). Gostei da história e muito especialmente do final, mas devo dizer que a parte introdutória me pareceu dispensável (já que tudo o que nela foi revelada, acabou por ser repetida no resto da narrativa, perdendo-se dessa forma o interesse da parte I.
Gostei muito de ver as ilustrações de Melo Matos, que embora não fossem fiéis aos textos (nem o deveriam ser, pois são anteriores a este), deram uma outra vida ao conto.

História do Breve Cinema de Terror Português (João Monteiro)
Confesso-me um autêntica leiga, no que respeita ao cinema português, e muito particularmente ao (breve) cinema de terror lusófono. Este foi um artigo muito interessante e abrangente, não se restringindo somente às películas, mas também às épocas que as condicionaram e/ou fervilharam.

Era uma vez Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (Pedro Piedade Marques)
Pensava eu que este artigo ia ter a ver com o livro de George Orwell, e afinal ... afinal era outra coisa, talvez igualmente interessante. Achei o artigo curioso, especialmente porque desconhecia por completo, não só o livro, como ainda mais a 'organização'.

"Guia de Viagens Seguras para Negros", de Matt Ruff
Achei este conto muito consciente e focado, com temas anda em voga, e que poderiam (quem sabe se não terão) realmente acontecido, até porque muito do descrito foi verdade, em tempos. No geral gostei muito, tanto da prosa como da história e da personagem principal. A minha dúvida é uma só: o que é que este conto tem de fantástico? (resposta: nada além da menção de obras famosas do género)

O Sonho Americano Desenha-se em Português (João Lameiras)
Um artigo interessante, se bem que posso dizer que já conhecia quase todos os factos retratados, acho que o cronista conseguiu reunir bem a informação e torná-la acessível e construtiva. Espero sinceramente que esta secção de BD se mantenha, e que se debruce ainda mais sobre a BD produzida em Portugal.

"Os Defensores", de Philip K. Dick
Depois de ficar desapontada com "Ubik - Enter 2 Mundos", um livro do mesmo autor, parti para a leitura deste conto com algum receio, mas confesso, fiquei rendida. Realmente nesta curta história o autor construiu um mundo sólido, personagens interessantes, mas mais que tudo, uma trama profunda. Gostei muito da prosa e do desenrolar narrativo, nesta distopia a verter para a utopia. Muito bom!

A Guerra dos Tronos (Safaa Dib)
Tinha receio de ler este artigo e receber spoilers, mas felizmente a Safaa soube conter-se nas informações dadas, de forma a que mesmo quem nunca tenha lido os livros, possa ler o artigo e ficar interessado. No entanto o artigo pouco trouxe de novo, para quem segue com o mínimo de atenção o mundo da fantasia em Portugal, ou mesmo das séries internacionais. Ainda assim, para quem é desconhecedor total, será um artigo a ter em atenção.

Vida Noutros Planetas (Fábio Fernandes)
É bom ler sobre leitores/autores de fora do nosso país, sobre o género da FC&F. O Fábio Fernandes conseguiu sumarizar o que se tem passado no Brasil nos últimos anos, de relevante, mas pareceu-me que ao artigo faltou algo de ... único.

"2BR02B - To Be Or Not To Be". de Kurt Vonnegut
A simples ideia por trás deste conto, daria pano para mangas, mas posso dizer que gostei muito desta interpretação e da forma como as personagens escolheram ver as suas 'vidas'. Fez muito sentido, mas ao mesmo não fez sentido nenhum, pois tudo se baseava no egoísmo. Um conto profundo e intenso, onde a significância da vida é posta me causa.


Távola Redonda (Cristina Alves, Célia M., Rui Baptista, João Seixas)
Uma 'reunião' bastante curiosa de quatro bloggers bastante conhecidos na web. Esta 'conversa' focou pontos de interesse, alguns que por norma não são muito falados, e outros que já estão quase banalizados. Uma rubrica a continuar.

No geral esta foi mais uma revista exemplar, desta vez com uma qualidade ainda maior na ficção (menos não seria de esperar dos nomes envolvidos, embora muitas vezes os novatos surpreendam pela positiva), mas igualmente com vários artigos de não-ficção que se destacam.
Um projecto a seguir.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Floresta de Livros na Bang!

Há uns tempos foi contactada pela revista Bang (sob a pessoa da Saafa Dib) para escrever uma pequena opinião sobre um livro de fantasia que tivesse lido recentemente. Escolhi "A Raposa Azul", de Sjón (cuja opinião completa podem ler aqui).


Por isso quando estiverem a folhear a revista Bang! nº 10, na pág. 37, espreitem o canto direito e lá estaremos (eu e o blog). :)
Está lá na coluna de opiniões de blogs, juntamente com outros (igualmente, ou possivelmente mais interessantes).

Agarrem a revista em qualquer FNAC. É grátis!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fénix 0

"Fénix, nº 0", fanzine

Esta é uma fanzine dedicada à divulgação da fantasia, Ficção Científica e do Horror, constituída apenas de contos de variados autores portugueses, com organização de Álvaro de Sousa Holstein.
Começa com um editorial do organizador/coordenador, que relata como tudo começou e como, uma ano depois, a fanzine ganhou forma.

Opinião:
"O satélite de Natal", de João de Mancelos
No início do conto, confesso que fiquei apreensiva, pois a escrita não me cativou (especialmente alguns dos termos usados), no entanto as reviravoltas que o autor subtilmente introduziu na história, foram simplesmente 'deliciosas' (permitam-me o termo). Cheguei ao fim com um sorriso no rosto, pois achei a ideia muito interessante e bem executada, se bem que a nível de escrita poderia ser ainda mais aprimorada (não que esteja mal, mas poderia ser mais intuitiva).

"A gloriosa raça das ratazanas", de Joel Puga
A história está bastante bem pensada e fez-me recordar o "encantador de ratos" dos irmãos Grimm. Imagino que se tenha baseado na fábula, e nesse aspecto conseguiu utilizá-la bem. No entanto, a prosa não me apaixonou, chegando mesmo a roçar o monótono. Pareceu-me que de início tentou contar coisas que não precisavam realmente ser contadas, e a acção do meio e fim perdeu-se um pouco, não por falta dela, mas por falta de convicção das palavras. Contudo, graças à trama, o conto leu-se bem.

"Os pilares", de José Manuel Morais
A escrita maravilhosa do autor, fez com que o tema passasse para segundo plano, ganhando a prosa uma vida própria. Fiquei rendida desde as primeiras frases, mas felizmente também a história conseguiu manter o interesse, embora as palavras fossem a sua verdadeira força. José Manuel Morais é um autor a manter debaixo de olho.

"O velho das terças-feiras", de José Pedro Cunha
Achei este conto extremamente pitoresco e muito bem contado. Pareceu-me quase uma daquelas histórias que nos contam nas aldeias, e a escrita do autor conseguiu captar muito bem esse ritmo narrativo. Noutra nota, é engraçado notar como este conto é tão tipicamente português, nos cenários que descreve.

"O roubo dos figos", de Marcelina Gama Leandro
Mal se inicia a leitura do conto, sente-se também uma presença Lusa que é estranhamente reconfortante. A história é doce e curta, mas o fim deixou-me pouco satisfeita.

"E agora algo completamente diferente", de Regina Catarino
O conto em si não me surpreendeu tanto quanto o título parecia indicar, mas soltei uma gargalhada com a última frase. (Eu sei. Que crueldade!) Imagino que o estilo da narrativa tenha sido propositado e até funciona bem neste caso, mas pouco mostra do que autora poderá ter para dar enquanto escritora.

Crónica de Roberto Mendes
Embora já conhecesse praticamente tudo o que foi relatado na rubrica, não deixou de ser interessante lê-lo pelas palavras do próprio Roberto. Louvo o esforço tem feito e projectos que ele tem desenvolvido, mas também sei o que correu bem e o que ... nem por isso. Vale a pena ler para os que não conhecem.

Suplemento Pumba!, de Banrion
Ri-me com todas as páginas, sem excepção. Posso não conhecer uma ou duas das caras retratadas nesta sátira em forma de ilustrações, mas ainda assim as piadas não se perderam e forma bem retratadas pelo artista. Há que levar estas coisas pela piada.


No geral penso que foi uma fanzine bem conseguida, bem estruturada, e que publicou uma boa dose de contos interessantes. É certamente um projecto a seguir com interesse.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Bang! 9

"Bang!" nº9, revista lançada pela Saída de Emergência e FNAC

Tal como no número anterior, começamos com um editorial (desta feita, não tão interessantes como o seu antecessor, mas ainda assim razoável) e a apresentação das novidades da Colecção Bang (maioritariamente sequelas ou autores já anunciados anteriormente).
Ao longo da revista, também foram colocando pequenas impressões publicadas em vários blogs, de diferentes livros. Foi uma adição interessante.
Já as críticas no final da revista, estavam bastante mais interessantes e menos sumários do que no número anterior. Uma boa mudança, já que para saber sinopses não leio opiniões.

Ilustrador (Tiago da Silva)
Foi há cerca de 1/2 anos que descobri este talentoso artista português, mas desde então que se tornou num dos meus favoritos. Com um uso subliminar da cor, e uma estética impecável, as ilustrações de Tiago Silva deixam-nos de boca aberta. Certamente um artista a seguir com interesse.

Os Mundos Imaginários do Fantástico Português - Parte 2 (António de Macedo)
Seguindo o que se passou no volume anterior, esta continuação não desapontou ao mostrar-nos e descrever-nos os nomes e obras de fantasia, um pouco mais recentes. No entanto, e apesar de louvar a imparcialidade quando nomeou os mais recentes autores do panorama nacional, ainda assim sobressaiu alguma 'preferência' (chamemos-lhe assim), o que distou do resto do ensaio, que tinha sido mais distanciado.

O Ano dos Fantasmas e dos Demónios (Safaa Dib)
Apesar de ser fã do cinema oriental, ainda não vi nenhum dos dois filmes mencionados (embora já tenha deles ouvido falar). Gostei de como a Safaa abordou as duas obras, deixando o leitor curioso.

"A Invasão", de Andersen Santos
Apesar de o autor ser brasileiro, é engraçado perceber que não há no texto nenhuma daquelas expressões que denotam a sua origem. A prosa está muito envolvente, a história bem contada, e apesar de não ser o auge da originalidade, consegue divertir, entreter e deixar-nos com uma sensação pesada no final.
Ainda por cima, parece-me que passa uma certa mensagem sobre o excessivo consumismo, que hoje em dia atinge grande parte da população
Noutra nota, não gostei muito da imagem de apresentação do conto (é culturalmente apelativa, mas visualmente repelente), mas a ilustração interior está muito boa (embora, infelizmente, não haja sequer menção do ilustrador ou do fotógrafo, e isso é imperdoável).

"Os Crisântemos Africanos", de Jorge Palinhos
Este conto conseguiu gelar-me o sangue com a sua franqueza e uso extraordinário das palavras e da imaginação. É uma viagem quase arrepiante pelo meandros de uma mente perturbada, contada de uma forma envolvente e expressiva.
Não conhecia o autor, mas vou ficar atenta.


Eu e a fantasia temos uma longa história (George R. R. Martin)
Foi interessante saber como a fantasia era recebida nos anos 40 e 50 e a história sobre as tartarugas fez-me rir, mas o texto de Martin, a partir do meio, tornou-se algo moroso. Penso que se estendeu demasiado.

"Memorial", de Elizabeth Bear
Um conto interessante, com duas personagens bem interessantes e cuja interacção gostei muito de ler. No entanto pareceu-me que a conclusão ficou aquém do potencial da história.

Vida noutros planetas (Stephen Hunt)
Um artigo interessante, sobre algo que os portugueses apenas agora começam a ver acontecer com mais 'propaganda': As convenções.

Os Negros Anos-Luz de Terry James (Pedro Piedade Marques)
Uma excelente continuação do artigo anterior. Com curiosidades interessantes e uma análise às capas de ficção científica que marcaram uma era, e que até eu, que não sou daquele tempo, reconheço hoje em dia (para percebermos a intemporalidade de certos trabalhos). Espero sinceramente que o Pedro Piedade continue a contribuir com artigos interessantes, pois valem bem a pena.

"O Espelho Negro", de R. A. Salvatore
Ao princípio, e até cerca do meio do conto, achei-o algo aborrecido, se bem que escrito de forma interessante. Felizmente a partir do meio ganhou alguma verdadeira substância e interesse narrativo. Gostei do fim, mas no geral o conto ficou bem aquém do que esperava. Parece-me que a voz narrativa não é tão 'aventureira' quanto o protagonista, o que faz com que a acção não pareça tão excepcional como poderia ser.

Os Livros das Minhas Vidas (David Soares)
Diferente do que esperava e bem-humorado, com toques pessoais e curiosos. Muito interessante e leve.

Desenhar o Irrepresentável: Lovecraft na BD (João Lameiras)
No geral gostei do artigo, mas achei que se focou demasiado nos artistas/argumentistas, e pouco na forma como elas abraçaram os contos de Lovecraft na sua arte. Neste ponto o artigo pecou um pouco e perdeu alguma profundidade, mas mostrou-se, ainda assim um artigo de interesse.

A Arquitectura do Futuro e o Futuro da Arquitectura (Pedro Gadanho)
Um artigo interessante, com um tema sobre o qual pouco se ouve falar, apesar da clara evidência de mistura entre a arquitectura e a FC. Apesar de muito interessante, e até certo ponto abrangente, pareceu-me que um pouco mais de profundidade e referências teriam funcionado bem com o tema.

Távola Redonda (Ana Mendes Lopes, Alberto Simões, Cristina Correia, Fernanda Semedo)
Uma visão sobre o 'mundo' da tradução, que apesar de não em ser totalmente desconhecido, me permitiu entender melhor o trabalho destes 'fantasmas' que tanto nos podem maravilhar como desapontar. Uma rubrica muito boa, interessante e com uma interactividade bastante dinâmica. Certamente uma aposta ganha.


De um modo geral, esta revista superou o número anterior, melhorando tanto a nível de artigos, como de contos e ainda nas críticas. Uma aposta ganha! E só espero que continuem, mas já agora, dispensava bem as 'campanhas publicitárias' que só atraem crianças, tais como: "... ao Legolas (dizem que este até anda num psicólogo em Rivendell". Por favor ...

Nota: Podem fazer o download da revista em pdf, AQUI.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dagon 1

"Dagon" nº1, revista lançada pela Edita-me e Correio do Fantástico

"Dormindo com o inimigo", de Luís Filipe Silva
Depois de já ter lido dois contos do autor (e adorando ambos), as minhas expectativas era altas.
A escrita não decepcionou, cativando desde o primeiro parágrafo. A história estava interessante, embora tivesse potencial para mais algumas explicações, e mesmo para tirar certas dúvidas recorrentes do que o protagonista dizia e pensava.
O final foi bastante surpreendente, mas de certa forma inverossímil, pois custa-me a acreditar que o protagonista, sendo tão observador, não tivesse percebido o que realmente se estava a passar.
Mesmo assim, foi uma leitura maravilhosa com um final inesperado.

Festival de Stiges 2009, por Luís Canau
Um artigo detalhado sobre o festival, com opiniões curtas e directas sobre os filmes exibidos. Gostei bastante de ler este artigo, até porque já vi grande parte dos filmes mencionados, e outros tenho planos para ver.

"A Balada do Executor", de Carla Ribeiro
Um conto que peca nos diálogos, que parecem forçados e mecânicos. Com uma história que até foi razoavelmente bem aproveitada, mas que pela forma como foi contada perdeu muito valor. Ao ser-nos narrada de forma tão monótona, perdeu vigor e interesse. Nenhuma das personagens foi exposta bem o suficiente para nos interessarmos. Em suma, esperava muito mais.

"No Bucks, No Bucks Roger", de Pedro Ventura
Este ensaio (pois não o vejo como um conto) fará com que muitos escritores em Portugal se identifiquem com o texto, que reflecte bem o típico escritor português (eu sou só amadora, mas percebo como as coisas funcionam).
Mas embora me tenha revisto neste pequeno texto, que expõe mais do que critica, achei que a prosa poderia estar mais apurada e interessante. (e também fiquei sem perceber a ligação com o título)

Entrevista com Lavie Tidhar
Uma entrevista que pareceu curta, mas que conseguiu reunir algumas questões interessantes, deixando no ar a curiosidade em ler "Tha Apex Book of World SF".

"Brasereiros", de Nir Yanic
Com uma ginástica narrativa muito interessante, este conto pecou pela falta de descrição e foco demasiado extenso no diálogo sem o amparo de qualquer descrição. A ideia original está interessante e foi bem explorada, até um certo nível, mas perdeu pontos pela ineficácia da transmissão visual.

A Ficção Científica Internacional e Problemas de Identidade, por Larry Nolen
Artigo interessante e que levanta questões que gostaria de ver mais exploradas. A verdade é que também desconheço em grande parte a FC que se faz pelo mundo e gostaria de poder ver como as diferenças culturais se transmitem para histórias do género.

Ilustrações por Miguel Ministro
Já tendo conhecimento do trabalho do artista antes desta publicação, posso dizer que gosto, especialmente pela diversidade estética e de influencias. Adoro as cores que ele usa, embora não possa dizer que gosto de todos os seus trabalhos de igual forma, não lhe retiro mérito. É um excelente artista.

"Não há Etcoeteras", de Nuno Fonseca
Um artigo de opinião sobre um dos grandes nomes da FC em Portugal, que nos dá uma visão sobre o trabalho dos escritor, mas que deixa no ar muitas curiosidades.

"Um dia com Júlia na Necrosfera (parte 1)", de João Barreiros
Tendo já lido dois contos deste escritor, confesso que estava à espera de algo muito bom.
Mas antes de mais tenho de dizer que a escolha de dividir o conto em dois foi muito MÁ. A história perdeu momentum, deixando no leitor um sentimento de "traição" e falha em entregar aquilo que prometeu com tanto afinco no artigo "Não há etcoeras" (acima) e não conseguiu, por cortar o conto em dois. Muito má escolha!
E se a escrita do autor conseguiu novamente cativar-me, a história possivelmente só começará a fazer sentido quando terminar de a ler.
O que prometia ser um grande conto (e possivelmente o será). perdeu toda a força ao ser apresentado por partes.

"Glória Perpétua", de Roberto Mendes
Não compreendo se os incessantes pontos de exclamação eram propositados (imagino que sim), mas continuo sem perceber a sua necessidade e digo apenas que o seu uso abusivo me impediu de concentrar devidamente neste curto texto que pareceu, por vezes, perder-se nos seus próprios meandros.

Posfácio, por Roberto Mendes
O homem que criou a Dagon (e também o Conto Fantástico) fala um pouco da jornada e do conteúdo da revista (que a meu ver se tornou inadequado num posfácio).

Em suma, esta foi uma revista interessante de ler, com artigos bem escolhidos, contos variados (que poderão ou não agradar) e muitas promessas, na sequência o desafio que foi este projecto. Contudo, deixo aqui a nota que o preço foi mais que abusivo (8€).
Quanto ao conto do João Barreiros, aconselho os leitores a esperarem até terem a outra parte, antes de se aventurarem na leitura desta primeira parte, mas o problema é que, depois de dez meses o segundo número da revista ainda não saiu.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Bang! 8

"Bang!" nº8, revista lançada pela Saída de Emergência e FNAC

Quando fui ao Porto na semana passada, aproveitei para agarrar um exemplar do mais recente número da revista Bang!. Distribuída agora gratuitamente nas lojas da rede FNAC.
Abaixo seguem breves comentários sobre grande parte do conteúdo:

Ilustrador (Alejandro Dini):
Gostei bastante da capa, mas confesso que as escolhas que colocaram na página dedicada ao artista não me cativaram tanto. Mas como não conheço a obra do artista não sei se foram bem ou mal escolhidas. No entanto gostei do facto de dedicarem uma secção a isso.

Colecção Bang:
Faz todo  sentido que uma revista preparada pela SdE, tenha uma secção para os seus livros de fantasia e ficção científica, e é isso mesmo que fazem nesta parte da revista. Não se estendem demasiado, o que é bom. Traz também algumas novidades para os que seguem os lançamentos da colecção, especialmente para os fãs de Anne Bishop e do David Soares, assim como lançarem novos nomes na colecção.
Também é nesta parte que fazem uma breve menção ao Fórum Fantástico deste ano (a a decorrer entre 12 e 14 de Novembro), mas poderiam ter sido mais detalhados (incluir a agenda, por exemplo), já que a editora da revista (Safaa Dib) é a mesma que organiza o evento.

"M, de Malária", de José Eduardo Agualusa:
Eu já tinha lido este conto na antologia Contos de Vampiros.
Podem ler a minha opinião aqui.

A minha história de Duna (Jorge Candeias):
É sempre interessante ler os artigos do Jorge Candeias (sigo o blog), e este, feito na perspectiva de tradutor, foi igualmente curioso, especialmente porque falava de um livro que ele, enquanto leitor, não gostava particularmente. Compreendo perfeitamente quando diz que não se tem de gostar de um livro para perceber o porquê de este ser um clássico.

"Com a manhã chega a neblina", de George R.R. Martin:
Sendo este o meu contacto com o escrita do autor, confesso que tinha as expectativas um pouco altas.
Gostei da narração do autor, mas não me pareceu que o conto fosse algo de extraordinário, ou sequer as descrições fossem tão bélicas como poderiam ter sido (já que ele mencionava a beleza ímpar do planeta, mas não a conseguia transcrever convenientemente).
Ainda assim gostei muito do conceito, até porque é um com o que identifico. Esta necessidade que o ser humano tem para querer respostas a tudo, cortando o mistério que torna tudo mais interessante. Sou apologista da imaginação e do desconhecido porque se soubermos tudo, a vida perde a graça.

Os livros da minha vida (Afonso Cruz):
Já tinha lido um qualquer artigo onde o autor falava dos livros que o marcaram e dos autores que mais gostava, mas não achei repetitivo, embora pudesse ter sido mais abrangente e talvez mais focado, tendo em conta o tema.

Távola Redonda (David Soares, Bruno Martins, Ana Vicente Ferreira, Ineês Botelho e Telmo Marçal):
Uma rubrica muito interessante, que reuniu vários autores em volta de uma mesma questão: O caminho da publicação.
Foi interessante ler, mas pareceu-me que a participação dos autores foi mal aproveitada, sendo estes apenas mencionados uma ou duas vezes ao longo da rubrica. Havia potencial para mais debate.
Gostei, mas também achei que poderia ter ido mais longe. Ainda assim espero que esta rubrica se mantenha.

A boa gente de Sodoma (Mathew Rossi):
Este pequeno ensaio divertiu-me imenso e colocou várias questões no meu subconsciente. Gostei muito pela sua pertinência e especialmente pela forma como o autor expõe as suas "teorias".

Os mundos imaginários do Fantástico Português (António de Macedo):
Um artigo que adorei, tanto por me mostrar um lado o "fantástico" (aqui esta uma palavra que eu pouco uso) português como por ter um, enquadramento histórico que eu ainda não havia lido (tenho de colmatar esta lacuna).
Só espero que este artigo tenha continuação, pois tem muito ainda por desvendar sobre a escrita fantástica em Portugal, se bem que o que já foi desvendado foi extremamente interessante.

"Os Cascos e o Casebre de Abdell Jameela", de Saladin Ahmed:
Sem dúvido o conto que mais gostei nesta edição. As personagens foram muito bem expostas e embora a história não fosse o ponto forte, também não foi má e adorei toda a controvérsia em causa. O final foi previsível, mas não sem um toque algo especial.

Légolas: rói-te de inveja [o nascimento de uma lenda] (R.A. Salvatore):
Nunca fui muita fã de elfos, nem sequer quando chegou o o fenómeno do "Senhor dos anéis", mas confesso que me parece mais interessante este lado mais aventureiro do elfo negro, do qual já ouvi histórias, sem sequer saber que fazia parte do jogo D&D ou de uma trilogia como esta.
O texto do autor foi interessante de ler, mas poderia ter sido bem mais cativante.

"Felicidade", de Inês Botelho:
Tendo apenas lido, desta autora, o "A filha dos mundos", notei claramente uma evolução narrativa e a nível da escrita (também já lá vão uns bons anos). Gostei bastante da escrita dela, mas pareceu-me que se perdeu por divagações morais exageras, o que não impediu de expor bastante bem a sociedade que retratava.

Nova Vaga, Novas Capas (Pedro Piedade Marques):
Um excelente artigo sobre um tema que sempre me fascinou, as capas de livros. Muito interessante e bem organizado, espero que nas próximas edições continuem com algo dentro do tema, pois há muito que dizer, no campo da SF&F.

Fantasia Urbana ou Romance Paranormal (Saffa Dib):
Um artigo muito bem exposto, com vários exemplos, sempre apropriados e que poderá esclarecer aqueles que ainda não conseguem perceber muito bem a distinção entre estes dois sub-géneros da fantasia. Especialmente porque são dois que costumam mesclar-se em muitas obras.

"As cidades do segundo esquerdo", de Afonso Cruz:
Depois de ler Os livros que devoraram o meu Pai, do mesmo autor, fiquei decepcionada com este conto, que mais se lê como um ensaio. Baseado num conto de Sigizmund Krzhizhanovsky, este curtíssimo texto só surpreendeu realmente no último paragrafo, deixando um sabor amargo após a leitura. Como se faltasse muita coisa.

Críticas:
As três primeiras críticas lera-se mais como sinopses (longas ...) do que qualquer outra coisa, pois por norma só o último parágrafo era realmente crítica.
Já a crítica ao "Se acordar antes de morrer", foi interessante e dinâmica, mas perdeu-se um pouco nas suas próprias teias.
As restantes duas foram mais bem conseguidas e interessantes, focando-se no que cada livro tem de melhor para oferecer, e também no pior (excepto a última, que apenas disse o bom).

De A a BD (João Miguel Lameiras):
SPOILERS MUCH?!? O João Lameiras não teve o mínimo cuidado e colocou um spoiler enorme bem no meio do texto. Até eu, que já li quatro volumes, fiquei parava a olhar para o texto. Que raio?
Supostamente este texto é para quem ainda não leu a BD, então porque é que ele meteu aquilo ali no meio?
Mau. Muito mau!
Até ali estava tudo bem com um resumo conciso e foco nos pontos fortes da história, e depois ... depois estragou tudo.

Conclusão (opinião final):
Com uma apresentação impecável, este projecto parece ter pernas para andar. Gostei do facto de a SdE não se focar somente nos seus livros (embora haja sempre espaço para mais) e ter colaborado com outras editoras nesta edição. Esperamos que isso se mantenha nas próximas (que se espera serem muitas).
Também gostei do facto de abranger outras vertentes da fantasia, como a ilustração e a banda desenhada. Ficou a ideia que o cinema também marcará presença num próximo número, o que outra mais valia ao projecto.

E embora me parecesse que os exemplos de ficção curta aqui mostrados não tivesse sido os melhores exemplares do género, posso dizer que a diversidade dos mesmos foi grande.

Em suma, uma aposta ganha, que tem ainda alguns pontos que poderão ser melhorados, mas que num todo está mais que bem conseguido. Espero que se mantenham por muito tempo.

Nota: Podem fazer  download da versão ebook (pdf) AQUI.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Revista Bang

A Revista Bang!, uma publicação dedicada à fantasia e ficção científica desde 2005, lançada pela Saída de Emergência e que vai no nº 7, arrisca-se agora em novas fronteiras.
Esta revista que começou em formato papel, depois passou para digital, até regressar novamente ao físico este ano, vai agora entrar numa parceira com a cadeia de lojas FNAC, onde os exemplares serão distribuídos de forma GRATUITA (leram bem).

Para saberem mais, leiam o post no blog da editora.

Estas são excelentes notícias para os aficcionados de fantasia e ficção científica, além de que, com certeza, trará novos leitores a ao género.
Dou os meus parabéns à Saída de Emergência e à FNAC pela iniciativa arrojada e só espero que tenha muitos e bons resultados.

Nota: A imagem da direita é a ilustração para o nº 8 da revista.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conto Fantástico 1/2

"Conto Fantástico", revista/jornal com contribuições de vários autores (Antagonista Editora)

Sinopse:
Uma publicação que pretende apostar na divulgação da escrita de fantasia e ficção científica em Portugal, escrita por portugueses.

Opinião:
Este jornal, que mais parece uma revista, inclui os números 1 e 2 da publicação.
E depois de a ler de uma ponta à outra, posso dizer que vale bem a pena comprar e que é um projecto a seguir com interesse. De louvar a decisão de dedicá-lo exclusivamente à literatura fantástica portuguesa.
Seguem opiniões separadas de cada artigo/conto:

"Mutação Final", conto de João Rogaciano
Quando falamos em ficção científica, o que vem logo à cabeça da maioria das pessoas é: Viagens espaciais.
Achei que o conto tinha potencial, a história teve uma reviravolta interessante, embora não totalmente inesperada. O problema foi a forma como o conto foi mostrado. A narrativa não era aborrecida, e os pormenores, na sua maioria, não estavam despropositados, mas a sequência de acções estava mal aplicada e não houve lugar para o frenesim que um conto desta natureza poderia gerar no leitor.

"Memórias da Ficção Científica", coluna de Álvaro de Sousa Holstein
Foi bem divertido ler sobre como se faziam fanzines há uns anos atrás (A Nebulosa é mais velha que eu dois meses). E pensava eu que os anos 80 e 90 tinham sido bons anos para a ficção científica, mas parece que nem tanto. Realmente, temos a vida muito facilitada com as novas tecnologias (acho que se elas desaparecessem amanhã, me dava um "treco").

"Thalormis Zeta", conto de Carla Ribeiro
Numa escrita cativante, com pormenores que não aborrecem e numa narrativa que incita o leitor a continuar. este conto conseguiu ser mais que satisfatório, dando-nos um final, mas um final que deixa no ar a ideia de que há mais (não necessariamente noutro conto, mas não dá um fim definitivo, que é sempre bom).

"Space Oddity", conto de Regina Catarino
Curto! Muito curto mesmo, mas ainda assim conseguiu transmitir algo. Não é extremamente original, e sinceramente a menção ao David Bowie pareceu-me algo irrelevante pois duvido que quando as viagens no espaço se tornarem tão comuns as pessoas ainda oiçam David Bowie, mas bem, até isso pode ser perdoado.
A verdade é que este conto funcionou bem, sem no entanto poder ser algo mais que uma leitura agradável.

Entrevista a João Barreiros
Tendo já lido dois contos do autor, posso dizer que gosto do estilo dele. Ao ler esta entrevista, até me senti um pouco mal por não conhecer metade dos nomes mencionados. Mas eu sou apologista de que os "clássicos" não são tudo, o que não quer dizer que não goste de ler de tudo um pouco, porque gosto.
Gostei da entrevista, embora tivesse achado que falou pouco do autor, e muito mais do panorama português no campo da fantasia, e especialmente da ficção científica (que todos sabem estar pela hora da morte).

"Memórias da Ficção Científica", coluna sem autor (não é mencionado no artigo)
Nunca tinha ouvido falar do escritor Romeu de Melo, mas neste artigo ficamos a saber um resumo da vida daquele que é, na voz do colunista, o "pai" da ficção científica em Portugal.
Fiquei com vontade de saber mais sobre o autor, e não vale de muito meter o nome no google, pois segundo o artigo, nada de relevante surge. O esquecimento é muito penoso!

"Cometas Extintos", conto de Pedro Pedroso
Por alguma razão este conto recordou-me um certo jogo que o meu irmão muito adora, mas à parte disso, gostei da prosa (a escrita do autor é bastante boa) e das personagens: soldados que só pensam na missão e que se vêm perdidos sem a tecnologia a que tanto estão habituados.
O final ficou muito bem na história, chegando até a ser algo inesperado no entanto pareceu-me que faltou "algo" à história. Algo mais significativo e cativante. Não é um mau conto, de todo, mas também não conseguiu ficar na memória.

"Aleninan", conto de Marcelina Gama
A história não está nada mal, fazendo lembrar-me as ruelas mais negras das cidades futuristas. Gostei da prosa da autora e os diálogos estavam convincentes, mas aquele final estragou-me a festa toda. É como se cortasse a festa a meio.
Há finais em aberto que me deixam satisfeita, mas este não é um deles. Fica-se com uma sensação de vazio, de "onde está o resto?", que não é bom. Fiquei frustrada!
Outra coisa que não achei lógica foi a acção dos "polícias". Numa situação "normal" eles nunca deixariam a Aleninan ir sozinha.Não faz sentido e pareceu apenas um engendro para que ela ficasse só. Esta parte não convenceu.

Entrevista a Afonso Cruz
Soube a pouco, esta entrevista, mas foi mais focalizada que a anterior e conseguiu falar mais do multi-facetado autor e da sua obra.

Capa e Edição:
Para um "suposto" jornal, isto mais parece uma revista. Com papel de excelente qualidade e encadernação no patamar das boas revistas, justifica-se o preço (3,50€), se bem que  como era um jornal, bem poderiam ter feito no formato comum, que ninguém levaria a mal e ficaria, com certeza, muito mais em conta.
Ainda assim, dou o dinheiro por bem empregue e tenho de dar os meus parabéns ao projecto.

Notas: O "Conto Fantástico" irá ser fundido com a "Dagon", a partir do próximo número. Podem ler tudo aqui.
Vistem o site oficial da revista/jornal Conto Fantástico.

*actualização 2012/01/24
O nº 1/2 do Jornal Conto Fantástica está disponível para download AQUI.

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