terça-feira, 23 de maio de 2017

Fantasias Soltas

"Fantasias Soltas", de Joel Puga (Createspace)

Joel Puga escreve fantasia e terror já há vários anos, maioritariamente sob a forma de ficção curta. Já li outros trabalhos seus publicados em antologias, fanzines e na internet, por isso quando soube que ia lançar uma antologia de contos só seus, achei que estava mais que tempo de o revisitar.
Todos os contos incluídos neste volume já foram também publicados individualmente em ebook mas esta antologia está também disponível como livro físico, para os que ainda não estão bem ambientados com os ebooks.

Para começar vou falar da antologia como um todo e depois debruçar-me-ei um pouco sobre cada conto individualmente. No geral gostei bastante do ambiente sombrio e do facto de o autor escolher usar o território português ou ultramarino em quase todos. Em comum, entre a maioria das histórias, há quase que só o facto de serem fantasia, pois não existe um tema central. Isso, contudo, não é um ponto negativo.

Abaixo fica a minha opinião conto a conto:
"O Último"
Neste conto somos apresentados a um conceito muito interessante mas chegamos ao fim e não aconteceu nada de relevante. Os alicerces estão construídos mas pouco mais.

"Sasabonsam
 Uma escrita muito viva e uma história muito interessante. As personagens saltam das páginas e a acção está excelenete. Se não fosse aquele último parágrafo estava tudo óptimo.

"O Castelo"
Uma história que começa de forma amena mas que apanha o passo rapidamente. É bastante perturbante, tanto pelas traições como pelo desfecho.

"Susana"
 Este conto teria ganho muito em ser contado e não narrado pós-acontecimentos. A personagem perdeu muito com esta escolha narrativa e apesar da escrita ser bastante boa não teve o ritmo ou o impacto que seria desejável. Mesmo assim acaba por resultar, de certo modo.

"Uma Demanda Literária
Este conto eu já tinha lido na Fénix 2 (podem ler aqui) e a minha opinião mantem-se semelhante. Achei que as descrições da livrairia mística, em si, poderiam ter sido muito mais envolventes. O leitor não fica com a ideia de que se trata de algo de fenomenal. E mais uma vez o protagonista perde porque o que de interessante parece acontecer na sua vida é contado em tom de memória, e não vivido em primeira mão pelo leitor.

"A Saga de Eu, Justiça Divina"
O autor visita este 'mundo' em 3 contos distintos e vai construindo as suas regras aos bocados. A premissa aqui é muito interessante mas há no texto uma vertente de julgamento social que pode não agradar a todos os leitores. Mas sendo que se trata de uma das características do protagonista e da narrativa, eu acabei por me habituar.
O primeiro não me cativou muito, excepto pelo facto de nos mostrar este 'submundo'.
O segundo tem uma cena muito interessante no cemitério, mas o final é decepcionante porque quem acaba por resolver o problema em questão não é o protagonista e o leitor nem sabe ao certo o que aconteceu. 
O terceiro sofre um pouco do mesmo mal, sendo que a acção se passa fora das páginas mas neste conto o protagonista torna-se mais palpável e intrigante. Vale só por isso.

"Um Deus em Humaitá"
Adorei a mística desta história e a acção, a ambiguidade das personagens e como elas são punidas. O que faz com que o final tenha sido mais que apropriado. 

"Wendigo
A acção está soberba, com muito gore à mistura. Se não fosse o facto de título ser um spoiler, eu acho que teria funcionado ainda melhor. Penso que se a origem da figura tivesse permanecido um mistério seria mais interessante. 

"A Maldição da Ponte do Arco
Tal como "O castelo" (também nesta antologia), este conto é perturbante porque explora aquilo que as pessoas são capazes de fazer para protegerem aqueles que amam, mesmo quando isso resulta em algo de impensável. Foi um bom último conto para a a antologia, com uma prosa envolvente.

Sinopse:
Esta coleção reúne todos os contos já publicados de fantasia histórica e contemporânea da autoria de Joel Puga. Criaturas bizarras, espíritos malignos, ruínas fantásticas e cemitérios assustadores são apenas algumas das coisas que encontrarão nestas páginas.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Dia do Autor Português & da Biodiversidade

Hoje, 22 de Maio celebra-se o dia do Autor Português e também é o dia internacional da Biodiversidade!
Duas boas razões para divulgar as vossas opiniões e preferências.

O dia do Autor Português, tanto quanto sei, foi uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores, que comemora hoje 92 anos.
Nunca é demais recordar também que assim como devemos apreciar o trabalho e obra dos autores, também os devemos respeitar, e isso implica dar crédito, a quem de direito e, sempre que possível, comprar a obra ou assistir ao concerto ou visitar a exposição dos autores. E passem sempre a palavra porque aquilo que vos agrada a vocês, a muita gente também agradará.

No fundo, muitos são os grandes autores nacionais e muitos estão, certamente, ainda por ser descobertos. Quais são os vossos favoritos?


Quanto à biodiversidade, para todos os que apreciam a natureza, não há como ignorar as questões ambientais. Temos de fazer o que pudermos para preservar a natureza e a biodiverdade, tão afectada pela nossa expansão e exploração.
Com pequenos gestos podemos fazer toda a diferença. Coisas simples como: reciclar (e diminuir a produção de lixo, sempre que possível); não atirar lixo para o chão; respeitar a fauna e a flora quando visitamos parques e reservas; usar produtos biodegradáveis (sempre que possível); e fechar a torneira da água com mais frequência.
Estar atento ao que nos rodeia também ajuda. A maioria das Câmaras Municipais promove workshops, campanhas de sensibilização, realizam caminhadas pela natureza, e ajudam a divulgar o que cada município tem para oferecer e deve preservar.
Façam a vossa parte. :)

Zoo City

"Zoo City", de Lauren Beukes (ainda não publicado em Portugal)

O conceito por detrás deste livro é fenomenal. Nesta África do Sul, bem como no resto do mundo neste romance, as pessoas que matam outras, ou cujas acções resultam na morte de alguém, seja de forma propositada ou não, recebem de “presente” um animal místico que lhes concede poderes mas também os marca de forma bem visível como assassinos, isto porque o animal não pode estar muito tempo afastado do seu “dono” sob pena de ambos sofrerem dores horríveis.
Premissa interessante, certo?

A protagonista é também muito complexa. Ganhou o seu animal devido a um terrível acidente com um familiar e a sua vida folgada nunca mais foi a mesma. Vive agora num bairro degradado, usando o seu poder para encontrar objectos perdidos e mal conseguindo pagar as dívidas que adquiriu noutros tempos.
As personagens deste livro são todas muito “feridas”, na medida em que quase todas têm animais místicos e são todas bastante complexas. Consegui relacionar-me com quase todas elas (excepto o vilão). E até mesmo o romance está interessante, com todas as suas reviravoltas.
A reviravolta final, confesso, apanhou-me totalmente de surpresa, mas não gostei muito da resolução do mistério. Faz sentido mas era demasiado conturbada para ser bem aproveitada no pouco tempo que restava à narrativa. Mas aquela cena com os gémeos a lutarem … chiça que me arrepiou toda.

Custou-me um pouco a gostar da escrita mas quanto mais penso neste livro mais pareço gostar dele.

Em suma, recomendo a leitura deste romance pelas personagens, pelo conceito, e porque a componente social aqui é bastante sagaz e crítica.

Sinopse (em inglês):
Zinzi has a Sloth on her back, a dirty 419 scam habit and a talent for finding lost things. But when a little old lady turns up dead and the cops confiscate her last paycheck, she’s forced to take on her least favourite kind of job – missing persons.
Being hired by reclusive music producer Odi Huron to find a teenybop pop star should be her ticket out of Zoo City, the festering slum where the criminal underclass and their animal companions live in the shadow of hell’s undertow.
Instead, it catapults Zinzi deeper into the maw of a city twisted by crime and magic, where she’ll be forced to confront the dark secrets of former lives – including her own.

sábado, 20 de maio de 2017

O Restaurante no Fim do Universo


"O Restaurante no Fim do Universo (The Hitchhiker's Guide to the Universe 2)", Douglas Adams (Saída de Emergência) 

 Tal como no primeiro livro, aqui a sátira é sempre presente.
É incrível como o autor consegue tornar as situações mais ridiculas numa crítica que pode até passar despercebida mas não é nada tímida.

Neste livro os protagonistas são várias vezes separados e lançados para diferentes locais no espaço e no tempo, enquanto tentam encontrar o homem que governa o universo. Quando o encontram ele é a figura mais inesperada do livro todo. Quase no fim, Arthur e Ford aterram num planeta lindíssimo mas descobrem uma terrível verdade que só me fez rir.
O autor tem um humor impagável e, no entanto, confesso que não gostei particularmente do fim. Parece que as personagens desistiram de lutar.

Em suma, recomendo esta leitura, para quem saiba apreciar uma boa dose de sátira disfarçada de loucura.

Sinopse:
"A primeira tentação para o leitor mais desprevenido que se cruze com “O Restaurante no Fim do Universo”, julgando tratar-se de um apetitoso livro de culinária pejado de receitas do outro mundo, será entrar em pânico [...] Eu compreendo: é provável que nunca antes ou depois deste livro, o caro leitor se tenha cruzado com tal torrente de ideias, conceitos, lições de vida e piadas, concentrada em tão poucas páginas. Um começo, para evitar grandes ataques de stress, será ler o primeiro volume desta trilogia em cinco livros: “À Boleia Pela Galáxia”. Mas mesmo assim, não ficará livre de uma valente overdose de ideias brilhantes, quando exposto a “O Restaurante no Fim do Universo”, o livro que o seu autor, Douglas Adams, considerava o mais conseguido de toda a saga. A média de estrondosas ideias por página é, em qualquer livro de Adams, avassaladora... mas este bate todos os recordes.” Excerto da Introdução, por Nuno Markl 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

The End is Nigh

"The End is Nigh (The Apocalypse Triptych 1), de John Joseph Adams, Hugh Howey , Ben H. Winters, Annie Bellet, Will McIntosh, Megan Arkenberg, Scott Sigler, Jack McDevitt, Nancy Kress, Seanan McGuire, Jonathan Maberry, David Wellington, Robin Wasserman, Matthew Mather, Paolo Bacigalupi, Sarah Langan, Desirina Boskovich, Charlie Jane Anders, Ken Liu, Jake Kerr, Tananarive Due, Tobias S. Buckell, e Jamie Ford (ainda não publicado em Portugal)

Opinião:
Nunca tinha ouvido falar de uma trilogia de antologias mas gosto do conceito!
The End is Nigh é o primeiro livro, e fala dos acontecimentos que antecedem o fim do mundo, pela mão de vários autores, alguns famosos e outros que descobri pela primeira vez neste livro.
Temos fins religioso, vírus, extra-terrestres, e muito mais. Há histórias para todos os gostos e de vários tamanhos.
Gostei bastante de vários dos contos e por isso conto ler a sequela muito em breve.
Fiquem com a opinião conto a conto:

"The Balm and the Wound", de Robin Wasserman
A história tem um início muito interessante visto que fala de um culto religioso e entra logo na mente do seu líder que nada mais quer do que ganhar uns trocos. Mas tudo muda quando o fim do mundo que ele previu realmente acontece. O senão deste conto é que realmente achei as outras personagens muito plásticas.

"Heaven is a Place on Planet X", de Desirina Boskovich
Este conto recordou-me um pouco o "Childhood's End" do Arthur C. Clarke, na medida em que tudo se despoleta quando uma raça alienígena decide liderar a raça humana para um futuro melhor. A diferença é que neste conto o período de transição é relativamente curto.
Gostei das personagens mas não gostei de o facto de não sabermos realmente o que acontece aos seres humanos que são considerados culpados dos crimes. Só nos dizem que são "enforced" e o leitor imagina que seja pena de morte mas nunca sabe ao certo.

"Break! Break! Break!", de Charlie Jane Anders
Adorei o ritomo da prosa. As personagens eram meias psicadélicas e a sua busca por adrenalina não fazia muito sentido no início, mas aos poucos as coisas foram-se desvendandado e tudo fez sentido. A brutalidade deste mundo, mesmo antes do seu fim, é cruamente descrita.
Gostei deste conto e só gostava que o final tivesse sido melhor.

"The Gods Will Not Be Chained", de Ken Liu
A construção da narrativa neste conto é calma mas resulta bem. A relação familiar que se vai desenrolando, bem como a ideia do rapto de mentes brilhantes e seu imprisionamento para uso corporativo, é na verdade bastante verossímil.

"Wedding Day", de Jake Kerr
Este conto tem muito sentimento. Trata de um casal de mulheres, que pensavam há anos casar-se mas que nunca tiveram oportunidade (porque era ilegal). A legalização do seu casamento é logo acompanhado pelo fim do mundo e o que se segue acaba por ser bastante previsível mas isso não é um problema porque, na verdade, aqui é o que elas sentem uma pela outra que importa. Gostei bastante.

"Removal Order", de Tananarive Due
Este conto fala de uma jovem mulher que fica com a sua avó eferma mesmo depois de toda a população ser evacuada. Adorei a forma como se focou na responsabilidade que ela sentia para com a avó e tudo o que fez por ela, sendo que a idosa está acamada e tem de ser a neta a fazer tudo por ela. A própria ideia por detrás do apocalipse, embora pouco clara, é suficientemente interessante e está sempre lá, como um manto em tudo o que acontece. O final surepreendeu-me e a prosa envolveu-me mesmo muito.

"System Reset", de Tobias S. Buckell
As personagens são o ponto forte deste conto, pelos seus valores e pela sua personalidade que se mostra logo nos primeiros parágrafos. A história podia ter fluído um pouco melhor no início, mas no fim a acção estava no passo certo. Espero que tenha continuação.

"This Unkempt World is Falling to Pieces", de Jamie Ford
Num passado que poderia ser nosso, a história começa de forma um pouco estranha. Não nos são dadas suficientes informações para sabermos onde estamos e quais as regras deste mundo mas aos poucos vamos percebendo o que se passa. Os detalhes são realmente fantásticos.Contudo não me consegui ligar muito às personagens nem ao romance.

"Bring her to me", de Ben H. Winters
Logo no início sabemos o que está em jogo e eu gostei muito disso. As personagens estão muito bem construídas e a sequência de acção é brilhante. Gostei mesmo muito deste conto que fala de um futuro onde todas as pessoas conseguem ouvir a voz de um homem que assumem ser Deus. O final está excelente e fiquei com vontade de ler mais.

"In the Air", de Hugh Howey
A acção deste conto não é sequencial e desta vez não acho que isso tenha funcionado a favor do conto. Aliás, acho que grande parte dos flashbacks nem fizeram grande diferença. Metade deles são desnecessários. No entanto o protagonista é bem explorado e ficamos a saber o que o move e como as suas decisões não só afectaram a sua família como também o resto do mundo.
No fim mal sabemos realmente qual o mal que se abateu sobre o mundo mas sabemos o suficiente.

"Goodnight Moon", de Annie Bellet
Este é um conto bastante curto (quase todos nesta antologia o são, mas este pareceu ainda mais pequeno) mas eu gostei do ambiente entre as personagens e de como as ficamos a conhecer relativamente bem em poucas linhas. Fala-nos de um grupo de astronautas que descobre , tarde de mais, que vão morrer e a vida na Terra nunca mais será amesma. No entanto pareceu-me que resolveram o seu dilema (de quem seria salvo) com um pouco de facilidade a mais. Será que seriam mesmo todos assim tão altruístas?
Mas fora isso o final foi muito bem escrito.

"Dancing with Death in the Land of Nod", de Will McIntosh
Um dos meus contos favoritos da antologia! Gostei mesmo muito da relação que se gerou entre os dois protagonistas, especialmente porque além de falar de algo pré-apocaliptico também tocou em assuntos como Alzheimer, o abandono dos idosos e dos efermos, um pouco como o conto "Removal Order" (também nesta antologia).
O final não foi inesperado mas ainda assim foi muito bem executado.

"Houses Without Air", de Megan Arkenberg
Não entendi este conto. Há histórias assim, que lemos mas realmente nada faz clique. Este foi um desses. É muito detalhado nas suas descrições mas o mundo é confuso e a única coisa que é certa é que o problema está no ar.

"The Fifth Day of Deer Camp", de Scott Sigler
Gostei de como este conto começou mesmo de forma muito banal. Parecia o prelúdio de um daqueles filmes de terror estilo Cabin in the Woods (não o filme com esse nome, que é bem diferente e muito fixe). No entanto achei que as personagens pareciam-se todas muito umas com as outras. Não as consegui individualizar. Mas fica a curiosidade por saber o que se vai passar a seguir.

"Enjoy the Moment", de Jack McDevitt
A protagonista neste conto é tão normal que é muito fácil relacionarm-nos com ela. O facto de que algo que ela econtrou, ao acaso, e que achou não ser nada des especial acabar por ter um desfecho tão negro, dá-lhe muita profundidade.

"Pretty Soon the Four Horsemen are Going to Come Riding Through", de Nancy Kress
Este conto fala de bullying e do próximo passo na evolução humana. Foi estranho mas muito interessante ver como a sociedade exilava e maltratava as crianças que eram diferentes e de como o seu lado mais animalesco sobresaía nos momentos mais estranhos. Fez-me reflectir.

"Spores", de Seanan McGuire
Este conto arrepiou-me toda, isto porque o conceito em si arrepia-me. Não sei porquê mas tenho mais nojo de fungos na pele do que sangue. Estranho? Sim mas eu sou assim.
Mas mesmo assim adorei! A prosa é muito boa e as personagens são realistas. Uma família normal, com uma mulher com um distúrbio obsessivo com o qual lidam bem, um casamento homossexual tratado com normalidade, e o vírus tão estranho e que se entranha lentamente no leitor.

"She’s Got a Ticket to Ride", de Jonathan Maberry
Este conto fala mesmo do que está por detrás de uma conspiração para manter o público ignorante de uma ameaça que os apelidados de lunáticos tentam avisar todos que está a chegar.
Como se foca no todo, acaba por negligenciar as personagens que são quase que irrelvantes. O que importa é a história.

"Agent Unknown", de David Wellington
O protagonista é um agente que está encarregue de suprimir uma doença virulenta que aparece aos poucos um pouco por toda a américa. Trabalha sozinho e através dele conhecemos a doença e o estado das coisas, até que ele percebe que nem ele está a par de tudo. Muito bom!

"Enlightenment", de Matthew Mather
Este conto é bastante arrepiante, pelo seu conceito e pelo encadeamento dos acontecimentos. Nele uma vegan com problemas de relacionamento vê-se envolvida com um culto com um estilo de vida mais que bizarro. Muito estranho! O que não foi óbvio foi o apocalipse em si. Como é que as acções deste culto levarão ao fim do mundo?

"Shooting the Apocalypse", de Paolo Bacigalupi
Este conto é, definitivamente, uma prequela para o "The Water Knife", que eu li no ano passado. Perecebi isto logo desde o início e, na verdade, foi bom regressar a este mundo imperdoável, e ao início de tudo. As personagens estão excelentes, a forma como interagem e dictutem e se movem funciona muito bem. Vale a pena, quer seja porque leram o romance ou porque querem conhecer o trabalho do autor.

"Love Perverts", de Sarah Langan
Este é um conto que fala do que as pessoas seriam capazes de fazer se soubessem que o fime stava próximo e não podiam mais ser salvas. O extremo das decisões e acções dos jovens protagonistas, do professor que trai a confiança deles, e de todos os outros com quem se cruzam. Nenhuma personagem é boa, nenhuma tem perdão, mas num mundo à beira do abismo, quem cometeu os priores crimes. Gostei da ambiguidade e da cruza deste conto.


Sinopse (inglês):
Famine. Death. War. Pestilence. These are the harbingers of the biblical apocalypse, of the End of the World. In science fiction, the end is triggered by less figurative means: nuclear holocaust, biological warfare/pandemic, ecological disaster, or cosmological cataclysm.
But before any catastrophe, there are people who see it coming. During, there are heroes who fight against it. And after, there are the survivors who persevere and try to rebuild. THE APOCALYPSE TRIPTYCH will tell their stories.
Edited by acclaimed anthologist John Joseph Adams and bestselling author Hugh Howey, THE APOCALYPSE TRIPTYCH is a series of three anthologies of apocalyptic fiction. THE END IS NIGH focuses on life before the apocalypse. THE END IS NOW turns its attention to life during the apocalypse. And THE END HAS COME focuses on life after the apocalypse.
THE END IS NIGH features all-new, never-before-published works by Hugh Howey, Paolo Bacigalupi, Jamie Ford, Seanan McGuire, Tananarive Due, Jonathan Maberry, Robin Wasserman, Nancy Kress, Charlie Jane Anders, Ken Liu, and many others.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Clube de Leitura de Braga - Maio 2017

Amanhã o Clube de Leitura de Braga volta a juntar-se na Betrand.
Dois livros e muito boa conversa estão à vossa espera a partir das 15h. Juntem-se a nós.

domingo, 23 de abril de 2017

Dia Mundial do Livro

Hoje é o dia Mundial do Livro, e porque a literatura é algo de universal e há bons livros em todo o mundo, eu decidi ver os livros que já li e escolher um de cada país que já visitei através da nacionalidade do seu autor (nota, eu contei o país de nascimento dos autores e não a sua residência, mas na maioria dos casos coincidem). Nos países e que li muito autores, escolhi um dos meus livros favoritos do país, dos que só li um, fica a menção desse mesmo (independentemente de ter amado ou não o livro). E não incluí a BD que já me levou a visitar estes e muitos outros países
Vamos ver quantos países já visitei?

Afeganistão: "Mil Sóis Resplandescentes", de Khaled Hosseini;
África do Sul: "Zoo City", de Lauren Beukes;
Albânia: " Palácio dos Sonhos", de Ismaïl Kadaré
Alemanha: "O Leitor", de Berhard Schlink;
Angola: "Os Transparentes", de Ondjaki;
Argentina: "Ficções", de Jorge Luís Borges;
Austrália: "A Filha da Floresta", de Juliet Marillier;
Brasil: ""Onze Minutos", de Paulo Coelho;
Canadá: "A História de uma Serva", de Margaret Atwood;
Cazaquistão: "Os Guardiães da Noite", de Sergei Lukyanenko;
Coreia (Sul): "Anna Dressed in Blood", de Kendare Blake;
Cuba: "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino;
Espanha: "O Mapa do Tempo", de Félix J. Palma;
Fiji (ilhas): "Slave to Sensation", de de Nalini Singh;
França: "A Loja dos Suicídios", de Jean Teulé;
Hungria: "As Velas Ardem até ao Fim", de Sándor Márai;
Itália: "Acabadora", de Michela Murgia;
Índia: "Entre os Assassinatos", de Aravind Adiga;
Inglaterra:  "A Guerra dos Mundos", de H. G. Wells;
Irão: "A Fenda", de Doris Lessing;
Irlanda: "O Quarto de Jack", de Emma Donoghue;
Islândia: "A Raposa Azul", de Sjón;
Japão: "The Edge of Tomorrow", de Hiroshi Sakurasaka;
México: Como Água para Chocolate", de Laura Esquível;
Moçambique: "Terra Sonâmbula", de Mia Couto; 
Perú: "A Casa dos Espíritos", de Isabel Allende
Portugal: "O Futuro à Janela", de Luís Filipe Silva;
República Checa (Austro-Hungaro): "A Metamorfose", de Franz Kafka; 
Rússia: "The Death of Ivan Ilych", de Leo Tolstoy;
Suécia: "Os Homens que Odeiam as Mulheres", de Stieg Larsson;
Ucrânia: "Solaris", de Stanislaw Lem;
U.S.A. (Estados Unidos da América): "Sunshine", de Robin McKinley;
Zimbabué: " A Rapariga no Comboio", de Paula Hawkins

São 33 países, o que é bastante pouco, tendo em conta que existem 193 (segundo a ONU), mas lá chegaremos!
E é possível que me tenha esquecido de alguns aqui na minha listas.

Entretanto, graças ao grupo "World Book Tour", no facebook, tenho lido um livro de um país diferente todos os meses. E vocês podem juntar-se a qualquer momento. Venham!
Este mês estamos de visita à Alemanha, daí que eu esteja a ler o "Assim Falava Zaratustra", de Friedrich Nietzche. A lista deste desafio virá em breve. Estejam atentos!


sexta-feira, 31 de março de 2017

Clube de Leitura de Braga - Abril 2017

Amanhã comemoramos os 5 anos do Clube de Leitura de Braga!
Venham fazer-nos companhia, para falar de literatura, BD, cultura e tudo sempre com boa disposição e sentido crítico.


Amanhã, às 15 horas, na Bertrand de Braga, na Avenida da Liberdade em Braga.

sábado, 4 de março de 2017

Clube de Leitura de Braga - Março 2017

O Clube de Leitura de Braga vai reunir-se hoje às 15 horas para falar de "Aleph", de Jorge Luís Borges, e mais tarde às 17h30 para discutir "The Umbrella Aacademy 2: Dallas", o romance gráfico de Gerard Way e Gabriel Bá.



Juntem-se a  nós na Bertrand de Braga, no Liberdade Street Fashion, bem no centro da cidade.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Mil Sóis Resplandescentes

"Mil Sóis Resplandescentes (A Thousand Splendid Suns)", de Khaled Hosseini (Editorial Presença)

Opinião:
Já há muito tempo que um livro não me fazia ficar a pensar tanto em algo, durante e depois de eu terminar a sua leitura. Com cada leitura aprende-se algo. Seja da natureza humana, seja de ciência, ou de vida, mas quando se lê algo que está tão enraizado numa cultura, numa nação, num povo e numa religião que, apesar de tanta mediatização acaba por nos ser ainda tão desconhecido, parece que absorvemos ainda mais.
"Mil Sóis Resplandescentes" é ficção mas usa momentos-chave da história do Afeganistão, tradições da religião muçulmana e do povo afegão, para dar vida a uma história que mexeu comigo. Nesta história acontece uma tragédia a seguir à outra, de tal forma que já esperamos o pior de cada situação e é isto que, normalmente, acaba por acontecer mas não é por isso que o livro é menos interessante. Mesmo no fim, quando algo de bom acontece, há algo de bem pior que acaba por estragar a felicidade que nunca é completa.
A narrativa foca-se em duas mulheres com passados muito diferentes mas cujas vidas se cruzam de uma forma muito desumana. As duas acabam por criar um laço muito forte, após um começo espinhoso, e vão lutar pela sua liberdade numa casa e num país que não lhes garante segurança nenhuma em tempos difíceis.
Mariam e Laila são duas personagens muito diferentes mas que descobrem ter muito em comum.

Na verdade a única coisa que eu posso dizer de mal deste livro é realmente o facto ser tão trágico que já sabemos de antemão que cada nova coisa vai terminar da pior forma possível. Podemos não saber ao certo o que é mas já esperamos tudo. E não é que isso seja mau porque há vidas assim, onde tudo corre mal e as poucas coisas que trazem um pouco de felicidade acabam por ser pequenas demais.


"Mil Sóis Resplandescentes" é um livro poderoso porque nos embrenha no Afeganistão e nas vivências dos seus habitantes, na sua história, na sua riqueza e pobreza, e nas personagens cujas vidas conhecemos desde a infância. É inquietante, é brutal e mexeu muito comigo. Fiquei com muita vontade de saber mais sobre o povo Afegão e já vi vários documentários desde então. também estou a pensar ler o Alcorão, por pura curiosidade.
Isto, mais que outra coisa qualquer, é testemunho de como este livro mexeu comigo. É de livros assim que precisamos. Não em grandes doses, mas um de vez em quando é bom para nos tirar da nossa zona de conforto, levar-nos a conhecer outras realidades.
Está mais que recomendado e pretendo ler mais obras deste autor.

Sinopse:
Mil Sóis Resplandecentes é um romance pleno de sensibilidade que conta já com mais de meio milhão de exemplares vendidos e os lugares cimeiros dos tops dos diversos países onde se encontra publicado. Tendo como pano de fundo as convulsões sociopolíticas que abalaram o Afeganistão nas últimas três décadas, conhecemos Mariam e Laila, duas mulheres que a guerra e a morte obrigam a partilhar um marido comum e cuja coragem lhes permitirá lutar pela sua felicidade num cenário impiedoso. Uma obra inesquecível que evoca o que há de mais intrínseco a todos os seres humanos: o direito ao amor, a um lar e à integridade.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Dangerous Women

"Dangerous Women", antologia com contos de Brandon Sanderson, Caroline Spector, Carrie Vaughan, Cecila Holland, Diana Gabaldon, Diana Rowland, George R.R. Martin, Jim Butcher, Joe Ambercrombie, Joe R. Lansdale, Lawrence Block, Lev Grossman, Megan Abbot, Megan Lindholm, Melinda M. Snodgrass, Nancy Cress, Pat Cadigan, S.M. Stirling, Sam Sykes, Sharon Kay Penman, Sherrilyn Kenyon

Opinião:
Sem dúvida que esta antologia nos traz mulheres fortes, cheias de garra, capazes de lutar pelo que acreditam e de inspirar outros a fazer o mesmo, quer elas sejam as boas ou as más da fita.
Dangerous Women reúne alguns dos melhores contos que li este ano e quase todos os contos estão num patamar bem alto, tirando dois ou três que foram mais fracos.
Gostei muito das histórias, das protagonistas e da riqueza das histórias e diversidade de pontos de vista. Aconselho! Mesmo a quem não se acha muito fã de ficção curta.

"Some Desperado", de Joe Abercrombie (narrado por Stana Katic)
A protagonista é uma espécie de criminosa em fuga de outros criminosos, e está metida num grande sarilho logo no início. A forma como ela se desenrasca e se consegue defender é digna de se ver. O mais interessante para mim, neste conto, foi a forma como a protagonista foi tão bem apresentada ao leitor. Ficamos a conhecer várias facetas dela num curto espaço de tempo e a sua atitude na batalha fina surpreendeu-me, na positiva. O fim propriamente dito é bastante aberto mas compreensível. O único senão do conto é o início mais moroso e o facto de os vilões serem muito estereotipados.
Nota: 7/10

"My Heart is Either Broken", de Megan Abbot (narrado por Jake Weber)
Este foi um dos meus contos favoritos da antologia. Fala-nos de um casal que está destroçado pelo desaparecimento da sua filha. O que realmente me cativou foi o facto de ser narrado na perspectiva do marido e vermos a sua crença, a início parece inabalável, sendo aos poucos corroída pela semente da dúvida. No fim nada é certo mas também o leitor fica com os mesmos receios. Adorei!
Nota: 8.5/10 

"Nora's Song", de Cecila Holland (narrado por Harriet Walter)
Gostei muito desta família real e de como elas interagiam, de como eram tão unidos à mãe e tão distantes em relação ao pai (coisa que rapidamente se entende porque acontece). O facto de a narradora ser a Nora, uma das crianças mais pequenas, também me agradou. Dava ao texto um ar mais inocente mas ao mesmo tempo muito inquisidor.
Infelizmente o final bastante inacabado deixou-me insatisfeita. E aqui a "mulher perigosa" é mais ambígua.
Nota: 6/10

"The Hands that are not There", de Melinda M. Snodgrass (narrado por Jonathan Frakes)
A história aqui começa num bar onde um homem se senta com um estranho e este lhe conta uma história mirabolante que poderá ou não ser verdadeira. A premissa por si só é banal e confesso que não me senti cativada a início, no entanto quando a Sammy entrou em cena a coisa mudou de figura. Sedutora, confiante e imprevisível. Uma verdadeira Dangerous Woman.
No final fica a dúvida se o estranho estaria a inventar tudo aquilo ou se poderia mesmo ser verdade.
Nota: 5.5/10

"Bombshells", de Jim Butcher (narrado por Emily Renkin)
Raios! Não devia ter lido este conto antes de ler todos os livros da série Dresden. Mega spoilers!
Mas esquecendo isso por um bocado, este conto segue uma missão da nova aprendiz de feiticeira, numa aventura feita só de mulheres, cheias de determinação e com o "Power of the Rack", como diz a própria protagonista.
Cheio de acção, bons diálogos e humor, gostei desta aventura e da surpresa final que fez com que o conto tivesse um significado bem grande até para a série principal de Dresden Files. Gosto disso!
Nota: 7/10 

"Raisa Stepanova", de Carrie Vaughan (narrado por Inna Korobkina)
Uma história diferente das outras que já li da autora. Fala-nos de uma piloto de avião de guerra, durante a 1ª Guerra Mundial, ou alguma semelhante, e de como as mulheres tinham de ter muito carácter para estar na força aérea. A mentalidade caseira e patriótica da protagonista salta à vista em cada palavra e foi uma mudança boa.
Não gostei particularmente do final mas fora isso achei a protagonista muito forte e guerreira, e gostei do foco da história.
Nota: 7/10

"Wrestling Jesus", de Joe R. Lansdale (narrado por Scott Brick)
Um, se não mesmo o meu conto favorito da antologia. Não tem meias medidas com as palavras ou com as situações porque passa o protagonista. E só bem depois do meio é que ficamos a saber afinal quem é a mulher perigosa desta história. A sua ausência e a sua quase inexistência acabam por tornar a experiência ainda melhor, visto que quase tudo fica à imaginação do leitor. O seu feitiço será real ou fruto da imaginação de Jesus?
Mas o melhor do conto é mesmo o elo que se cria entre Jesus e Marvin. Muito especial!
Nota: 9/10 

"Neighbors", de Megan Lindholm (narrado por Lee Meriwether)
Gostei muito do tema deste conto: Alzheimers. Aqui conhecemos uma senhora já com uma certa idade, que vive só. Tem uma vizinha com Alzheimers que desaparece uma noite depois de a visitar e, a partir daí, a sua vida nunca mais será a mesma. Ver o progresso da doença escrito desta forma foi bastante intrigante e fantasioso, mas não menos penoso.
Nota: 7.5/10 

"I Know How to Pick 'Em", de Lawrence Block (narrado por Jake Weber)
O ambiente neste conto é bastante sombrio. Nenhuma das personagens é amistosa e o protagonista, que é quem está em foco, é especialmente intenso. O final, apesar de ser algo de prever, acabou por surpreender pela sua crueza . O melhor é mesmo a personalidade fria do protagonista e a força da narração.
Nota: 7.5/10 

"Shadows for Silence in the Forest of Hell", de Brandon Sanderson (narrado por Claudia Black)
Uma história muito interessante que se passa em volta de uma estalajadeira que não é bem aquilo que parece à primeira vista. A protagonista é a personagem mais bem construída mas, como sempre, o autor consegue que todas as outras sejam marcantes à sua maneira. A história e a luta (mental e física), bem como todo o sistema de magia aqui apresentados, são memoráveis. Só achei que a acção se arrastou um pouco de mais no início. Fora isso, vale mesmo a pena.
Nota: 8/10  

"A Queen in Exile", de Sharon Kay Penman (narrado por Harriet Walter)
Embora ache a história em si interessante, isto era matéria para dar um livro e não um conto. Teria sido muito mais proveitoso se o conto se focasse apenas numa cena da história desta rainha no exílio e não tentasse descreve grande parte da sua vida adulta em algumas páginas. O que acontece é que não há personagens interessantes, a acção salta muito e a prosa tem escassez de profundidade, já que não se debruça em nada ao pormenor.
Nota: 4.5/10 

"The Girl in the Mirror", de Lev Grossman (narrado por Sophie Turner)
Aquela que era uma premissa muito interessante acabou por perder algum alento com uma prosa pouco enérgica. Faltava-lhe ânimo e havia demasiadas coisas a distrair a atenção do leitor. Não havia um foco real. As coisas iam acontecendo para serem giras mas não senti grande ligação nem com as personagens nem com a escola de magia.
Nota: 5/10  

"Second Arabesque, Very Slowly", de Nancy Cress (narrado por Janis Ian)
Uma história muito rica! Em poucas palavras percebemos que o mundo está um caos e como as regras da sobrevivência nele operam. A nossa protagonista é uma mulher considerada já velha entre os seus, embora não seja muito, e como ela lida com a sua crescente debilidade e como acaba por influenciar, sem saber bem como, outros mais novos a tomarem decisões que alterarão para sempre a vida de todos eles.
Adorei o conceito, a prosa e o final.
Nota: 7.5/10 

"City Lazarus", de Diana Rowland (narrado por Scott Brick)
Com um protagonista tudo menos ortodoxo, que nem sequer pode ser chamado de anti-herói, foi na sua personalidade que residiu grande parte da força deste conto. A localização e o problema da cidade, como uma personagem por si só, foi do que mais manteve o meu interesse.
A mulher perigosa deste conto é fácil de adivinhar mas as suas motivações só transparecem aos poucos. A sua manipulação dos personagens é refrescante.
Nota: 7.5/10 

"Virgins", de Diana Gabaldon (narrado por Alan Scott-Douglas)
Uma coisa que me intriga neste conto, e não tem mesmo nada a ver, é porque este título? Parece-me a mim que nenhuma destas personagens é propriamente virgem. Ehehe!
Este foi o meu primeiro contacto com a famosa escritora Diana Gabaldon e confesso que a prosa me agradou bastante. No entanto o machismo é bastante intenso em toda a trama e eu não posso ignorar isso, mesmo tendo em conta que isto se pasou há uns bons séculos atrás, quando as mulheres pouco mais eram que objectos.
Confesso, algumas cenas aqui deixaram-me desconfortável e isso não é coisa fácil de se fazer. Bom sinal? Claro!
O problema é que não consegui simpatizar muito com os protagonistas,  o que me parece que será um empecilho caso eu alguma vez pretenda ler a série Outlander.
Prosa impecável, crueza que chegue e sobre, mas uma história que embora interessante acabou por se arrastar bastante e, na verdade, não surpreendeu muito.
Nota: 6.5/10 

"Hell Hath no Fury", de Sherrilyn Kenyon (narrado por Stana Katic)
Este conto é um dos mais rurais pois, apesar de se focar num grupo de jovens moderno, passa-se numa cidade fantasma, amaldiçoada, onde coisas estranhas acontecem e são despelotadas muito graças a uma dessas jovens que é uma espécie de medium.
Apesar do início bastante comum, gostei de como o folclore foi usado e da própria protagonista. O final pareceu-me demasiado feliz.
Nota: 6.5/10 

"Pronoucing Doom", de S.M. Stirling (narrado por Claudia Black)
Embora este conto seja bastante expositivo, eu na verdade gostei muito da protagonista e especialmente do conceito por detrás deste mundo envolto em caos. A força das mulheres nesta religião que as mesmas criaram é extraordinária. E gostei de como elas iam inventando as leis e os rituais à medida que deles iam precisando. Na prosa notava-se a hesitação da protagonista, mas também a sua resolução.
Os temas aqui abordados também são muito interessantes e algumas das abordagens e escolhas dão que pensar, quer seja pelo uso abusivo dos recursos do planeta, como pela culpabilidade da sociedade por ignorar os sinais de abusos nos seus vizinhos, ou pela transferência de justiça para as mãos do povo, que não pode apenas decidir qual o castigo mas deve também reforçá-lo e viver com isso na sua consciência.
Nota: 7.5/10 

"Name the Beast", de Sam Sykes (narrado por Janis Ian)
Os saltos de cena deste conto poderiam ter sido bons instrumentos para manter o suspense do leitor, e na realidade ao princípio funcionou, mas depois comecei a ficar confusa, a misturar as sequências e a perceber que na verdade o leitor acaba por não saber nada de nada da espécie de criaturas que aqui são descritas. Só sabemos que são selvagens, letais e que tem inteligência talvez superior à dos humanas. O que realmente as motiva? Porquê aqueles alvos? Não sabemos, e isso para mim não é suficiente.
A relação entre o casal de estranhos seres estava muito interessante, mas nem isso nem a relação da fêmea com a filha foram suficientes para me convencer.
Nota: 4/10 

"Caretakers", de Pat Cadigan (narrado por Maggi-Meg Reed)
Talvez o conto mais familiar de toda a antologia, não com uma, mas sim duas mulheres perigosas (ou poderei até dizer mais).
Também esta história fala da velhice e até de Alzheimers, mas do ponto de vista das duas filhas de uma pessoa doente. Não há aqui fantasia, nem sequer um grande mistério. É uma história de relacionamentos, de consciência, de vida e de decisões. Eu gostei muito!
Nota: 7.5/10 

"Lies My Mother Told Me", de Caroline Spector (narrado por Jenna Lamia)
Este conto está empatado com o "Wrestling Jesus". Já tinha ouvido falar da série de livros Wild Cards (organizado do George R.R. Martin) mas nunca tinha lido nada da série e agora fiquei super-curiosa!
O conceito é muito rico mas realmente o que me prendeu neste conto, além da escrita, foram as personagens. Em poucas linhas elas ficam definidas e depois vamos ficando a cohecê-las cada vez melhor. Em pouco tempo sabemos muito sobre as três mulheres desta história, e o seu inimigo (se é que lhe podemos chamar assim). A premissa tem tanto de divertida como mórbida: uma mulher, cujo poder é o de criar bolhas a partir da sua gordura, está a participar numa parada quando a multidão é atacada por zombies.
Muito bom!
Nota: 9/10 

"The Princess and the Queen", de George R.R. Martin (narrado por Ian Glen)
Ora eu já tinha lido algo do Martin mas realmente este conto não me convenceu. Não porque não fosse interessante mas porque o autor comprimiu a história para caber no formato de um conto e por mais que a prosa seja interessante, o facto de nos debitar informação constantemente e nos apresentar dezenas de personagens que depois acabam por ter pouca relevância (ou cuja relevância se perde porque é tão pouco o espaço para as conhecermos).
A história é super-interessante mas não era para ser um conto, era para ser, no mínimo, uma noveleta. Assim não cativa.
Nota: 5.5/10 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Clube de Leitura de Braga - Fevereiro 2017

Hoje, às 15h, no Clube de Leitura de Braga, estará em discussão "Ilusão perfeita", de Jodi Picoult.
Mais tarde, às 17h30, iremos falar de "O Árabe do Futuro", o romance gráfico de Riad Sattouf.


Juntem-se a nós na Bertrand de Braga, bem no centro da cidade!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Em Busca do Carneiro Selvagem

"Em Busca do Carneiro Selvagem", de Haruki Murakami (Casa das Letras)

Opinião:
Este é um daqueles livros que se lê num instantinho. Flui tão bem! Infelizmente cá em casa houve um acidente envolvendo uma cadela com problemas de ansiedade, uma mesinha de cabeceira com livros ... e o resto é história. Resultado, estava eu a meio da leitura quando, certo dia, chego a casa e descubro o meu exemplar de "Em Busca do careiro Selvagem" selvaticamente atacado pela já mencionada cadela.
Dava para ler mas não era nada bonito de se ver ou folhear, por isso acabei por trocar para a versão ebook (desta feita em inglês). Sinceramente, acho que a versão impressa portuguesa está mais interessante. Adorei o trabalho da tradutora (Maria João Lourenço).

Mas falando do conteúdo do livro, que é o que realmente interessa. Esta é o meu terceiro contacto com o trabalho de Haruki Murakami e estou muito contente por lhe ter dado uma segunda e terceira oportunidades porque gostei bastante deste "Em Busca do Carneiro Selvagem".
A prosa do autor envolve o leitor na história das personagens mais banais, que rapidamente se revelam ser na verdade muito peculiares. O que nos leva a reflectir que mesmo as pessoas mais comuns normalmente têm algo de fantástico e surpreendente a revelar-nos.

A história é mirabolante, ou a sua premissa pelo menos é. Um homem que é coagido a partir em busca de um carneiro que por acaso aparecia numa fotografia que ele usou numa publicidade, e que por outro acaso tinha-lhe sido enviada por um amigo que ele já não vê há anos.Há medida que a história vai avançando, o enredo vai ficando mais surreal e as próprias personagens também. O nosso protagonista, que já não é uma pessoa muito sociável, vai aos poucos distanciando-se da sua vida e do mundo, até culminar numa conversa muito estranha (mas profunda) com uma (ou duas) certa personagem ainda mais bizarra.

Voltando ao assunto da prosa, por vezes o autor tende a filosofar um pouco mas não é nada que se alastre demasiado ou que deixe de ser interessante. De resto adorei e, repito, o texto flui muito bem.
Também adorei a parte histórica (da vila), que não sei se é baseada em factos reais ou completamente inventada pelo autor.

Em suma, foi mais um trabalho do autor que eu gostei, embora não tenha amado tanto como o "Sono". A história pode parecer muito sem-sentido mas na verdade é uma viagem ao interior das personagens e ao interior do próprio Japão. Recomendo!

Sinopse:
Ambientado numa atmosfera japonesa, mas com um pé no noir americano, Murakami tece uma história detectivesca onde a realidade é palpável, dura e fria, e seria a verdade de qualquer um, não fosse um leve pormenor: é uma realidade absolutamente fantástica. Um publicitário divorciado, que tem um caso com uma rapariga de orelhas fascinantes, vê-se envolvido, graças a uma fotografia publicitária, numa trama inesperada: alguém quer que ele encontre um carneiro! Mas não é um carneiro qualquer. É um animal que pode mudar o rumo da história. Um carneiro sobrenatural... Murakami dá a esta estranha história um tom que só um oriental pode imprimir a uma crença, fazendo-a figurar como um facto da realidade. Coloca, de uma forma genial, a fantasia na aridez do mundo real.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

:: divulgação:: The Handmaid's Tale - a série

"The Handmaid's Tale" conhecida por cá como "A História de ma Serva" vai ter direito a uma série de televisão, produzida pela Hulu (que, pelo que percebi, é um serviço tipo netflix) e que será lançada no dia 26 de Abril de 2017 (nos USA).
O primeiro trailer já foi divulgado e promete!



Eu li o livro da Margaret Atwood em 2016 (podem ler a minha breve opinião aqui) e acho que tem potencial para ser bem passado para o ecrã. Vai depender de quem dirige a série.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Os Melhores Livros de 2016

 Terminou mais um ano! Espero que todos vocês encontrem, em 2017, a felicidade a cada esquina.
Mas não há início de ano sem um apanhado dos livros lidos e apreciados no ano anterior. Vamos a isso!

Para começar, se quiserem, podem consultar a lista de todos os romances/antologias, bandas desenhadas/mangas e contos que li no ano que passou AQUI.
Também podem ver uma lista mais visual no Goodreads AQUI, com algumas curiosidades.

Seguem-se os números:
Em 2016 li 39 livros (incluindo antologias, romances, noveletas e 1 livro infantil) somando 12.098 páginas (contando com as páginas que têm as versões físicas dos que escute em audiobook)e mais de 276 horas de audiolivros escutados.
- 11 destes livros estavam em português (7 de autores portugueses) e os restantes 28 em inglês
- 8 foram lidos em formato físico, 3 em ebook e 28 em audiolivro.
Nota média de leitura: 6,56 de 10 possíveis. 

O Género mais lido em romance foi Fantasia (11) e em conto foi a Ficção Científica (12)

Li 35 álbuns de banda desenhada e 4 volumes manga, num total de cerca de 5.247 páginas.
A nota média de BD foi 7,1 e de manga foi de 5,5, em 10 possíveis.

Li 46 contos, 17 dos quais de autores portugueses
Nota média dos contos é 6,38 em 10 possíveis.

Seguem-se os Tops!
 Top 5 de romances/antologias de 2016:
1) "O Quarto de Jack", Emma Donoghue
2) "Graceling - O Dom de Katsa", Kristin Cashore
3) "A Rapariga no Comboio ", Paula Hawkins
4) 
"The Plutonium Blonde", John Zakour
 5) "Bons Augúrios", Neil Gaiman e Terry Pratchett



Top 5 de BD e Manga de 2016:
1) "Sharaz-De", Sergio Toppi
2) "Murena", Jean Dufaux e Philippe Delaby
3) "O Buda Azul", Cosey
4) "Maus", Art Spiegelman
5) "Israel Sketchbook", Ricardo Cabral



 Top 5 contos de 2016:
1) "Wrestling Jesus", Joe R. Lansdale (in Dangerous Women)
2) "Icarus Blues", Ricardo Dias
3) "Shadows for Silence in the Forest of Hell", Brandon Sanderson

(in Dangerous Women)
4) "Querido, estás morto", João Dias Martins / Joel G. Gomes (in Conto Fantástico 3)
5) "My Heart is Either Broken", Megan Abbot
(in Dangerous Women) 

Tops por categorias:

Melhor Autor/a Português/esa de 2016: Susana Almeida
Melhor Autor/a Estrangeiro/a de 2016: Kristin Cashore

Melhor P. Principal Masculina de 2016: Jacob (in O Quarto de Jack)
Melhor P. Principal Feminina de 2016: Katsa (in Graceling - O Dom de Katsa)
Melhor P. Secundária Masculina de 2016: HARV (in The Plutonium Blonde)
Melhor P. Secundária Feminina de 2016: Grandma Mazur (in Two for the Dough)
Melhor Vilão de 2016: Etaín (in Sombras da Morte) 
Melhor Casal Literário de 2016: Po e Katsa (in Graceling - O Dom de Katsa)

Nota:Como devem ter percebido, grande parte dos meus livros favoritos não tem uma review aqui no blog. Tenciono corrigir isso brevemente.
Entretanto gostaria que me contassem quais foram as vossas melhores leituras de 2016, e que planos literários têm  para 2017. Deixem os vossos comentários.

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