segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

Por Mundos Divergentes - divulgação

Já foi revelada a capa e a sinopse da nova antologia da Editorial Divergência: "Por Mundos Divergentes".

Sinopse:
Num futuro por vezes próximo, por vezes distante, Portugal sucumbe dos mais variados estados ditatoriais. Aquele que pensa é um inimigo do Estado. Um inimigo da pátria que tem de ter cuidado… e os que não têm cura, devem ser sacrificados pelo bem maior.

Por mundos divergentes conta com cinco contos distópicos escritos por Ana C. Nunes, Nuno Almeida, Pedro G. Martins, Ricardo Dias e Sara Farinha.



Um dos contos é da minha autoria e é uma história da qual me orgulho particularmente. :) Aqui fica a sinopse do meu conto "Dispensáveis":
Enquanto seres humanos gostamos de pensar que cometemos erros no passado para que, no futuro, não tenhamos de fazer igual. Para que não tenhamos desculpas para cair nos mesmo buracos. Mas o que a história nos prova é que os erros se repetem, se multiplicam, se inflamam.
Mais tarde o povo verá esta era como uma das mais negras da história da humanidade mas, para já, tudo é aceitável, tudo é justificável, e nada é mais dispensável que a vida humana.


terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Linhas Cruzadas (antologia)

"Linhas Cruzadas", de Gina Sacramento, Agustina Bessa-Luís, Júlia Pinheiro, Laurinda Alves, Luís Filipe Silva, Manuel João Ramos, Maria Manuel Ramos Pinto, Miguel Esteves Cardoso , Miguel Vale de Almeida, Rui Henriques Coimbra, Rui Zink, Sérgio Coimbra, Alice Vieira, Vicente Maria / Maria Vicente, Carlos Quevedo, Daniel Tércio, Francisco d'Orey, Helena de Sacadura Cabral, João Barreiros, Joao Miguel Fernandes Jorge (Portugal Telecom)

Sinopse:
Antologia que reune contos de vários autores portugueses.

Opinião:
Como já devem saber, eu adoro antologias de contos! Permitem-me conhecer novos autores e podem conter pequenas histórias fascinantes. E há, nas antologias, um sentimento de aventura, já que sabemos, há partida, que iremos encontrar contos que adoraremos e outros que odiaremos. Raras são as antologias que são totalmente boas e, até hoje, não encontrei nenhuma que considerasse uma perda total. Há sempre uma quantidade significativa de bons textos.
E com estas ideias em mente, comecei a ler "Linhas Cruzadas" que se auto-intitula de "Uma antologia de contos PT". Pois, é aqui mesmo, neste subtitulo, que se prende a minha maior decepção com este pequeno livro: este não é uma antologia de contos! É uma antologia de textos mas nem todos, e diria mesmo que nem a maioria, são contos. Muitos são crónicas, opiniões ou ensaios.
Eu nunca gostei de crónicas, assim como não sou grande fão de não-ficção, mas, noutras circunstâncias, talvez este pequeno facto nem me tivesse incomodado, só que acontece que no momento em que decidi ler esta antologia eu queria mesmo CONTOS. E foi grande a minha decepção.

Há, como em todas as antologias, excepções. Descobri apenas uma nova autora cujo trabalho pretendo revisitar em breve: Alice Vieira. Mas também revi outros já conhecidos, como João Barreiros, Luís Filipe Silva e Rui Zink (embora este último não me tenha conseguido cativar). Mas, não querendo menosprezar as crónicas/memórias, tenho de dizer que apreciei as de Carlos Quevedo e Maria Manuel Ramos Pinto.
Os melhores, a meu ver, foram mesmo os da Alice Vieira, que me surpreendeu.

No geral esta antologia decepcionou-me e não me marcou na positiva. O facto de alguns autores parecerem forçar-se a escrever sobre os telefones e as comuncações, não ajudou a que todos os textos tivessem qualidade, mas alguns foram bem conseguidos.
Sinceramente, esperava mais mas consegui ler alguns textos muito interessantes, com conceitos promissores.

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Cartas Portuguesas

"Cartas Portuguesas", de Soror Mariana Alcoforado (Europa-América, edição bilingue)

Sinopse:
De raras beleza e poesia, estas cinco cartas portuguesas, envoltas em mistério e polémica quanto à veracidade daquilo que nelas é narrado e ao seu autor, são testemunho de um amor forte, que desconhecia fronteiras e transpunha as regras. Talvez impressionada por um amor repentino e egoísta, Soror Mariana, enclausurada no Convento de Beja, sonhava com o seu cavaleiro, sonhava voltar para ele e abdicar da vida religiosa, se ele assim o quisesse. Nas Cartas lemos os desejos e queixumes de uma mulher ensandecida por uma paixão, à qual destinatário já não corresponde, mas que mesmo assim prefere dar a alma para sofrer por amor, do que jamais ter amado.
Edição com cartas em Português e Francês


Opinião:
Não há muito que possa dizer sobre este livro que nem se sabe, de verdade, se é real ou ficcional. Eu gosto de pensar que é real.
As cartas são muito dramáticas e fatalistas. A protagonista é um pouco irritante, se bem que à sua maneira é realista (daí que eu acredite que sejam relatos verdadeiros), visto que muitas mulheres amam assim. E homens, claro, há-os com este nível de obsessão, de persistência, de amor.
O que achei que faltou foi 'pano de fundo', ou seja, gostava de saber como os dois se conheceram e o porquê de a autora das cartas ter caído tão loucamente nas garras do amor. Isso é muito pouco explicado. Apenas sabemos que o ama loucamente e que ele a ignora.

Fica também uma nota acerca da 'breve' nota introdutória é extensa demais e, a meu ver, não deveria ser uma introdução mas sim uma conclusão, já que refere informações que me tiraram um pouco do gozo de ler as cartas propriamente ditas.

Em suma, este tipo de história não é bem um género que eu aprecie mas confesso que gostei dos textos e apontei várias passagens. É um bom relato de amor louco, que merece ser lido e, preferencialmente, nunca vivenciado.
E não posso terminar sem elogiar a belíssima edição da Europa-América: bilingue e cuidada.

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Lisboa no Ano 2000

"Lisboa no Ano 2000 - Uma antologia assombrosa sobre uma cidade que nunca existiu", organizada por João Barreiros, com contos de A.M.P. Rodriguez, Ana C. Nunes, Carlos Silva, Guilherme Trindade, João Ventura, Joel Puga, Jorge Palinhos , Michael Silva, Pedro Afonso, Pedro G.P. Martins, Pedro Vicente Pedroso, Ricardo Correia, Ricardo Cruz Ortigão, Telmo Marçal.

Sinopse:
Bem-vindos à maior cidade da Europa livre, bem longe do opressivo império germânico. Deslumbrem-se com a mais famosa das jóias do Ocidente! A cidade estende-se a perder de vista. O ar vibra com a melodia incansável da electricidade.
Deixem-se fascinar por este lugar único, onde as luzes nunca se apagam, seja de noite, seja de dia. aqui a energia eléctrica chega a todos os lares providenciada pelas fabulosas Torres Tesla.
Nuvens de zepelins sobem e descem com as carapaças a brilhar ao sol. Monocarris zumbem por todo o lado a incríveis velocidades de mais de cem quilómetros à hora. O ar freme com o estímulo revigorante da electricidade residual. Bem-vindos ao século XX!
Lisboa no Ano 2000 recria uma Lisboa que nunca existiu. Uma Lisboa tal como era imaginada, há cem anos.


Opinião:
Demorei o meu rico tempo a ler a antologia da qual também faz parte um conto meu, mas deixem-me explicar-vos porquê: a antologia é bastante volumosa e eu decidi ler espaçadamente os contos, entre outras leituras. Podia tê-la lido toda de uma vez, mas não quis. E agora finalmente terminei.

Lisboa no Ano 2000 é um reinventar da capital portuguesa, como esta teria sido imaginada pelos autores do final do século XIX (com a monarquia ainda no poder e a electricidade como fonte de energia única). João Barreiros deu as regras e os outros autores exploraram os seus limites.

Fiquei agradavelmente surpreendida com alguns dos contos. Tive a oportunidade de conhecer, pessoalmente, quase todos os escritores (ou mesmo todos, se não estou em erro) e a grande maioria das histórias da antologia estão muito boas. Todas muito imaginativas.
Como em quase todas as antologias, existem uns contos que gosto mais que outros; os meus favoritos foram:  "Dedos", A.M.P. Rodriguez; "Energia  das Almas", João Ventura; "A Rainha", Pedro Vicente Pedroso; "Taxidermia", Guilherme Trindade; "Ex-Machina", Michael Silva; "Chamem-nos Legião", João Barreiros.

Podem ver as opiniões individuais nos posts que fiz para cada um dos contos:
"O Turno da Noite", João Barreiros- opinião (na Bang! 10)
"Venha a Mim o Nosso Reino", Ricardo Correia - opinião
"Os Filhos do Fogo", Jorge Palhinhos - opinião
"Dedos", A.M.P. Rodriguez - opinião
"As Duas Caras de António", Carlos Eduardo Silva - opinião
"Electro-dependência", Ana C. Nunes (o meu conto)
"Nanoamour", Ricardo Cruz Ortigão - opinião
"Energia  das Almas", João Ventura - opinião
"Fuga", Joel Puga - opinião
"Tratado das Paixões Mecânicas", João Barreiros - opinião
"O Obus de Newton", Telmo Marçal - opinião
"Ex-Machina", Michael Silva - opinião
"A Rainha", Pedro Vicente Pedroso - opinião
"Taxidermia", Guilherme Trindade - opinião
"Quem Semeia no Tejo", Pedro G.P. Martins - opinião
"Coincidências", Pedro Afonso - opinião
"Chamem-nos Legião", João Barreiros - opinião

Em suma, Lisboa no Ano 2000 é uma antologia surpreendente, cheia de histórias imaginativas. Uns contos agradaram-me mais que outros, como sempre acontece, mas recomendo vivamente. E, claro que, esta opinião é independente da minha participação na mesma.
Já agora, se leram ou lerem a antologia, agradecia que deixassem comentários a dizer o que acharam dela num todo e também do meu conto. :)

::Conto:: Chamem-nos Legião

"Chamem-nos Legião", João Barreiros (incluído na antologia "Lisboa no Ano 2000")

Opinião:
Das três histórias que o autor escreveu para a antologia esta foi a minha favorita. Como sempre João Barreiros mostra uma grande imaginação e capacidade de enredo.Adorei ambas as tramas e a forma como se interligaram, e também a maneira como ligou este aos outros dois contos seus.
Confesso, contudo, que esperava que o autor conseguisse também ligar as suas histórias um pouco mais às dos outros autores, afinal tudo se passa no mesmo 'universo' e espaço de tempo.
Ainda assim a história está muito bem escrita, com muita acção e momentos brilhantes. Boas persoangens, diálogos fascinantes e um final muito bom. O desfecho perfeito para a antologia.

The Coldest Girl in Coldtown

"The Coldest Girl in Coldtown", de Holly Black (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse (Inglês):
Tana lives in a world where walled cities called Coldtowns exist. In them, quarantined monsters and humans mingle in a decadently bloody mix of predator and prey. The only problem is, once you pass through Coldtown’s gates, you can never leave.
One morning, after a perfectly ordinary party, Tana wakes up surrounded by corpses. The only other survivors of this massacre are her exasperatingly endearing ex-boyfriend, infected and on the edge, and a mysterious boy burdened with a terrible secret. Shaken and determined, Tana enters a race against the clock to save the three of them the only way she knows how: by going straight to the wicked, opulent heart of Coldtown itself.
The Coldest Girl in Coldtown is a wholly original story of rage and revenge, of guilt and horror, and of love and loathing from bestselling and acclaimed author Holly Black.


Opinião (audiolivro):
Sempre tive curiosidade de ler alguma coisa desta autora mas como não queria já embarcar noutra série e ouvi tão boas coisas sobre este The Coldest Girl in Coldtown, que decidi apostar no audiolivro.
Esta é, como a premissa indica, uma história com vampiros e tem alguns pontos de originalidade e é verdade que quase tudo é explicado ao longo do livro, embora algumas perguntas fiquem no ar, sobre como e porquê os vampiros aceitariam ficar aprisionados em cidades de onde não podem sair.

A história começa logo em força. Não há introdução lenta, nem preparação nenhuma. O leitor cai de cara no horrendo da situação, embora a escrita não me tenha provocado o horror que a situação merecia. Os primeiros capítulos foram, para mim, os mais interessantes. Em poucas páginas, e sem debites de informação, ficamos a conhecer as personagens, as suas personalidades, e o que esperar delas. Infelizmente, e por isto mesmo, o livro acaba por ser pouco surpreendente, já que não há grandes surpresas narrativas no que diz respeito às suas personalidades.
A história, como um todo, é muito linear, bastante previsível e pouco imaginativa, mas nem sempre isso é mau. Se as personagens foram carismáticas, uma história menos surpreendente pode não ser uma má escolha.
Infelizmente eu não me consegui ligar a nenhuma das personagens. Ou melhor, deixem-me explicar: Todas as personagens são interessantes e, como já disse, muito fiéis a si mesmas desde o início, mas também são todas bastante desprezíveis. Não consegui ligar-me a nenhuma delas, sentir empatia, desejar-lhes um final digno. Sinceramente, não quis saber porque eram todas egoístas, hipócritas, mentirosas, e acima de tudo ... infantis. Ai credo, como eram infantis! Ou será melhor dizer juvenis? E sim, eu tenho consciência de que são, na sua maioria, adolescentes, mas que dizer do Gavriel? Ele não é um adolescente (ou é-o, em corpo, mas não em idade).
Ainda tentei importar-me com a Tana mas foi impossível. Ela tomava más decisões atrás de más decisões. E a irmã dela ... ai credo! Bem, basta ver a relação que a Tana tinha com o Aidan para perceber a cerne do problema.
Ou seja, não gostei de nenhuma personagem. Nenhuma, mesmo! Acho que isto nunca me aconteceu. No início gostei do Gavriel mas depois ele ficou um adolescente como os outros e perdi o interesse.

A escrita da autora é bastante boa a transmitir, em poucas palavras, os cenários, as situações e a torná-las quase visuais. Também consegue facilmente moldar as personagens e é boa a retratar adolescentes e as suas decisões inconsequentes mas, será que não podia meter ali uma pessoa com juízo?
Uma das coisas que não gostei particularmente foi a forma como a autora narrou cenas do passado. Havia ali um distanciamento tal que não deixava passar as emoções como deveria.
Ah, uma coisa que gostei foi de como conseguiu meter para ali um romance controverso, envolvendo um transsexual, e ainda por cima envolvendo as duas únicas personagens de quem até gostei um pouco (mas como apareciam pouco não deu para marcar).
Da escrita gostei e devo dar nova oportunidade à autora.

Em suma, The Coldest Girl in Coldtown, começa quente e depois vai arrefecendo. Pun Intended! O livro está bem escrito, tem algumas reviravoltas interessantes mas é previsível e foi-me impossível relacionar com qualquer personagem e, consequentemente, desejar-lhes um fim digno. Gostei do estranho romance entre a Tana e o Gavriel e o final agradou-me, mas não posso dizer que este seja um livro que me tenha marcado.

Narração (Christine Lakin):
Uma coisa que adorei neste audiolivro foi a música. Em vário momentos, em todos os capítulos, a narração era acompanhada de uma belíssima banda sonora. pequenas músicas instrumentais que faziam toda a diferença a ambientar as cenas. Lindo! E só por isso já vale a pena ler a versão audio. A narradora também fez um bom trabalho vocal.

Booktrailer:

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