sábado, 1 de agosto de 2015

A Guerra dos Mundos

"A Guerra dos Mundos", de H.G. Wells (publicado por várias editoras em Portugal)

A Guerra dos Mundos é um clássico por boas razões. Apesar de ter sido escrito em finais do século XIX, a verdade é que o livro não está nada datado. Nada mesmo!

Esta opinião vai ser curtinha porque, sinceramente, não tenho quase nada de mal a apontar ao livro e são só coisas boas. :)
A história, como devem saber, retrata uma invasão alienígena, pelos olhos de um homem que presencia tudo desde o início, na primeira pessoa.

A imaginação por detrás desta história é excelente, mesmo agora quando se pode dizer que já vimos de quase tudo. As descrições do autor são muito visuais e é fácil o leitor sentir que está lá, ao lado do narrador. E pode-se dizer que o livro é tanto sobre a guerra e as suas consequências, como sobre um homem que apenas quer reencontrar a família. Há um equilíbrio entre os dois.

As personagens que o protagonista vais conhecendo acabam por perder-se no mar de caos, mas todas têm suficiente 'polpa' para serem mais que figuras perdidas no texto. E o protagonista, claro, é o mais bem explorado de todos e os seus sentimentos pela família são quase palpáveis.

Por seu lado a prosa consegue dar uma imagem muito boa ao leitor e o texto é muito acessível e cheio de energia, mesmo na versão original (que podem ler gratuitamente através do Project Gutenberg). A única falha que tenho a apontar é que, apesar de o livro estar todo contado na 1ª pessoa, e por isso só devermos ter acesso ao que o protagonista vê e sente, existem algumas cenas que o protagonista claramente não presenciou mas que são ainda assim narradas com todos os detalhes. Mesmo que alguém lhe tivesse contado o sucedido, nunca seria com tanto pormenor, e isso distraiu-me um pouco, mas não muito.

Em suma, A Guerra dos Mundos é um clássico rico, acessível e que merece ser lido por todos. Recomendo!

Sinopse:
Publicado pela primeira vez em 1898, essa obra-prima de ficção especulativa de H.G. Wells aterrorizou e divertiu gerações de leitores, gerou inúmeras imitações e serviu de inspiração a mestres como Orson Welles e Steven Spielberg. 
Por tempos, os homens foram estudados à distância pelos marcianos, que nos observavam como quem analisa micróbios por um microscópio. No final do século XIX, entretanto, eles partem para a Terra e aterrissam nos arredores de Londres. À primeira vista, os marcianos parecem risíveis: mal conseguem se mover, e não saem da cratera criada pelo pouso de sua espaçonave. 
Mas, conforme seus corpos começam a se acostumar com a gravidade terrestre, eles revelam também seu verdadeiro poder. Os marcianos são máquinas biomecânicas assassinas com mais de 30 metros de altura, que destroem tudo a sua volta. Aniquilando toda tentativa de retaliação do exército britânico, eles rapidamente eles chegam à capital britânica, que é evacuada às pressas por uma população desesperançada.

I am the Messenger

"I am the Messenger", de Markus Zusak (ainda não publicado em Portugal)

Depois de ler A Rapariga que Roubava Livros do mesmo autor, mesmo sabendo que I am the Messenger tem uma premissa completamente diferente, a vontade de ler mais do autor era muita e esta livro tinha-me sido já muitas vezes recomendado (especialmente a Carla do Cuidado com o Dálmata).
Este livro conseguiu cativar-me logo no primeiro capítulo, que adorei. Tanta personalidade e uma prosa sarcástica e divertida que me agarrou logo nos primeiros instantes e me manteve envolvida até ao fim.

I am the Messenger conta a história de Ed, um  rapaz normal, taxista, incapaz de se confessar à rapariga de quem gosta, com uns amigos fantásticos e um cão adorável. Mas Ed não está contente com a vida que tem, ele quer alo mais, mas quando algo inesperado lhe acontece, será que ele está preparado para fazer  que for necessário?

É-me difícil falar deste livro porque não posso falar muito sem fazer spoilers, mas vou tentar.
A trama é inesperada a cada viragem. O tema geral pode até ser previsível mas a forma como nos é entregue surpreende e testa tanto o Ed como o leitor. por exemplo, na primeira missão que o Ed tem, ele vacila e não faz nada, numa situação que é limite e que o leitor sente que deveria haver intervenção. Mas isso apenas serve para mostrar-nos do que o Ed é feito e como ele pode mudar e agir, quando assim tem de ser.
Há muitas cenas poderosas no livro, muitas lições que se podem tirar daqui, mas o autor nunca dá sermões, nunca espeta as lições na cara do leitor. Elas são óbvias, mas não impostas. Cada um tira delas o que bem entender.
Só houve uma coisa que não gostei assim muito no livro todo: o final. Não gostei da revelação de quem estava por detrás de tudo. Não gosto quando os autores fazem este tipo de revelações intrusivas. Mas não posso dizer que foi isso que me fez gostar menos do livro.

As personagens são todas fenomenais e cheias de camadas. Especialmente o Ed, o Marvin e o Ritchie. A Audrey, talvez por ser o alvo da maior atenção do Ed, a mim pareceu-me mais insípida. Mas gostei mesmo foi da Milla e da sua história comovente e da sua interacção com o Ed. Também achei muito interessante a interacção do Ed com a família. Afinal todas as famílias são complicadas.

A escrita do autor é sarcástica, acutilante e por vezes bem divertida. Mas também séria e realista. Gostei muito!

Em suma, I am the Messenger foi uma bela surpresa de um autor cujo trabalho pretendo seguir com atenção daqui para a frente. Uma história com muitas histórias, muitas emoções e personagens marcantes. Recomendo!

Nota: Esta opinião baseou-se na versão audiolivro (listening Library), narrada por Marc Aden Grayy, que eu recomendo especialmente pelo sotaque do narrador que dá um toque ainda mais especial ao livro.

Sinopse (edição brasileira, pela Intrínseca):
Venha conhecer Ed Kennedy. Dezenove anos. Um perdedor. 
Seu emprego: taxista. Sua filiação: um pai morto pela birita e uma mãe amarga, ranzinza. Sua companhia constante: um cachorro fedorento e um punhado de amigos fracassados. 
Sua missão: algo de muito importante, com o potencial de mudar algumas vidas. Por quê? Determinado por quem? Isso nem ele sabe. 
Markus Zusak, autor do best-seller A Menina que Roubava Livros, nos fornece essas respostas bem aos poucos neste incomum romance de suspense, escrito antes do seu maior sucesso. O que se sabe é que Ed, um dia, teve a coragem de impedir um assalto a banco. E que, um pouco depois disso, começou a receber cartas anônimas. O conteúdo: invariavelmente, uma carta de baralho, um ou mais endereços e... só. Fazer o que nesses lugares? Procurar quem? Isso ele só saberá se for. Se tentar descobrir. E, com o misto de destemor e resignação dos mais clássicos anti-heróis, daqueles que sabem não ter mesmo nada a perder nesse mundo, é o que ele faz. 
Ed conhecerá novas pessoas nessa jornada. Conhecerá melhor algumas pessoas nem tão novas assim. Mas, acima de tudo, a sua missão é de autoconhecimento. Ao final dela, ele entenderá melhor seu potencial no mundo e em que consiste ser um mensageiro.


Booktrailer:

O Último Adeus

"O Último Adeus", de Lí Marta (Edições Vieira da Silva)

Este livro é uma espécie de memória recontada, não da autora, mas de seus familiares, num tempo em que ela ainda não era nascida. Histórias passadas recontadas em família e alteradas na ficção apenas o suficiente para não ferirem susceptibilidades. E, parece-me, aí reside o maior problema do livro, no seu cuidado por não ferir os sentimentos das pessoas nele retratadas. O que de certa forma se entende, por serem família, mas não se compreende pois o leitor procura verdade não editada em memórias (mesmo quando estas se assumem como semi-ficção).

O romance conta-nos a história de um casal apaixonado que vive muitas dificuldades para sobreviver e criar os filhos, mas que são felizes até ao momento em que uma trágica doença leva o marido para longe.

O romance é bastante bonito e não demasiado lamechas, o que é bom. Há sentimento, tanto entre as personagens como, claramente, no próprio modo de prosa que o conta. No entanto achei que aquelas cenas que aconteceram, quando o homem já estava doente e a mulher o foi visitar, foram demasiado inverossímeis. Julgo que esta foi uma das partes ficcionais do livro e se não o foi peço desculpas mas a improbabilidade de a mulher não ter ficado com a doença (altamente contagiosa) depois de tudo aquilo era bastante improvável e pareceu muito onírica. Bela, sem dúvida. Romântica, com certeza. Verossímil, dificilmente.


Quanto às personagens, fora o casal principal e mais uma ou outra, a maioria passou-me ao lado. As mulheres normalmente eram definidas primariamente pela sua beleza física (da qual elas nunca estavam conscientes), mas os poucos homens pareceram ter mais consistência. Outra coisa que senti, especialmente no fim do livro, foi que a autora tinha receio de dizer mal das personagens. Todas elas eram razoavelmente boazinha. Não havia conflito!

A prosa é bonita mas usa muito da exposição narrativa e deixa pouco ao leitor para descobrir por si mesmo. É muito literal, quase jornalística, o que será bom para quem goste mais desse tipo de escrita.
Também usa muito de diálogos para se fazer explicar, para desenrolar os momentos, para mostrar as personagens, o que é excelente, mas alguns diálogos não são fluídos e mais parecem mecanizados.

Em suma,  O Último Adeus é um leitura leve, com um tema pesado e um grande respeito pelas pessoas nele retratadas. O romance é tocante e o leitor preocupa-se com as personagens centrais. No entanto o respeito da autora pelas personagens fez com que a prosa se tornasse demasiado simples, sem camadas, e a história falhasse em mostrar conflito. Dito isto, julgo que o livro irá agradar a fãs de memórias e de romances.

Este livro foi a leitura de Outubro 2014 do Clube de Leitura de Braga.

Sinopse:
Baseado numa história verídica, vivida entre os distritos de Viseu e Aveiro. Passamos por localidades como Tondela, Caramulo, Sernancelhe, Moimenta da Beira e Águeda. Três gerações de primogénitas vivem grandes histórias de amores inesquecíveis.
Dionora vive pobremente mas feliz com António. Até ao dia em que descobrem a doença fatal vivida nos anos cinquenta, a tuberculose. Com a morte do marido, Dionora deixa de ter forças para viver.
Luzita, a primogénita de Dionora, terá de lutar pelo primeiro amor da sua vida, um homem de classe ligeiramente superior à dela. Só que o destino salpicou-lhe a vida de negro.
Lídia, a primogénita de Luzita, vive também um grande amor. Mas fica nas suas mãos dar continuidade ao último adeus. Será que é capaz?

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A Culpa é das Estrelas

"A Culpa é das Estrelas", de John Green (Edições Asa)

O tema desta livro, ou pelo menos a enfermidade que ataca a protagonista, não deve ser surpresa para ninguém: cancro. Aliás, quase todas as personagens mais centrais sofrem dele ou foram de alguma forma afectadas por ele. E quem não foi? Devem ser muito poucas (infelizmente) as pessoas que podem dizer que não têm ninguém na família que tenha lutado contra ou morrido de cancro, por isso a qualquer leitor será fácil relacionar-se a esse nível com o livro.

Assim temos Hazel, uma rapariga que não consegue respirar sem ajuda e que é forçada a ir a um grupo de terapia para tentar curar a sua suposta depressão. Lá ela conhece Augustus que é um rapaz que já teve cancro mas que naquele dia só vai acompanhar o seu amigo, Isaac, que em breve vai ficar cego por causa de uma operação.
Muito optimista, certo? Mas o que mais gostei foi a forma directa como o autor contou a história e não se perdeu na melancolia. Oh, ela estava lá presente nas personagens, especialmente na Hazel, mas não era o elemento dominante da trama. As personagens tinham algo em comum e gozavam com esse mal que acabava por os unir, mas não era só isso que os unia e a amizade (e o resto) foi bonito de se ler. E o romance também foi uma coisa muito linda!
Por outro lado também achei muito improvável que um rapaz da idade do Augustus, mesmo com a sua experiência de vida, alguma vez falasse daquela maneira tão ... Shakesperiana (digamos assim). Muito pouco natural e demasiado adulto para um rapaz de 18 anos. Mas eu até poderia deixar passar isso, se não fosse o facto de a Hazel falar da mesma maneira. Uma personagem? Eu creio. Duas? Não.

E falando de personagens: estão todas bastante bem delineadas, não só a Hazel e o Augustus, mas também a família dela e o autor que a Hazel tanto admirava (um autêntico imbecil, mas um imbecil credível).

A trama em si não é propriamente surpreendente pois adivinhava-se o fim a milhas, mas também não é essa a parte mais interessante do livro, por isso não me incomodou que fosse algo previsível. E independente disso o livro está cheio de momentos sentidos e cheios de emoção. É quase impossível lê-lo sem sentir apertos no coração e talvez até chorar.

A escrita do autor é muito bonita e, como já disse, acho que mostrou bastante respeito pelo tema, escolhendo não se banhar no possibilidade de melancolia que por vezes é muito exagerado noutros livros. E os seus diálogos também estavam bastante fluídos apesar de, como já disse, as frases em si parecerem demasiado rocambolescas para as personagens.

Em suma, A Culpa é das Estrelas é um livro emotivo, bem escrito, com personagens com as quais é muito fácil o leitor se relacionar, com um humor próprio e uma história que acaba por ser complexa na sua simplicidade. Vale a pena ler!

Podem também escutar um pouco mais sobre a minha opinião neste vídeo.


Nota: Esta opinião é com base na versão audiolivro inglesa (Brilliance Audio Inc.) narrada por Kate Rudd.

Nota II: Também já tive oportunidade de ver o filme e recomendo-o, para quem leu e para quem não leu o romance. Está uma adaptação muito boa, e as alterações foram poucas. Vale a pena!

Sinopse:
Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita.
PERSPICAZ, ARROJADO, IRREVERENTE E CRU, A Culpa é das Estrelas é a obra mais ambiciosa e comovente que o premiado autor John Green nos apresentou até hoje, explorando de maneira brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Dias de Sangue e Glória

"Dias de Sangue e Glória (Daughter of Smoke and Bone 2)", de Laini Taylor (Porto Editora)


Talvez se lembrem que o primeiro livro da série (A Quimera de Praga - Daughter of Smoke and Bone) deixou-me com suficiente curiosidade para querer ler a sequela, apesar de não o ter adorado.

O mais interessante (e irritante), para mim, foi o facto de, neste segundo livro eu ter odiado uma personagem de quem gostei muito no primeiro (Karou) e passado a gostar mais de uma que detestava (Akiva). A parte de eu ficar a gostar do Akiva até está bem, agora conseguir que eu passasse a detestar a Karou é obra.

Este segundo livro começa praticamente onde o primeiro terminou. Depois do massacre das Quimeras e da revelação de quem tinha causado a sua morte, Karou volta ao mundo onde teve a sua vida anterior e luta para perceber o seu lugar nesse mundo, bem longe do Akiva. Mas a forma como ela decide fazer isto é a mais estúpida possível: une-se ao Thiago (o homem que a mandou matar na vida anterior) e remete-se à clausura, passando os dias todos a criar novos corpos para as Quimeras. Mas pior que isso: Ela leva os Quimera para a Terra! Que parte deste plano genial poderia correr mal?
Por seu lado o Akiva começa a tomar medidas para alterar as coisas no seu reino, com a juda dos irmãos. E nos intervalos vamos lendo histórias sob o ponto-de-vista de personagens completamente aleatórias: Quimeras pacíficas que fogem dos Seraphins; soldados Seraphim destacados para lugares bem longínquos; coisas que, no final de contas, acabam por não ter grande impacto na trama mas dá para perceber que com isto a autora queria dar a conhecer outros lados da batalha e a maioria dessas histórias paralelas acabaram por até ser bastante curiosas.

A história teve os seus altos e baixos, mas no caso da Karou eu acho que a personagem serviu a trama e não  contrário (e o facto de ela estar constantemente a culpar-se por tudo e por nada, mesmo sabendo que a culpa não é dela foi muito irritante), o que fez com que ela estivesse quase todo o livro num estado irreconhecível do espírito do volume anterior. Só quando a Zuzana voltou a aparecer é que as coisas mudaram.
O Akiva, como disse, finalmente saiu da sua apatia e fez alguma coisa de útil. E bastante até. Os seus irmãos também estão bem retratos neste volume. Em termos de vilões, sem dúvida que o Thiago é o com mais presença e, sinceramente, foi das personagens que mais gostei no livro porque foi das  poucas que se manteve consistente. Já o Jael também teve os seus momentos, especialmente na cena do banho. Outra personagem que se destacou foi o Ziri, como não podia deixar de ser. Coitadinho (e mais não digo)!

Quanto à escrita, é inegável que Laini Taylor sabe escrever muito bem. Ela sabe usar as palavras e cativar mas também sabe irritar com a sua escolha de batotices. Eu explico: todo o livro é contado de forma linear: cena 1, cena 2, cena 3 e por aí fora; mas, por qualquer motivo, a autora decidiu, em dois momentos trocar as cenas de lugar. Ou seja, em vez de ser 10, 11, 12, punha 10, 12, 11, numa tentativa ridícula de criar suspense. Mas não funcionava! Não funcionava mesmo!
Ou noutras situações em que usava artimanhas como: «Mais tarde, ao pensar no que se passou, Karou iria perceber que se tivesse prestado mais atenção teria  desconfiado que algo estava prestes a acontecer.» E isto é a forma perfeita de retirar todo o suspense de uma cena. Mas o pior é que a autora não precisava disto com uma escrita tão boa. Então porquê? Vá se lá saber ...

Em suma, Dias de Sangue e Glória (tradução imbecil e desajustada de "Days of Blood and Starlight") tem uma escrita muito bonita e cativante, algumas personagens fortes e um final muito bom, mas o início e o meio são fracos e algumas das artimanhas literárias usadas funcionaram contra a trama e não a seu favor. Ainda assim, e só porque sou teimosa, vou ler o terceiro livro e terminar a série. Aguardem a opinião.

Esta opinião tem como base a versão audiolivro ("Days of Blood and Starlight" publicado por Hachette Audio) narrada por Khristine Hvam.

Sinopse:
Karou, antiga estudante de Arte, quimera revenante e aprendiz de ressurrecionista, tem finalmente as respostas que sempre procurou. Sabe quem é e o que é. Porém, com este conhecimento vem outra verdade que ela daria tudo para desfazer: amou o inimigo e foi traída, e um mundo inteiro sofreu por isso.
Agora, sacerdotisa de um castelo de areia numa terra de poeira e estrelas, profundamente só, Karou tenta recriar o universo do seu passado, contribuindo, com a sua dor e a sua mágoa, para a volta gloriosa das quimeras.
Porém, sem Akiva, e sem o seu sonho de amor partilhado, o caminho da esperança afigura-se impossível de trilhar.
Repleto de desgosto e beleza, segredos e escolhas impossíveis, Dias de Sangue e Glória encontra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra tão antiga como o tempo.

The Knife of Never Letting Go

"The Knife of Never Letting Go (Chaos Walking 1), de Patrick Ness (ainda não publicado em Portugal)

Começo já por dizer que adoro este título e ele é tão apropriado. portanto, editora brasileira, porque mutilaste tão belo título transformando-o em "O Motivo" e com uma capa daquelas? É que não fica mesmo bem (nenhuma das duas coisas). E editoras portugueses quando é que planeiam apostar na série?

Já deu para perceber que gostei do livro, certo? Mas nem tudo são rosinhas, vá!

Comecei esta leitura, mais uma vez, sem saber nada do que se ia passar. Não li sinopse e só sabia que muitos leitores que sigo tinham adorado o livro e a trilogia, por isso estava decidida a pegar-lhe, embora as quase 500 páginas me assustassem um bocadinho no início. :P
Ah! e antes que me esqueça, apesar de isto não ser nada habitual aqui no blog: esta opinião vai conter SPOILERS. Não posso evitá-lo pois quero referir certas cenas que são muito marcantes e se não as descrever minimamente ninguém vai perceber do que falo, por isso prossigam com cautela, mas eu aviso sempre que for a referir Spoilers.

Tudo começa quando Todd tem 12 meses e 12 anos, o que no Novo Mundo significa que ele será um
homem dali a exactamente 1 mês (isto passa-se noutro planeta que colonizado por humanos). Todd vive uma vida relativamente pacata na companhia dos seus dois pais adoptivos: Ben e Cillian, e do seu cão chato: Manchee, na única cidade do Novo Mundo juntamente com mais de uma centena de homens. As mulheres foram todas exterminadas por um agente biológico lançado anos antes por seres extra-terrestres que entretanto ficaram extintos. E por culpa deles é que os homens ouvem o Ruído, ou seja, conseguem saber o que todos os outros homens estão a pensar em todos os segundos do dia e da noite. Ah! e os animais falam! Ou pelo menos foi isso que lhe ensinaram toda a vida. Até que Todd descobre um vazio no ruído e a partir desse momento toda a sua vida muda.

The Knife of Never Letting Go é uma corrida frenética. Não há momentos mortos, não há descanso nem repasto, só fuga, descobrimentos, decisões, imposições e um constante repensar do que Todd pensa que o mundo é, daquilo que lhe ensinaram toda a vida. E emoção, tanta emoção!

A escrita deste livro é estranha, pois está feita como se pelo próprio Todd que fala meio labrego e repete muito certas palavras ("and", por exemplo), o que em certos momentos chega a ser abuso mas na maioria do tempo funciona a favor da frenética da acção. Na verdade acho que o livro não teria funcionado tão bem se assim não fosse. E o facto de o Todd ser basicamente um ignorante em relação a quase tudo o que se passa no NovoMundo faz com que o leitor também o seja, embora possa tirar as suas próprias conclusões dos acontecimentos de forma bem diferente do próprio Todd.

E falando do Todd, o protagonista é-nos logo bem introduzido no início, assim como seu companheiro de quatro patas: Manchee, e a interacção dos dois é óptima durante o livro para descontrair um pouco da loucura que é toda a trama. Eu ri-me imenso com o Manchee e ...
*Spoilers*
... chorei que nem uma desalmada na cena em que o Aaron o matou. A sério! Não me lembro da última vez que chorei tanto a ler um livro e acho que para isso contribuiu o facto de eu estar a chegar a casa e ser recebida pela minha cadela e ... podem imaginar.
*Fim dos Spoilers*
A Viola é outra personagem muito consistente e o que ela acabou por fazer em vez do Todd, no final, já era de esperar mas não deixou de ser surpreendente a forma como se desenrolou. Por outro lado o Aaron e o Prentiss Junior realmente foram vilões merecedores do título, especialmente o Aaron. Fanatismo religioso no seu auge.
Só tive pena que o Ben e o  Cillian não tivessem mais espaço nas linhas; especialmente o Cillian que me parecia ter tudo para ser uma personagem bastante complexa.
Mas regressando ao Todd, houve uma cena em particular que me afectou bastante, por ser tão lógica mas ao mesmo tempo cruel. Por ser um acto bárbaro da parte do protagonista mas, ao mesmo tempo, por mostrar que ele na verdade fez tal acto por ser, de certa forma, inocente. Essa ambiguidade está muito presente na cena que mais me mexeu neste livro:
*Spoilers*
Quando, depois de o Todd não ter coragem para matar o Aaron (apesar de tudo o que ele fez) nem o Prentiss Junior (que o goza por ser covarde), se depara pela primeira vez na vida com um Spackle e o ataca sem razão aparente, sem conseguir pensar em mais nada que não o seu ódio e raiva por tudo o que lhe aconteceu até ali.
*Fim dos Spoilers*
Não sei se quem leu sentiu o mesmo mas para mim não havia como detestar o Todd, mesmo depois de ele fazer algo assim tão bárbaro, porque aquilo foi o triste resultado de uma série de coisas que vieram antes. É assim como se ele tivesse sido vítima de bullying durante anos e, de repente, ao ver alguém ainda mais fraco, se tornasse ele o bully, mesmo sendo ele quem mais desprezava os bullies.
Uma outra coisa que gostei muito foi do facto de o relacionamento entre a Viola e o Todd ir crescendo aos poucos e de não se focar no romance mas sim na amizade e na confiança. E também o facto de a história nos estar a tentar dizer que apesar da violência em volta ser possível ter princípios, ter alguma inocência e tentar mantê-la o mais que se puder, mesmo quando isso parece impossível.

Como vêem há muita coisa marcante neste livro, muita acção, muita ambiguidade, muita coisa para descobrir. Então porque é que eu disse que não eram tudo rosinhas?
Por causa do final.
Oh Meu Deus! Aquele final deu cabo de mim, no mau sentido! Porquê? Porque é que o autor fez aquilo?
*Spoilers*
Falo da vitória do Mayor e da conquista de Haven.
*Fim dos Spoilers*
Não vou dizer que o fim estragou o livro todo para mim porque isso seria impossível e a verdade é que estou desejosa de ler a sequela, mas raios! Que eu fiquei furiosa com o fim, fiquei. Porque o Todd e a Viola andaram todo o livro a correr, sem sossego, sem descanso, sem um momento de verdadeira esperança, e quando o leitor pensa que finalmente eles vão ter nem que seja um dia mais ou menos bom, vem aquele final e estraga tudo!
Não dá! O radar de adrenalina não pode estar sempre no topo, tem de haver uma pausa, por mais pequena que seja e tirar assim as esperanças todas é bom para a sequela mas é mau para o leitor.
Odiei! E eu imagino que o autor vá fazer uma sequela muito boa mas este final nunca o vou engolir. Raios!

Em suma, adorei o livro, as suas páginas cheias de acção, os momentos repletos de emoção, as personagens e o mundo, mas detestei o final. Dito isto eu vou já a correr ler a sequela (uma das minhas próximas leituras, sem dúvida). Por isso aconselho-vos a ler se ainda não o fizeram. Vale a pena.

Nota: Esta opinião tem como base a versão audiolivro narrada por Nick Podehl (Brilliance Audio) e aconselho esta versão pelo bom trabalho que nela foi feito.

Sinopse (edição "O Motivo" da editora Pandorga):
Todd Hewitt é um garoto de doze anos, o último menino de Prestissburgo, uma cidade onde só moram homens. Ele vive em um mundo cheio de "Ruído" em que os pensamentos privados de todos os homens e de todos os animais são audíveis. Em um mês ele fará treze anos e se tornará um homem. Mas a cidade está escondendo segredos dele, segredos que vão forçá-lo a fugir do prefeito e dos homens de Prentissburgo junto com seu cachorro e a primeira garota que ele já conheceu na vida.
A cada pagina o leitor ficará cada vez mais conectado a Todd e Viola e sua historia de amizade e sentirá genuína afeição por Manchee o cachorro ajudante de Todd, cujo comportamento é hilário e comovente.
Na sua essência, é uma historia sobre um garoto forçado a crescer rapidamente em um mundo de ruínas e loucura, armado apenas com sua convicção de fazer a coisa certa para sobreviver.
Todd vive em um mundo onde um germe matou todas as mulheres, um germe que deixou os homens loucos, o germe que significou o fim dos spackles quando a loucura dos homens colocou as mãos em uma arma.

sábado, 25 de julho de 2015

The Raven Boys

"The Raven Boys (The Raven Cycle 1)", de Maggie Stiefvater (ainda não publicado em Portugal)

Maggie Stievfater já não é uma estreante na minha lista de leituras: Shiver, Linger e Forever são três títulos da sua série Wolves of Mercy Falls que já li, e pretendo terminar a série com Sinner, em breve.
Entretanto ouvi falar muito bem desta nova série da autora e decidi pegar-lhe e Bolas!, apanhei uma surpresa e tanto. Pensava eu que a série Wolves of Mercy Falls era sombria e pessimista que chegue mas nada que chegue aos calcanhares da série Raven Cycle. Emo much?
Oh, mas não se deixem deter por isso pois o livro é muito bom!

No início, confesso, tive alguma dificuldade em distinguir duas das personagens: Adam e Nate. Mas foi só no princípio porque rapidamente os dois se tornaram bastante diferentes. E por falar em Nate ... eu estava a contar com aquela reviravolta mas mesmo assim a autora soube usar bem as suas cartas (pun intended). E se não fazem ideia do que falo  porque estou a tentar manter esta opinião livre de Spoilers. Desculpem qualquer coisinha.

Então The Raven Boys começa por apresentar-nos aos quatro rapazes que dão nome ao livro, todos eles frequentadores de uma prestigiada escola para a elite (leia-se podres de ricos). Conhecemos também Blue e a sua fabulosa e estranha família. Ora os rapazes e Blue não podiam ser de meios mais diferentes (tirando um deles que é pobre) mas mesmo assim os seus destinos cruzam-se pouco depois de Blue descobrir que Gansey (o líder da matilha) vai morrer nos próximos doze meses. E como é que ela descobre isto? Ora pois a sua família é constituída de psíquicas que lêem o destino nas cartas por isso nada mais normal. Hem?
A isto sucedem-se uma série de situações, descobrimentos e laços de amizade e inimizade sempre em mudança. Coisa que a autora entrega na hora certa, ao passo certo e o leitor fica agarradinho à história, por mais sombria que ela acabe por ser.

E já que falamos da escrita, posso dizer que a autora realmente me surpreendeu. A prosa de The Raven Boys é muito bela e visual, muito emotiva. Nota-se uma clara evolução e esta só traz riqueza à história.

Falemos agora das personagens e eu aqui tenho de dizer que a forma progressiva como a autora nos vai mostrando as muitas facetas das personagens joga bem a favor da narrativa. O foco neste livro está claramente no Gansey, no Adam e no Noah. Um pouco por causa disso senti que o Ronan foi algo negligenciado embora o seu silêncio fale volumes de si e aquelas cenas com o Raven fossem demais. Mas mais que isso senti que a Blue é a personagem mais básica deste livro. A sua personalidade chega ao leitor como plácida e de alguém que se deixa levar pela corrente. Eu espero sinceramente que isto seja corrigido nos próximos volumes porque comparativamente ao brilhantismo do retrato da sua família, a Blue está bastante unidimensional. Outra personagem que merecia ter tido um pouco mais de desenvolvimento foi o vilão que definitivamente não teve direito a metade do espaço literário que precisava para ser mais interessante ao leitor.

Tirando estes pequenos defeitos, o livro é fabuloso, rico na prosa, contado quase exclusivamente num tom sombrio e misterioso que por vezes ganha cor em fantasias bem vivas. Houve no entanto momentos eu que tudo o que eu pensava era: mas porque é que estas personagens são todas tão Emo? E sim, elas realmente o são, especialmente os rapazes, mas por outro lado toda o imaginário por detrás da história da cidade de Henrietta é fascinante de ler e a verdade é que mal posso esperar para ler o próximo livro a série.


Nota: Esta opinião baseia-se na versão audiolivro narrada por Will Patton.

Sinopse (edição brasileira de "Os Garotos Corvos" pela editora Verus):
Todo ano, na véspera do Dia de São Marcos, Blue Sargent vai com sua mãe clarividente até uma igreja abandonada para ver os espíritos daqueles que vão morrer em breve. Blue nunca consegue vê-los - até este ano, quando um garoto emerge da escuridão e fala diretamente com ela.
Seu nome Gansey, e ela logo descobre que ele é um estudante rico da Academia Aglionby, a escola particular da cidade. Mas Blue se impôs uma regra: ficar longe dos garotos da Aglionby. Conhecidos como garotos corvos, eles só podem significar encrenca.
Gansey tem tudo - dinheiro, boa aparência, amigos leais -, mas deseja muito mais. Ele está em uma missão com outros três garotos corvos: Adam, o aluno pobre que se ressente de toda a riqueza ao seu redor; Ronan, a alma pertubada que varia da raiva ao desespero; e Noah, o observador taciturno, que percebe muitas coisas, mas fala pouco.
"Os garotos corvos é uma narrativa incrivelmente rica e única, um thriller sobrenatural de sabor diferente" - School Library Journal


BookTrailer:

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