domingo, 28 de Setembro de 2014

A Trança de Inês

"A Trança de Inês". de Rosa Lobato Faria (Leya)

Sinopse:
Baseado no mito de Pedro e Inês (mais na lenda do que na História), um romance sobre a intemporalidade da paixão, onde se abordam também alguns mistérios da existência. Assim as mulheres passam umas às outras a sua teia ancestral de seduções, subentendidos, receitas que hão-de prender os homens pela gula, a luxúria, a preguiça e todos os pecados capitais, é por isso que elas nunca querem os santos, os que não se deixam tentar, os que resistem à mesa, à indolência, à cama, à feitiçaria dos temperos, ao sortilégio das carícias, à bruxaria das intrigas.

Opinião:
A história de Pedro e Inês sempre foi uma que me intrigou. Afinal é parte da nossa história e do nosso folclore. Além disso, Rosa Lobato Faria há muito que era uma escritora que me suscitava curiosidade. Uma mistura de ambos, pensei, só podia terminar bem.

Este A Trança de Inês é um livro difícil de definir. Consegue ser parcialmente ficção científica, romance contemporâneo e romance histórico. O que era mais do que esperava.
O enredo está sub-dividido em três tempos diferentes; três histórias diferentes mas muito semelhantes: presente, passado e futuro (ou algo semelhante). Por vezes os tempos misturam-se e é difícil distinguí-los mas na maior parte das vezes consegue-se entender bem qual o espaço temporal. O protagonista é sempre o Pedro, a Inês é sempre a amada, e o pai do Pedro é sempre o mau da fita. A trama repete-se nas três histórias com algumas subtis diferenças. E apesar de achar que a autora conseguiu unir bem as três, também as achei demasiado repetitivas.

Pedro foi, sem dúvida, a personagem mais bem explorada e a autora conseguiu criar aqui uma persoagem muito rica que foi aproveitada ao máximo, Gostei! No entanto a história focou-se tanto nele que abafou as personalidades de todos os outros. Especialmete da Inês que nada mais era que o alvo do amor obsessivo do Pedro. Dela o leitor não sabe quase nada. Do amor de ambos praticamente só sabemos que Pedro se apaixona loucamente, sem qualquer razão aperente que não esteja ligada com a beleza física da Inês, do seu corpo de sonho, do seu cabelo de oiro. Enfim, pura atração física! Ou pelo menos foi isso que transpareceu no texto e, por isso mesmo, não me satisfez de todo.

A prosa da autora manteve-me sempre interessada e gostei bastante, no entanto se tivesse que apontar algo seria certamente o facto de ser pouco descritiva. É eficiente, sem dúvida, mas falta-lhe detalhe. E, sinceramente, estranhei e fiquei triste pela maneira como objectifivou as mulheres da trama, tornando-as tão planas como recortes de cartão.

Em suma, A Trança da Inês desiludiu-me um pouco. Não é que seja um livro mau mas esperava muito mais. O romance foi mais obsessivo que arrebatador e a Inês, a senhora do título e da capa, quase não teve destaque. Foi uma pena!

Capa, Design e Edição:
Sempre adorei a capa desta edição de bolso da Leya, mas depois de ler o livro não pude deixar de notar que o cabelo da Inês é suposto ser loiro, e não castanho como ali ilustrado. Mas isso não retira simbolismo à simplicidade da capa e continuo a gostar muito desta. A edição de bolso também está muito acessível a nível de preço e em termos de facilidade de leitura não se perde nada.  Deixo só uma nota final para o facto de o título ser muito enganador, pois a história é de Pedro, mais do que da Inês.

Por Mundos Divergentes - Passatempo

Para comemorar o lançamento da antologia "Por Mundos Divergente", onde está publicado um conto da minha autoria, decidi criar um novo passatempo para vos oferecer um exemplar.

Sobre a antologia:
Num futuro por vezes próximo, por vezes distante, Portugal sucumbe dos mais variados estados ditatoriais. Aquele que pensa é um inimigo do Estado. Um inimigo da pátria que tem de ter cuidado… e os que não têm cura, devem ser sacrificados pelo bem maior.
Por mundos divergentes conta com cinco contos distópicos escritos por Ana C. Nunes, Nuno Almeida, Pedro G. Martins, Ricardo Dias e Sara Farinha.

Sobre o meu conto, "Dispensáveis":
Enquanto seres humanos gostamos de pensar que cometemos erros no passado para que, no futuro, não tenhamos de fazer igual. Para que não tenhamos desculpas para cair nos mesmo buracos. Mas o que a história nos prova é que os erros se repetem, se multiplicam, se inflamam. Mais tarde o povo verá esta era como uma das mais negras da história da humanidade mas, para já, tudo é aceitável, tudo é justificável, e nada é mais dispensável que a vida humana.

E lembrem-se: quanto mais fizerem Gostar/Seguir/Partilhar, mais hipóteses têm de ganhar.



Boa sorte!

terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Two Moons of Sera - Omnibus

"Two Moons of Sera - Omnibus", Parvati K. Tyler (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse (inglês):
In a world where water and earth teem with life, Serafay is an anomaly. The result of genetic experiments on her mother's water-borne line Serafay will have to face the very people responsible to discover who she really is. But is she the only one?

Opinião (ebook):


Two Moons of Sera foi originalmente dividido em 4 partes que, posteriormente, a autora reuniu num volume único. E a verdade é que cada uma das 4 partes pouco mais é que uma pequena noveleta, por isso faz todo o sentido reuní-las.
Eu já tinha lido a 1ª (opinião) e a 2ª (opinião) quando comprei este Omnibus. As primeiras foram oferta da autora, o que eu agradeço.
Deste modo esta opinião recairá sobre as 3ª e 4ª partes, assim como na obra como um todo. Vamos a isso!

O mundo criado pela autora é bastante imaginativo e rico, embora só no final da 4ª parte se perceba melhor de onde surgiram as 3 raças: Sualwet (seres aquáticos), Erdlander (seres terrestres) e A'aihea (seres do fogo). De todas, a mais explorada foi, sem dúvida, a Erdlander, o que não deixa de ser estranho, tendo em conta que a Sera é meia-Sualwet  e o Tor é A'aihea; e eles são os personagens principais. Esta foi, para mim, uma grande falha, já que os Sualwet, em especial, são muito negligenciados na narrativa e o que sabemos deles é muito limitado. Contudo os Erdlanders transpareceram quase exclusivamente como uma raça egoísta e intolerante; excepções feitas a algumas pessoas que a Sera encontrou pelo caminhos.

A história em si é bastante complexa mas grande parte desta complexidade só surge quase no final da 3ª parte e, como temi desde cedo, o tempo foi insuficiente para trazer uma conclusão completamente satisfatória. Existem muitas perguntas por responder, ou melhor, as perguntas iniciais estão quase todas respondidas mas apenas conseguem levantar mais questões. Senti que o final foi apressado! Se bem que, de um modo geral gostei da resolução por dar esperança de um futuro melhor. Contudo não gostei do epílogo, em que a autora enfiou quase à pressão uma cena fofinha que nada tinha a ver com o Tor ou a Sera. Esses sim queria eu ver!

E por falar em romance: este é uma grande parte de Two Moons of Sera e, confesso, achei que a Serafay (Sera) e o Torkek (Tor) ficavam muito bem juntos, o que só fez com que me enfurecesse quando na última parte o Tor some e não nos são dadas razões válidas para isso (eu pelo menos não as achei justificáveis). Acho que isso apenas aconteceu para criar fricção mas acabou por arruinar o romance na parte final, onde este devia ser mais forte.

A nível de personagens, sem dúvida que Tor e Sera são os mais bem explorados, mas a autora sabe criar personagens muito interessantes e fazer com que o leitor se preocupe com o destino deles. As minhas favoritas foram o Tor, a Sera e o Elgon (o cão selvagem XD).

A prosa é bastante directa, algo romantizada. Não é excepcional mas funciona bem neste tipo de narrativa. Só gostava que tivesse-se debruçado mais nas diferentes culturas e que o final não tivesse sido tão apressado.

Em suma, Two Moons of Sera (1 a 4) é uma história interessante, por vezes intensa, com boas personagens, um romance fofo e um mundo com muito potencial. Não conseguiu explorar tudo o que eu gostaria de ter visto e o final foi apressado mas isso não o torna uma leitura menos boa. Recomendo!

Visitem o site da autora.

Booktrailer:

Contagem Decrescente - divulgação

Título: Contagem Decrescente
Autor: Bruno Franco
Editora: Chiado Editora
Edição: Outubro de 2014

Sinopse: 31 de Dezembro. Passagem de ano.
Rodrigo Tavares, um proeminente detective da Polícia Judiciária, encontra-se em Almada para assistir ao espectáculo pirotécnico quando recebe um telefonema que muda a sua vida por completo, levando-o a perceber que tinha chegado o momento que tanto temera: a concretização de uma ameaça homicida proferida pelo assassino que mais lhe custara capturar no passado.
Rodrigo tem até dia 15 de Janeiro para deter o assassino, ou as consequências serão devastadoras. E não apenas para si.
Quando o detective observa a forma excruciante e desumana como a primeira vítima fora assassinada, percebe a importância e a seriedade do que está a acontecer, e é então que começa a corrida contra o tempo.
O que começa por ser uma caça ao homem transforma-se rapidamente em algo muito maior e aterrorizador.
Ao mergulhar num mundo de trevas e muitas dúvidas, medo e desespero, Rodrigo receia o futuro como nunca antes o fizera.


Sobre o autor: Bruno Franco é um escritor português de ficção policial, nascido em Setembro de 1990. Licenciado em Radioterapia, trabalha actualmente no serviço de Radioterapia do Instituto Português de Oncologia de Lisboa. Pertence, desde 2002, a uma equipa de natação de competição, que faz parte do Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro.

Visitem também blog do autor e o perfil do autor no Goodreads.

A Segunda Pele da Acácia Mimosa - divulgação

Título: A Segunda Pele de Acácia Mimosa
Autor: Ana Gil Campos
Editora: Chiado Editora
Edição: Julho de 2014

Sinopse: Sara, uma mulher determinada e ambiciosa, no pico da sua carreira como arquitecta sente um grande vazio interior, uma frustração que a consome apesar de ter uma vida aparentemente perfeita. Assim, desloca-se perturbada a Vieira do Minho, a sua terra natal no norte de Portugal, para procurar ajuda da única pessoa que a pode ajudar, a sua alma gémea. A Sara quer desaparecer da sua vida sem que ninguém perceba! De regresso a Lisboa, vê-se nos meandros da maçonaria feminina onde ser apercebe, em pânico, estar envolvida num caso de corrupção com uma ministra do governo português. O seu casamento também se encontra em crise pois vive de aparências. O casal vive como dois estranhos dentro de casa, completamente desligados um do outro, onde a tensão é constante. O pedro, o seu marido que também é arquitecto, aceita o compromisso de trabalhar em São Paulo e faz-lhe um ultimato: ou vai viver com ele para o Brasil ou o casamento está definitivamente terminado. Desesperada e sem saber o que fazer relativamente à maçonaria, ao seu envolvimento no caso de corrupção e ao próprio casamento, resolve fugir para Barcelona, onde se refugia na casa do seu amigo Barden, alto membro da maçonaria espanhola. Durante estas semanas em Barcelona vai descobrir o verdadeiro segredo maçónico e tomar as decisões mais importantes e determinantes da sua vida.

Preço: 14€
Onde é que o livro pode ser adquirido?  Bertrand, Wook, Editora, eem vários outros locais.

Sobre a autora: Ana Gil Campos, bracarense que divide o seu tempo entre o Porto e São Paulo, colaborou com a revista Exame de 2011 a 2013 e escreveu para o Expresso de 2009 a 2014. Mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade do Porto, afirma que não escolheu ser escritora mas que foi a escrita que lhe exigiu atenção desde muito cedo como uma necessidade irrequieta e vital. Para si viver é entregar-se de forma nua e sequiosa à escrita. Atualmente escreve o seu segundo romance e dedica-se com regularidade ao seu blog.

Visitem também blog da autora.

Convite para o lançamento, dia 24 de Outubro na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 19 horas:

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Paixão Escura

"Paixão Escura (Senhores do Submundo 5), Gena Showalter (Harlequin)

Sinopse:
Teria valido a pena renunciar à imortalidade por ele? O guerreiro imortal Aeron andava há semanas a sentir uma presença feminina invisível. Tinham enviado um anjo ou um demónio ou um assassino para o matar. Olivia disse-lhe que tinha caído do céu e renunciado à imortalidade porque não podia suportar fazer-lhe mal. Mas confiar em Olivia e apaixonar-se por ela pô-los-ia a todos em perigo. Como é que aquela «mortal» de grandes olhos azuis tinha conseguido despertar a paixão obscura em Aeron? Agora, com um inimigo a persegui-lo de perto e com a sua fiel companheira diaba decidida a desterrar Olivia da sua vida, Aeron ver-se-á preso entre o dever e um desejo apaixonado. E o pior de tudo: tinham enviado outro verdugo para fazer o trabalho que Olivia não quis fazer.

Opinião:
A saga dos Senhores do Submundo é  uma na qual, dos 5 livros que já li, apenas 1 me arrebatou. E ainda assim persisto na sua leitura por culpa da mitologia e porque a autora consegue facilmente fazer-me interessar pelas suas personagens (especialmente as masculinas). É um guilty-pleasure que nem eu compreendo bem mas, depois de Paixão Escura, começo seriamente a duvidar que tenha a força suficiente para seguir com a série.

Aeron é o protagonista deste livro, um senhor muito complexo e que já tinha ganho o meu interesse em livros anteriores, muito por culpa do seu comportamento com a Legião (uma demónio). E Aeron não decepcionou praticamente em nada neste livro, excepto na já mencionada relação com a dita Legião. Ou, melhor dizendo, na falta de interacção com ela. Ai, ai ...
A Olívia, o interesse amoroso deste volume, é uma personagem complicada de entender e eu não me consegui ligar muito a ela. Para um anjo esperava que fosse mais ... angelical. Porque é que as mulheres nesta série têm de ser todas super-confiantes, super-senhoras-de-si-mesmas. Não podem ser mais terra-a-terra? Mais inibidas pelo menos? Caramba, a Olívia é um anjo!
O bem desta série é que, em todos os livros, há sempre lugar para os outros senhores do submundo mostrarem as suas cartas. Nesta foi a vez do Strider (Derrota) e do Gideon (Mentira). Infelizmente aqueles senhores que já tiveram o seu próprio livro, foram altamente negligenciados, assim como as suas esposas. Não gostei disso!

O relacionamento do Aeron e da Olivia foi curioso, especialmente pela forma como começou e só se transformou em amor quase no fim. Contudo não posso dizer que fui arrebatada. Acho que o dificultou foi mesmo a Olivia, talvez por achar que não a conhecia suficientemente bem. Contudo, o que realmente me pôs descrente foi o final.
*SPOILERS* Se o sacrifício do Aeron tivesse sido o fim, acho que teria sido muito melhor. O facto de a Olivia ter, tão facilmente, ressuscitado o Aeron, sem quaisquer confrontos ou sacrifícios da sua parte, tornou o final muito insatisfatório. Já para não falar que teria sido muito mais nobre da parte dela se pedisse a ressurreição do Dominic, o rapaz que não a conhecia e mesmo assim se sacrificou para a salvar. O rapaz que não viveu milhares de anos (como o Aeron). Isso sim! *Fim de SPOILERS*

A escrita da autora é decente e consegue manter o leitor agarrado à história e às personagens. Só gostava que parasse de ignorar todas as outras personagens que já tiveram a sua história mas que continuam lá (na trama) e cuja ausência (nas páginas) é muito sentida.

Em suma, Paixão Escura não me supreendeu e não me arrebatou, embora a mitologia continue interessante e as personagens (futuras relações) estejam muito bem apresentadas, de forma a que o leitor sinta a necessidade de saber mais. E por isso mesmo é muito provável que leia o livro seguinte (Mentira Escura) só porque o Gideon me fascina. Mas, no geral, não sei se recomendaria esta série e este livro é apenas medíocre.

Tradução, Capa, Design e Edição:
A tradução, no início, está de 'meter medo ao susto'! Horrível. Depois passa a moderadamente suportável, com algumas frases traduzidas demasiado literalmente, que me arrepiaram. Por fim, e não sei se foi culpa de acabar por me habituar aos erros, já me parecia que a tradução era mais sólida.
A capa é lindíssima! Toda esta série tem capas de sonho. Dá mesmo vontade de agarrar no livro. E, mais uma vez, adoro o facto de terem o cuidado de pôr a tatuagem no sítio correcto. Só lhe falatava as ranhuras para as asas. :)
O design interior é super-simples, mas mais não seria de esperar de uma edição de bolso. E, por fim, a edição tem várias falhas, já que deixou passar certas tradução horripilantes.

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