segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Antologia Halloween

"Halloween", antologia de contos de Carina Portugal, Carlos Silva, Liliana Novais, Pedro Pereira, Sara Farinha, Vitor Frazão (ebook)

Sinopse:
Seis escritores portugueses, de fantasia e ficção científica, exploram o Halloween, em toda a sua ligação com o fantástico e o desconhecido.

Opinião:
Seguem-se as opinião individuais dos contos e, no fim, uma opinião geral.

A Menina que não Gostava de Doces, de Carina Portugal
Adorei este conto. Não era nada do que parecia a princípio. Divertiu-me mas, ao mesmo tempo, o tema era sério. Bem escrito, mostrou uma excelente protagonista da qual gostaria de ler mais aventuras.

Morte Branca, de Liliana Novais
Nem sei muito bem o que dizer em relação a este texto. Apressado. Sem nexo, E confuso, mas de uma forma desagradável. O final é .. err ... ridículo, mas o conceito em si não é melhor. E já agora, porquê um coelho?

Bruxaria, de Pedro Pereira
Um texto grotesco mas bem escrito. Suponho que essa fosse a ideia.

A Noite de Todas as Sombras, de Sara Farinha
Gostei da prosa mas a história sabe a pouco. É demasiado vaga e eu não gostei do final.

Chehkov's Gun, de Carlos Silva
Um conto intenso, bem escrito e empolgante. O final não podia ser melhor

Se uma Árvore cai na Floresta, de Vítor Frazão
Mais um conto muito grotesco mas, igualmente, muito interessante. Mais uma vez o autor, Vítor Frazão, pegou numa personagem mitológica pouco usual e escreveu-a de forma brilhante. Gostei.

Em suma, uma antologia bem conseguida, com contos muitos interessantes e alguns que definitivamente me ficarão na memória. Os favorios foram: "A Menina que não Gostava de Doces" e "Se uma Árvore cai na Floresta".

domingo, 13 de Abril de 2014

Antologia 7 Virtudes

"7 Virtudes", de Ana Ferreira, Carina Portugal, Carlos Silva, Pedro Cipriano, Pedro Pereira e Sara Farinha (ebook)

Sinopse:
Seis escritores portugueses, de fantasia e ficção científica, exploram 7 Virtudes: Castidade, Generosidade, Temperança, Diligência, Paciência, Caridade e Humildade

Opinião:
Mais uma antologia do grupo Fantasy & Co. Como já é costume, deixo opiniões individuais e, no final uma opinião geral.

Castidade, de Sara Farinha
Um conto bem escrito, passado num mundo curioso e com personagens interessantes mas ... que raio de final é aquele? Parece que ficamos a meio da história, sem a promessa de haver continuação. Onde está o resto?

O Protótipo (Generosidade), de Pedro Cipriano
O conto em si está bem escrito e a ideia é interessante mas não chegamos a perceber as motivações  do protagonista e por isso o fim não impressiona. A prosa pouco dinâmica também não ajuda.

O que não Cura, Satisfaz (Temperança), de Ana Ferreira
Sensual e pouco convencional. Um conto interessante que gostei de ler, apesar de que gostaria de ter sabido algo mais sobre a restante vida da protagonista.

Diligência, de Carlos Silva
Passado num mundo promissor (ferradentes = gostei), tem também uma história eficaz. No entanto foi um conto que não me marcou.

O Paciente é o mais Forte (Paciência), de Pedro Pereira
Este conto parece uma daquelas histórias de auto-ajuda (tipo Paulo Coelho, ou coisa parecida; não que tenha algo contra). Contudo este texto não me tocou, nem marcou.

Corpo, Alma e Coração (Caridade), de Carina Portugal
Uma história muito estranha, que pouco tem a ver com a virtude em questão (Caridade). Um texto muito estranho, com boa escrita mas que, no fim, é tão somente bizarro.

O Documento (Humildade), de Ana Ferreira
Talvez por conhecer a autora e o seu trabalho, este conto me pareceu mais um sermão, um desabafo, do que propriamente ficção. Além do mais não tem nada de fantasia. Não me tocou, no entanto fez bem o trabalho de representar a virtude em questão (Humildade).

Em suma, está aqui mais uma antologia interessante deste grupo de escritores. Nem todos estão ao mesmo nível mas existem aqui trabalhos dignos de nota, especialmente "Castidade" e "O que não Cura, Satisfaz".

domingo, 6 de Abril de 2014

Cemitério de Pianos

"Cemitério de Pianos", de José Luís Peixoto (Bertrand)

Sinopse:
Cemitério de Pianos é o quarto romance de José Luís Peixoto. Os narradores, pai e filho, desvendam a história da família, que vive em Lisboa, e falam da morte: a morte como destino irremediável, ciclo ininterrupto, renovação e elo entre gerações.

Opinião:
José Luís Peixoto é um dos mais aclamados escritores portugueses da actualidade, mas eu ainda não tinha lido nenhum dos seus trabalhos. Esta primeira incursão foi culpa do Clube de Leitura de Braga que escolheu este Cemitério de Pianos como leitura de Fevereiro 2014 (discutido a 1 de Março).

A princípio, confesso, não fiquei rendida à história, e menos ainda à escrita do autor, mas no final o hábito já se havia assentado e a leitura fluiu com mais naturalidade.

O enredo familiar é bastante simples, na sua cerne, mas da forma como o autor a apresenta acaba por parecer bastante complexo. É a história de três gerações (que quase parecem apenas duas), ou mais propriamente de três homens: avó, pai e filho; e daqueles que os rodeiam no seio familiar.
Apesar de ter apreciado a dinâmica da família e de a repetição dos erros que se traduz de uma geração para a seguinte, achei que, nesse campo da repetição, houve um grande exagero. Pois por mais que possam cair nas mesmas ciladas e espelhar as vidas uns dos outros, nunca serão tão semelhantes e quase, diria, indistintos, como o livro narra. Era quase como se estivesse a ler uma vida e não três, embora a do neto acabasse por ter sido um pouco diferente. E por mais que este resultado seja propositado, para mim, enquanto leitora, não funcionou. Queria evolução, mesmo na repetição.

E porque existe este jogo de similaridades, passo já ao campo das personagens e não posso dizê-lo de outra maneira que não seja: São todas iguais! Quero com isto dizer que temos três modelos: o narrador; o irmão/tio do narrador; a mulher (que inclui não só a esposa, mas as irmãs e todas as outras que por ali aparecem; estão todas metidas no mesmo saco). E depois temos estes três modelos lançados no meio do texto, em supostas diferentes personagens, mas sem nunca serem efectivamente únicas. Isto faz com que nenhuma seja memorável. Excepção feita ao Lázaro (o atleta, o neto), que acabou por ser o único que foi ... único. E isto, creio eu, deve-se ao facto de ele ser baseado levemente no verdadeiro atleta, e julgo que o autor teve mais atenção nele que nos restantes. Pelo menos é isso que transparece.

Isto leva-me a falar da prosa. O autor tem uma escrita cuidadosa, pensada mas que, sumariamente, se mostra repetitiva. E, desse modo, menos não seria de esperar numa trama tão uniforme. Existem passagens verdadeiramente belas, excertos memoráveis e esta é, sem dúvida, uma obra literária, naquilo que se espera de uma obra literária de referência (incluindo algumas manias que ignoram a gramática de forma propositada, só para serem únicas), mas que não é algo que eu aprecia de sobremaneira.

Como já disse, no início não gostei, depois habituei-me e, lá para o fim, acabei por a apreciar, de certa maneira. Mas a verdade é que a forma de contar a história e a escrita poucas vezes me arrebataram. Excepções feitas em determinados momentos e em certas escolhas que funcionaram bem para a trama e para as personagens.
Mas, mais que o seu estilo de escrita, o que notei foi o estilo narrativo. Quando apareceram as cenas que eram interrompidas em locais sem sentido, a meio de frases, quase que imitando a sequência ilógica do pensamento humano (que troca de foco sem pré-aviso ou nexo), eu gostei! Gostei mesmo! Mas depois começou a parecer-se com um artifício forçado, como algo que não nascera assim, como se o autor tivesse manipulado o texto para obter o efeito 'choque' e 'diferença', e rapidamente o artifício começou a aborrecer-me. Talvez se não tivesse sido usado tão extensivamente, o impacto tivesse sido outro.
Mas, piores que isso foram as cenas em que a Íris, neta do narrador, tinha diálogos com o dito avó. Note-se: Ele estava morto e a servir de narrador omnipresente. Não era um fantasma!
Estas cenas foram descabidas, despropositadas, expositórias e continham alguns dos diálogos mais irritantes de todos os tempos. Um artifício desnecessário, que só tirou brilho à narrativa.

Em suma, Cemitério dos Pianos é um livro complicado, que tenta ser complexo e literário, e que, em certa medida, consegue sê-lo. Perde no entanto pelas repetições na trama e pela falta de diferença nas três vozes narrativas presentes. Pontos para a forma como usou a última maratona do atleta Lázaro para criar um texto intrincado, se bem que usado até à exaustão.
Valeu a pena a leitura mas ... esperava mais.

Livro requisitado à Biblioteca Municipal de Barcelos.

quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Clube de Leitura de Braga - Abril 2014

Este sábado, dia 5 de Abril de 2014, o Clube de Leitura de Braga volta a reunir-se. Desta vez o livro em discussão é "O Décimo Terceiro Conto" da Diane Setterfield.

Começamos às 15 horas, na Bertrand do Liberdade Street Fashion, no centro da cidade de Braga. Apareçam!

terça-feira, 25 de Março de 2014

The Maze Runner - Correr ou Morrer

"The Maze Runner - Correr ou Morrer", de James Dashner (Editorial Presença)

Sinopse:
Quando desperta, não sabe onde se encontra. Sons metálicos, a trepidação, um frio intenso. Sabe que o seu nome é Thomas, mas é tudo. Quando a caixa onde está para bruscamente e uma luz surge do teto que se abre, Thomas percebe que está num elevador e chegou a uma superfície desconhecida. Caras e vozes de rapazes, jovens adolescentes como ele, rodeiam-no, falando entre si. Puxam-no para fora e dão-lhe as boas vindas à Clareira. Mas no fim do seu primeiro dia naquele lugar, acontece algo inesperado - a chegada da primeira e única rapariga, Teresa. E ela traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo.

Opinião (audiolivro):
Há uns anos atrás fiquei curiosa com este livro, mas como o tempo foi passando, acabei por me esquecer dele, até que recentemente consegui a versão audioboook e a curiosidade voltou. E na verdade se for para ler YA (literatura juvenil, jovem-adultos) prefiro fazê-lo no campo das distopias, embora mais facilmente me vejam a ler romances paranormais (que muito raramente me satisfazem).
The Maze Runner parte de uma premissa muito interessante e algo claustrofóbica: Thomas, um jovem desperta sem memória e é transportado para uma pequena comunidade de jovens rapazes que tentam, todos os dias, resolver o labirinto que os aprisiona.

A nível de enredo, o que a princípio parece ser algo simples e sem grandes surpresas, revela-se bastante mais complexo. na parte final, especialmente, há grandes desenvolvimentos. E embora no início o desenrolar da história seja lento, a pouco e pouco o leitor passa a tomar conhecimento dos factos e tudo se complica. Quase como se o leitor estivesse no mesmo estado de desconhecimento total que o protagonista. Nessa medida o livro é uma escalada que culmina de forma a que o leitor fique com vontade de ler mais, mas sem ficar aquela sensação de que, no final de contos, não sabe ainda nada. Ou seja, o autor revelou informações suficientes, e deu respostas suficientes para me deixar satisfeita e com vontade de ler o segundo volume.
Confesso que no início temia que a história fosse aborrecida e previsível mas, felizmente, não foi tanto assim, pois apesar de uma boa dose de previsibilidade a história é suficientemente complexa para não ser, de todo, monótona.

A nível de personagens achei fácil apegar-me a elas. O Chuck, o Minho, o Newt, e em especial o Thomas que é um daqueles protagonistas por quem é impossível não torcer, apesar de todo o mistério que o rodeia. Mas não é só ele! Praticamente todas as personagens são bem usadas e isso torna-as mais ... ricas. Excepções feitas com o Galley, que pouco mais é que um bully genérico, e a Teresa que parece demasiado conveniente e unidimensional. Não tem personalidade, o que é triste, considerando que é a única rapariga. E a menos que se acabe por descobrir que está a ser controlada, espero bem que no segundo volume a usem de forma mais eficiente.

A escrita do autor, infelizmente, foi o ponto fraco do livro. A prosa é muito simples, pouco descritiva e pouco imaginativa. Para conseguir visualizar o labirinto tive de usar a minha imaginação, mais do que o normal, pois o autor deu-nos apenas indicadores muito vagos. Pouco material para o que tinha em mãos.
O autor preferia também dizer que a personagem sentia medo, em vez de me mostrar como esse medo se reflectia nele, no seu corpo. Contudo também confesso que numa coisa foi bastante descritivo: os Grievers.
Contudo, e embora neste tipo de livro esse tipo de estilo não seja muito incómodo, é algo que não gosto de ler/ouvir em livro algum. Daí que não tenha apreciado a escrita do autor e tenha ficado com a sensação que se a prosa fosse diferente eu teria gostado ainda mais do livro.

Em suma, The Maze Runner - Correr ou Morrer, foi um livro que me entreteve durante vários dias, com boas personagens e uma história mais complexa do que parecia à primeira vista. Vou, certamente, continuar a  ler a série.

P.S.: É impossível não comparar este livro com o Deus das Moscas, especialmente por causa de quem acaba por morrer no fim. Déjà-vu! Mas, apesar disso, The Maze Runner não chega aos calcanhares do Deus das Moscas.

Narração (Mark Deakins):
Custou-me um pouco habituar à voz deste senhor, mas com o tempo deixou de me incomodar e tornou-se até agradável. Conseguiu fazer um trabalho competente na narração, e não tenho nada de mal a apontar a esta versão do livro.

Um ou dois dias depois de eu acabar a leitura, vi que tinha sido lançado o trailer para o filme (que eu nem sabia que estava em produção) e gostei!

terça-feira, 18 de Março de 2014

Two Moons of Sera - Volume 2

"Two Moons of Sera - Volume 2", de Parvati K. Tyler (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse:
Volume Two in the Two Moons of Sera series. Continue to follow the adventure of Tor and Sera!
In a world where water and earth teem with life, Serafay is an anomaly. The result of genetic experiments on her mother's water-borne line Serafay will have to face the very people responsible to discover who she really is. But is she the only one?
All the Fun of YA written for Adults


Opinião:
Estes livros foram feitos para serem lidos de seguida, pois não há qualquer elo de ligação, nenhuma introdução para situar o leitor no início deste segundo volume.

Esta segunda parte (de quatro) conseguiu ser mais consistente que a primeira, no entanto faltou-lhe alguma da magia do anterior. Este foi mais terra-a-terra, menos fantástico, mas também melhor para o desenvolvimento de personagens.

A história adensa-se, mas ainda existem demasiadas incógnitas em relação ao conflito entre povos. Também há demasiadas facilidades, como por exemplo: o facto de ninguém questionar a legitimidade da cidadania do Tor e da Sera; o quão facilmente a Sera consegue falar normalmente para os Erdlanders e usar expressões que lhes são familiares, tendo em conta que ela nunca conviveu com eles; entre outras coisas.

O misterioso terceiro povo, do qual só tomamos conhecimento no fim deste volume, parece prestes a complicar este mundo, o que me leva a duvidar que esta série possa terminar em apenas 4 volumes (já só faltam 2). Pelo menos custa-me a crer que o consigam fazer de forma convincente, mas espero estar errada.

Por isso a nível de enredo encontro-me dividida. por um lado estou interessada na trama, no mundo e nas suas potencialidades, mas por outro acho que a autora está a criar demasiadas equações e a providenciar poucas soluções. Se conseguir atar as pontas soltas, de forma satisfatória, nos próximos dois volumes, terei de lhe dar os meus parabéns.

As personagens foram as mais beneficiadas nesta segunda parte. Tanto a Sera como o Tor cresceram bastante e mostraram mais de si. Assim também o relacionamento dos dois amadurecei e acabei por torcer pelos dois. pena foi que a Sera, por vezes, era um bocado imbecil (sempre a lembrar o Tor do seu poder, nos momentos mais inoportunos), mas isso é desculpável como sendo parte da sua personalidade.
O restante elenco também se mostrou interessante, embora poucos se tenham destacado e, em certos momentos, cheguei mesmo a misturar as personagens.

A escrita da autora funciona bem neste tipo de história e só tenho mesmo a apontar o facto de achar que ela poderia e deveria ter sido mais descritiva no ambiente envolvente. A sua prosa é muito bonita em momentos românticos e sabe escrever bem diálogos, mas em termos de descrição envolvente é muito simplista. Outra coisa que me deixa um pouco zangada é a forma como a autora escolhe terminar os volumes. Sou a favor de cliffhangers, mas os desta série são demais. Fora isso, não tenho nada a apontar.

Em suma, Two Moons of Sera 2 é uma sequela muito competente, com bom desenvolvimento de personagens e da trama, deixando o leitor curioso por saber o que se segue. Gostei, mas reservo a minha opinião para quando terminar a série

segunda-feira, 17 de Março de 2014

Um Outro Mundo

"Um Outro Mundo", de David Sobral (ebook)

Sinopse:
Antologia de contos premiados para amantes de ficção e ficção científica/fantástica, sobre o nosso e muitos outros mundos.
Inclui: O Homem que decidiu ser Deus, A mulher que não corria riscos, O sabor amargo das vitórias, O Diário de VX-4010-dh (I), Rumo a SD-GS2056: a Era dos Descobrimentos Espaciais e GR - Gerador de Realidades, entre muitos outros.


Opinião:
Desconhecia totalmente o trabalho deste escritor e cientista mas descobri o seu trabalho na Amazon e, tratando-se de ficção científica em formato conto, despertou-me a curiosidade.
Como vem sendo hábito nas opiniões de antologias, ficam primeiro algumas palavras sobre cada conto individual e no fim deixarei uma opinião geral.

"A Cega Busca por Liberdade"
Um conceito interessante que não foi aproveitado ao seu máximo potencial. O autor utiliza algumas frases bonitas mas isso não é suficiente. Há aqui lugar a muito despejo de informação, o autor diz muito mas não mostra tanto quanto deveria. Para mais o desenvolvimento não faz grande sentido e cheguei ao fim com um sentimento de que nada batia certo. Afinal como foram construídas as bombas?

"Depois do Fim"
Há aqui um sentimento de solidãp e o autor tentou mostrar um certo patriotismo neste conto. No entanto não consegui deixar de notar como foi pelos caminhos fáceis, como decidiu não descrever os locais em qualquer nível de detalhe, escolhendo antes fiar-se na memória do leitor, dando-lhe nomes, tomando atalhos que tiraram intensidade ao texto.

"A Mulher que não corria riscos"
Este foi um texto que me tocou, pela sua mensagem, pela forma como o autor escolheu contá-la, crua e sem rodeios, sem grandes pormenores mas dando informação suficiente para ser interessante. Neste caso o estilo funciona.

"O homem que decidiu ser Deus"
Uma história que começou interessante, chegou a um crescendo que prometia grades coisas e que depois ... caiu. Houve ali um corte do fluxo narrativo que foi como um murro no estômago e aquele monólogo final foi a gota de água.

"O destruidor de Mundos"
Um conceito intrigante que ficou perdido num conto pequeno e sem grande profundidade.

"A guardadora do Mundo"
Um conto que não me disse nada. Foi esta a impressão final com que fiquei.

"O povo das Estrelas"
Mais uma história com muito potencial mas que mirrou pela falta de detalhes e porque o autor escolheu atalhos. No fim o leitor não sabe nada sobre o que o autor tão eloquentemente quis criar. Nada!

"O Oceano Europa"
Belíssimo local de partida, excelente ideia e muito potencial que, mais uma vez, foi completamente desperdiçado. Quando um autor descreve o que o personagem vê como: «... repleto de formas de vida de quase todos os tamanhos e feitos.» eu, enquanto leitora, fico completamente decepcionada!

"Modo de Optimização: On"
Um conto com uma boa ideia e que funciona, mas que não explica como o personagem supostamente chegou a esta sociedade utópica.

"Da janela vê-se o mundo"

Diálogos interessantes (que até aqui o autor havia explorado pouco) e um enredo interessante; mas este conto tem um final que não funcionada, de todo!



"Há vida para além de nós"
Muito suspense, muitas palavras culminaram num final insatisfatório que, mais uma vez, falha em trazer quaisquer respostas ao leitor. Afinal que experiência é essa que prova a existência de vida para além da nossa?


"A estranha magia do Litoral Alentejano"
Julgo que este seja o maior conto da antologia e, potencialmente o mais bem desenvolvido. Temos uma personagem bem exposta (que me parece ligeiramente auto-biográfica), um bom enredo e um conceito muito interessante. Pena foi a sequência final, que não foi tão bem conseguida. No entanto gostei da última frase. Compôs bem o conto.

"O riso da Morte"
Parece-me que o autor quis dissimular uma crítica às corporações e à sociedade capitalista neste texto, mas não foi bem sucedido. É demasiado óbvio e acaba por não funcionar como um conto, apesar de tocar num assunto sensível.

"O sabor amargo das Vitórias"
Uma boa história contada em boas palavras. Gostei!

"Especulação Nocturna"
Um ensaio interessante que pouco ou nada tem de ficção. Mas gostei do conceito porque me deu que pensar.

"Carta a quem quer que sejas"
Um conto escrito na forma de carta e que por isso se torna interessante, na medida em que dá a sensação de que poderia ter sido escrita por uma criança. No entanto perde alguma força por estar só e não ter seguimento; por não haver mais.

"O escritor pecador"
Apesar de apresentar um protagonista com profundidade, este é outro conto que não levou  a lado nenhum.

"O diário VX-4010-dh"
Nesta altura comecei a achar que o autor tinha por hábito cortar os contos exactamente no momento em que estes se tornavam interessantes. E isso deixou-me irritada com os textos. Fiquei sem respostas, mais uma vez.

"Rumo a SD-GS2056: A Era dos Descobrimentos Espaciais"
Ideia interessante e bem executada, excepto pelo número de diários de bordo que não fazem qualquer sentido. Oito diários em sabe-se lá quantos meses? Muito pouco provável. E, mais uma vez, o autor explicou muito pouco, o que tornou a história menos credível.
Mesmo assim gostei deste,

"GR - Gerador de Realidades"
Mais um conceito interessante que se perde numa espécie de ensaio, uma mera sinopse.

"Um Futuro Temível"
Excelente tema e prosa bem executada. Gostei porque me fez lembrar uma história que tinha escrito algum tempo antes, e porque fala de algo que nos toca a todos.

"Mais alto é impossível"
Não compreendi este texto. Ou melhor, não compreendi o seu propósito pois pareceu-me apenas ser um ensaio amoroso sobre Newton. Será?

"O outro Mundo"
Bom conceito, boas reviravoltas e filosofias interessantes. Podia era parecer-se menos com um ensaio.


"Alquimia XXI"
Uma história curiosa que acaba por não ter grande impacto pelo facto de eu não ter criado qualquer ligação com as personagens e, daí, não ter sentido grande coisa com o seu desfecho. Contudo foi um final interessante para a a antologia.

Em suma, Um Outro Mundo é uma antologia coesa, mas cujo trabalho integrante é mais um ensaio do que uma reunião de contos. Como antologia de ficção o livro é fraco, a prosa é ineficiente, sem vida e pouco interactiva com o leitor. Não me cativou, de todo, para grande parte das histórias. As personagens não têm grande personalidade e são mais acessórias às ideias, do que outra coisa.
Como ensaio este livro/ebook tem os seus méritos e algumas das ideias são excelentes. Se o autor tivesse explorado mais estas ideias no ramo da ficção, se a prosa fosse mais madura, mais prosaica e menos sumariada, talvez tivesse gostado mais. Desta forma, a antologia não tem grande qualidade como trabalho de ficção.

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