sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Poço da Ascensão

"O Poço da Ascensão (Mistborn 2)", de Brandon Sanderson (Saída de Emergência)

Opinião (audiolivro):
Acho que não é surpresa para ninguém que esta opinião poderá (e quase certamente irá) conter spoilers sobre o primeiro livro da série.

Este livro começa cerca de um ano depois dos acontecimentos do primeiro, que tiveram não só impacto na vida das personagens  mas também no mundos que elas habitam. Num momento em que o povo de Luthadel luta por sobreviver às mudanças, numa altura em que Elend, enquanto novo governador da cidade e do império, mostra já não ser o ingénuo idealista de meses antes, ele encontra muita resistência, tanto da parte dos Skaa, como dos nobres, e quando outras questões lhe roubam a atenção, alguém irá tentar roubar-lhe o poderio. Somem isto ao facto de dois exércitos inmigos fazerem cerco à capital e temos receita para desastre.

Vin pareceu-me uma personagem bem menos forte de carácter que no primeiro livro e isso foi, em parte, o que me levou a gostar um pouco menos deste (mas não muito). Em O Poço da Ascenção ela está com dificuldade em perceber o seu papel na revolução e o seu lugar na sociedade e na equipa, o que resulta em algumas situações perigosas que resultaram da sua ingenuidade e incapacidade de integração. Na ausência do seu mentor, Kelsier, ela irá formar uma rivalidade-barra-elo com um outro Mistborn: Zane (uma personagem muito interessante), e também criar uma certa amizade com o Kandra OreSeur/TenSoon, que foi, sem dúvida, uma das personagens que mais me agradou em toda a série.

Este livro está cheio de intriga, emoção, e repleto de personagens que procuram perceber os seus papéis nas mudanças que ocurreram após a queda do Imperador.

Algumas personagens recebem um pouco mais de atenção que outras, como não poderia deixar de ser, com especial enfoque na Vin, Elend, OreSeur/TenSoon, Sezad, Tindwell, Sett e Zane. Sendo que, por estarem todos tão divididos internamente, resultou que os meus favoritos foram o OreSeur/TenSoon e a Tindwell.

O desenvolvimento da história, a princípio, parecia querer seguir uma direcção muito recta, mas o autor conseguiu desenvolver várias tramas em paralelo  de forma muito interessante e empolgante, o que serviu para enriquecer cada vez mais o livro à medida que este ia avançando. Vários desenvolvimentos finais me apanharam de surpresa (o desvendar do espião, a verdade sobre os textos da profecia, etc.), assim como algumas sequências de acção fascinantes, em especial aquelas em que outras facetas das personalidade de certas personagens sobressaíram da melhor e da pior forma; nomeadamente o Sazed, o Breeze e o Lestibournes. Por outro lado as mortes dentro do grupo não me surpreenderam muito, assim como o  que aconteceu ao Elend no Poço da Ascenção.

Em termos de escrita, na primeira parte do livro algumas sequências de acção eram um pouco brandas demais mas no final o leitor viu todo o potencial da escrita do autor. No resto do texto a prosa é fabulosa e envolve facilmente o leitor.

Em suma, este foi um segundo livro cheio de intriga, com um final inesperado e muito bom desenvolvimento. Mal pude esperar para ler o terceiro livro.

Esta opinião reflecte sobre a versão audio narrada por Michael Krammer.

Sinopse:
Num mundo onde as cinzas caem do céu e as brumas dominam a noite, o povo dos Skaa vive escravizado e na absoluta miséria. Durante mais de mil anos, o Senhor Soberano governou com um poder divino inquestionável e pela força do terror. Mas quando a esperança parecia perdida, um sobrevivente de nome Kelsier escapa do mais terrível cativeiro graças à estranha magia dos metais - a Alomancia - que o transforma num "nascido nas brumas", alguém capaz de invocar o poder de todos os metais. Kelsier foi outrora um famoso ladrão e um líder carismático no submundo. A experiência agonizante que atravessou tornou-o obcecado em derrubar o Senhor Soberano com um plano audacioso. Após reunir um grupo de elite, é então que descobre Vin, uma órfã skaa com talento para a magia dos metais e que vive nas ruas. Perante os incríveis poderes latentes de Vin, Kelsier começa a acreditar que talvez consiga cumprir os seus sonhos de transformar para sempre o Império Final…

Outras Capas: 

All You Need is Kill - divulgação

Enquanto o romance de Hiroshi Sakurazaka, que serviu de base para o filme "Edge of Tomorrow", não vê tradução no nosso belo Portugal, a Devir acaba de publicar a adptação manga que foi desenhada pelo mesmo artista de "Death Note" (Takeshi Obata).

Eu já li o romance há uns tempos, vi o filme há uns meses e estou ansiosa por ler o manga. Os dois que vi/li até agora foram muito bons, embora bastante diferentes, por isso espero ser igualmente surpreendida pela adaptação a banda desenhada.



Podem ver o trailer abaixo:

All You Need Is Kill volume 1
All You Need Is Kill volume 1 - TrailerOs Mimics, uma raça alienígena, lançam uma guerra de extermínio contra a Terra e Keiji Kiriya é apenas um entre inúmeros recrutas inexperientes atirado para o meio da carnificina, onde é abordado pela famosa «Pantera Blindada».Será ela a chave para a salvação?Será que existe uma esperança para a Humanidade?
Posted by Devir Manga Portugal on Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Universos Literários

"Universos Literários", antologia com contos de Ana Ferreira, Carina Portugal, Carlos Silva, Liliana Novais, Pedro Cipriano, Pedro Pereira, Sara Farinha (Fantasy & Co)

Esta antologia, pareceu-me, foi criada com o intuito de mostrar as leitores os universos literários que estes escritores haviam criado para outras obras, mais propriamente romances e sagas em que muitos deles trabalharam e/ou continuam a trabalhar. E, só por isso, Universos Literários chamou-me rapidamente a atenção.
Infelizmente, e talvez por alguns dos escrites estarem  tão envolvidos nos mundos que criaram, nem todos os contos funcionaram como tal. Uns pareciam capítulos retirados de uma narrativa maior, e outros pareciam (pior ainda) partes de capítulos, que não funcionavam, de forma alguma, como histórias independentementes.
Ora um conto tem de ser autoo-suficiente, assim como um romance o tem de ser, mesmo que tenha uma sequela. E isso nem sempre aconteceu nesta antologia. Pese embora os que conseguiram tal feito me tenham suscitado bastante interesse.
Dito isto os contos que se destacam são: "A destilação do Absurdo, de Carlos Silva; e "O Canto da Ninfa", de Carina Portugal.

Abaixo ficam as opiniões conto a conto:

"Imtharien - O Canto da Ninfa", de Carina Portugal
Esta primeira história é doce e chega mesmo a surpreender. Gostei muito das personagens, do romance e das descrições.

"Inbicta - Pintar os Franceses de carmim", de Ana Ferreira (Adeselna Davies
A Adosinda é, sem dúvida, uma personagem caricata e super-interessante. Toda a situação representada no conto é engraçada mas infelizmente tudo aconteceu tão depressa, tão fora de cena que me senti um pouco alienada do conto.
Noutra nota, a tradução das frases em inglês e francês são, para mim, uma falha bem notada (embora eu perceba, não quer dizer que todos saibam falar minimamente as línguas).

"Apocalipse - A Queda de Berlim", de Pedro Pereira
Este foi um dos contos que se leu como um capítulo retirado de uma narrativa maior (o que não quer dizer que o seja, literalmente). A história está bastante boa e a sequência de acção também, mas o desfecho é péssimo porque não existe qualquer tipo de resolução. O leitor fica na corda bamba.

"Percepção - Túmulo 62", de Sara Farinha
Uma aventura passada no Egipto, com o ritmo narrativo certo e que está bastante bem escrita. Funciona como um conto embora fiquem muitas perguntas no ar. O único ponto fraco é o facto de não me ter conseguido ligar com a personagem.

"Urbania - A Destilação do Absurdo", de Carlos Silva
Definitivamente o meu conto favorito da antologia. Muito bem escrito, com excelentes descrições e uma história muito intrigante que me deu vontade de pegar no "Urbania" para ler o quanto antes.

"Ahelanae - O primeiro Voo", de Liliana Novais
Este conto não funciona porque  não tem fim, nem meio (quase se pode dizer). Parece um excerto de um capítulo sem lógica, e no qual as persoangens não cativam, nem a prosa.

"Era Dourada - A Alvorada", de Pedro Cipriano
Um conto com uma boa prosa e uma linha narrativa muito interessante, mas que peca por não explicar nada do que se está a passar ao leitor. Não sabemos porque os personagens estão ali ou porque o conto teve o final que teve. Ficam demasaidas perguntas no ar.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O Império Final

"O Império Final (Mistborn 1)", de Brandon Sanderson (Saída de Emergência) 

Opinião (audiolivro):
A trilogia de Brandon Sanderson é já bastante conhecida, especialmente juntos dos fãs de fantasia, mas não só.
O que quase todos dizem, e eu confirmo, é que na série Mistborn o autor criou um mundo rico, complexo e imensamente interessante.

Neste mundo, governado com braço de ferro por um imperador imortal, existem duas castas principais: os Skaa, escravos; e os Nobres, pessoas priveligiadas que respondem apenas ao Imperador e seus ministérios (maioritariamente o Steel Ministry).

O sistema de magia existe um pouco por todo o lado mas onde se nota mais é nos Mistings e nos Mistborn, através de um sistema de absorção (interna) de um ou mais metais que concedem poderes extraordinários a quem os consiga manipular. Os Mistings apenas conseguem usar um metal, enquanto que os Mistborn podem usar todos, individual ou conjuntamente.
Kelsier é o protagonista em O Império Final e é-nos apresentado como uma pessoa segura dos seus objectivos, motivada e vingativa. Será essa vingança que irá gerir todas as suas acções neste livro.
Cedo somos também apresentados aos restantes personagens que serão muito importantes ao longo de toda a trama, com mais ou menos relevância: Vin, uma Skaa de rua; Sazed, um Terrisman muito sábio (e a minha personagem favorita neste livro); Breeze, um Misting carismático; Dockson, o melhor amigo de Kelsier; Ham, os músculos da equipa; Clubs, um ferreiro silencioso e o seu sobrinho Lestibournes (ou Spook). E claro não posso esquecer o Elend, um nobre estudioso, e o Marsh, irmão do Kelsier, e o Lord Renoux, uma das personagens mais misteriosas do livro.

A história é muito rica, cheia de momentos significativos, com diálogos fluídos e uma exploração fabulosa das personagens, sem julgamentos, sem perfeições, o que faz com que o leitor, invariavelmente, acabe por torcer por várias delas
O jogo político-estratega de todo o livro é igualmente brilhante e a complexidade da sociedade é muito bem usada pelo autor, de uma forma que não a torna confusa, apesar de sempre imprevisível.
O final apanhou-me um pouco de surpresa, não por ser inesperado mas porque, sinceramente, não esperava que chegassemos tão longe logo no primeiro livro.

Para mim, o único senão deste livro (e dos restantes também) foram as descrições um pouco cansativas de algumas das cenas em que os metais eram usados nas batalhas. No início foi fascinante mas depois de algum tempo começaram a tornar-se um pouco repetitivas.

Em suma, O Império Final é um livro que merece ser lido, tanto por amantes de fantasia como porque aqueles que apenas têm curiosidade em conhecer o género. E não tenham medo do calhamaço. Vão ver que voam pelas páginas sem se darem conta. Recomendo!


P.S.: Dei uma olhadela à edição portuguesa e adorei as capas, mas reparei logo que traduziram alguns dos nomes (como Breeze para Brisa) e achei isso totalmente desnecessário e até ridículo. Não há nenhuma razão ara traduzir qualquer dos nomes da trilogia. Enfim...

Esta opinião reflecte sobre a versão audio narrada por Michael Krammer.

Sinopse:
Num mundo onde as cinzas caem do céu e as brumas dominam a noite, o povo dos Skaa vive escravizado e na absoluta miséria. Durante mais de mil anos, o Senhor Soberano governou com um poder divino inquestionável e pela força do terror. Mas quando a esperança parecia perdida, um sobrevivente de nome Kelsier escapa do mais terrível cativeiro graças à estranha magia dos metais - a Alomancia - que o transforma num "nascido nas brumas", alguém capaz de invocar o poder de todos os metais. Kelsier foi outrora um famoso ladrão e um líder carismático no submundo. A experiência agonizante que atravessou tornou-o obcecado em derrubar o Senhor Soberano com um plano audacioso. Após reunir um grupo de elite, é então que descobre Vin, uma órfã skaa com talento para a magia dos metais e que vive nas ruas. Perante os incríveis poderes latentes de Vin, Kelsier começa a acreditar que talvez consiga cumprir os seus sonhos de transformar para sempre o Império Final…

Outras Capas:

 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Google Hangout com Jim Butcher - divulgação

Em preparação para o próximo EuroSteamCon, a Corte do Norte vai organizar, amanhã, uma Google Hangout com o escritor Jim Butcher (de quem já li vários livros da série "The Dresden Files"), a propósito do seu próximo livro steampunk. Não percam!


 Em 2015 a EuroSteamCon, em Portugal, vai ocorrer entre 3 e 4 de Outubro, no Porto. E até lá a organização promete muitas surpresas, por isso aconselho-vos a seguí-los no Facebook da Corte do Norte e no Site.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

A Cada Dia (Every day)

"A Cada dia (Every Day 1)", de David Levithan (Topseller)

A premissa deste livro foi o que mais atenção me chamou. Uma pessoa (não identificável como homem ou mulher) que acorda num corpo diferente todos os dias. Não é intrigante?

A, como gosto de ser chamado o protagonista, é uma personagem que aprendeu a viver com a sua condição desde bebé, possivelmente desde o seu primeiro dia de vida, e por isso mesmo não se vê nem como rapaz nem como rapariga, o género é-lhe indiferente, o que acaba por ser a sua melhor qualidade.

Mas apesar da premissa e apesar do A, eu estive mesmo, mesmo, mesmo para desistir do livro, logo no início. E porquê? Porque o livro começa com a mudança, sem nos mostrar a normalidade primeiro.
Deixem-me explicar: o A supostamente viveu os seus 16 aninhos a saltar de corpo em corpo todos os dias, sem se ligar verdadeiramenet a ninguém mas desfrutando do que tinha no presente e seguindo uma série de regras feitas por si, que incluem o tentar minimizar o seu impacto na vida da pessoa cujo corpo está a habitar, ou seja, evitar conflitos e acções fora do normal para a dita pessoa.
Ora, tudo isto nos é contado de forma relâmapago, mas nunca chegamos a ver isto em acção. Nunca vemos um A que segue as regras, pois logo no início ele começa a quebrá-las todas assim que conhece a  Rhiannon.
Isto criou um fosso entre mim, enquanto leitora, e a suposta premissa de mudança. Como posso aceitar a mudança se não a li? Enfim, o insta-romance também não ajudou nada, até porque no livro todo achei a  Rhiannon uma personagem insípida.

O enredo em si é aquele que fala na sinopse e pouco mais. Embora ali no meio o A cometa um erro que só praticamente no final vai ter reais repercursões, que parecem cair um pouco do nada, sinceramente (aparece o 'inimigo' e ao mesmo tempo a 'esperança' para poder haver sequela). Mas realmente essa nem é a parte mais interessante do livro. O melhor é ver o A a tentar agarrar-se a todo o tempo que pode roubar da  Rhiannon, com isso esquecendo as suas regras todas (que, como já disse, nós nunca chegamos a ver em acção). Mas mais interessante ainda são as vidas das pessoas cujos corpos o A habita à vez. E rapidamente é notório que o autor usou este livro também como uma forma de mostrar a sua posição em relação à homossexualidade, ou melhor, à comunidade LGBT. E é interessante ver como se foca no amor que estes encontram e a felicidade que eles sentem. Não esperem ler sobre a felicidade de um casal hetero aqui. Acho que não me lembro de nenhum (ou talvez um apenas).
Ei, se outros autores podem escrever um livro só com casais homossexuais, porque não pode o David Levithan fazer o oposto?


As personagens secundárias na verdade foram as mais ricas, depois do A. A Rhiannon, que deveria ser o outro pilar da história, fica bem atrás do Nathan em termos de interesse. Parece uma folha branca em termos de personalidade. Não gostei, sinceramente, ela ia com o vento e só mostrou um pouco de iniciativa bem no fim, e mesmo assim não o suficiente porque aceitou logo o 'arranjinho' que o A fez para ela não ficar só.
Oh, e o tema da solidão amorosa é tão exaustivo aqui! Eu bem sei que os jovens pensam assim, mas
tudo se resumia a quem ficava com quem, quem ia para a cama com quem, quem amava quem. E supostamente só têm 16 anos!

Mas não quero falar mais nisso que me enerva. Por isso falo agora da escrita do autor que me deixou um pouco decepcionada. Não é má mas também não é boa. É feita para um público jovem, e isso vê-se. Não é particularmente eloquente ou evocativa. Mas houve algo que me irritou na escrita, e foi o facto de apesar de o texto estar totalmente na voz de A e de este apenas ter acesso às mesmórias das pesssoas que visitava (seu corpo), ele falar como estivesse na cabeça das pessoas à sua frente. Especialmente dos/as namorados/as. A sério! Houve ali um episódio entre duas raparigas em que ele falava como se fosse a outra. Muito mau! Eu não gosto desses saltos de proximidade que não fazem sentido na narrativa escolhida.

Em suma, A Cada Dia foi um livro que me decepcionou, de certa forma, por não aproveitar bem as suas personagens, embora tenha usado bem a premissa. Por outro lado o final foi suficientemente conclusivo para não me deixar insatisfeita. No entanto, por todas as razões aqui apresentadas não tenho intenção de ler os livros seguintes.

Sinopse:
A cada dia, A acorda no corpo de uma pessoa diferente. Nunca sabe quem será nem onde estará. A já se conformou com a sua sorte e criou regras para a sua vida:
Nunca se apegar muito. Evitar ser notado. Não interferir.
Tudo corre bem até que A acorda no corpo de Justin e conhece Rhiannon, a namorada de Justin. A partir desse momento, as regras de vida de A não mais se aplicam. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer estar a cada dia, todos os dias.

Booktrailer:

Agenda Cultural Maio 2015 - Bertrand Braga - divulgação


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