sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Tor.com: Selected Original Fiction 2008-2012

"Tor.com: Selected Original Fiction 2008-2012", antologia com contos de Ken Macleod, Sylvia Day, John Scalzi, Charles Stross, Brandon Sanderson, Brit Mandelo, Meghan McCarron, e Rachel Swirsky (ainda não publicado em Portugal)

Opinião:
Já li vários contos disponíveis no site Tor.com, que nos dá a conhecer o trabalho de ficção curta de muitos bons autores da actualidade, bem como o lindíssimo trabalho dos muitos ilustradores que colaboram destas histórias.
Reunidos numa edição audiolivro estão alguns desses contos, de autores bem conhecidos meus, e de outros com quem tive agora o primeiro contacto.
No geral gostei de todos e aconselho-os a lerem estes e a explorarem também as centenas de outros contos que em Tor.com.
Abaixo segue a minha opinião de cada um dos contos nesta antologia:


“Earth Hour” by Ken Macleod
Esta história toca em temas actuais e pertinentes: o clima, o desenvolvimento científico, a dependência digital e a corrupção, entre outros. Temas sobre os quais me interesso bastante e que foram uma das razões porque gostei do conto. No entanto a escrita em si não em agarrou, nem a escolha da sequência de acções. 
Nota: 6,5/10

“Eve of Sin City” by Sylvia Day
Eu queria tanto gostar disto, sendo que a série (Marked) já me tinha chamado a atenção. no entanto, e apesar de a escrita ser cativante e carismática, senti que estava a ler mais do mesmo. A premissa, do Caim e do Abel e dos Marcados, está interessante mas depois caímos no romance habitual com o "bad boy" e ... já não tenho muita paciência para isso. Este conto, por si só, tem alguns pontos de interesse.Ficamos a conhecer relativamente bem as personagens e as suas personalidades, mas a acção em si é mediana.
Nota: 5,5/10

“The President’s Brain is Missing” by John Scalzi
Este conto foi tão divertido! A premissa, por si só, é hilariante, mas a execução ainda mais o é porque as personagens se levam bastante a sério mas as circunstâncias são de rir. O único senão deste conto é mesmo o abuso de "he said/she said" logo após cada trecho de diálogo. Acho que, muitas vezes, era desnecessário. Fora isso, está excelente.
Nota: 8/10

“Overtime” by Charles Stross
Mais um conto que se leva muito a sério mas cujas situações são divertidas demais para isso. Temos um funcionário (público?) que se esqueceu de pedir as férias para a época de Natal e acaba a ter de trabalhar sozinho. O lado burocrático do paranormal, aqui no seu melhor. Adorei o "mundo alternativo" em que se passa esta história e fiquei muito curiosa por ler mais aventuras de "The Laundry Files". O único senão é que o sistema paranormal, ou mágico, não é muito explicado, mas também não o é de tal forma que ficamos sem perceber nada.
Nota: 7/10

“Firstborn” by Brandon Sanderson
Este é o tipo de história que dava um livro. Não que não esteja contado de forma interessante, mesmo no formato conto, mas nota-se que havia muito mais para contar, muito mais para explorar das personagens. Brandon Sanderson consegue manter o leitor interessado mas eu não consegui apreciar realmente esta narrativa porque estava sempre a notar o que faltava. o que move o vilão? Quais os reais laços entre o protagonista e o seu comandante?
Não costumo dizer isto muitas vezes mas esta história não funciona como conto.
Nota: 5,5/10

“Down on the Farm” by Charles Stross
Esta personagem, a mesma de "Overtime" é super-divertida. Gosto do tom destas histórias e tenho muita vontade de ler os livros da série.
Aqui somos apresentados a uma instituição psiquiátrica onde estão internados apenas pessoas que trabalham com o paranormal e cujos conhecimentos poriam em perigo a "segurança nacional" se fossem deixados numa instituição comum.
As personagens são todas super-interessantes e o início da narrativa é muito interessante e as curvas e contra-curvas também. Embora não seja grande fã da conclusão, o divertimento é garantido.
Nota: 6,5/10

“After the Coup” by John Scalzi
A sério, este autor tem uma ideias para contos que são o máximo! Adorei! Um técnico informático que é obrigado a confrontar-se com um alienígena, porque este combate em arena é vantajoso politicamente. É tão engraçado como cheio de acção. Muito bom equilíbrio de personagens espectaculares, história cativante, acção e comédia.
Nota: 8,5/10

“The Finite Canvas” by Brit Mandelo
Focado em duas personagens, este é um conto profundo, que questiona valores, de acordo com as circunstâncias. Uma médica na terra, abordada por uma assassina mafiosa que vem dos espaço (da parte rica da sociedade) mas que esconde mais segredos do que apresenta à primeira vista.
Gostei muito deste contos, pelas personagens e pelas questões morais, embora a narrativa me parecesse lenta, me certos momentos
Nota: 7/10

“Swift, Brutal Retaliation” by Meghan McCarron
Uma história sobre uma família que acabou de perdeu um membro, e como cada um deles lida com isso. Juntem a isto um fantasma raivoso e rancoroso e é este conto que resulta. Adorei as irmãs! Levavam as brincadeiras sempre longe demais mas nada que não seja ate compreensível aos olhos de como a mãe e o pai gerem a família (ou não gerem).
Nota: 7,5/10

“Portrait of Lisane da Patagnia” by Rachel Swirsky
Conceito muito interessante, o de se conseguir passar a essência de algo directamente para a tinta e para uma tela. Muito "Dorian Gray".
Esat não é a história de Lisana, embora ela seja o grande foco e a grande obsessão da vida da nossa protagonista. Esta é uma história rica, com personagens interessantes e um sistema de magia muito curioso. Gostei!
Nota: 7,5/10

domingo, 19 de agosto de 2018

The Best American Short Stories of the Century (parcial)

"The Best American Short Stories of the Century", de Sherwood Anderson, Ann Porter, F. Scott Fitzgerald, James Alan McPherson, Jean Stafford, Bernard Malamud, Cynthia Ozick, Rosellen Brown,  Thom Jones, Gish Jen, Grace Stone Coates, Dorothy Parker, Robert Penn Warren, Eudora Welty, E.B. White, John Updike, Donald Barthelme, Tom O'Brien, Raymond Carver, Lorrie Moore, Carolyn Ferrell, Pam Houston


Opinião:
Antes de mais, acho que devo dizer que esta opinião não abrange todos os contos da antologia original. Li a versão audiolivro que, só mais tarde percebi, não continha todos os contos. Tem cerca de metade. No entanto penso que será igualmente interessante dar a minha opinião sobre os contos que li.


Alguns dos contos que li são verdadeiramente interessantes e percebo porque terão sido considerados de entre "os melhores". No entanto, e isto é tudo uma opinião pessoal, poucos me marcaram de tal forma que possa dizer que ficaram sendo dos meus contos favoritos de todos os tempos. Além disso parece-me impossível não notar que, de todos os contos que li, nenhum era de ficção especulativa (ou pelo menos não o era de forma clara). Por isso seria mais correcto chamar esta uma antologia de ficção geral/normal e não simplesmente uma antologia dos melhores contos americanos, sendo que vários géneros foram deixados de fora (incluindo a não ficção). Será que os contos que não li da antologia abrangem outros géneros que não a ficção geral/história? Se algum de vocês souber digam nos comentários.


Mas deixando de lado estas questões a verdade é que gostei de alguns dos contos e recomendo esses. Não recomendo no entanto a versão áudio deste livro (Isto é raro acontecer!). A versão audiolivro conta com narradores muito variados, alguns dos quais talentoso mas a maioria dos quais parecem amadores sem grande interesse pelo trabalho que estão a fazer ou pelas histórias que estão a narrar. Foi-me, por vezes, realmente difícil abstrair do narrador e forcar na história. E isso é o pior que um narrador de audiolivros pode fazer.


Os meus contos favoritos foram: "The German Refugee", Bernard Malamud; "The Shawl", Cynthia Ozick; "How To Win", Rosellen Brown; "Proper Library", Carolyn Ferrell


Ficam abaixo as minhas opiniões conto a conto, com uma classificação que vai de 0 a 10 pontos.


"The Other Woman", Sherwood Anderson
Uma ideia simples, sobre um homem que parece ter tudo para ser feliz, mas que mina a sua própria felicidade por razões que nem ele entende. Gostei da auto-negação presente em todo o texto mas a história em si não teve nada de original. 
Nota: 5,5

"Theft", Catherine Ann Porter
A narradora audio deste conto não o favoreceu nada.
Gostei do texto, de todo o visual narrativos e dos diálogos. Aquele final foi tão surreal quanto natural, no contexto do resto da história.
Nota: 6

"Crazy Sunday", F. Scott Fitzgerald
A prosa é lindíssima, bem como o ambiente glamouroso em que as personagens se inserem. no entanto as personagens não me cativaram. Em uma ou outra situação gostei mas no geral achei-as plácidas demais.
Nota: 5

"Gold Coast", James Alan McPherson
No início tive mesmo muita dificuldade em entender o que o narrado estava a dizer. Tem um ... bem ... não sei se é sotaque ou se é mesmo a sua forma de falar, mas parecia que comia sílabas e era muito difícil seguir o que estava a dizer. Depois de me habituar foi fácil mas ... foi um início confuso.
Tirando isso, acho que temos aqui o caso de uma personagem que floresce e prospera no formato conto. Uma história banal que nos narra uma parte da vida de um homem que começa a trabalhar com todo o entusiasmo do mundo e que depois, aos poucos, se vai deixando afectar pelo negativismo dos outros e quando termina pouco resta do seu eu inicial. Temos também aqui umas críticas sociais muito interessantes e dolorosas.
Nota: 6,5

"The Interior Castle", Jean Stafford
Auch! Só de pensar em algumas das descrições desta narrativa já fico com dores no nariz. Este conta-nos a história de uma mulher, que ninguém sabe muito bem quem é, e que sofreu um terrível acidente automobilístico que a desfigurou. Ela não recebe visitas e mostra-se apática durante toda a sua estadia no hospital. E se isso a princípio levava a que muitos tivessem pena dela, cedo isso se alterou. A relação dela com o médico que lhe vai operar o nariz é linda de se ler. Não é que fiquemos a saber muito sobre ela, a acidentada, mas é impossível largar o conto. Gostei!
Nota: 7

"The German Refugee", Bernard Malamud
Um conto envolvente, que nos leva a conhecer um jovem que sobrevive dando explicações linguísticas a recém-chegados aos Estados Unidos da América, e a sua vivência com um refugiado alemão, durante a segunda guerra mundial. O conto não se foca na guerra, mas sim na deterioração do personagem do refugiado, sozinho, longe de tudo o que conhece, e consumido por uma culpa que não é perceptível até quase o final. Adorei a escrita e as personagens.
Nota: 8

"The Shawl", Cynthia Ozick
Uma história que me deixou angustiada, tanto porque, ao longo de todo o texto, realmente não sabemos ao certo onde as personagens estão nem o que realmente se está a passar (podemos pressupor, mas há tantas opções), como pela escrita que sufoca. É muito directa, curta, simples, acutilante. Gostei muito!
Nota: 8

"How To Win", Rosellen Brown
Um dos melhores contos da antologia. Com umas reflexões muito interessantes sobre a parentalidade e o matrimónio, o que realmente faz com este conto se destaque é o facto de, no início parecer que nos vai levar numa direcção (a mãe que não suporta mais o temperamento louco do filho) e no fim ... BAM ... levamos um estalo na cara, tal e qual como ela. Adorei!
Nota: 8,5

"I Want To Live", Thom Jones
As descrições dos processos da doença tocaram-me profundamente, bem como a solidão que a personagem sentia, embora estivesse sempre rodeada de amigos. Há aqui momentos muito intensos e com os quais qualquer pessoa se poderá relacionar, mas também achei que, por vezes, se estendia demasiado numa direcção menos interessante e o final desiludiu-me. Ainda assim, acho que toca o tema do cancro, do seu tratamento e da sua angústia, de uma forma crua e que vale a pena ler.
Nota: 6,5

"Birthmates", Gish Jen
Uma lindíssima história sobre um homem cujo casamento terminou após vários abortos. Um homem que trabalha numa indústria em extinção e que, parece também ele, pronto a extinguir-se. A sequência de acção desta história e a forma como ele vai-se recordando da vida com a esposa, dos momentos da gravidez, e de tudo o que poderia ter feito de diferente, é impossível não sentir uma ligação com ele. Gostei muito!
Nota: 7,5

"Wild Plums", Grace Stone Coates
Nem sei bem o que diga deste conto. Tão depressa começa como acaba e, no fim, fiquei sem perceber se ele tem algo a dizer. É suposto ser uma metáfora a alguma coisa? É que se sim não foi nada perceptível.
Nota: 4

"Here We Are", Dorothy Parker
Neste conto seguimos as primeiras horas (ou minutos) da vida de casados de um homem e uma mulher que não se entendem nem por nada. Ela, a típica mulher que nunca sabe se quer uma coisa ou outra (estereótipo ao extremo), ele o típico homem que concorda com ela só para a calar. Gostei da dinâmica dos diálogos mas não da história nem dos estereótipos. 
Nota: 4

"Christmas Gift", Robert Penn Warren
Há tanto por dizer nesta história! Adorei a escrita, as personagens, e os mistérios que rodeiam a vida do rapaz que foi à vila, a meio da noite, em busca do médico para assistir ao parto da sua "prima". Muito é dito. Muito fica por dizer. E o final é tão aberto mas o mesmo tempo tão acertado para a história, que não sei se fiquei satisfeita ou não.
Nota: 7,5

"The Hitch-Hikers" Eudora Welty
Eu gostei deste conto sobre o encontro entre um condutor que já conhece meio mundo, por viajar tanto, e dois "hitch-hikers" a quem ele dá boleia e sobre quem ele pouco ou nada sabe, o que torna a tragédia que acontece ainda mais intensa.
Nota: 7

"The Second Tree From The Corner", E.B. White
Esta história segue a sequência de pensamentos de um paciente numa (e várias) consultas de psiquiatria. Este conto consegue ter uma prosa interessante, mas a história em si não me agarrou.
Nota: 5


"Gesturing", John Updike
Este conto cativou-me de uma forma estranha. Fala-nos de um homem que se separa da esposa, com quem mantinha um relacionamento liberal que lhe permitia ter amantes e que dava à sua esposa a possibilidade de fazer o mesmo. A forma como os dois encaram esta relação, de forma plácida, quase automática, é o mais estranho de tudo, e por isso mesmo cativante. A obsessão dele com um edifício feito totalmente de espelhos, e a apatia com que segue com a vida, é também fascinante.
Nota: 7,5

"A City Of Churches", Donald Barthelme
Uma história estranha que parece meia ficção científica meia alucinação. É bastante curta mas nem fi pela sua dimensão que não me interessei pelo conto, mas antes porque além do cenário, não havia muito de interessante no texto ou na história.
Nota: 4

"The Things They Carried", Tom O'Brien
Um texto bem diferente, que nos narra histórias de guerra acompanhadas de intensas listas de itens que os soldados carregam consigo e que, em última instância, nos dizem muito sobres esses soldados. Foi uma leitura muito interessante mas, mais uma vez, o final deixou bastante a desejar.
Nota: 6

"Where I'm Calling From", Raymond Carver
Cheio de personagens super-interessantes cujas histórias de vida o protagonista absorve e quase que torna suas. A vida dele confunde-se, ao longo da narrativa, com a dos outros homens internados para tratamento de alcoolismo, muitos deles reincidentes que arruinaram as vidas familiares à custa da bebida, e não só. Gostei muito deste texto, excepto pelo final.
Nota: 7

"You're Ugly Too", Lorrie Moore
Uma história muito estranha, que parece mundana e que segue a linha de pensamento de uma protagonista muito pessimista e que parece não ver nada de bom no mundo, mas que na verdade parece nem ter grandes razões para ser assim. Só parece, a principio, porque depois vamos conhecendo um pouco melhor. No entanto não gostei do tom da história nem dos diálogos que ele teve com outras personagens. Pareceu tudo bizarro demais.
Nota: 5

"Proper Library", Carolyn Ferrell
Esta é uma das melhores histórias deste livros. Começa de uma forma muito estranha e, sinceramente, deixou-me bastante confusa quanto ao género da personagem principal bem até meio do conto (o facto de o narrador audio ser do sexo oposto também não ajudou muito a dissipar as dúvidas). É uma história crua, directa, sem mais palavras, que fala da vida de uma personagem que parece deixar-se levar pela corrente dos acontecimentos, a quem nada parece afectar de verdade, mas que no fundo se deixa afectar por tudo. Em poucas palavras aborda temas como o bullying, o racismo e preconceito e a homossexualidade.
Nota: 8

"The Best Girlfriend You Never", Pam Houston
Este conto foca-se em duas personagens que têm tido, ao longo da vida, experiências de romance e "amor" bastante doentias. A intensidade das memórias da personagem principal é fantástica, especialmente pela calma com ela as transmite, apesar de serem situações muito abusivas, por vezes. Gostei bastante deste conto.
Nota: 7,5

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Book TAG: 50% - 2018

Encontrei na web uma TAG que me pareceu perfeita para fazer agora, visto que não tenho dado muitas opiniões aqui no blog. Chama-se TAG 50%, e é suposto a meio do ano falarmos dos melhores livros que lemos até então. Não consegui descobrir quem foi o/a inventor/A original desta TAG. Se souberem por favor deixem num comentário para eu poder dar os devidos créditos.

TAG 50%



1. O melhor livro que li até agora


2. A melhor continuação que li até agora


3. Um livro, lançado no primeiro semestre, que ainda não li mas que quero muito ler

https://imaginauta.net/2017/12/15/crazy-equoides/25319959_2312795192280124_915649259_o-copia/#main


4. Lançamento que aguardado com mais entusiasmo no segundo semestre


5. O livro que mais me decepcionou em 2017 (até agora)


6. O livro que mais me surpreendeu (até agora)


7. Novo autor favorito
marjoriemliu.com
(Marjorie M. Liu)


8. Paixoneta mais recente, por um personagem fictício
(nada de paixonetas, mas Ahmann Jardir, de "A Lança do Deserto", foi uma das personagens que mais me cativou, pela sua complexidade emocional)

9. Minha personagem favorita mais recente
(Garou, do manga "One Punch Man" foi a personagem mais interessante que li até agora neste ano)

10. Um livro que me deixou feliz
(Ojisama to Neko)


11. Livro que me fez chorar
(nenhum)


12. Melhor adaptação cinematográfica que vi no primeiro semestre
Baseado no romance de Diane Ackerman.


13. Minha opinião favorita do primeiro semestre
"Quem Teme a Morte", de Nnedi Okarofor.


14. O livro mais bonito que comprei/recebi de presente


15. Livro que preciso ler até o final do ano

domingo, 22 de julho de 2018

A Vida aos Quadradinhos - Janeiro a Julho 2018

Já lá vai um tempinho bem grande desde que publiquei aqui a última opinião de BD, por isso achei que seria mais interessante fazer um apanhado de tudo o que li desde o início do ano, com pequenas opiniões de todos. Alguns têm opinião separadas, para as quais deixarei os links.
Entretanto deixo também o convite para que deixem nos comentários as vossas melhores leituras de BD / Romances Gráficos / Manga dos últimos meses. Sugestões de bons títulos são sempre bem-vindas.

"Fogos e Murmúrio", de Lorenzo Mattotti
As cores e a dinâmica das pinturas/ilustrações é fabulosa! No entanto senti que nem sempre o texto estava bem alinhado com o trabalho gráfico. Ainda assim acho que merece ser apreciado devagarinho.
5,5/10

"Che (A vida de…)", de Héctor Gérman Oesterheld
 Como o título indica, esta pequena BD conta-nos uma parte da história de Che, com uma arte a preto-e-branco que é muito bem usada e perfeita para o efeito. No entanto senti que estava a ler uma brochura propagandista e isso tirou-lhe algum mérito.
5/10

"Tokage (volumes 2 e 3)", de Yak Haibara
Já há muitos anos que tinha lido o primeiro volume deste manga e achei que era mais que tempo de terminá-lo, visto ser tão curto. O desenho de personagens deste manga é muito bonito, bem como toda a arte. A história tem o seu quê de mistério e profundidade, mas é facilmente esquecível.
6/10

"A Leoa - Um Retrato Gráfico de Karen Blixen", de Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg
Baseado na vida de Karen Blixen, mulher cuja vida e obra eu desconhecia por completo, este romance gráfico é daqueles que perdemos muito tempo a ver, pelas belíssimas ilustrações, pela história e até pelo simbolismo de certas passagens. Gostei muito e fiquei super-curiosa por ler algo escrito por Karen Blixen.
Noutra nota, a edição da G-Floy está muito bem cuidada.
7,5/10

"A Trilogia Nikopol", de Enki Bilal
Deuses egípcios num cenário futurista? Aceito! Gostei muito do conceito e da forma como os deuses interagiam uns com os outro e com os humanos. A degradação humana na terra, levada a extremos por um regime machista e totalitário, é decadente e visualmente intenso e sufocante.
Das três partes desta história a minha favorita é a primeira mas acho que todas elas têm elementos interessantes e que valem a pena ser lidos. Com personagens muito bem desenvolvidas, profundas e cheias de falhas,
7/10

"Talco de Vidro", de Marcello Quintanilha
Uma história que poderia ser banal, sobre a vida de uma dentista que tem tudo para ser feliz mas que tem uma obsessão doentia por uma prima e que começa a invejar as poucas alegrias que esta tem na vida. Ao focar-se na prima e no que pode fazer para ser melhor que ela, acaba por estragar tudo na sua vida, destruindo o casamento, a relação com os filhos e criando hábitos que, por um tempo, parecem libertá-la, mas na verdade só a aprisionam ainda mais. Uma descida fantástica à mente de uma personagem cativante.
7/10

"Monstress: Despertar (volume 1)" de Marjorie M. Liu, Sana Takeda
Podem ler a minha opinião completa aqui.
8/10

"One Punch Man (volumes 1 a 16)", de One e Yusuke Murata
Podem ler a opinião completa aqui.
7,5/10

"Saga (volumes 5 e 9)", de Brian K. Vaughan e Fiona Stapples
Já tinha saudades de ler esta BD. Muita coisa aconteceu nestes volumes. Finalmente a família voltou a reunir-se, temos novas adições ao grupo e velhos inimigos passam a amigos. Como sempre temos temas muito importantes nesta BD, entre os quais a transexualidade, o aborto espontâneo e o provocado, as casualidades da guerra, e muito mais. Adoro como estes e outros temas são falados e trabalhados na história, bem como o desenvolvimento que traz às personagens, no entanto sinto que está a chegar ao ponto da narrativa em que algo realmente grande tem de mudar. Estamos num impasse, com eles sempre a fugirem a e nunca conseguirem escapar. Se continuar assim vai rapidamente tornar-se aborrecido. Algo de novo tem de vir entretanto. E, talvez por isto, não me diverti tanto com estes volumes como com os anteriores.
7,5/10

"História do Sexo", de Philippe Bernot e Laetitia Coryn
Como o próprio nome indica, temos aqui um álbum de BD que nos ilustra a evolução da mentalidade sexual ao longo dos tempos, nas culturas que mais estudamos na escola (Antigos Egipto, Grécia, Roma, Idade Medieval, etc), bem como usa alguns episódios das várias religiões para representar a mentalidade sexual das épocas.
Eu adorei este álbum! É didático, divertido e o grafismo, embora simples, combina muito bem com o tom da narrativa. Recomendo!
9/10

"Sandman: Prelúdios e Nocturnos (volume 1)", de Neil Gaiman, Sam Keith, Mike Dringenberg e Malcolm Jones III
À terceira é de vez! Já por duas vezes tinha iniciado a leitura deste primeiro volume de Sandman. Na primeira não passei do primeiro capítulo, na segunda fui até ao segundo, e desta vez terminei.
Verdade seja dita, os capítulos finais foram, para mim, muito mais interessantes que os iniciais. Especialmente os capítulo no inferno, o do rubí e o "Sound of her Wings", com a Morte.
A arte tanto me encantou, em certas páginas, como me deixou confusa em outras. Não gostei da escolha de cores mas algumas sequências são lindíssimas.
Já a narrativa é extremamente original (menos não seria de esperar de Neil Gaiman) e imaginativa, mas também bastante confusa e muitas vezes há texto a mais, explicações em demasia.
Sou capaz de ler outro volume desta série, para cimentar melhor a minha opinião, mas parece-me que, tal como já aconteceu com outros trabalhos do autor que li, Neil Gaiman demonstra aqui uma imaginação prodigiosa mas uma execução à qual falta algo. E não vos saberia dizer ao certo o que esse algo é.
6/10

"Ojisama to Neko (Capítulso 1 a 13)", de Umi Sakurai
Esta é a BD mais fofa de sempre! (ou pelo menos deste ano) A sério, é super-fofinha! Com apenas três ou quatro páginas por "capítulo", vemos a pacata vida de um velho senhor que decide, após o falecimento da esposa, adoptar um gato (o gato mais feio da loja, segundo o mesmo), mas que ele adora. E é super-fofo! Eu já vos disse que é fofo?
8/10

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Clube de Leitura de Braga - Julho 2018

Este mês o clube de Leitura de Braga vai acontecer neste próximo sábado (7 de Julho), ao  invés de no primeiro sábado do mês, como é habitual.
Juntem-se a nós para uma tarde bem passada, a falar de literatura e BD. No final desta sessão vamos também ter um jantar de grupo, visto que o clube vai fazer uma pequena pausa durante Agosto. Voltamos depois em Setembro.






Os livros sugeridos para este mês são:
- "Carbono Alterado", de Richar K. Morgan;
- "Sandman: Prelúdios e Nocturnos", de Neil Gaiman, Sam Keith, Mike Dringenberg e Malcolm Jones III

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Quem Teme a Morte - divulgação





Ainda há pouco li este livro e soube agora que a Saída de Emergência o está a lançar em terras lusas. Boas notícias!


"Quem Teme a Morte", de Nnedi Okorafor é um livro intenso, duro mas fabuloso! Aconselho vivamente! (podem ler a minha opinião AQUI).




Já agora, adoro a capa da edição portuguesa!


Podem saber mais sobre o livro e comprá-lo directamente à editora AQUI.


Sinopse:
Uma África pós-apocalíptica. Uma profecia misteriosa. Uma criança destinada a salvar o seu povo.

Num futuro distante, um holocausto nuclear devasta o continente africano e dá-se um genocídio numa das suas regiões. Os agressores, os Nuru, de pele mais clara, decidiram seguir o Grande Livro e exterminar os Okoke, de pele mais escura. Mas, depois de ser violada, a única sobrevivente de uma aldeia Okoke consegue escapar e refugiar-se no deserto. Dá à luz uma rapariga com cabelo e pele cor de areia e a mãe percebe, nesse momento, que a sua filha é diferente. Dá-lhe o nome de Onyesonwu, que significa “Quem Teme a Morte?”.
 
Treinada por um misterioso xamã, Onyesonwu sabe que tem um destino mágico a cumprir: pôr fim ao genocídio do seu povo. A jornada para cumprir tal proeza irá pô-la em confronto com a natureza, a tradição, o amor verdadeiro, os mistérios da sua cultura… e, por fim, com a própria morte.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Monstress: Despertar

"Monstress 1: Despertar", de Majorie M. Liu e Sana Takeda (Saída de Emergência)

Opinião:
Já há muito tempo que queria ler "Monstress". A curiosidade era grande! Tanto porque os excertos que tinha visto me pareciam promissores, como pelo facto de só ter lido boas opiniões da série.
A BD não desiludiu!

Monstress é mais cruel do que esperava, com personagens com passados, presentes e futuros trágicos, cheios de dor, crueldade, traição e guerra.
Maika, a protagonista, não é alguém de quem seja fácil gostar-se mas também é impossível ignorá-la. O que a move é a vingança e a sede de conhecimento. Conhecimento do seu passado e daquilo que a tormenta dia após dia, noite após noite.
Na sua busca por repostas apenas encontra mais perguntas e vai fazendo inimigos por onde passa, mas também vai-se cruzando com pessoas que lhe querem bem (ou talvez não) e que a apoiam mesmo quando ela está sempre a tentar afastá-los.
Monstress está cheio de personagens poderosas, num mundo dominado por mulheres (que lufada de ar fresco!), temos poderosas humanas-feiticeiras que escravizam os "monstros" apesar de, supostamente, viverem um período de paz.

O mundo que nos é apresentado é cruel. Não há qualquer inocência em nenhuma das personagens e muito pouca bondade, tirando a Kippa (coitadita!).
É um ambiente de guerra, que na verdade nunca terminou e se prepara novamente para rebentar. Uma batalha que envolve deuses e demónios.

A arte é fabulosa! Cheia de detalhes e com umas cores não muito vivas mas que combinam na perfeição com o ambiente da história.
Por vezes os traços do desenho parecem desleixados, mas isso acaba por dar mais dinamismo às páginas. É um romance gráfico para se ler e ver atentamente.
Estou muito curiosa para saber o que se segue e recomendo a quem goste de ler fantasia, mesmo nunca tendo lido BD.


Sinopse:
Num mundo alternativo de beleza art déco inspirado na Ásia oriental, eis que nos chega uma história de coragem, vingança e compaixão…
Maika Meiolobo é uma adolescente que sobreviveu a uma guerra cataclísmica entre humanos e arcânicos, uma raça híbrida que descende dos Anciãos. Escravizada por bruxas inimigas que suspeitam dos seus poderes latentes, Maika começa a desvendar o seu misterioso passado e, durante o processo, descobre que tem uma ligação psíquica com uma poderosa criatura de outro mundo.
Perante a opressão e o terrível perigo, Maika torna-se caçadora e presa, perseguida por aqueles que desejam usá-la, colocando-a no centro de uma guerra devastadora entre forças humanas e sobrenaturais. Enquanto isso, o monstro no seu interior começa a despertar...

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