“The End has Come (Apocalypse Triptich 3)”, de vários (ainda não publicado em Portugal)
Estranhamente, neste volume final, quase todos os contos me pareceram muito curtos, especialmente os primeiros. Não que a maioria não tenha sido bom independente do seu tamanho, mas alguns precisavam de mais palavras, mais explicações, mais conclusões.
Os meus contos favoritos foram: “Carriers”, de Tananarive Due; Dancing with a stranger in the land of nod”, de Will McIntosh; “Prototype”, de Sarah Langan; “Wandering Star”. de Leife Shallcross; “Jingo and the Hammerman”, de Jonathan Maberry; e "The Happiest Place", de Mira Grant.
“Bannerless”, de Carrie Vaugh
Num cenário que parece bem mais apaziguador após o colapso da sociedade, encontramos comunidades que lutam por sobreviver com regras estritas. As pessoas tentam ajustar-se às novas regras do mundo mas mesmo quando as coisas parecem correr bem há sempre alguém que não está disposto a seguir as normas.
Neste caso temos uma gravidez não autorizada e os investigadores que são chamados a descobrir o que levou a isso.
Num tom mais calmo e sereno, acabamos por descobrir que o terror não tem de vir em proporções bíblicas para ser marcante, mesmo depois do apocalipse.
“Like all beautiful places”, de Megan Arkenberg
Tal como nos volumes anteriores, o conto deste/a autor/a não me cativou. Parece que não se passou nada de muito relevante desta vez. Foi só uma mostra do que restou mas não há tensão ou nada que me puxe, embora o conceito de o virtual substituir o real, porque o real é demasiado horrível para ser confrontado directamente, até ser interessante.
“Dancing with a stranger in the land of nod”, de Will McIntosh
Eu tenho mesmo de ler um livro deste/a autor/a. Eu gosto mesmo muito da escrita. Consegue criar personagens interessantes em um ou dois parágrafo e isso é obra. Cada um dos seus contos nas outras antologias se focou em pessoas diferentes e eu sempre me interessei por todas. A premissa por si só também é muito envolvente.
Adorei o laço que se criou entre os sobreviventes, mas especialmente adorei a escolha final da protagonista.
“The seventh day of deer camp”, de Scott Siegler
Eu gosto da ideia de que o apocalipse começou e terminou no espaço de pouco mais de 48 horas. É um conceito muito intrigante.
Aqui o autor pega nas exactas mesmas personagens e a trama começa mais ou menos onde terminara a anterior. O protagonista vai-nos mostrando as suas motivações há medida que narra os acontecimentos passados, e com isso ficamos a conhecê-lo melhor.
Mas mais uma vez o final é demasiado aberto e desta ve-z não foi suficiente para mim.
“Prototype”, de Sarah Langan
Esta história engana-nos de forma subtil logo desde o início. E eu adorei isso.
Neste mundo passaram-se alguns milhares de anos desde o apocalipse e o cenário não é menos aterrorizador do que no auge da mudança.
Gostei muito da escrita calma e das personagens (do cão também) e de toda a construção da sociedade sobrevivente. Um bom conceito, bem executado.
“Acts of Creation”, de Chris Avellone
Esta história fala de sesitivos, seres que são mais do que humanos comuns, armas criads pelo homem e agora temidas. A forma como eles são tratados ao longo de toda a narrativa é cruel, mesmo tendo em conta as suas habilidades. O final não é de todo surpreendente mas o conto, num todo, é bom e o conceito é intrigante e até bastante plausível.
“Resistance”, de Seanan McGuire
Passou-se um tempo indeterminado desde as primeiras duas partes desta história e encontramos a protagonista sozinha num mundo de “veludo”. O fungo espalhou-se por toda a parte e ela perdeu tudo.
Este é, sem dúvida, o final certo para esta história. É muito aberto mas não é daqueles que nos deixa insatisfeito. No entanto a escrita em si não me cativou tanto desta vez. Achei um pouco repetitiva demais e menos arrepiante que nos contos anteriores.
“Wandering Star”. De Leife Shallcross
Gostei mesmo muito deste conto. A ideia de que, no futuro, um simples quilt seria minuciosamente analisado para tentar entender a vida de quem o fez, sendo um retrato da devastação que se abateu sobre a terra, é fascinante.
O facto de a narrativa estar entrecortada com pedacinhos/retalhos desse mesmo passado é o que realmente lhe dá riqueza. E não deixa de ser, o seu curto espaço, algo que nos faz pensar (especialmente o fim e o justificado egocentrismo perante o caos).
"Heaven come down", de Ben H. Winters
Neste desfecho datrilogia de contos que começou de forma impressisonante, teve um meio muito bom e que agora termina bastante diferente do que eu tinha imaginado. A protagonista vê-se sozinha e finalmente, depois de treze anos sendo a única no mundo que não conseguia escutar Deus, acaba por conseguir comunicar com ele e aprende que é muito mais do que aquilo que pensava. O desfecho é fantástico. O único senão é que achei a escrita menos cativante, mas fora isso foi muito bom.
“Agent Neutralized”, de David Wellington
A escrita deste autor empresta a esta história ainda mais tensão nas várias cenas. Temos perseguições na estrada, reuniões cobertas de culpabilização, e por fim a redenção desta personagem que já seguimos desde o volume um. Gostei bastante deste desfecho e a escrita é muito envolvente.
"Goodnight Earth", de Annie Bellet
A forma como este conto está escrito é muito envolvente. As personagens são muito interessantes e, com pequenos vislumbres do seu passado ficamos a saber bastante sobre eles, de tal forma que fiquei com muita vontade deler mais sobre eles. A história é cheia de acção, bem descrita e não mais do que necessária. E no fim há um vislumbre de esperança.
“Carriers”, de Tananarive Due
Uma história emocionante com um final mais feliz do que seria de esperar depois daquilo pelo que as personagens passaram. Uma mulher que foi abusada e usada como cobaia durante anos, não consegue ter uma reforma sossegada, sempre com medo de que os seus tormentos voltem, por isso quando o seu companheiro de sofrimento lhe diz que há algo de bom a retirar de tudo aquilo porque passaram, ela duvida. Mas a esperança é uma semente que cresce depressa.
Adorei.
“In the Valley of the Shadow of the Promised Land”, de Robin Wasserman
As personagens desta história são tão machista! Só os homens é que são de importância. As mulheres quase nem merecem ser mencionadas pelo nome (excepto na segunda parte, volume anterior), mas por um lado nada menos seria de esperar, visto que estas personagens têm como base a Bíblia e … bem … o livro sagrado não é exemplo de igualdade dos sexos. O desfecho de Isaac foi … bem … bíblico; e seguir o raciocínio dele ao longo da vida e no fim dos seus dias abre os olhos ao fanatismo religioso. Quer dizer, quem tratava os filhos como ele tratava e os punha um contra o outro para eles serem os novos Abel e Caím, esperava o quê do seu fim de vida?
“The Uncertainty Machine”, de Jamie Ford
Esta história é muito estranha, mas também as anteriores deste autor o são. E não é que não nos sejam dadas informações suficientes sobre o mundo, o que ele era e naquilo em que se tornou, mas eu não me consegui ligar bem ao cenário.
Já as personagens são todas muito cheias de falhas mas este protagonista, em especial, é difícil relacionar-me com ele. Parece tão distante.
E mesmo assim, apesar de tudo o que disse, a história é fascinante. E o declínio dele absorveu-me.
“Margin of Survival”, de Elizabeth Bear
As descrições do ambiente e das próprias personagens fizeram deste um conto muito visual. Era quase como se sentisse a fome da protagonista e o seu receio de ser apanhada.
A história toma mais que uma direcção, especialmente no final e, confesso, fiquei bastante confusa com o desfecho, mas o resto do conto compensa, com uma personagem interessante com quem me pude relacionar facilmente. Lembrou-me um pouco da história de Paolo Bacigallupi: “Water Knife” mas nem sei bem porque fiquei com essa sensação.
“Jingo and the Hammerman”, de Jonathan Maberry
Um dos meus contos favoritos deste volume, senão mesmo o favorito. O otimismo de Jingo contrastando com o realismo de Hammerman, é fantástico. Mais que isso as introspecções e ponderações sobre aquilo que as pessoas foram forçadas a fazer após o apocalipse zombie, foi, em momentos, bastante refrescante. (isto vindo de quem já viu mais filmes, leu mais BDs e leu mais livros de zombies do que se lembra).
O final (por assim dizer) não foi o mais inesperado mas foi executado de uma forma exemplar. O que fica por dizer não tem mesmo de ser dito.
“The Last Movie ever made”, de Charlie Jane Anders
Estas personagens, ao longo das três antologias, tiveram em mim um efeito meio psicadélico. A escrita do autor e as acções das personagens deixaram-me sempre numa pilha de nervos, mas daquelas que nos puxam para ler mais.
Com decisões, mais uma vez, bem questionáveis, o nosso protagonista faz do mundo caótico em que vive o melhor que pode. Desta vez a anarquia do mundo é enriquecido pelo facto de toda a gente ter ficado surda sem nenhuma explicação plausível.
Vale mesmo a pena ler os três contos.
“The Gray Sunrise”, de Jake Kerr
O que mais gostei neste conto foi o elo entre o pai e o filho, que começa muito ténue e acaba por se fortalecer com a provações porque passam. A descida do pai para a depressão também está muito bem feita e todo o ambiente (especialmente quando se fala das tempestades e de como eles passam por elas no interior do pequeno barco) está bem descrito.
“The Gods have not died in vain”, de Ken Liu
Num futuro onde consciências humanas são transportadas para o mundo digital, e onde essas consciências criaram o caos, quase arrasando a humanidade, é-nos apresentada a nova geração de “deuses”. E será que este é o único possível futuro para a humanidade?
Uma coisa interessante também foi o choque de ideias entre a filha da carne e a filha digital. A relação das duas, em específico.
Mesmo assim confesso que a escrita da autora, ou talvez mais o compasso em que conta a história, tal como nos contos anteriores, não me cativou muito.
“The Happiest Place…” , de Mira Grant
Este conto foi uma das maiores surpresas desta antologia. Tanto pelo seu cenário: pós-apocalipse na Disneylândia, como pela força dasua protagonista que, sozinha, tinha de manter tudo a andar, manter a fachada. A revelação final apanhou-me de suspresa, apesar defazer um certo (bizarro) sentido. Gostei muito da escrita, da protagonista e da história. Talvez volte a dar uma oportunidade a esta escritora, visto que o único outro trabalho que li dela foir o Feed, o qual não gostei.
“In the Woods”, de Hugh Howey
Sendo que o leitor sabe mais do que as personagens no início desta história, a confusão deles passa para nós mas não é tão eficaz. No entanto todo o conto é cheio de adrenalina e tensão e agarrou-me do início ao fim.
“Blessings”, de Nancy Kress
Eu gosto de histórias que são supostas distopias mas cuja solução para os problemas da humanidade e do planeta nos fazem pensar: “será que realmente não seria melhor assim?”. Porque sabemos que, quase sempre, ao solucionar uns problemas arranjamos outros.
Em termos de personagens o conto até foi fraquito, mas o conceito é suficientemente bom para o tornar interessante. Lembrou-me um pouco o “Childhood’s End” do Arthur C. Clarke.
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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
The End has Come
terça-feira, 1 de março de 2011
Feed (parcial)
"Feed (Newsflesh1)", de Mira Grant (ainda não publicado em Portugal)Sinopse:
Ano 2014: Encontramos a cura para a gripe comum. Mas ao fazê-lo criamos algo novo, algo terrível que não podia ser parado. A infecção proliferou, vírus tomaram conta dos corpos e mentes com apenas um, imparável, comando: COMER (FEED). Agora, vinte anos depois da Ascenção (Rising), os bloggers Georgia e Shaun Mason estão no encalço da maior história das suas vidas - a negra conspiração por trás dos infectados. A verdade virá ao de cima, nem que para isso eles tenham de morrer.
(tradução livre, feita por mim)
Opinião:
O início deixou-me logo rendida. Com uma voz narrativa bastante astuta e até divertida, seguida de muita acção, melhor início seria quase impossível.
Então, como é que conseguiram fazer-me desistir quando já ia a meio do livro?
Fácil!
Aborrecido. Política. Blah blah blah. Aborrecido. Shares. Blah blah blah. Aborrecido. Medidas de Segurança. Blah blah blah. Aborrecido.Política. ABORRECIDO!
Está explicado, certo?
Enfim, eu até gostei de algumas coisas, particularmente do Shaun e até da Georgia, mas a narrativa era aborrecida (estou a repetir-me propositadamente) e em quase 300 páginas só houve 2 ataques zombies, enquanto que tivemos pelo menos 200 páginas a falar de política, medidas de segurança contra zombies, computadores e shares/ratings (em blogs). Chato!
E o pior não foi isso, porque sou a favor de nos explicarem as coisas (embora, mesmo assim, muita coisa tenha ficado por explicar, o que não quer dizer que não estivesse na parte do livro que não li), mas antes foi o facto de a informação ser repetida até à exaustão. O leitor não precisa ser dito a mesma coisa cem vezes, por favor!
Também tive um problema logo ao início, que foi perceber se o protagonista era um rapaz ou uma rapariga. Com um nome tipo Gerge/Georgia ou coisa que se assemelhe, e nenhuma característica distintiva no seu comportamento, fala ou descrições, era impossível chegar a um consenso. Só mais tarde (capítulo 2) é que finalmente percebi que era uma rapariga, mas mesmo sem grandes bases a apoiar essa teoria, que não o facto de ela própria dizer que os nomes mais comuns para raparigas eram Georgia e outros que tal (em homenagem a George A. Romero, que se não sabem quem é, é porque não gostam de filmes de zombies).
Infelizmente as personagens, que supostamente já tinham vinte e muitos anos, agiam como crianças e adolescentes. Irritou-me isso. Imaginamos que no meio de um Apocalipse zombie, as pessoas amadureçam mais depressa, mas nesta história parece é que cada vez ficam mais infantis por mais tempo (refiro-me a todas as personagens, mas especialmente aos pais da Georgia).
Noutra nota, a Georgia está-nos sempre a dizer que o seu blog é imparcial e que ela se limita a transmitir as notícias, mas tudo o que eu vejo são opiniões, pontuadas com algum profissionalismo, mas ainda assim cheios de opiniões pessoais. Um verdadeiro jornalista, sério, limita-se a dar os factos e não tenta dizer-nos que é imparcial e depois, entrelinhas (ou mesmo de forma óbvia), acaba por nos dizer o que acha e o que nós devemos fazer.
Os fãs de filmes de zombies, encontrarão aqui várias referências a várias películas de culto (ou nem tanto). Let out the movie-geek in you!
Enfim, tive de abandonar a leitura depois de 273 páginas, porque sinceramente já não aguentava mais politiquice. Como é que falam tão bem deste livro? Não compreendo, sinceramente ...
É capaz de ser um bom livro para quem gosta de política e de técnicas de segurança, assim como para jornalistas e até bloggers aficionados (mas eu sou blogger e não gostei), mas para os restantes leitores, o meu conselho é que se afastem. Fiquem bem longe! A menos que queiram ser aborrecidos de morte.
Isto não é um livro sobre zombies, é um livro sobre uma campanha política, sobre o jornalismo e sobre mais umas quantas coisas que chateiam de tanto serem exploradas. Mas zombies? Não! Só lá estão para fazer de conta. E isto vem de uma fã do género (no cinema), que sabe que uma boa história de zombies se foca nas personagens. Infelizmente, Feed não fez isso, e como tal perdeu-se.
Capa:
A capa está perfeita, em todos os sentidos. Não há um zombie à vista e o foco está todo no símbolo de 'feed', que no fundo é tudo o que este livro é. Um grande manual sobre como seriam os blogs num mundo infestado de zombies (se se esquecessem dos zombies) :)
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