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sábado, 23 de abril de 2016

Dia Internacional do Livro e dos Direitos do Autor

Não podia deixar passar o Dia Internacional do Livro e dos Direitos do Autor em branco, certo?

Por isso gostaria de vos convidar a divulgar, aqui e nas redes sociais, quais os vossos autores favoritos de sempre e qual o(s) livro(s) que leram este ano que mais gostaram.

E porque além de autora sou também leitora, deixo uma pequena lista de alguns dos meus autores favoritos (sem ordem de preferência): Markus Zusak, Marissa Meyer, Luís Filipe Silva, Edgar Allan Poe, J.K. Rowling, Carina Portugal, Brandon Sanderson, Vitor Frazão, Robin Mckinley, João Barreiros, Manuel Alves.
E o livro que mais gostei de ler este ano foi: "28 Days Later", uma banda desenhada de Micheal Alan Nelson e Declan Shalvey.

E não se esqueçam de respeitar sempre o trabalho do autor, seja ele escritor, fotógrafo, músico, ilustrador, compositor, escultor ou outro "-or".
Ajudem os autores e lembrem-se de, sempre que usam uma foto linda no vosso mural do facebook ou no blog, mencionar que é o autor (ou caso não saibam referir isso mesmo). Os autores do mundo inteiro agradecem!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Linhas Cruzadas (antologia)

"Linhas Cruzadas", de Gina Sacramento, Agustina Bessa-Luís, Júlia Pinheiro, Laurinda Alves, Luís Filipe Silva, Manuel João Ramos, Maria Manuel Ramos Pinto, Miguel Esteves Cardoso , Miguel Vale de Almeida, Rui Henriques Coimbra, Rui Zink, Sérgio Coimbra, Alice Vieira, Vicente Maria / Maria Vicente, Carlos Quevedo, Daniel Tércio, Francisco d'Orey, Helena de Sacadura Cabral, João Barreiros, Joao Miguel Fernandes Jorge (Portugal Telecom)

Sinopse:
Antologia que reune contos de vários autores portugueses.

Opinião:
Como já devem saber, eu adoro antologias de contos! Permitem-me conhecer novos autores e podem conter pequenas histórias fascinantes. E há, nas antologias, um sentimento de aventura, já que sabemos, há partida, que iremos encontrar contos que adoraremos e outros que odiaremos. Raras são as antologias que são totalmente boas e, até hoje, não encontrei nenhuma que considerasse uma perda total. Há sempre uma quantidade significativa de bons textos.
E com estas ideias em mente, comecei a ler "Linhas Cruzadas" que se auto-intitula de "Uma antologia de contos PT". Pois, é aqui mesmo, neste subtitulo, que se prende a minha maior decepção com este pequeno livro: este não é uma antologia de contos! É uma antologia de textos mas nem todos, e diria mesmo que nem a maioria, são contos. Muitos são crónicas, opiniões ou ensaios.
Eu nunca gostei de crónicas, assim como não sou grande fão de não-ficção, mas, noutras circunstâncias, talvez este pequeno facto nem me tivesse incomodado, só que acontece que no momento em que decidi ler esta antologia eu queria mesmo CONTOS. E foi grande a minha decepção.

Há, como em todas as antologias, excepções. Descobri apenas uma nova autora cujo trabalho pretendo revisitar em breve: Alice Vieira. Mas também revi outros já conhecidos, como João Barreiros, Luís Filipe Silva e Rui Zink (embora este último não me tenha conseguido cativar). Mas, não querendo menosprezar as crónicas/memórias, tenho de dizer que apreciei as de Carlos Quevedo e Maria Manuel Ramos Pinto.
Os melhores, a meu ver, foram mesmo os da Alice Vieira, que me surpreendeu.

No geral esta antologia decepcionou-me e não me marcou na positiva. O facto de alguns autores parecerem forçar-se a escrever sobre os telefones e as comuncações, não ajudou a que todos os textos tivessem qualidade, mas alguns foram bem conseguidos.
Sinceramente, esperava mais mas consegui ler alguns textos muito interessantes, com conceitos promissores.

sábado, 10 de maio de 2014

::Autor:: Luís Filipe Silva

Biografia (via Saída de Emergência):
Luís Filipe Silva foi galardoado em 1991 com o prémio Caminho de Ficção Científica pela colectânea O Futuro à Janela. É autor do Ciclo da GalxMente, composto à data pelos romances Cidade de Carne e Vinganças, e colaborou com João Barreiros no "Terrarium" - Um Romance em Mosaicos.
Tem contos publicados em diversas revistas e jornais nacionais, bem como em Espanha, Brasil e Sérvia, e na antologia luso-americana «Breaking Windows». Colaborou na área do Fantástico como crítico literário no Diário de Notícias, como editor de romances na Devir e como organizador nos Encontros de FC&F da Associação Simetria.
É também organizador de uma tertúlia de leitura de textos literários. Nos últimos anos tem mantido uma presença assídua na internet, onde publicou uma revista por email («Eventos») que se transformou no actual site TecnoFantasia.com.

Livros que li do autor:
Não é que ignoras o motivo da tua queda mas o que pensas saber (conto in Brinca Comigo!) - Opinião
A Casa de um Homem (conto in Imaginários 2) - Opinião
Dormindo com o Inimigo (conto in Dagon 1) - Opinião
O Futuro à Janela - Opinião
Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa - Opinião
Sonhos de Planetas e Estrelas (conto in Linhas Cruzadas) - Opinião

Livros editados em Português:
O Futuro à Janela, Editorial Caminho (1991)
A GalxMente I — Cidade da Carne, Editorial Caminho (1993)
A GalxMente II — Vinganças, Editorial Caminho (1993)
Terrarium, Editorial Caminho (1996)
Efeitos Secundários, Simetria (1997)
Linhas Cruzadas - Uma Antologia de Contos PT, Portugal Telecom (2000)
Como Era Gostosa a Minha Alienígena!, Ano-Luz (2000)
A Sombra Sobre Lisboa, Saída de Emergência (2006)
Ficções Científicas e Fantásticas, Edições Chimpanzé Intelectual (2007)
Por Universos Nunca Dantes Navegados (2007)
Brinca Comigo!, Atelier Escritorio Editora (2009)
Imaginários 2, Editora Draco (2009)
Vaporpunk, Editora Draco (2010)
Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa, Saída de Emergência (2011)
Vollüspa, HM Editora (2012)
Trëma 1, EuEdito (2012)

A visitar: Blog do Autor, Autor na Ficção Online,

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa

"Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa", antologia organizada por Luís Filipe Silva, com contos de: Ludovico Bombarda, Sónia Louro, Fausto Boamorte, Artur de Carvalho, Ana Sofia Casaca, João Barreiros , Ruy de Fialho, Joachim Hunot, João Henriques, A.M.P. Rodriguez, Orlando Moreira, Maxwell Gun, Tiago Rosa (Saída de Emergência)


Sinopse:
Poucos o sabem, mas a literatura de pulp fiction, que marcou toda a cultura popular dos EUA na primeira metade do século XX, também esteve presente em Portugal, e em força.
Houve um tempo em que heróis mascarados corriam as ruas de Lisboa à cata de criminosos; em que navegadores quinhentistas descobriam cidades submersas e tecnologias avançadas; em que espiões nazis conduziam experiências secretas no Alentejo; em que detectives privados esmurrados pela vida se sacrificavam em prol de uma curvilínea dama; em que bárbaros sanguinários combatiam feitiçaria na companhia de amazonas seminuas; em que era preciso salvar os colonos das estações espaciais de nome português; em que seres das profundezas da Terra e do Tempo despertavam do torpor milenário ao largo de Cascais; em que Portugal sofria constantes ataques de inimigos externos ou ameaças cósmicas que prometiam destruí-lo em poucas páginas, antes de voltar tudo à normalidade aquando do último parágrafo.

Opinião:
É impossível começar esta opinião sem referir o trabalho do Luís Filipe Silva. Nota-se um esmero neste trabalho (desculpando, em parte, a demora do seu lançamento). As introduções de cada autor, escrito pelo próprio organizador, estão uma delícia! E por si só já são contos.

"O Segundo Sol" de Ruy de Fialho
Este conto tem força na acção e na narrativa que, estando bem adaptada ao estilo da época, é bastante cativante. As personagens também estão bem definidas, dentro dos possíveis e fiquei até com vontade de ler mais aventuras de Jaguar Cabala.
Gostei particularmente de como usou dos medos que, suponho, afligiam a população nos tempos da 2ª guerra. Um conto que me deu mesmo aquela 'vibe' pulp. Adorei!

"A Expedição dos Mortos, parte 1 e 2" de Joachim Hunot
Diálogos imaturos, pouco aproveitamento do exotismo da Índia, personagens adultas que agiam como crianças mimalhas, enredo sem grande força. Este conto foi uma decepção quase desde a primeira página. Na segunda parte, em termos de descrições, a prosa melhorou, mas os diálogos continuaram imaturos e o desfecho foi bem ... ridículo. Um homem que passou o conto todo amedrontado, a querer voltar para casa, vai tornar-se um agente secreto em aventuras mirabolantes sem mais nem menos? Não me parece!
Uma coisa que gostei foi a acção. Bem conseguida e empolgante. Fora isso o conto foi fraco, muito fraco.

"A Ilha" de João Henriques
Boas descrições das paisagens e um bom ambiente de medo, mas a narrativa é demasiado pormenorizada, contando cada passo do protagonista e é demasiado exaustiva, consequentemente tornando-se, em momentos, cansativa.
Apesar disso gostei deste conto, por criar um ambiente muito próprio, quase claustrofóbico mas também de descoberta. O final veio com ligeireza e isso tornou-o credível.

"Pena de Papagaio" de A.M.P. Rodriguez
Mais um conto de que gostei, embora me pareça que o início destoe um pouco do resto do texto. A loucura do protagonista ressalta das páginas. No entanto as suas motivações continuam um pouco confusas, mesmo após o final e isso poderia carecer de mais algum desenvolvimento.

"O Sentinela e o Mistério da Aldeia dos Pescadores" de Orlando Moreira
Com um bom começo e um bom mistério, este conto surpreendeu em termos de enredo, mas o tom narrativo em certos momentos não foi o melhor, tirando alguma força à acção. Ainda assim foi um conto bem conseguido e dentro do estilo desejado.

"Horror em Sangre de Cristo" de Maxwell Gun
Um western bem conseguido, com personagens sólidas e uma história curiosa. No entanto a descrição de certos acontecimentos do passado poderia ter sido narrada de forma mais interessante e o final podia ser melhorado.

"O Inconsciente" de Tiago Rosa
Um conto que consegue ser arrepiante a ao mesmo tempo sensível. O tom usado pelo autor ajudou a causar impacto, acompanhando eficazmente a crueza da história.

"A Noite do Sexo Fraco" de Ludovico Bombarda
Um conto que estranhei, de início ao fim, não tanto pela história, mas pelo estilo de escrita, que me repeliu um pouco. É uma história facilmente esquecida, sem nada que a torne especial e cuja narração não me envolveu. Ainda assim, a sátira, tão presente, foi algo que me agradou muito.

"Pirata por um Dia" de Sónia Louro
Com um início pouco motivador, com demasiados acontecimentos contados em pouco espaço e uma prosa que nada me cativou, este contou acabou por melhorar significativamente a partir do meio e ficou consistente até antes do final, que esse sim, foi uma pequena desgraça sem interesse. No geral acho que é uma história interessante mas contada de forma desinteressante.

"Valente" de Fausto Boamorte
Apesar de ter, definitivamente, aquele 'ar' pulp, esta história começou relativamente bem, perdeu-se um pouco pelo meio quando, sem mais nem menos, o Valente disse que provara, sem sombra de dúvidas que a rapariga era inocente (como, quando e onde?!?) e depois voltou a erguer-se com alguma destreza numa cena muito intensa. Infelizmente este conto peca por um certo nível de previsibilidade e por umas quantas pontas soltas e outros quantos pormenores caídos do nada que lhe tiraram alguma intensidade. Ainda assim, gostei do final.

"O Amaldiçoado de Ish-tar" de Artur de Carvalho
Não obstante a inspiração (óbvia) no Conan o Bárbaro, este conto conseguiu ser muito cativante. A escrita estava primorosa, com descrições das paisagens, personagens e situações que gostei de ler e que me embrenharam na narrativa. No entanto a previsibilidade da trama e a falta de originalidade em termos de personalidades de algumas das personagens, foi algo que me incomodou e que condicionou a história. Ainda assim foi um dos meus preferidos da antologia.

"Noites Brancas" de Ana Sofia Casaca
Pecando, em momentos, na escrita (havia repetições que não me pareciam propositadas) este foi um conto que não me interessou de sobremaneira no início, mas cujo desenvolvimento me foi puxando e puxando com mais força até que me engoliu. O final, bastante bem construído, apanhou-me de surpresa, embora tivesse gostado que fosse narrado de forma um pouco diferente, ainda assim foi uma boa conclusão para uma trama que soube manter "os nervos à flor da pele".

"Mais do Mesmo" de João Barreiros
Já tendo lido vários trabalhos deste autor, este foi mais um conto que não decepcionou. Uma história que agarra o leitor, cheia de boas personagens e de uma imaginação espectacular.
Só tenho duas coisas a apontar: por vezes os termos técnicos eram demasiados e sem necessidade; e acho que de todos os contos este é o que menos identifico como pulp fiction, pois podia ter sido criado muito mais recentemente.

Em suma, esta é uma antologia muito bem conseguida, apresentada com exímio cuidado e que contem alguns contos bem interessantes e que captam um género um pouco esquecido.
Os meus contos favoritos foram: "O Segundo Sol" de Ruy de Fialho, "O Inconsciente" de Tiago Rosa, "O Amaldiçoado de Ish-tar" de Artur de Carvalho e "Mais do Mesmo" de João Barreiros.


Capa (Andrade Matias), Design e Edição (Luís Filipe Silva):
Parece que finalmente as minhas 'preces' foram escutadas e por uma vez sei quem é o autor da capa e, ainda mais, no trabalho no qual esta se baseia (será este o motivo porque este livro foge à regra e abençoadamente refere o nome do artista da capa? Deviam fazer sempre isto, senhores e senhoras da Saída de Emergência). No entanto isto não desculpa o facto de nenhum dos artistas das ilustrações interiores ter sido creditado, nem sequer os autores das fotos apresentadas).
As ilustrações que por vezes acompanhavam os contos, grande parte das vezes, pouco tinham a ver com as mesmas. Ou seja, tinham algo a ligá-las, mas eram pouco fieis; excepção feita n' "O Amaldiçoado de Ish-tar" e também um pouco no "Mais do Mesmo"
Mas queria também dar os meus parabéns a quem fez o trabalho gráfico do livro que está um autêntico mimo. Uma delícia, verdadeiramente e uma homenagem aos livros e revistas da época pulp.
E não posso terminar sem congratular o trabalho desenvolvido pelo Luís Filpe Silva. Agora compreendo porque esta antologia demorou tanto tempo a sair. E valeu bem a pena. Vê-se a dedicação do organizador pelo tema, pela época e pelos contos. A ideia de fazer o livro parecer uma colectânea do passado foi engraçada e bem conseguida, no entanto não posso deixar de referir que para quem não souber de antemão que algumas das personalidades referidas nas biografias são ficcionais, isto poderá causar equívocos. Uma nota final explicando o que é real e o que é ficcional teria sido de boa índole, não só para o leitor que não conhece a 'polémica' mas para os restantes que, como eu, gostariam de saber ao certo quem viveu mesmo na época e quem foi lá inserido pela (incansável) mente do Luís Filipe Silva.


Links Relacionados: "Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa" na Wook - Site da Editora

Nota: Agradeço à Adeselna Davies (Illusionary Pleasure) por me ter dado oportunidade de ler este livro. Agora vou ter de arranjar uma cópia para mim.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Futuro à Janela

"O Futuro à Janela", de Luís Filipe Silva (Editorial Caminho)
Podem ler este livro na íntegra AQUI ou AQUI (versões disponibilizadas pelo autor).

Sinopse:
Depois da revelação de João Aniceto, Daniel Tércio, Isabel Cristina Pires e Bráulio Tavares, com livros que marcaram fortemente a ficção científica de língua portuguesa, o Prémio Caminho de Ficção Científica de 1991 permite descobrir um novo talento, indiscutivelmente promissor: Luís Filipe Silva. Em «O Futuro à Janela», livro inteligente, ousado e inventivo, Luís Filipe Silva conta-nos histórias muito diversas, sempre aliciantes, em que o leitor pode ter a surpresa de encontrar o Infante D. Henrique e o seu «robot» ou as personagens e as situações mais inesperadas. «O Futuro à Janela» mais do que uma promessa é um livro já conseguido, que deve ser saudado com a satisfação de quem descobre novos territórios na ficção científica portuguesa.

Opinião:

Perdoem-me desde já as curtas opiniões por conto, mas não quis dizer demais.

Prefácio à  Versão Digital
Uma apresentação de como nasceu a antologia, e dos anos em que a ficção científica, apesar de parecer estar a florescer, ainda assim era vista como literatura 'menor'. Uma visão interessante e curiosa.

Introdução: A Importância do Conto
Como diz o título, este pequeno texto fala-nos dos primórdios do conto e de como este foi perdendo 'força' na nova era dos livros acessíveis a todos. Mesmo para os que já conhecem os factos apresentados, não deixa de ser um resumo a ter em conta.

Dois Estranhos, um Encontro
Bem escrito e curioso, numa mistura de passado (as lições de história fazem uma visita inesperada) e futuro. Gostei da forma como retratou a situação e as personagens, como nos mostrou o que os rodeava, sem na verdade dizer muita coisa. Só fiquei um pouco incompleta (não necessariamente insatisfeita) com o final, pois nada fica definido e parece que fica muito por contar.

Embaixadores da Boa Vontade, Ou Contacto!
Ri-me imenso com este conto. É tão ridículo como simples, mas ao mesmo tempo tão verdadeiro que até me leva a ter pena da nossa forma de viver (por vezes).

Os Poetas da Rua
Todas estas histórias, à excepção talvez da Dan Brook e António Silva , me pareceram excessivamente cruéis, apesar de realistas, de um certo ponto de vista. Percebi a conexão entre os textos e o título, mas no fim fica um certo sentimento de falta de algum elo de ligação.
Não foram maus, apenas diferentes (sendo que a escolha, muitas vezes, da quase micro-narrativa, funcionou melhor em certos casos)
Achei que curioso que, de todas as curtas histórias, apenas Mister Machine dá mesmo a sensação de ficção científica.

La Nausée II
Um conto com uma escrita um pouco diferente do que estou habituada do autor. Mais intimista e sôfrega, onde tudo é do momento.O protagonista tudo sente e tudo transmite ao leitor, deixando uma sensação estranha de compreensão. Acho que também qualquer pessoa (com mais de 15 anos) se poderá rever no tema retratado (a viragem do século)

O Fernando Pessoa Electrónico
Gostei muito desta 'troca de ideias'. Não só pela fluidez da conversa, mas pelas ideias nela contidas, terminando com um final merecedor.

Pequenos Prazeres Inconfessáveis
Gostei muito do estilo da prosa e do encadeamento da acção, mas esta é uma história capaz de revirar estômagos, não só pela crueza da narrativa, como pelos temas apresentados. Contudo a decisão de não contar a história de forma linear, fez com que esta tivesse ainda mais impacto, já que o que ao princípio pareciam ser histórias separadas, mostraram vir a ser uma e a mesma.

O Jogo do Gato e do Rato
Um conceito interessante e bem explorado pelo autor, dando a conhecer muitos detalhes sobre a 'civilização' existente. No entanto, pareceu-me que aquele final 'extra' não fez mais do que confundir, sendo que lhe fazia falta algo mais para se tornar sólido.

Série Convergente
Um conceito interessante, mas caótico, de tal forma que chegou a fazer confusão, apesar de a narrativa manter a atenção presa.

Também há Natal em Hanímedes
Um conto pequeno, mas carregado do espírito de Natal. Gostei da interacção familiar e do que o autor nos conta sobre a vida fora da Terra. Ficou no entanto a vontade de ler mais.

A Última Tarde
Uma história estranha, que pareceu ser várias coisas, e depois mostrou ser algo totalmente diferente. Recupera um pouco daquele sentimento de vontade de explorar o universo.

Criança entre as Ruínas
O mais comprido e para mim, sem dúvida, o melhor conto do livro. Cheio de emoção, de excelente construção  da situação, numa prosa alternada e apelativa. Uma história que toca muitos assuntos, e a todos dá interesse. Com um final triste, mas ao mesmo tempo cheio de esperança, perfeito para o conto.

Ala Anima
Belo suave como uma pena, mas estranhamente profundo. Gostei!


Em suma, esta compilação de contos foi uma boa leitura. Alguns contos foram mais violentos, outros mais meigos, mas todos foram escritos com mestria, tendo cada qual uma interpretação e voz únicas. O meu favorito foi, como já disse, o "Criança em Ruínas".
É também de louvar a 'intemporalidade' dos contos, pois embora não sejam assim muito antigos (já lá vão 20 anos!), não se lhes notam os anos em cima e tenho quase a certeza que mesmo daqui a mais duas décadas, ainda estarão actuais. E também é de notar o que me pareceu ser um  laivo de patriotismo que é sempre bom ver na literatura feita por portugueses, pois sem ser extremista, é reconfortante.
Vale bem a pena ler este livro que, certamente, de forma justa ganhou o prémio Caminho da Ficção Científica de 1991. Agradeço também ao Luís Filipe Silva por disponibilizar gratuitamente este livro.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dagon 1

"Dagon" nº1, revista lançada pela Edita-me e Correio do Fantástico

"Dormindo com o inimigo", de Luís Filipe Silva
Depois de já ter lido dois contos do autor (e adorando ambos), as minhas expectativas era altas.
A escrita não decepcionou, cativando desde o primeiro parágrafo. A história estava interessante, embora tivesse potencial para mais algumas explicações, e mesmo para tirar certas dúvidas recorrentes do que o protagonista dizia e pensava.
O final foi bastante surpreendente, mas de certa forma inverossímil, pois custa-me a acreditar que o protagonista, sendo tão observador, não tivesse percebido o que realmente se estava a passar.
Mesmo assim, foi uma leitura maravilhosa com um final inesperado.

Festival de Stiges 2009, por Luís Canau
Um artigo detalhado sobre o festival, com opiniões curtas e directas sobre os filmes exibidos. Gostei bastante de ler este artigo, até porque já vi grande parte dos filmes mencionados, e outros tenho planos para ver.

"A Balada do Executor", de Carla Ribeiro
Um conto que peca nos diálogos, que parecem forçados e mecânicos. Com uma história que até foi razoavelmente bem aproveitada, mas que pela forma como foi contada perdeu muito valor. Ao ser-nos narrada de forma tão monótona, perdeu vigor e interesse. Nenhuma das personagens foi exposta bem o suficiente para nos interessarmos. Em suma, esperava muito mais.

"No Bucks, No Bucks Roger", de Pedro Ventura
Este ensaio (pois não o vejo como um conto) fará com que muitos escritores em Portugal se identifiquem com o texto, que reflecte bem o típico escritor português (eu sou só amadora, mas percebo como as coisas funcionam).
Mas embora me tenha revisto neste pequeno texto, que expõe mais do que critica, achei que a prosa poderia estar mais apurada e interessante. (e também fiquei sem perceber a ligação com o título)

Entrevista com Lavie Tidhar
Uma entrevista que pareceu curta, mas que conseguiu reunir algumas questões interessantes, deixando no ar a curiosidade em ler "Tha Apex Book of World SF".

"Brasereiros", de Nir Yanic
Com uma ginástica narrativa muito interessante, este conto pecou pela falta de descrição e foco demasiado extenso no diálogo sem o amparo de qualquer descrição. A ideia original está interessante e foi bem explorada, até um certo nível, mas perdeu pontos pela ineficácia da transmissão visual.

A Ficção Científica Internacional e Problemas de Identidade, por Larry Nolen
Artigo interessante e que levanta questões que gostaria de ver mais exploradas. A verdade é que também desconheço em grande parte a FC que se faz pelo mundo e gostaria de poder ver como as diferenças culturais se transmitem para histórias do género.

Ilustrações por Miguel Ministro
Já tendo conhecimento do trabalho do artista antes desta publicação, posso dizer que gosto, especialmente pela diversidade estética e de influencias. Adoro as cores que ele usa, embora não possa dizer que gosto de todos os seus trabalhos de igual forma, não lhe retiro mérito. É um excelente artista.

"Não há Etcoeteras", de Nuno Fonseca
Um artigo de opinião sobre um dos grandes nomes da FC em Portugal, que nos dá uma visão sobre o trabalho dos escritor, mas que deixa no ar muitas curiosidades.

"Um dia com Júlia na Necrosfera (parte 1)", de João Barreiros
Tendo já lido dois contos deste escritor, confesso que estava à espera de algo muito bom.
Mas antes de mais tenho de dizer que a escolha de dividir o conto em dois foi muito MÁ. A história perdeu momentum, deixando no leitor um sentimento de "traição" e falha em entregar aquilo que prometeu com tanto afinco no artigo "Não há etcoeras" (acima) e não conseguiu, por cortar o conto em dois. Muito má escolha!
E se a escrita do autor conseguiu novamente cativar-me, a história possivelmente só começará a fazer sentido quando terminar de a ler.
O que prometia ser um grande conto (e possivelmente o será). perdeu toda a força ao ser apresentado por partes.

"Glória Perpétua", de Roberto Mendes
Não compreendo se os incessantes pontos de exclamação eram propositados (imagino que sim), mas continuo sem perceber a sua necessidade e digo apenas que o seu uso abusivo me impediu de concentrar devidamente neste curto texto que pareceu, por vezes, perder-se nos seus próprios meandros.

Posfácio, por Roberto Mendes
O homem que criou a Dagon (e também o Conto Fantástico) fala um pouco da jornada e do conteúdo da revista (que a meu ver se tornou inadequado num posfácio).

Em suma, esta foi uma revista interessante de ler, com artigos bem escolhidos, contos variados (que poderão ou não agradar) e muitas promessas, na sequência o desafio que foi este projecto. Contudo, deixo aqui a nota que o preço foi mais que abusivo (8€).
Quanto ao conto do João Barreiros, aconselho os leitores a esperarem até terem a outra parte, antes de se aventurarem na leitura desta primeira parte, mas o problema é que, depois de dez meses o segundo número da revista ainda não saiu.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

::Conto:: A Casa de um Homem

"A Casa de um Homem" de Luís Filipe Silva, na antologia "Imaginários 2" (Editora Draco - Brasil)

Sinopse:
Um homem entra na Zona, cidade sem lei, para recuperar a sua casa.

Opinião:
Com um início que choca e agarra o leitor, este conto está recheado de acção e consegue manter um ambiente negro e cru em toda a história, este conto consegue fazer com que as imagens passem em frente ao leitor a uma velocidade fenomenal, sugando-nos para a trama.
Só foi mesmo pena ficarem algumas coisas por esclarecer que deixaram vontade de saber mais sobre o Samuel.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Brinca Comigo!

"Brinca Comigo! (e outras estórias fantásticas com brinquedos)" de João Barreiros, David Soares, João Ventura, Luís Filipe Silva (Escrit'orio Editora)

Sinopse:
Quatro histórias fantásticas com brinquedos, forjadas na imaginação de quatros dos mais conceituados e inventivos escritores do género em Portugal. João Barreiros, David Soares, Luís Filipe Silva e João Ventura, aceitaram o desafio da Escrit’orio e surpreendem-nos com excelentes contos, repletos de originalidade e imaginação, subvertendo completamente o pendor cândido normalmente presente na abordagens clássicas à temática dos brinquedos!

Opinião (por conto):


"Brinca Comigo!", de João Barreiros
O conto que deu nome à antologia, narra a história de uma horda de brinquedos, num mundo dizimado por uma praga, em que as únicas coisas 'vivas', são as electrónicas, que ainda consigam recarregar baterias e substituir peças danificadas.
Este conto foi uma surpresa muito agradável. Denso, simbólico, e muito bem pensado. Nenhum detalhe foi deixado ao acaso e tudo tinha uma ordem, uma intenção e um significado. A lógica vasta, e ao mesmo tempo limitada, da horda, pareceu tão verosímil que nos esquecemos que estamos perante um exército de brinquedos.
E o final foi perfeito!

"Um erro do sol", de David Soares
O conto daquele que é considerado o maior (e possivelmente único) escritor vivo português do horror, narra a história de um homem, dono de uma marca de brinquedos que não tem grande sucesso. Ele descobre, num acaso, um brinquedo cuja tecnologia (ou falta dela) o maravilha. Decidido a encontrar o artesão por trás dessa criação, ele viaja, com a família, para uma pequena ilha deserta, chamada de "Garganta".
Há muitos problemas quando temos expectativas em relação a algo, e, depois de ouvir tantos louvores, tanto alarido em volta do trabalho do David Soares, não pude deixar de as ter.
Para começar, já sabia que seria um conto de terror, suspeita que se confirmou lá para o meio da narrativa, mas foi também exactamente aí que a história caiu na banalidade e previsibilidade.
Se o início era medianamente interessante e  deixava espaço para algo de diferente, a partir do momento em que a família pousou os pés na ilha, tudo se tornou monótono e de um gosto muito discutível. Sem querer dizer de mais, basta afigurar que o final não fez 'clique' e não houve explicação nenhuma para o facto de ela, supostamente, descobrir o que eles eram. Nada no que ela viu, ou ouviu, daria a entender a realidade daqueles seres, e por isso a percepção dela é despropositada. Já para não falar nas "focas", porque afinal ninguém ia notar que todas as pessoas que iam à Garganta, acabavam desaparecidas, certo?
Espero apenas que este seja um trabalho menor do autor., mas como não sou de julgar nenhum autor baseado num pequeno conto, pretendo ler uma das obras mais extensas dele antes de finalizar a minha opinião.

"Boneca", de João Ventura
Este pequeno conto (possivelmente o menos extenso) conta o percurso de uma boneca de voodu, através dos tempos e das gerações.
Sei que num conto, temos de ir directos ao assunto e não andar com rodeios, mas o autor resumiu tanto a trama, a acção e o mundo, que foi impossível sentir o que quer que fosse com este conto. Quando cheguei ao fim, limitei-me a pensar "Huh?!?".
Em primeiro, uma boneca de voodu, tanto quanto sei, não pode ser direccionada "aos tiranos", pois se ela colocou uma mecha de cabelos do rei no interior, então a boneca só poderia ferir o rei. Eu até entenderia se chegasse a matar os descendentes da realeza, mas os outros? Todos os tiranos? Não faz sentido! Senão para quê a mecha de cabelo?
A história foi contada num compasso apressado, desprovido de emoções. A passagem do tempo foi abrupta, a evolução das terras e dos territórios, assim como as civilizações, foram muito mal explicadas e apressadas.
Em suma, este foi um conto que pecou por não ter recheio, nem nada que o redimisse. Talvez se não tentasse fazer tanto e tão pouco, a coisa tivesse saído melhor, mas assim apenas ficou a sensação de que nada ocorreu da forma certa.

"Não é que ignoras o motivo da tua queda mas o que pensas saber", de Luís Filipe Silva
Este conto narra a história de uma criança, do (quase) fim do mundo, e das pequenas e grandes coisas que vão acontecendo à volta dele.
Gostei muito desta pequena história por várias razões. Pelo facto de mostrar, através dos olhos de uma criança, como o mundo reagiu a uma ameaça de extinção, mas mais que tudo, à vida familiar dele, que se começou a desmoronar muito antes dos utara aparecerem no céu.
A felicidade que ele encontrou nas pequenas coisas, mesmo quando o mundo parecia ruir à sua volta, e todas as pessoas que ele conheceu, especialmente o irmão, e que o marcou da mesma forma que ele marcou o irmão. Aqui, o tema dos brinquedos é totalmente secundário, em detrimento do relacionamento de duas famílias, e quase de uma comunidade, que se une num momento de destruição.

Em suma, foi uma antologia que teve coesão de tema, mas não de qualidade narrativa, havendo dois contos que se elevaram acima dos outros (João Barreiros e Luís Filipe Silva).

Capa (Fotografia) de Pedro Vilela

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