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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Booking Through Thursday - Capa

CAN you judge a book by its cover?


Se a pergunta fosse se alguma vez comprei um livro pela capa, então a resposta seria não, mas a verdadeira pergunta envolve muito mais que isso. Pois uma capa pode tanto induzir-me a ponderar a compra de um livro, como criar repulsa e a não-vontade de sequer dar uma hipótese à sinopse ou a um excerto.

Um exemplo que uso várias vezes é o da antologia Contos de Vampiros (imagem ao lado).  Até hoje esta uma das capas mais horripilantes que já vi. Causa-me repulsa, e só por causa da capa adiei a compra da antologia durante meses, porque não queria ter uma coisa feia destas nas mãos. Neste caso, nem os grandes nomes integrados na antologia conseguiram compensar o mau gosto da capa. Horrível!
Felizmente depois de ganhar coragem, lá comprei o livro, li-o (e gostei), mas sempre que olhava para a capa, arrepiava-me. Haja mau gosto!

Mas o contrário também acontece. Por exemplo, a única razão porque peguei no Romance de Genji (de Murasaki Shikibu) foi pela capa (só depois percebi que era o clássico japonês de que já ouvira falar tantas vezes. Ou mesmo o primeiro Anders (de Wolfgang Hohlbein / Heike Hohlbein), que me chamou primeiramente a atenção pelas capas. Muitos outros livros houve, que me prenderam o olhar antes de prender a curiosidade. Afinal, quando  vamos a uma livraria ou feira do livro, ou sabemos já o que vamos comprar, ou conhecemos já os autores, senão os restantes normalmente apelam-nos primeiramente de forma visual, muitas vezes involuntária.

Felizmente há casos em que tanto o conteúdo como a capa são excelentes, e eu dou valor a uma capa que represente fielmente a história, ao invés de seguir tendências e ficar-se pela mediocridade.
Acho que nunca compraria um livro só pela capa (para isso comprava uma impressão do artista), mas pode acontecer. Quem sabe? Só que o mais provável é que acabe por não gostar, até porque hoje em dia as capas mais 'bonitas' nem sempre calham aos melhores autores ou aos melhores livros. E também me parece que, apesar de tudo, não nos devemos afastar de um bom livro só porque tem uma capa horrível, embora a tentação seja muita.. Convenhamos. Quem quer estar a ler num café com uma capa de meter medo ao susto?

sábado, 19 de junho de 2010

Contos de Vampiros

"Contos de Vampiros" de João Barreiros, Saint-Clair Stockler, Jorge Candeias, Alexandre Heredia, Eric Novello, Sacha Ramos, Luís Filipe Silva, Tibor Moricz, André Carneiro (Editora Draco - Brasil)

Sinopse:
Por favor não me leia o pescoço.
Lembra-se do filme? Agora tem um livro: nove terríveis contos de vampiros, originais e assinados por autores portugueses contemporâneos, directamente para os seus maiores receios de leitor!
A partir do momento que iniciar a leitura, a responsabilidade é inteiramente sua.

Opinião: 
Escrevi uma opinião distinta para cada conto, e podem lê-las aqui:
- "O Mistério da Rua da Missão", de Ana Paula Tavares (6 valores);
- "A Fotografia (a história do vampiro de Belgrado)", de Gonçalo M. Tavares (6 valores);
- "Uma noite em Luddenden", de Hélia Correia (7 valores);
- "Vlad, o empalador", de João Tordo (7 valores);

- "Sangue Azul", de Jorge Reis-Sá (6 valores);
- "M. de Malária", de José Eduardo Agualusa (5 valores);
- "Exangue", de Miguel Esteves Cardoso (7 valores);
- "O Monstro", de Rui Zink (5 valores);
- "Como tocar Violino", de Susana Caldeira Cabaço (6 valores);



Edição: 
Não encontrei nenhum erro durante a leitura, o que é excelente! A antologia também está bem organizada, tanto a nível de conteúdo como de sequência dos contos (embora todos sejam bem distintos dos restantes).
Fora isso, só tenho a dizer que tanto a sinopse como a nota do editor estão um pouco ... (como dizê-lo?), infantis?!? Sinceramente, não fiquei fã de nenhum destes atributos do livro, mas é uma questão pessoal.

Capa & Design: 
Já o disse várias vezes e volto a repeti-lo: ESTA é a capa MAIS PIROSA de sempre!
Quem foi o designer que deixou uma coisa destas ser publicada? Sinceramente, estavam todos cegos? Que coisa mais horrorosa! E foi por causa da capa que eu não comprei isto antes.
Bem, mas fora a capa, o design do livro está muito bom. Adorei o toque único das páginas marginadas a vermelho. Fantástico!

::Conto:: Como tocar Violino

"Como tocar Violino" de Susana Caldeira Cabaço, na antologia "Contos de Vampiros" (Porto Editora)

Opinião:
Gostei bastante da escrita da autora, fluída e constante, com uma voz bastante única e uma forma de contar a história que cativou mas ao mesmo tempo dispersou um pouco nos momentos de maior intensidade, o que tirou algum mérito ao conto.
Gostei muito da ideia e a história está muito bem conseguida. Adorei a forma como descreveu a música e o uso dos instrumentos musicais, quase como se pudéssemos "sentir" a música e o toque das cordas. Nesse aspecto, foi excelente.

::Conto:: O monstro

"O Monstro" de Rui Zink, na antologia "Contos de Vampiros" (Porto Editora)

Opinião:
A paranóia constante neste conto foi interessante, assim como as pequenas reviravoltas, mas infelizmente a voz narrativa fracassou, com o seu tom "morto" e alongamento desnecessário em pequenas coisas que não interessaram.
Foi engraçado ver o autor pegar na mítica personagem Van Helsing (ou no caso, o seu descendente), mas as referências perderam-se num emaranhado de detalhes sem interesse.

::Conto:: Exangue

"Exangue" de Miguel Esteves Cardoso, na antologia "Contos de Vampiros" (Porto Editora)

Opinião:
Curto, mas muito envolvente.
Gostei muito da escrita do autor, quase bélica, sinfónica até. Sem exageros, mas dando ao leitor todas as pequenas pistas que precisa para entender o que se passa. E até as repetições (sempre ponderadas e compreensíveis) conseguem embelezar ainda mais o texto.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

::Conto:: M., de Malária

"M. de Malária" de José Eduardo Agualusa, na antologia "Contos de Vampiros" (Porto Editora)

Sinopse:
Um taxista vê um seu cliente arrastado do carro e ouve disparos. Assutado, foge e encontra depois a mala do cliente, contendo muito dinheiro, que ele então decide usar para mudar radicalmente de vida.

Opinião:
A história e o conceito estavam bons, assim como as personagens estavam interessantes e distintas. No entanto, o tom narrativo pecou pela placidez com que descreveu toda a história, tornando-a aborrecida quando deveria ser empolgante, e mundana quando poderia ter sido fantástica. Já para não falar que o conceito "vampírico" foi pouco explorado e fracamente exposto ao leitor.
Não foi uma má leitura, mas também não me deixou totalmente satisfeita.

::Conto:: Sangue Azul

"Sangue Azul" de Jorge Reis-Sá, na antologia "Contos de Vampiros" (Porto Editora)

Sinopse:
Um eclipse que deveria durara apenas cinco minutos, fica parado no tempo, privando todos da luz do sol.

Opinião:
A primeira coisa que pensei quando comecei a ler este conto, foi o quanto me lembrava de "30 days of night" (a banda desenhada e o filme) por causa da escuridão que tudo consome.
Sinceramente, pareceu-me que o autor teve uma ideia muito interessante e que possivelmente daria para ser contada num formato mais longo, o que, neste caso, me parece que iria favorecer e muito a narrativa.
Infelizmente foi a forma como o autor decidiu contar a história que a degradou mais. Pode ser um estilo do autor (não sei porque nunca li nada dele), mas a forma como se dirige às personagens e a forma como descreve as cenas e especialmente como mostra os diálogos, é no mínimo estranha e não me consegui habituar a ela.

O conto foi interessante e a história, se explorada a todo o seu potencial, poderia ser ainda melhor, mas infelizmente é o tom da narrativa que lhe tira algum mérito, sem deixar de ser ainda assim um conto que entretém.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

::Conto:: Vlad o empalador

"Vlad, o empalador" de João Tordo, na antologia "Contos de Vampiros" (Porto Editora)

Sinopse:
Três crianças, uma visita de estudo, e o vampiro de serviço.

Opinião:
Com uma escrita fluente e simples na sua própria beleza, o autor conta-nos uma história de infância e juventude, de amizade, aventura e especialmente de bullying.
Gostei, pois o conto convidava à leitura, não aborreceu e tinha personagens interessantes. O único ponto fraco foi a pouca originalidade do enredo, pois senti que "já li isto em algum lado". Não literalmente, claro está, mas parece-me que o autor tinha potencialidade para mais.
Isto serviu para me aguçar a curiosidade quanto a outros trabalhos do autor, que certamente voltarei a ler com gosto.

terça-feira, 1 de junho de 2010

::Conto:: Uma noite em Luddenden

"Uma noite em Luddenden" de Hélia Correia, na antologia "Contos de Vampiros" (Porto Editora)

Sinopse:
Um estrangeiro chega à estalagem durante um Inverno rigoroso, depois de ter passado uma noite perdido nas ruínas.

Opinião:
Usando do velho ambiente vampírico, mais medieval, criado e baseado na cultura popular, este conto consegue mesclar o folclore português com o do resto da Europa, fazendo um uso inteligente das diferenças culturais de outros tempo.
O ponto menos a favor foi a introdução demasiado longo, demasiado parada e algo aborrecida, pois assim que a narrativa apanhou o passo, o conto tornou-se muito bom de ler.
Um regresso às origens.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

::Conto:: A Fotografia - a história do vampiro de Belgrado

"A Fotografia (a história do vampiro de Belgrado)" de Gonçalo M. Tavares, na antologia "Contos de Vampiros" (Porto Editora)

Sinopse:
Vujik, surdo-mudo, afirma na sua própria linguagem: gosto de sangue, sangue do século XXI. Colecciona imagens de beleza e perfeição, que come como tinta e alimento para a sua insaciabilidade. Fotografias e mais fotografias. O homem que devora imagens.

Opinião:
Escrito de uma forma diferente, por vezes repetitiva, mas sempre interessante, este conto cativa com as suas palavras, a sua história e as suas ambiguidades. Pena foi o final, que não gostei, embora entendesse o porquê de assim ser.
Confesso que gostaria de ler mais um pouco sobre Vujik e o seu gosto pelo sangue do séc. XXI e talvez por isso não tenha gostado mais deste conto.


Curiosidade:
Este conto parece ter sido adaptado ao teatro.

domingo, 30 de maio de 2010

::Conto:: O Mistério da Rua da Missão

"O Mistério da Rua da Missão" de Ana Paula Tavares, na antologia "Contos de Vampiros" (Porto Editora)

Sinopse:
Na Rua da Missão não existe a casa nº 77.

Opinião:
Com escrita bélica e muito bem ponderada, autora leva-nos ao enredo que criou, enraizado na cultura popular portuguesa, que todos reconhecemos.
Não se lê a palavra vampiro em lado nenhum do conto, nem nos é descrito qualquer ritual que reconheçamos à partida. A autora parece ter ido buscar um significado mais rural e ancestral desta criatura mitológica, dando-nos pistas, mas não chaves.
Foi uma leitura interessante mas que perdeu alguns pontos por pouco desenvolver qualquer uma das personagens, quando todas tinham muito potencial.

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