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sábado, 29 de outubro de 2016

A Vida em Romances - Junho a Setembro

Quatro meses de leituras, uns com muita variedade e outros com pouquíssima. Houve de tudo.


"The Raven King (The Raven Cycle 4)", de Maggie Stiefvater
Este livro vai merecer uma opinião mais detalhada, bem como o seu antecessor. Entretanto posso dizer que a autora soube fechar muito bem a saga e embora eu não concorde com todas as suas decisões, na verdade este foi um livro empolgante, cheio de momentos fortes, crescimento das personagens e a história teve um desfecho merecido. Quando comecei a leitura tive dúvidas que a autora conseguisse atar as pontas todas mas a verdade é que o fez. É uma leitura forte, com algumas cenas bem arrepiantes, mas certamente agradará a quem já leu o resto da série. De verdade que vos tenho de convidar a dar uma oportunidade a esta série pois é mesmo muito boa.
7,5/10

"Teoria Geral do Esquecimento", de José Eduardo Agualusa
Nesta opinião tenho mesmo de citar a Andreia Ferreira que, no seu blog d311nhe4, disse sobre este livro: “Que nome tão apropriado!”. Poucos dias depois de ler o livro já pouco me recordava dele. Os traços gerais da história permanecem mas os nomes das personagens e os seus trilhos pelas páginas varreram-se rapidamente. Não foi um livro que marcou. Por outro lado este livro recordou-me um pouco o “Transparentes” do Ondjaki (opinião aqui), não só porque grande parte da história se passava num prédio mas por causa dos temas e da própria dinâmica da narrativa.
Gostei do facto de ter várias perspectivas diferentes sobre esta época da história de Luanda mas na verdade as personagens, que eram tantas, não tinham suficiente independência para moverem a narrativa. Eram um pouco estéreis. Uma pena, pois a escrita do autor até me agradou.
6/10

"À Boleia Pela Galáxia (Hitchhiker's Guide to the Galaxy 1)", de Douglas Adams
Depois de já ter visto o filme algumas vezes desde que este saiu, tive muita curiosidade por ler o livro que lhe deu origem. Notam-se várias diferenças mas o livro é também ele muito engraçado. O Marvin era demais! E a prosa é tão séria que torna tudo ainda mais divertido. A imaginação do autor é prodigiosa.
O único senão é que por culpa de já ter visto o filme pouca coisa me surpreendeu. Mas recomendo muito esta leitura. E certamente vou ler o livro seguinte da série.
7,5/10

"Stars Above (The Lunar Chronicles 4,5)", de Marissa Meyer
Já publiquei a minha opinião na íntegra noutro post, AQUI.
Mas resumindo gostei bastante de revisitar as personagens, saber um pouco mais do seu futuro e especialmente do seu passado. Também a única história que não tinha relação com nenhuma personagem conhecida foi uma boa leitura. No entanto não acho que quem não seja já fã da série vá apreciar esta antologia. É muito dirigida aos fãs.
7,5/10

"O Retrato da Biblioteca (Imtharien 1)", de Carina Portugal
Já por várias vezes falei na Carina Portugal, por esta ser uma das minhas autoras portuguesas favoritas de fantasia em conto. Por isso tinha muita curiosidade em ler o seu único romance, publicado há alguns anos em ebook. A escrita da autora sobressai mesmo no estilo de romance mas nota-se que entretanto amadureceu bastante. Aqui neste livro a escrita é bela mas sem refreio. Tem floreados que se estendem, por vezes, longe demais. A história tem bastante potencial e certas cenas estão bem conseguidas mas no geral há muitas partes que estão um pouco que a "encher monte". A Liriana não é propriamente uma personagem que me tenha chamado no início mas a sua evolução ao longo do livro, especialmente na segunda metade, foi muito bem conseguida. Personagens como o Leonardo estão muito bem conseguidas, mas por outro lado, tanto a Laura como a Alexis, precisavam de muito mais profundidade, visto que elas são uma parte tão integrante da narrativa. Vê-se que este livro foi escrito com o intuito de ter continuação e eu confesso que não apreciei muito o final.
No entanto vejo o potencial na história e tenho a certeza que se a Carina voltasse a pegar neste projecto agora lhe daria outra vida.
5,5/10

"O Quarto de Jack", de Emma Donoghue
Eu adorei basicamente tudo acerca deste livro mas na verdade não consigo expressar muito bem tudo o que nele gostei e só por isso é que não escrevi uma opinião a solo para ele.
Desde o primeiro parágrafo que fiquei envolvida no livro, coisa que na verdade não esperava. A forma como a autora constrói a narrativa, como nos envolve na vida das personagens e nas sua limitações, a forma como não explica nada e deixa o leitor assimilar a situação ao seu próprio passo, foi a melhor parte. É o tipo de história que me parece absolutamente viável e a carga emocional por detrás desta história é infinita. E a voz do Jack, que é quem narra toda a história, está tão bem conseguida. Pontos máximos para a narração.
Adorei como a saída do Jack para o exterior foi feita, como era nos pequenos detalhes que se via como era difícil para ele mas ao mesmo tempo não era tão difícil como para a sua mãe.
O único senão deste livro é que eu acho que os tempos da acção não são muito realistas, especialmente depois de os dois serem libertos. Tudo aconteceu demasiado rapidamente. A adaptação do Jack foi rápida demais e a admissão da mãe de volta à sociedade também.
9/10

"A História de Uma Serva", de Margaret Atwood
Esta história é daquelas que sabemos que poderiam vir a ser reais, mesmo não querendo acreditar que a sociedade pudesse chegar a estes pontos. A autora mostrou, aos poucos, como a protagonista chegou aonde está, como o mundo em que ela vive conseguiu descer tanto de nível. E na verdade não está a história do mundo cheia de histórias assim? onde um governo totalitário consegue vergar nações? A História de Uma Serva dá que pensar, especialmente depois do meio do livro, quando realmente o leitor começa a perceber o que levou a história até aquele ponto. No início estamos meios perdidos mas a forma como a autora distribui a informação é soberba!
O ponto fraco do livro é, por fim, a própria narração, que tem poucas nuances e soa muitas vezes desinteressada (e não desinteressante). E o epílogo não ajudou muito, na verdade.
No entanto destaco as personagens, a história e a forma como esta nos faz pensar na nossa sociedade moderna, nas que vieram antes de nós e nas que poderão ainda estar para vir.
7/10

"Graceling - O Dom de Katsa (Graceling Realm 1)", de Kristin Cashore
Este livro vai merecer uma opinião separada mas posso já adiantar que o adorei. Katsa é uma protagonista forte e que conduz a história de forma a que o leitor se sinta sempre envolvido, e apesar de a prosa não ser muito rica é bem mais que suficiente para manter o leitor agarrado. O romance é muito bom. Super-fofo! Katsa a Po! E como eu gosto do facto de este livro se levar bem a sério e não se prender nas limitações de outros YA (Romances Young Adult), Tão refrescante! O mundo é também ele fantástico e é sempre refrescante ler high-fantasy onde tanto personagens femininas como masculinas têm um papel predominante e determinante.
8/10

"O Trono de Vidro (Throne of Glass 1)", de Sarah J. Maas
Oh, por onde começar? Tanto Graceling como O Trono de Vidro começam com a premissa de uma protagonista que é uma famosa assassina do reino, mas onde Graceling brilha com uma protagonista forte e independente, O Trono de Vidro tropeça e cai com estrondoso aparato. Não posso evitar compará-los, se bem que apenas superficialmente, pois depois desta premissa semelhante nada é igual.
Em O Trono de Vidro a Celaena é uma protagonista fraca, forçosamente feminina e um pouco infantil. De assassina a rapariga não tem nada. Não mata ninguém quase até ao final do livro e no único combate em que ela entra na competição ela leva porrada forte e feio. Não consegui visualizá-la como sequer aprendiz de assassina, quanto mais assassina profissional e de renome por todo o reino.
O romance também é fraquito. Quase não há química nenhuma entre os cantos do triângulo amoroso, excepto ali uma chama pequenita entre a  Celaenae o Chaol.
A história não me envolveu, as personagens não me prenderam, e não tenho qualquer intenção de ler as sequelas.
5/10

"O Nome do Vento (The Name of the Wind (Kingkiller Chronicles 1))", de Patrick Rothfuss
Ainda continuo dividida na minha opinião deste livro, mesmo já o tendo lido há quase dois meses. Pois eu adoro o mundo que o autor nos mostra, aos bocadinhos; gosto das personagens, mesmo quando as detesto; adoro a prosa que tornou uma história demasiado extensa em algo que se lê muito bem; e vejo imenso potencial nesta série. Contudo acho que há muita coisa desnecessária na história. Muitos detalhes a mais.
Kvothe, o protagonista, é quase perfeito demais (por vezes irrita) mas depois tem aquelas saídas de estupidez que o tornam mais interessante. E na verdade a história é toda um pouco máscula (não consigo descrevê-la de outra forma), embora a personagem da Denna seja refrescante, especialmente mais perto do fim.
Haveria demasiadas coisas a dizer sobre este livro mas o que eu sei mesmo com certeza é que vou ler o seguinte. E convido-vos a experimentar porque a prosa de Patrick Rothfuss merece ser lida.
6,5/10

"Changeless (Parasol Protectorate 2)", de Gail Carriger
Outro livro que merecerá, sem dúvida, uma opinião à parte. Entretanto posso dizer que foi uma delícia regressar a esta série. A escrita da autora é simplesmente fantástica: witty e hilariante! A nova personagem (de grande enfoque) foi uma adição espectacular à série e eu adorei a história do início ao fim, embora aquele final me tivesse caído um pouco mal, ou não fosse ele tão brutal. Tive logo de ir a correr ler o livro seguinte! :)
8/10

"The Man in the High Castle", de Philip K. Dick
Mais uma vez Philip K. Dick dá-nos uma premissa fantástica, mostra uma imaginação prodigiosa, mas depois espeta-se na narração. As suas personagens são interessantes mas pensam todas de uma forma muito semelhante, e se uma foge da norma isso acaba por não ser suficiente. O auto filosofou um pouco demais neste livro.
Mas o que realmente me enervou neste livro foi a falta de um final. Com tantas histórias diferentes contadas no livro, apenas uma se pode dizer que teve um final digno do nome.
No entanto não há como negar a genialidade do livro e da história.
5,5/10

E vocês? Quais foram as vossas melhores leituras dos meses recentes?

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Stars Above

“Stars Above (The Lunar Chronicles 4,5)”, de Marissa Meyer (ainda não publicado em Portugal)

Opinião:
Esta antologia de contos foi lançada já depois do volume final da série The Lunar Chronicles e traz ao leitor histórias que se passam antes do primeiro, ao mesmo tempo que os livros da série e até mesmo depois do último. Com personagens conhecidas dos fãs da série e outras completamente novas. Há de tudo para todos os gostos.
No geral esta antologia tem contos interessantes que dão aos fãs uma visão mais abrangente do passado de quase todas as personagens e, embora nenhum conto me tenha arrebatado, adorei revisitar estas personagens e estes locais.
No entanto julgo que quem não seja já fã da série não será aliciado por este conjunto de contos. Só funciona mesmo com quem já gosta de The Lunar Chronicles.
Fica agora a minha opinião conto a conto:

“The Keeper”
Neste contos ficamos a conhecer melhor a Michelle Benoit, a avó da Scarlet e a pessoa que tomou conta da Cinder enquanto ela recuperava da tentativa de assassinato da sua tia, antes de ser adoptada por Lin Garren. Gostei bastante de conhecer um pouco melhor a personagem da Michelle, da qual sabíamos um pouco desde o segundo livro (Scarlet) mas cujo passado era um grande mistério.
A relação entre a Scarlet e a Michelle é a melhor parte deste conto. O amor entre avó e neta transparece nas cenas e diálogos que partilham. Infelizmente o mesmo não se pode dizer das cenas entre a Michelle e o Logan que pecaram pela falta de garra e de alguma atracção. Afinal os dois tinham uma história em conjunto, por mais breve que esta fosse. E sendo que os dois se envolveram e que vêm de passados tão distintos, havia potencial para situações mais intensas.
Dito isto, gostei deste pequeno conto mas ficou a vontade de ler algo mais.

“Glitches”
Já tinha lido este conto individualmente mas decidi voltar a escutá-lo para ver se da segunda vez era diferente e, realmente, foi um pouco, embora eu continue a achar que, tendo em conta o tipo de situação que ocorre no final, a emoção foi pouca. A tragédia não me comoveu.
No entanto este conto consegue dar-nos uma visão ainda melhor da Aubrey e das suas duas filhas, com a introdução do Garren. E permite-nos perceber um pouco melhor a animosidade da Aubrey para com a Cinder.

“The Queen’s Army”
O passado e origens do Wolf tinha sido referido várias vezes em Winter (o último livro da série) e este conto veio complementar tudo isso.
Gostei do facto de termos começado num tempo em que o Wolf ainda vivia com a família e depois termos lido sobre algumas das situações mais marcantes na sua vida no exército da rainha mas exactamente por só termos visto esses momentos mais fortes achei que faltou alguma ‘polpa’. E a cena com a rainha Levana também poderia ter sido mais bem descrita, mais empolgante.
No entanto acho que foi uma boa forma de nos mostrar as origens do Wolf e da sua personalidade e dos seus medos.

“Carswell’s Guide to Being Lucky”
Também já tinha lido este conto mas não tinha deixado opinião aqui no blog.
Esta segunda leitura foi ainda melhor. Vemos apenas uns dias da vida do Carswell mas é o suficiente para ficarmos a perceber um pouco melhor a sua personalidade e as suas origens. Achei a interacção com os seus pais especialmente revigorante.

“After Sunshine Passes By”
Ao contrário do que aconteceu com o conto do Wolf (The Queen’s Army) aqui não temos oportunidade de ver ou saber quase nada sobre a vida dos Shells. Isso para mim foi o que falhou. Este conto na verdade não traz nada de novo ao que já sabemos das personagens nele incluídas: Cress e Sybill. Mostra-nos apenas quando a Cress foi levada para o seu satélite mas não há nada que marque o leitor ou que fortaleça as personagens, excepto talvez o final e a solidão da Cress, mas depois ficamos como que pendurados, sem saber realmente a essência do que ela sentiu.

“The Princess and the Guard”
Um dos melhores contos da antologia, foca-se na vida de Winter enquanto criança e nos momentos que mais a marcaram até à adolescência. Sinto que se tivesse lido este conto antes de ler Winter teria tido ainda mais afinidade pelo casal Jacin+Winter porque, aqui sim, a relação dos dois floresce. As cenas estão todas bem escritas e são envolventes, além de vermos como cada momento marcou a Winter e o Jacin e a Levana. Gostei de todo o conto. Foi dos meus favoritos da antologia.

“The Little Android”
Este é o único conto da antologia que não se foca numa personagem existente na série. Aqui conhecemos um andróide que ganha afecto por um humano e que, depois de o salvar, tenta desesperadamente aproximar-se mais dele.
Gostei muito de como o andróide foi retratado, e da subtileza do uso da humanização do mesmo. Além de que a personagem seguiu por um caminho que eu não contava e é sempre bom ser surpreendida.

“The Mechanic”
Para mim o facto de este conto ser, basicamente, um recontar do início de Cinder mas desta vez na perspectiva do Kai até foi interessante. Como já não me recordava de tudo ao pormenor foi bom de rever o momento em que se conheceram, mas talvez para quem tenha lido recentemente o primeiro livro da série este conto já não seja tão interessante.
De qualquer forma é sempre uma boa maneira de saber um pouco mais sobre o Kai e o que o motiva.

“Something New, Something Old”
Foi bom ler algo passado depois de Winter, visto que todos os outros contos desta antologia aconteceram antes dos livros da série. Revisitar a quinta da Scarlet, e rever todas as personagens foi fantástico, especialmente pelo facto de que houve uma boda e esta foi tão diferente (embora menos não fosse de esperar, tendo em conta quem se estava a casar).
Achei, contudo, que o conto foi um pouco inocente. As barreiras do YA toldaram algumas cenas mais românticas entre a Cinder e o Kai com modéstia a mais.Faltou ali algo. Não que esteja a dizer que deviam ter existido cenas picantes porque nem se enquadraria com o resto da série, mas um pouco mais de chama seria uma mais valia para este conto. Apesar disso a relação entre o Wolf e a Scarlet esteve no seu melhor, assim como a interacção de amizade entre os personagens. A surpresa que eles preparam para a noiva foi muito boa.
Além disso o conto termina de forma muito amorosa e, certamente, fará as delicias dos fãs da série.

Sinopse (inglês):
The enchantment continues....
The universe of the Lunar Chronicles holds stories—and secrets—that are wondrous, vicious, and romantic. How did Cinder first arrive in New Beijing? How did the brooding soldier Wolf transform from young man to killer? When did Princess Winter and the palace guard Jacin realize their destinies?
With nine stories—five of which have never before been published—and an exclusive never-before-seen excerpt from Marissa Meyer’s upcoming novel, Heartless, about the Queen of Hearts from Alice in Wonderland, Stars Above is essential for fans of the bestselling and beloved Lunar Chronicles.
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The Little Android: A retelling of Hans Christian Andersen’s “The Little Mermaid,” set in the world of The Lunar Chronicles.
Glitches: In this prequel to Cinder, we see the results of the plague play out, and the emotional toll it takes on Cinder. Something that may, or may not, be a glitch….
The Queen’s Army: In this prequel to Scarlet, we’re introduced to the army Queen Levana is building, and one soldier in particular who will do anything to keep from becoming the monster they want him to be.
Carswell’s Guide to Being Lucky: Thirteen-year-old Carswell Thorne has big plans involving a Rampion spaceship and a no-return trip out of Los Angeles.
The Keeper: A prequel to the Lunar Chronicles, showing a young Scarlet and how Princess Selene came into the care of Michelle Benoit.
After Sunshine Passes By: In this prequel to Cress, we see how a nine-year-old Cress ended up alone on a satellite, spying on Earth for Luna.
The Princess and the Guard: In this prequel to Winter, we see a game called The Princess
The Mechanic: In this prequel to Cinder, we see Kai and Cinder’s first meeting from Kai’s perspective.
Something Old, Something New: In this epilogue to Winter, friends gather for the wedding of the century...

domingo, 24 de julho de 2016

Winter

“Winter (The Lunar Chronicles 4)”, de Marissa Meyer (ainda não publicado em Portugal)

Opinião:
Estava ansiosa por ler a conclusão deste série, ou não fosse ela uma das minha favoritas dos últimos anos e, tendo já lido três capítulos de antevisão que saíram na edição de Fairest, a antecipação era muita.
Winter começa quase onde Cress termina e fala-nos logo um pouco mais da princesa de Luna, Winter, e o seu amigo de infância, Jacin. Pois embora ambos já tivessem surgido nos livros anteriores foi neste que realmente os ficamos a conhecer. A eles e ao que já os une. Mas, talvez por ser, dos quatro casais da série, o único que já tinha uma ligação emocional e afectiva antes de o leitor o conhecer, o desenvolvimento não tenha sido tão marcante. Isso e também porque, bem, havia coisas mais prementes a acontecer na trama (embora nesta série haja sempre algo de grande a acontecer). E não é que o romance entre a Winter e o Jacin não seja fofo e o leitor não torça por eles, mas tudo o resto de sobrepôs um pouco a eles. Contudo, no início algumas das cenas foram excelentes alicerces para a relação destes dois, especialmente a cena do castigo do Jacin e da fuga da Winter. Mas visto que o leitor não presenciou o início da relação essa é uma falta que se sente.
Como personagens individuais são ambos muito interessantes, especialmente a Winter que não tem a garra da Cinder ou da Scarlet, ou a capacidade da Cress, mas que não lhes fica atrás com a sua lógica lunática e brilho geral. Não admira que o povo de Luna a adore. O Jacin, que já tinhamos visto mudar no livro anterior, fê-lo ainda mais neste último livro, mantendo-se ainda assim fiel ao de sempre: proteger a Winter.

A história teve neste volume várias revelações, várias reviravoltas e muitas cenas fortes, desde a quase morte da Cinder, à visita às colónias lunares, ao casamento da Levana com o Kai, o que não faltaram foram cenas poderosas em que o leitor se embrenhou mais e mais nesta série e investiu mais no seus desfecho.
E embora nem tudo me neste último volume fosse do meu total agrado, a verdade é que um final previsível nem sempre é mau, como se prova aqui. A Cinder cresceu muito enquanto personagem ao longo dos livros e isso notou-se especialmente na segunda metade deste livro.
O pior deste livro, e talvez mesmo o único defeito, acabou por ser a Levana que se foi abaixo e que não se revelou uma grande vilã neste livro. Ficou muito aquém daquilo que se esperava dela e a sua maldade concentrou-se mais na Winter do que na Cinder que era a maior ameaça. Mas mesmo com a Winter acho que as suas artimanhas foram fracas.

Tirando isso adorei o desfecho da série, a forma como todas as personagens tiveram espaço para evoluir. Foi um final merecedor que me deixou contente e satisfeita com uma série que foi uma das que mais gostei de ler nos últimos anos. Recomendo!

Sinopse (em inglês):
Princess Winter is admired by the Lunar people for her grace and kindness, and despite the scars that mar her face, her beauty is said to be even more breathtaking than that of her stepmother, Queen Levana.
Winter despises her stepmother, and knows Levana won’t approve of her feelings for her childhood friend—the handsome palace guard, Jacin. But Winter isn’t as weak as Levana believes her to be and she’s been undermining her stepmother’s wishes for years. Together with the cyborg mechanic, Cinder, and her allies, Winter might even have the power to launch a revolution and win a war that’s been raging for far too long.

Booktrailer (em inglês):

sábado, 23 de abril de 2016

Dia Internacional do Livro e dos Direitos do Autor

Não podia deixar passar o Dia Internacional do Livro e dos Direitos do Autor em branco, certo?

Por isso gostaria de vos convidar a divulgar, aqui e nas redes sociais, quais os vossos autores favoritos de sempre e qual o(s) livro(s) que leram este ano que mais gostaram.

E porque além de autora sou também leitora, deixo uma pequena lista de alguns dos meus autores favoritos (sem ordem de preferência): Markus Zusak, Marissa Meyer, Luís Filipe Silva, Edgar Allan Poe, J.K. Rowling, Carina Portugal, Brandon Sanderson, Vitor Frazão, Robin Mckinley, João Barreiros, Manuel Alves.
E o livro que mais gostei de ler este ano foi: "28 Days Later", uma banda desenhada de Micheal Alan Nelson e Declan Shalvey.

E não se esqueçam de respeitar sempre o trabalho do autor, seja ele escritor, fotógrafo, músico, ilustrador, compositor, escultor ou outro "-or".
Ajudem os autores e lembrem-se de, sempre que usam uma foto linda no vosso mural do facebook ou no blog, mencionar que é o autor (ou caso não saibam referir isso mesmo). Os autores do mundo inteiro agradecem!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Fairest

"Fairest (The Lunar Chronicles 3,5)", de Marissa Meyer (ainda não publicado em Portugal)

Este livro é na verdade uma prequela à série The Lunar Chronicles (por isso não entendo como a listara como sendo o livro entre o terceiro e o quarto visto que os acontecimentos narrados, quase na totalidade, acontecem bem antes do primeiro). Nele ficamos a saber um pouco mais sobre Levana, a grande vilã da história, e também da sua irmã, raínha Channary, assim como temos um vislumbre das origens da Winter e da Cinder. Winter é também a personagem que dá nome ao último livro da série, lançado recentemente, e que eu estou agora a ler (por isso a opinião deve sair antes do final do ano, se tudo correr bem).
Tenho no entanto de confessar que fiquei um pouco decepcionada quando percebi que o livro começava logo com uma Levana adolescente, sem que tenhamos grandes vislumbres da sua infância, tirando duas situações muito marcantes da dita. Contudo, visto que a história se inicia num dos momentos mais marcantes da sua vida, o leitor consegue acompanhar ao longo das páginas a degradação gradual da personalidade de Levana, apesar de já antes disso ela ter muitos traços de egocentrismo extremo e absolutismo lunático (pun intended * trocadilho intencional). Consegui inclusivé sentir pena dela e do ambiente em que ela cresceu, o que já é dizer muito visto que se leram algum livro da série vão perceber que ela é uma personagem completamente detestável.

Toda a história entre ela e o pai da Winter, o Evret, foi dolorosa de se ler e impressionante de seguir porque havia ali amor mas era um amor tão cego e unilateral que só podia acabar mal. Uma cena em particular ficou-me gravada na memória.
*Spoilers* Foi aquela em que a Levana usou os seus poderes para ficar a aparência da mãe da Winter, Solstice, enquanto ela estava grávida, e é depois apanhada pelo Evret e ganha-lhe gosto. *fim de Spoilers* Essa, para mim, foi uma das cenas que mais definiu a personalidade da Levana e o que ela seria daí para a frente, sendo que a cada nova situação ela ficava pior.
Impressionantemente a Channary no início era bem pior que a Levana mas quando a Cinder nasceu tudo mudou.

Em suma, Fairest é um bom complemento ao universo de The Lunar Chronicles, mostrando-nos o passado que moldou a Levana e também as raízes da Cinder e da Winter. Um bom pequeno livro que traz muito de novo à série, com personagens fortes e cenas intensas, mais a nível psicológico que propriamente de acção. Vale a pena ser lido por quem já segue a série,

Sinopse:
In this stunning bridge book between Cress and Winter in the bestselling Lunar Chronicles, Queen Levana’s story is finally told.
Mirror, mirror on the wall,
Who is the fairest of them all?

Fans of the Lunar Chronicles know Queen Levana as a ruler who uses her “glamour” to gain power. But long before she crossed paths with Cinder, Scarlet, and Cress, Levana lived a very different story – a story that has never been told . . . until now. 
Marissa Meyer spins yet another unforgettable tale about love and war, deceit and death. This extraordinary book includes full-color art and an excerpt from Winter, the next book in the Lunar Chronicles series.


Booktrailer: 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Compras Literárias de Abril e Maio 2015

Depois de muito baalhar com o meu portátil, que de há um mês para cá está mais lento que um caracol, lá consegui pôr online o vídeo das comprinhas dos últimos meses.



Compras:
- "Beterraba - a Vida numa Colher", de Miguel Rocha;
- "Sete Minutos depois da Meia-Noite", de Patrick Ness;
- "Black God 15 a 19), de Dall-Youn Lim e Sung-Woo Park;
- "Cress", de Marissa Meyer;
- "Vingadores vs X-Men", de Brian Michael Bendis, Ed Brubaker, Jason Aaaron, Matt Fraction;
- "À Lareira, vol. 2" de José Viale Moutinho;
- "Pássaros sem Asas", de Louis de Bernières.

E vocês? Que livrinhos adquiriram nos últimos meses?

terça-feira, 2 de junho de 2015

Top Ten Tuesday - Livros para filmes ou séries de TV

De vez em quando lembro-me de fazer o Top Ten Tuesday e como o tema desta semana é Top Ten Books I'd Love To See As Movies/Tv Shows (Livros que adoraria ver como filmes ou séries de TV), porque não fazer uma nova listinha?

Para quem ainda não sabe o Top Ten Tuesday é uma rubrica semanal liderada pelo The Broke and the Bookish, que convida os bloggers a fazerem uma lista relacionada com livros e com um tema diferente todas as semanas (podem saber tudo AQUI). Todos podem participar!



 E os elegidos para Livros que adoraria ver convertidos em filmes ou séries de TV são:
1) Leviathan / Behemoth / Goliath, de Scott Westerfeld - Acho que a série daria uma excelente série;
2) Eternal Sabbath, de Fuyumi Soryo -Tanto poderia dar um filme ou uma pequena série, nem percebo porque nunca foi feito um anime :(;
3) A Filha da Floresta, de Juliet Marillier - Há algum livro da autora passado para o cinema? Se não houver é uma falha enorme, parece-me ...;
4) Três Sombras, de Cyril Pedrosa - Com desenho e direcção artística do próprio; ia ser muito bom!
5) Império Final / O Poço da Ascenção / The Hero os Ages, de Brandon Sanderson - Podia resultar numa série fabulosa;
6) The Martian, de Andy Weir - Acho que ia funcionar bem como um filme;
7) Cinder / Scarler / Cress / Winter, de Marissa Meyer - Dava um grupo de filmes bastante interessantes, a meu ver;
8) Body Bags, de Jason Pearson - Uma BD muito gráfica que sempre me pareceu que daria um espectáculo visual fantástico em tela;
9) As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e PizzaBoy (e sequelas), de Filipe Melo e Juan Cavia - Só porque seria muito bom ver isto no cinema!;
10) Comandante Serralves - Despojos de Guerra, de Ana Ferreira, Carlos Silva, Inês Montenegro, Joel Puga, Rui Leite, Vitor Frazão - Uma série com as aventuras deste comandante, poderia ser muito interessante;

E vocês? Que livros mais gostariam de ver passados para o pequeno e o grande ecrã?

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Leituras e Compras de Março 2015

Vídeo das leituras e compras literárias do passado mês de Março.


Leituras:
- "Beautiful Ruins (A Bela Americana)", Jess Walter
- "Por Mundos Divergentes", Ana C. Nunes, Nuno Almeida, Pedro G.P. Martins, Ricardo Dias, Sara Farinha
- "Anna Dressed in Blood", Kendare Blake
- "A Trilogia de Nova Iorque", Paul Auster
- "Fairest", Marissa Meyer
- "A Morte de Ivan Ilitch", Lev Tolstoi
- "Gantz - 30 a 37", Hiroya Oku
- "Três Sombras", Cyril Pedrosa
- "Y - The Last Man - 2 a 10", Brian K. Vaughan, Pia Guerra
- "Dança do Corvo", Vitor Frazão
- "Monociclo", Vitor Frazão

Compras:
- "À Lareira - Volume 1", José Viale Moutinho
- "Três Sombras", Cyril Pedrosa
- Dicionário Escolar de Alemão-Português, Português-Alemão

segunda-feira, 2 de março de 2015

Cress - divulgação

Este mês vai ser lançado em Portugal o terceiro volume da série "As Crónicas Lunares" da Marissa Meyer: "Cress". Podem ler a minha opinião a este livro AQUI. E para perceber o quanto eu aconsleho esta série, leiam a minha opinião aos 3 livros que li até agora.

Título: Cress
Autor: Marissa Meyer
Editora: Planeta
Edição: 4 de Março de 2015
Preço: 21,95€

Sinopse: Neste terceiro livro de Marissa Meyer, Cinder e o capitão Thorne estão escondidos com Scarlet e Wolf. Juntos, conspiram para derrubar a rainha Levana e impedir o seu exército de invadir a Terra. 
A sua melhor esperança é Cress, uma jovem presa num satélite desde a infância e que apenas tem os netscreens como companhia. Todo este tempo passado a olhar para os ecrãs fez dela uma excelente hacker. Mas infelizmente, é obrigada a trabalhar para a rainha Levana, e recebeu ordens para localizar Cinder e o seu bonito cúmplice. 
Quando o ousado resgate de Cress corre mal, o grupo desmembra-se. Cress obtém por fim a liberdade, mas com um preço mais elevado do que jamais pensou. Entretanto, a rainha Levana não vai deixar nada impedir o seu casamento com o imperador Kai. Cress, Scarlet, e Cinder podem não ter sido designadas para salvar o mundo, mas são a única esperança do mundo.

Sobre o autor: Marissa Meyer vive em Tacoma, Washington, na companhia do marido e de dois gatos. É fã de coisas bizarras, como Sailor Moon ou Firefly e organiza a biblioteca por cores. Desde criança que é apaixonada por contos de fadas, um mundo que não tenciona abandonar. Pode ser que seja cyborg, ou talvez não. Cinder é o seu primeiro romance

Onde comprar: Wook, Fnac, Bertrand, ou em qualquer loja que venda os livros da editora.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Compras e Leituras - Novembro 2014


Novembro 2014

Compras:
- "Contagem Descrescente", do Bruno Franco
- "O que podemos aprender com o Dartacão e a Abelha Maia", do Gabriel Garcia de Oro
- "Literatura de Cordel", de José Viale Moutinho

Leituras:
- "Kraken", do China Miéville
- "Carswell's Guide to being lucky", da Marissa Meyer
- "Naruto (últimos volumes)", do Masashi Kishimoto
- "Drácula", do Bram Stoker

Nota: O blog tem estado parado mas espero antes do fim do ano voltar em força. Afinal tenho um aniversário para celebrar! :D

terça-feira, 24 de junho de 2014

Cress

"Cress (The Lunar Chronicles 3)", de Marissa Meyer (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse (inglês):
In this third book in the Lunar Chronicles, Cinder and Captain Thorne are fugitives on the run, now with Scarlet and Wolf in tow. Together, they’re plotting to overthrow Queen Levana and her army.
Their best hope lies with Cress, a girl imprisoned on a satellite since childhood who's only ever had her netscreens as company. All that screen time has made Cress an excellent hacker. Unfortunately, she’s just received orders from Levana to track down Cinder and her handsome accomplice.
When a daring rescue of Cress goes awry, the group is separated. Cress finally has her freedom, but it comes at a high price. Meanwhile, Queen Levana will let nothing prevent her marriage to Emperor Kai. Cress, Scarlet, and Cinder may not have signed up to save the world, but they may be the only hope the world has.
 


Opinião (audiolivro):
Bem tinha dito que ia esperar para ler o terceiro livro, para não deixar um buraco de tempo tão grande entre este e o quarto (e último, que só é lançado em 2015) mas não resisti e lá peguei no audiolivro.

A história continua exactamente onde o anterior terminou e a acção não demora a arrancar. E não pára, por um segundo, durante o livro todo. Acreditem, mal há tempo para respirar. Estão sempre a acontecer coisa mas não foi por isso que o desenvolvimento das personagens sofreu danos.
Como bom penúltimo livro, este faz um bom trabalho a elevar as apostas. Tudo vai piorando de cena em cena, as coisas parecem cada vez mais impossíveis e as poucas vitórias têm sempre um sabor amargo. E nisso o livro é absolutamente fenomenal, mantendo o leitor em constante estado de alerta, com os nervos à flor da pele, à espera do pior.
E o pior efectivamente acontece mas, ainda assim, a autora parece ter medo de ir mais longe. Ok, eu sei que isto continua a ser um livro YA (Young Adult - para adolescentes e jovens adultos) mas eu teria sentido mais pena da Scarlet se tivesse vivido algumas das suas torturas (não que eu queira, mas da forma como foi narrado não parece 'real') e outra coisa: *ATENÇÃO: SPOILERS* Já adivinhava que alguém da equipa da Cinder ia ser infectado com o vírus da Letumosis, mas eu esperava que fosse a Cress, e com isso o Dr. Erland fosse obrigado a encontrar uma cura. Isso sim teria impacto! Isso sim poria a história noutro nível! E apesar de eu ter chorado bastante com a morte do Dr. Erland a verdade é que senti que noutra qualquer personagem o impacto seria mil vezes maior.
Outra coisa que não gostei no desnrolar da história foram três facilidades: A facilidade com que o Thorne se habitou à cegueira (para se movimentar e defender); a facilidade com que a Cress se habituou à terra (e a falta de alguma doença que a afectasse, afinal ela viveu sempre enclausurada num ambiente esterelizado, ao vir para a Terra devia sofrer nem que fosse de uma gripe); e a facilidade com que eles conseguiram infiltrar-se no castelo e raptar o imperador. Sendo que esta última é a pior de todas. Não é credível! *FIM DOS SPOILERS*

A nível de personagens, mais uma vez, adorei quase todas. A Cress, no início do livro, é absolutamente adorável e vai amadurecendoao longo da história. E, apesar de eu sentir falta de alguma inocência no fim do livro, não deixou de ser adorável. O Thorne é uma personagem complexa e a quem apetece dar uns murros  mas que, por isso mesmo, é das minhas favoritas. A Cinder é a que fica mais igual a si mesma, apesar de ganhar uma maior percepção do seu poder e do que isso implica. O Wolf, infelizmente, teve menos espaço do que seria desejável, mas ainda assim foi dos que mais me apertou o coração. A Scarlet, por outro lado, não teve a atenção merecida, assim como a Winter e a Levana. Mas estas duas ainda têm o seu tempo (livros só dedicados a elas). Uma boa surpresa foi o Kai, que finalmente ganhou espinha! Já não era sem tempo. Gostei muito dos capítulos finais por causa de voltar a reuní-lo com a Cinder e por finalmente eles se entenderem.
Tenho também que acrescentar que adorei as cenas no deserto e da posterior separação do Thorne e a Cress. Foi bom ver o desenvolvimento dos sentimentos dos dois. Contudo o que não foi bom foi aquela conversa final dos dois. Que raio? A autora tem mesmo que forçar todas as relções para serem emendadas apenas no último livro? Vá lá!

A escrita da autora continua a aliciar-me e a funcionar muito bem no tipo de história que conta. Só tenho pena que não se atrevesse a ir mais longe com a sua crueldade, porque se vamos ser crueis, mais vale sê-lo e assumi-lo com todas as letras. E, claro, os facilistmos que não deveriam ter acontecido. *ATENÇÃO: SPOILERS* Seis marmanjos sem treino quase nenhum nunca conseguiriam entrar num palácio altamente guardado, desactivar o sistema de segurança, raptar o principe regente e sair praticamente ilesos da aventura. Vá lá! *FIM DOS SPOILERS* Há limites para a minha credulidade.


Em suma, Cress foi mais uma aventura divertidas das Crónicas Lunares e, apesar de não ser tão bom como os dois anteriores, ainda assim conseguiu abrir caminho para o que promete ser um bombástico final para a série. Na verdade não estou tão curiosa por saber a história do Jacin e da Winter (porque ainda os conhecemos mal), quanto estava pela do Thorne e da Cress mas ainda assim a vontade é muito e esperar até Novembro de 2015 vai ser um suplício.

Narração (Rebecca Soler):
Tal como nos dois livros anteriores, a voz da Rebecca Soler funcionou maravilhosamente. Não é a melhor que já ouvi mas tem uma boa dicção e aconselho estes audiolivros.
 
Nota: A capa Checa é muito gira! Não consegui evitar colocá-la aqui (à direita)

Nota 2: A minha alma está parva! Acabei agora (quando estava escrever a opinião) de descobrir que a Mariss Meyer vai lançar um livro dedicado à Levana! Yupi! Era isto que estava a faltar! Sempre achei que, para a Levana ser mais que uma vilã genérica, a história dela tinha de ter mais destaque, e aqui está. Fairest vai ser lançado em 27 de Janeiro de 2015.
O que não é nada fixe é o facto de terem atrasado o lançamento de Winter, o quarto e último livro da série, para 10 de Novembro de 2015. Bem, ao menos temos o Fairest, entretanto. Mas mesmo assim ... Eu não queria esperar tanto pelo fim da série.
Vejam a capa animada de Fairest

O.O Um pouco assustador.

Booktrailer de Cress:

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Scarlet

"Scarlet (The Lunar Chronicles 2)", de Marissa Meyer (Editorial Planeta)

Sinopse:
Cinder elabora um plano para fugir da prisão e, se for bem-sucedida, irá tornar-se a fugitiva mais procurada da Comunidade. Do outro lado do mundo, a avó de Scarlet Benoit desapareceu. Scarlet entra em pânico e, na sua busca, acaba por descobrir que existem muitas coisas sobre a avó que desconhece, assim como ignorava o grave perigo que correu toda a vida. Quando Scarlet encontra Wolf, um lutador de rua que poderá ter informações sobre o paradeiro da avó, sente-se relutante em confiar nele, mas ao mesmo tempo sente-se inexplicavelmente atraída. Scarlet e Wolf tentam desvendar o mistério do desaparecimento da avó, mas deparam-se com outro quando encontram Cinder. Além de todos os problemas em que estão mergulhados, ainda terão de antecipar os passos da maléfica rainha Levana, que fará qualquer coisa para que o belo príncipe Kai se torne seu marido, seu rei, seu prisioneiro.

Opinião (audiolivro):
Normalmente as sequelas são sempre mais fracas que os primeiros livros. Pois, Scarlet não foi! Confesso, como céptica que sou em relação a séries de livros, estava preparada para uma decepção. Felizmente enganei-me e Scarlet foi praticamente tão bom como Cinder. Em certos aspectos chegou até a ser melhor.

A história começa exactamente onde o anterior terminou, com Cinder a tentar escapar da prisão e, graças aos seus novos membros cibernéticos e aos seus poderes lunares, ela consegue fazê-lo com relativa facilidade. À perna leva Thorne, que é, deixem-me dizer, a melhor personagem masculina da série até agora. Vá, o Wolf também é fixe mas o Thorne bate tudo, porque tem sentido de humor. Os outros são sisudos. E o Kai não conta, porque até arranjar uma espinha dorsal eu vou ignorá-lo. (Espero mesmo que ele páre de ser uma marioneta. Kai faz alguma loucura, por favor!)
E bem, já me dispersei. Mas já que falo em personagens, e para não pensarem que são só os homens da série que dão tinta,  há que dizer que a Scarlet é badass! É que a Cinder é forte mas é porque também tem a ajuda da sua parte cyborg e do seu dom Lunar, mas a Scarlet é só humana e ela parte a louça toda. Literalmente, desde o primeiro capítulo em que aparece. Adorei-a!
A Cinder também esteve muito bem, especialmente o conflito interior que tinha por causa do seu dom Lunar. E, felizmente, no fim lá tomou uma decisão madura e decidiu levar a luta à Levana, em vez de andar sempre a fugir. Quem dera que o Kai aprendesse com ela!
Ainda no plano das personagens, tenho é de retirar algo que disse na minha opinião do Cinder: Não! A autora afinal não soube fazer da madrasta algo mais que uma vilã genérica. Caramba! A mulher apareceu numa cena e não podia ser mais ... madrasta (nada contra as madrastas, mas vocês sabem o que eu quero dizer; e por falar nisso, nunca entendi porque estas familiares eram sempre mostradas como más nestas histórias). E por falar em vilãs, ainda estou à espera de perceber as verdadeiras motivações da Levana. Ninguém nasce má! O que e que a pôs assim? E porque é que o Kai não lhe deu um tiro nos miolos quando ela ameaçou cortar-lhe a língua, invadiu o seu escritório e lhe paralisou os conselheiros. Kai, ganha espinha dorsal, por favor!
Ok, já devem ter percebido que esta série mexe comigo, mas isso é óptimo. Adoro quando estou a ler uma história e me apetece entrar nas páginas para fazer algo diferente. Isso significa que a leitura me está a afectar, que me sinto envolvida, para o bem e para o mal.

De volta à história, descobrimos finalmente o que aconteceu com Cinder quando veio parar à Terra e porque é que ela não se recorda de nada. O elo de ligação entre a Cinder e a avó da Scarlet está muito bem conseguido. Bem jogado!
Depois temos a sempre presente ameaça de guerra entre a Terra e a Lua, que está cada vez mais perto (e aquele vislumbre do exército Lunar, no final, é premonitório). O ataque que a Levana levou a cargo na Terra podia ter tido mais impacto, se as personagens não estivessem tão distantes. Mas nesse caso acabou por ser Kai quem nos deu uma melhor visão do terror, e a decisão dele, apesar de imbecil, não deixa de ser compreensível. Não que isso vá resolver grande coisa mas ao menos atrasou o massacre e, no final de contas, é isso o melhor que ele poda fazer, dadas as circunstâncias.
Depois temos a história da Scarlet (a capuchinho vermelho) à procura da avó que, na realidade, foi grande parte do livro, e muito bem. Como já disse, adorei a Scarlet e adorei o Wolf, por isso o que há para desgostar no tempo em que passaram juntos? O relacionamento dos dois foi muito bem explorado e, apesar da traição (que se viu à distância), não havia dúvidas do que ia suceder no fim. Neste ponto o livro foi muito mais bem conseguido que o Cinder, já que o leitor teve tempo para conhecer os dois e perceber as suas motivações e o que os unia.

A escrita da autora continua fascinantes, muito carregada de emoção e acção. Este livro foi bem mais cheio de adrenalina que o primeiro mas houve um excelente equilíbrio com os momentos de (suposto) relaxe, onde conhecemos melhor as personagens e os seus relacionamentos.

Em suma, Scarlet foi uma excelente leitura, uma sequela muito bem conseguida. Empolgante, envolvente e que me deixou com uma vontade enorme de ler Cress (o terceiro livro da série). E só não o fiz logo porque o quarto (Winter) só sai em 2015 e eu não quis ficar tanto tempo à espera. Assim espaço um pouco mais a leitura a ver se não custa tanto. Mas já sei que não vou conseguir esperar muito mais por Cress. Será que também vai ser uma boa surpresa? Espero bem que sim!

Nota: Sou eu a única a pensar: "Sailor Moon" quando estou a ler isto? A Cinder é a Usagi (Bunny), a Cress é a Ami e a Scarlet é a Rei (Rita). Tenho dito!
Nota 2: Porque é que as protagonistas têm os nomes em Inglês? A Cinder vivia na Ásia, a Scarlet é da França e ambas têm nomes em Inglês? Não faz sentido! É só mesmo para ficar bem nos títulos.


Narração (Rebecca Soler):
Nada a apontar. Mais um bom trabalho da naradora.


Booltrailer:

sábado, 10 de maio de 2014

::Autor:: Marissa Meyer

Biografia (via Wook):
Marissa Meyer vive em Tacoma, Washington, na companhia do marido e de dois gatos. É fã de coisas bizarras, como Sailor Moon ou Firefly e organiza a biblioteca por cores. Desde criança que é apaixonada por contos de fadas, um mundo que não tenciona abandonar. Pode ser que seja cyborg, ou talvez não. Cinder é o seu primeiro romance.

Livros que li da autora:
Cinder (The Lunar Chronicles 1) - Opinião
Scarlet (The Lunar Chronicles 2) - Opinião
Cress (The Lunar Chronicles 2) - Opinião
Carswell's Guide to being lucky - Opinião Vídeo

Livros editados em Português:
Cinder (Crónicas Lunares 1), Editorial Planeta (2012)
Scarlet (Crónicas Lunares 2) , Editorial Planeta (2013)

A visitar: Site Oficial da Autora, Facebook da Autora, Twitter da Autora, Autora no Goodreads,Planeta (editora portuguesa),

terça-feira, 22 de abril de 2014

Cinder

"Cinder" de Marissa Meyer (Planeta)

Sinopse:
Com dezasseis anos, Cinder é considerada pela sociedade como um erro tecnológico. Para a madrasta, é um fardo. No entanto, ser cyborg também tem algumas vantagens: as suas ligações cerebrais conferem-lhe uma prodigiosa capacidade para reparar aparelhos (autómatos, planadores, as suas partes defeituosas) e fazem dela a melhor especialista em mecânica de Nova Pequim. É esta reputação que leva o príncipe Kai a abordá-la na oficina onde trabalha, para que lhe repare um andróide antes do baile anual.
Em tom de gracejo, o príncipe diz tratar-se de «um caso de segurança nacional», mas Cinder desconfia que o assunto é mais sério do que dá a entender.
Ansiosa por impressionar o príncipe, as intenções de Cinder são transtornadas quando a irmã mais nova, e sua única amiga humana, é contagiada pela peste fatal que há uma década devasta a Terra. A madrasta de Cinder atribui-lhe a culpa da doença da filha e oferece o corpo da enteada como cobaia para as investigações clínicas relacionadas com a praga, uma «honra» à qual ninguém até então sobreviveu. Mas os cientistas não tardam a descobrir que a nova cobaia apresenta características que a tornam única. Uma particularidade pela qual há quem esteja disposto a matar.



Opinião (audiolivro):
Como fã dos contos reunidos pelos irmãos Grimm, fico sempre curiosa com as reinterpretações que os autores fazem destes clássicos.Se bem feitos, claro. E, como se pode adivinhar pela capa de Cinder e pelo nome do próprio livro, este é um recontar de Cinderella, mas não é ela a única a aparecer neste livro, ou sequer na série.

Cinder acontece  num mundo futurista, recém-formado após a IV Guerra Mundial, mas devastado por uma nova doença que ilude os cientistas da época.
Cinder, a protagonista, é uma cyborg que trabalha como mecânica de androids e é quem sustenta a madrasta e as duas irmãs. Peony, uma das irmãs, é muito amiga de Cinder mas os restantes membros da família vêem-na como um carrapato. Mesmo quando ela é a seu única fonte de rendimento.
A princípio parece que esta dinâmica familiar é muito previsível, mas a autora dá-lhe nova profundidade e o ódio da madrasta até tem a sua lógica (não que isto a torne numa personagem menos desprezível). Afinal de contas o seu falecido marido adoptou Cinder sem razão aparente e deixou-a sozinha a tomar conta de 3três crianças, e sem meio de subsistência. A autora conseguiu assim transformar a vilã em alguém cujas motivações são, de certa forma, compreensíveis.

E já que falo nas personagens, há que dizer que a autora conseguiu dar vida a um leque de personagens muito extenso e dotá-las de personalidades distintas e interessantes. Excepção feita à Raínha Levana e aos seus lacaios que, pelo menos neste primeiro volume, parecem ser pouco mais que estereótipos de vilões.
A minha personagem favorita foi a Cinder que, apesar de se parecer muito pouco com a princesa da Disney, acabou por se mostrar muito cheia de personalidade e sei que tem muito mais para mostrar, Também gostei da Peony (Coitada!) e do Kai, a pesar de ele ser o mais juvenil imperador alguma vez escrito! Ou não se portasse ele como um pirralho mimalho com a sensibiliadde política de uma ratazana. Contudo isto é compreensível, dado o que se passou para ele ter que ter estas responsabilidades políticas. Já para não falar que ele só tem dezanove anos. E, apesar de tudo, acaba por ser a personagem mais normal de todas. E a normalidade é uma cosia boa.
Mas já que falo no Kai ... aqueles encontros sucessivos, entre ele a Cinder, foram demasiado convenientes. Não dá para acreditar que no dia em que perdeu alguém tão importante ele fosse ter tempo para deambular pelo palácio à procura de um médico/cientista que já não poderia fazer nada por ele. Ele teria mais em que pensar, certamente!

Debruçando-me sobre o enredo, há que dizer que o mundo apresentado neste livro tem imensas potencialidades, especialmente no que diz respeito à relação Terra-Luna.
A autora conseguiu misturar bem a história clássica num mundo futurista, dando reviravoltas que a tornaram ainda mais interessante. No entanto, em certos aspectos acho que exagerou. Refiro-me, por exemplo, ao facto de a Cinder ser, simultaneamente Cyborg e Lunar. uma pária para terrestres e Lunares. A coitadinha mais coitadinha de todas!
Outra grande lacuna  reside no suposto imenso poder da raínha Levana que, conseguiu silenciar uma multidão de protestantes num abrir e fechar de olhos mas que, surpreendentemente, não conseguiu forçar um príncipe qualquer a casar-se com ela. Faz algum sentido? Eu acho que não.
E, já que falamos em coisas que não fazem sentido, porque é que a Cinder compactuou, desde logo, com as mentiras do Doutor? Nós até compreendemos, no fim, as motivações dele mas ela estava a mentir ao seu soberano, sem qualquer razão para tal.
Enfim, este primeiro volume é uma introdução muito rica a este mundo e tem história suficiente para nos manter o interesse durante toda a sua extensão, mesmo ficando ainda muito por responder, não é um volume que nos deixe pouco satisfeitos.

Noutro ponto, a escrita da autora é bastante acessível, descritiva e funcional. Não detalha muito a tecnologia mas  acaba por ser o suficiente. Uma coisa boa é o não focar-se demasiado nas descrições. Fá-lo apenas na medida certa para o leitor ter uma ideia geral e depois preencher o resto com a sua imaginação.

Em suma, Cinder proporcionou-me várias horas de diversão. Tem um início muito bom, que integra logo o leitor no mundo futurista e lhe apresenta as personagens mais relevantes de forma dinâmica.
Com um mundo cheio de promessas, personagens que queremos continuar a seguir, e um enredo que nos prende, Cinder surpreender-me por não ser mais um romance lamechas para jovens, e mostrar maturidade narrativa, apesar de os seus protagonistas continuarem a ser e a portarem-se como adolescentes. Mal posso esperar para ler o próximo volume!

Narração (Rebecca Soler):
Um bom trabalho de voz, que soube dar vida a personagens bem diferentes e que não foi demasiado intrometida na história, nem demasiado passiva.

Booktrailer (inglês):


E porque acho que o booktrailer polaco ficou melhor, deixo-o também aqui:

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