A Saída de Emergência prepara-se para lançar a antologia "Mulheres Perigosas", que eu já li em inglês (Dangerous Women). Podem ler a minha opinião sobre cada um dos contos AQUI.
Mas posso já dizer que recomendo a leitura. A antologia tem vários contos fabulosos, que merecem ser lidos, e é uma boa forma de conhecerem novos autores e revisitar outros.
Os meus contos favoritos foram os dos seguintes autores: Megan Abbot, Joe R. Lansdale, Brandon Sanderson e Caroline Spector.
Visitem o site da editora para fazer a pré-encomenda (tem oferta de outro livro).
Aviso: Para quem está a ler a série Dresden Files, aconselho-vos a terem cuidado porque o conto do autor nesta antologia tem mega-spoilers para os volumes mais recentes da série.
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domingo, 27 de agosto de 2017
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Dangerous Women
"Dangerous Women", antologia com contos de Brandon Sanderson, Caroline Spector, Carrie Vaughan, Cecila Holland, Diana Gabaldon, Diana Rowland, George R.R. Martin, Jim Butcher, Joe Ambercrombie, Joe R. Lansdale, Lawrence Block, Lev Grossman, Megan Abbot, Megan Lindholm, Melinda M. Snodgrass, Nancy Cress, Pat Cadigan, S.M. Stirling, Sam Sykes, Sharon Kay Penman, Sherrilyn Kenyon
Opinião:
Sem dúvida que esta antologia nos traz mulheres fortes, cheias de garra, capazes de lutar pelo que acreditam e de inspirar outros a fazer o mesmo, quer elas sejam as boas ou as más da fita.
Dangerous Women reúne alguns dos melhores contos que li este ano e quase todos os contos estão num patamar bem alto, tirando dois ou três que foram mais fracos.
Gostei muito das histórias, das protagonistas e da riqueza das histórias e diversidade de pontos de vista. Aconselho! Mesmo a quem não se acha muito fã de ficção curta.
"Some Desperado", de Joe Abercrombie (narrado por Stana Katic)
A protagonista é uma espécie de criminosa em fuga de outros criminosos, e está metida num grande sarilho logo no início. A forma como ela se desenrasca e se consegue defender é digna de se ver. O mais interessante para mim, neste conto, foi a forma como a protagonista foi tão bem apresentada ao leitor. Ficamos a conhecer várias facetas dela num curto espaço de tempo e a sua atitude na batalha fina surpreendeu-me, na positiva. O fim propriamente dito é bastante aberto mas compreensível. O único senão do conto é o início mais moroso e o facto de os vilões serem muito estereotipados.
Nota: 7/10
"My Heart is Either Broken", de Megan Abbot (narrado por Jake Weber)
Este foi um dos meus contos favoritos da antologia. Fala-nos de um casal que está destroçado pelo desaparecimento da sua filha. O que realmente me cativou foi o facto de ser narrado na perspectiva do marido e vermos a sua crença, a início parece inabalável, sendo aos poucos corroída pela semente da dúvida. No fim nada é certo mas também o leitor fica com os mesmos receios. Adorei!
Nota: 8.5/10
"Nora's Song", de Cecila Holland (narrado por Harriet Walter)
Gostei muito desta família real e de como elas interagiam, de como eram tão unidos à mãe e tão distantes em relação ao pai (coisa que rapidamente se entende porque acontece). O facto de a narradora ser a Nora, uma das crianças mais pequenas, também me agradou. Dava ao texto um ar mais inocente mas ao mesmo tempo muito inquisidor.
Infelizmente o final bastante inacabado deixou-me insatisfeita. E aqui a "mulher perigosa" é mais ambígua.
Nota: 6/10
"The Hands that are not There", de Melinda M. Snodgrass (narrado por Jonathan Frakes)
A história aqui começa num bar onde um homem se senta com um estranho e este lhe conta uma história mirabolante que poderá ou não ser verdadeira. A premissa por si só é banal e confesso que não me senti cativada a início, no entanto quando a Sammy entrou em cena a coisa mudou de figura. Sedutora, confiante e imprevisível. Uma verdadeira Dangerous Woman.
No final fica a dúvida se o estranho estaria a inventar tudo aquilo ou se poderia mesmo ser verdade.
Nota: 5.5/10
"Bombshells", de Jim Butcher (narrado por Emily Renkin)
Raios! Não devia ter lido este conto antes de ler todos os livros da série Dresden. Mega spoilers!
Mas esquecendo isso por um bocado, este conto segue uma missão da nova aprendiz de feiticeira, numa aventura feita só de mulheres, cheias de determinação e com o "Power of the Rack", como diz a própria protagonista.
Cheio de acção, bons diálogos e humor, gostei desta aventura e da surpresa final que fez com que o conto tivesse um significado bem grande até para a série principal de Dresden Files. Gosto disso!
Nota: 7/10
"Raisa Stepanova", de Carrie Vaughan (narrado por Inna Korobkina)
Uma história diferente das outras que já li da autora. Fala-nos de uma piloto de avião de guerra, durante a 1ª Guerra Mundial, ou alguma semelhante, e de como as mulheres tinham de ter muito carácter para estar na força aérea. A mentalidade caseira e patriótica da protagonista salta à vista em cada palavra e foi uma mudança boa.
Não gostei particularmente do final mas fora isso achei a protagonista muito forte e guerreira, e gostei do foco da história.
Nota: 7/10
"Wrestling Jesus", de Joe R. Lansdale (narrado por Scott Brick)
Um, se não mesmo o meu conto favorito da antologia. Não tem meias medidas com as palavras ou com as situações porque passa o protagonista. E só bem depois do meio é que ficamos a saber afinal quem é a mulher perigosa desta história. A sua ausência e a sua quase inexistência acabam por tornar a experiência ainda melhor, visto que quase tudo fica à imaginação do leitor. O seu feitiço será real ou fruto da imaginação de Jesus?
Mas o melhor do conto é mesmo o elo que se cria entre Jesus e Marvin. Muito especial!
Nota: 9/10
"Neighbors", de Megan Lindholm (narrado por Lee Meriwether)
Gostei muito do tema deste conto: Alzheimers. Aqui conhecemos uma senhora já com uma certa idade, que vive só. Tem uma vizinha com Alzheimers que desaparece uma noite depois de a visitar e, a partir daí, a sua vida nunca mais será a mesma. Ver o progresso da doença escrito desta forma foi bastante intrigante e fantasioso, mas não menos penoso.
Nota: 7.5/10
"I Know How to Pick 'Em", de Lawrence Block (narrado por Jake Weber)
O ambiente neste conto é bastante sombrio. Nenhuma das personagens é amistosa e o protagonista, que é quem está em foco, é especialmente intenso. O final, apesar de ser algo de prever, acabou por surpreender pela sua crueza . O melhor é mesmo a personalidade fria do protagonista e a força da narração.
Nota: 7.5/10
"Shadows for Silence in the Forest of Hell", de Brandon Sanderson (narrado por Claudia Black)
Uma história muito interessante que se passa em volta de uma estalajadeira que não é bem aquilo que parece à primeira vista. A protagonista é a personagem mais bem construída mas, como sempre, o autor consegue que todas as outras sejam marcantes à sua maneira. A história e a luta (mental e física), bem como todo o sistema de magia aqui apresentados, são memoráveis. Só achei que a acção se arrastou um pouco de mais no início. Fora isso, vale mesmo a pena.
Nota: 8/10
"A Queen in Exile", de Sharon Kay Penman (narrado por Harriet Walter)
Embora ache a história em si interessante, isto era matéria para dar um livro e não um conto. Teria sido muito mais proveitoso se o conto se focasse apenas numa cena da história desta rainha no exílio e não tentasse descreve grande parte da sua vida adulta em algumas páginas. O que acontece é que não há personagens interessantes, a acção salta muito e a prosa tem escassez de profundidade, já que não se debruça em nada ao pormenor.
Nota: 4.5/10
"The Girl in the Mirror", de Lev Grossman (narrado por Sophie Turner)
Aquela que era uma premissa muito interessante acabou por perder algum alento com uma prosa pouco enérgica. Faltava-lhe ânimo e havia demasiadas coisas a distrair a atenção do leitor. Não havia um foco real. As coisas iam acontecendo para serem giras mas não senti grande ligação nem com as personagens nem com a escola de magia.
Nota: 5/10
"Second Arabesque, Very Slowly", de Nancy Cress (narrado por Janis Ian)
Uma história muito rica! Em poucas palavras percebemos que o mundo está um caos e como as regras da sobrevivência nele operam. A nossa protagonista é uma mulher considerada já velha entre os seus, embora não seja muito, e como ela lida com a sua crescente debilidade e como acaba por influenciar, sem saber bem como, outros mais novos a tomarem decisões que alterarão para sempre a vida de todos eles.
Adorei o conceito, a prosa e o final.
Nota: 7.5/10
"City Lazarus", de Diana Rowland (narrado por Scott Brick)
Com um protagonista tudo menos ortodoxo, que nem sequer pode ser chamado de anti-herói, foi na sua personalidade que residiu grande parte da força deste conto. A localização e o problema da cidade, como uma personagem por si só, foi do que mais manteve o meu interesse.
A mulher perigosa deste conto é fácil de adivinhar mas as suas motivações só transparecem aos poucos. A sua manipulação dos personagens é refrescante.
Nota: 7.5/10
"Virgins", de Diana Gabaldon (narrado por Alan Scott-Douglas)
Uma coisa que me intriga neste conto, e não tem mesmo nada a ver, é porque este título? Parece-me a mim que nenhuma destas personagens é propriamente virgem. Ehehe!
Este foi o meu primeiro contacto com a famosa escritora Diana Gabaldon e confesso que a prosa me agradou bastante. No entanto o machismo é bastante intenso em toda a trama e eu não posso ignorar isso, mesmo tendo em conta que isto se pasou há uns bons séculos atrás, quando as mulheres pouco mais eram que objectos.
Confesso, algumas cenas aqui deixaram-me desconfortável e isso não é coisa fácil de se fazer. Bom sinal? Claro!
O problema é que não consegui simpatizar muito com os protagonistas, o que me parece que será um empecilho caso eu alguma vez pretenda ler a série Outlander.
Prosa impecável, crueza que chegue e sobre, mas uma história que embora interessante acabou por se arrastar bastante e, na verdade, não surpreendeu muito.
Nota: 6.5/10
"Hell Hath no Fury", de Sherrilyn Kenyon (narrado por Stana Katic)
Este conto é um dos mais rurais pois, apesar de se focar num grupo de jovens moderno, passa-se numa cidade fantasma, amaldiçoada, onde coisas estranhas acontecem e são despelotadas muito graças a uma dessas jovens que é uma espécie de medium.
Apesar do início bastante comum, gostei de como o folclore foi usado e da própria protagonista. O final pareceu-me demasiado feliz.
Nota: 6.5/10
"Pronoucing Doom", de S.M. Stirling (narrado por Claudia Black)
Embora este conto seja bastante expositivo, eu na verdade gostei muito da protagonista e especialmente do conceito por detrás deste mundo envolto em caos. A força das mulheres nesta religião que as mesmas criaram é extraordinária. E gostei de como elas iam inventando as leis e os rituais à medida que deles iam precisando. Na prosa notava-se a hesitação da protagonista, mas também a sua resolução.
Os temas aqui abordados também são muito interessantes e algumas das abordagens e escolhas dão que pensar, quer seja pelo uso abusivo dos recursos do planeta, como pela culpabilidade da sociedade por ignorar os sinais de abusos nos seus vizinhos, ou pela transferência de justiça para as mãos do povo, que não pode apenas decidir qual o castigo mas deve também reforçá-lo e viver com isso na sua consciência.
Nota: 7.5/10
"Name the Beast", de Sam Sykes (narrado por Janis Ian)
Os saltos de cena deste conto poderiam ter sido bons instrumentos para manter o suspense do leitor, e na realidade ao princípio funcionou, mas depois comecei a ficar confusa, a misturar as sequências e a perceber que na verdade o leitor acaba por não saber nada de nada da espécie de criaturas que aqui são descritas. Só sabemos que são selvagens, letais e que tem inteligência talvez superior à dos humanas. O que realmente as motiva? Porquê aqueles alvos? Não sabemos, e isso para mim não é suficiente.
A relação entre o casal de estranhos seres estava muito interessante, mas nem isso nem a relação da fêmea com a filha foram suficientes para me convencer.
Nota: 4/10
"Caretakers", de Pat Cadigan (narrado por Maggi-Meg Reed)
Talvez o conto mais familiar de toda a antologia, não com uma, mas sim duas mulheres perigosas (ou poderei até dizer mais).
Também esta história fala da velhice e até de Alzheimers, mas do ponto de vista das duas filhas de uma pessoa doente. Não há aqui fantasia, nem sequer um grande mistério. É uma história de relacionamentos, de consciência, de vida e de decisões. Eu gostei muito!
Nota: 7.5/10
"Lies My Mother Told Me", de Caroline Spector (narrado por Jenna Lamia)
Este conto está empatado com o "Wrestling Jesus". Já tinha ouvido falar da série de livros Wild Cards (organizado do George R.R. Martin) mas nunca tinha lido nada da série e agora fiquei super-curiosa!
O conceito é muito rico mas realmente o que me prendeu neste conto, além da escrita, foram as personagens. Em poucas linhas elas ficam definidas e depois vamos ficando a cohecê-las cada vez melhor. Em pouco tempo sabemos muito sobre as três mulheres desta história, e o seu inimigo (se é que lhe podemos chamar assim). A premissa tem tanto de divertida como mórbida: uma mulher, cujo poder é o de criar bolhas a partir da sua gordura, está a participar numa parada quando a multidão é atacada por zombies.
Muito bom!
Nota: 9/10
"The Princess and the Queen", de George R.R. Martin (narrado por Ian Glen)
Ora eu já tinha lido algo do Martin mas realmente este conto não me convenceu. Não porque não fosse interessante mas porque o autor comprimiu a história para caber no formato de um conto e por mais que a prosa seja interessante, o facto de nos debitar informação constantemente e nos apresentar dezenas de personagens que depois acabam por ter pouca relevância (ou cuja relevância se perde porque é tão pouco o espaço para as conhecermos).
A história é super-interessante mas não era para ser um conto, era para ser, no mínimo, uma noveleta. Assim não cativa.
Nota: 5.5/10
Opinião:
Sem dúvida que esta antologia nos traz mulheres fortes, cheias de garra, capazes de lutar pelo que acreditam e de inspirar outros a fazer o mesmo, quer elas sejam as boas ou as más da fita.
Dangerous Women reúne alguns dos melhores contos que li este ano e quase todos os contos estão num patamar bem alto, tirando dois ou três que foram mais fracos.
Gostei muito das histórias, das protagonistas e da riqueza das histórias e diversidade de pontos de vista. Aconselho! Mesmo a quem não se acha muito fã de ficção curta.
"Some Desperado", de Joe Abercrombie (narrado por Stana Katic)
A protagonista é uma espécie de criminosa em fuga de outros criminosos, e está metida num grande sarilho logo no início. A forma como ela se desenrasca e se consegue defender é digna de se ver. O mais interessante para mim, neste conto, foi a forma como a protagonista foi tão bem apresentada ao leitor. Ficamos a conhecer várias facetas dela num curto espaço de tempo e a sua atitude na batalha fina surpreendeu-me, na positiva. O fim propriamente dito é bastante aberto mas compreensível. O único senão do conto é o início mais moroso e o facto de os vilões serem muito estereotipados.
Nota: 7/10
"My Heart is Either Broken", de Megan Abbot (narrado por Jake Weber)
Este foi um dos meus contos favoritos da antologia. Fala-nos de um casal que está destroçado pelo desaparecimento da sua filha. O que realmente me cativou foi o facto de ser narrado na perspectiva do marido e vermos a sua crença, a início parece inabalável, sendo aos poucos corroída pela semente da dúvida. No fim nada é certo mas também o leitor fica com os mesmos receios. Adorei!
Nota: 8.5/10
"Nora's Song", de Cecila Holland (narrado por Harriet Walter)
Gostei muito desta família real e de como elas interagiam, de como eram tão unidos à mãe e tão distantes em relação ao pai (coisa que rapidamente se entende porque acontece). O facto de a narradora ser a Nora, uma das crianças mais pequenas, também me agradou. Dava ao texto um ar mais inocente mas ao mesmo tempo muito inquisidor.
Infelizmente o final bastante inacabado deixou-me insatisfeita. E aqui a "mulher perigosa" é mais ambígua.
Nota: 6/10
"The Hands that are not There", de Melinda M. Snodgrass (narrado por Jonathan Frakes)
A história aqui começa num bar onde um homem se senta com um estranho e este lhe conta uma história mirabolante que poderá ou não ser verdadeira. A premissa por si só é banal e confesso que não me senti cativada a início, no entanto quando a Sammy entrou em cena a coisa mudou de figura. Sedutora, confiante e imprevisível. Uma verdadeira Dangerous Woman.
No final fica a dúvida se o estranho estaria a inventar tudo aquilo ou se poderia mesmo ser verdade.
Nota: 5.5/10
"Bombshells", de Jim Butcher (narrado por Emily Renkin)
Raios! Não devia ter lido este conto antes de ler todos os livros da série Dresden. Mega spoilers!
Mas esquecendo isso por um bocado, este conto segue uma missão da nova aprendiz de feiticeira, numa aventura feita só de mulheres, cheias de determinação e com o "Power of the Rack", como diz a própria protagonista.
Cheio de acção, bons diálogos e humor, gostei desta aventura e da surpresa final que fez com que o conto tivesse um significado bem grande até para a série principal de Dresden Files. Gosto disso!
Nota: 7/10
"Raisa Stepanova", de Carrie Vaughan (narrado por Inna Korobkina)
Uma história diferente das outras que já li da autora. Fala-nos de uma piloto de avião de guerra, durante a 1ª Guerra Mundial, ou alguma semelhante, e de como as mulheres tinham de ter muito carácter para estar na força aérea. A mentalidade caseira e patriótica da protagonista salta à vista em cada palavra e foi uma mudança boa.
Não gostei particularmente do final mas fora isso achei a protagonista muito forte e guerreira, e gostei do foco da história.
Nota: 7/10
"Wrestling Jesus", de Joe R. Lansdale (narrado por Scott Brick)
Um, se não mesmo o meu conto favorito da antologia. Não tem meias medidas com as palavras ou com as situações porque passa o protagonista. E só bem depois do meio é que ficamos a saber afinal quem é a mulher perigosa desta história. A sua ausência e a sua quase inexistência acabam por tornar a experiência ainda melhor, visto que quase tudo fica à imaginação do leitor. O seu feitiço será real ou fruto da imaginação de Jesus?
Mas o melhor do conto é mesmo o elo que se cria entre Jesus e Marvin. Muito especial!
Nota: 9/10
"Neighbors", de Megan Lindholm (narrado por Lee Meriwether)
Gostei muito do tema deste conto: Alzheimers. Aqui conhecemos uma senhora já com uma certa idade, que vive só. Tem uma vizinha com Alzheimers que desaparece uma noite depois de a visitar e, a partir daí, a sua vida nunca mais será a mesma. Ver o progresso da doença escrito desta forma foi bastante intrigante e fantasioso, mas não menos penoso.
Nota: 7.5/10
"I Know How to Pick 'Em", de Lawrence Block (narrado por Jake Weber)
O ambiente neste conto é bastante sombrio. Nenhuma das personagens é amistosa e o protagonista, que é quem está em foco, é especialmente intenso. O final, apesar de ser algo de prever, acabou por surpreender pela sua crueza . O melhor é mesmo a personalidade fria do protagonista e a força da narração.
Nota: 7.5/10
"Shadows for Silence in the Forest of Hell", de Brandon Sanderson (narrado por Claudia Black)
Uma história muito interessante que se passa em volta de uma estalajadeira que não é bem aquilo que parece à primeira vista. A protagonista é a personagem mais bem construída mas, como sempre, o autor consegue que todas as outras sejam marcantes à sua maneira. A história e a luta (mental e física), bem como todo o sistema de magia aqui apresentados, são memoráveis. Só achei que a acção se arrastou um pouco de mais no início. Fora isso, vale mesmo a pena.
Nota: 8/10
"A Queen in Exile", de Sharon Kay Penman (narrado por Harriet Walter)
Embora ache a história em si interessante, isto era matéria para dar um livro e não um conto. Teria sido muito mais proveitoso se o conto se focasse apenas numa cena da história desta rainha no exílio e não tentasse descreve grande parte da sua vida adulta em algumas páginas. O que acontece é que não há personagens interessantes, a acção salta muito e a prosa tem escassez de profundidade, já que não se debruça em nada ao pormenor.
Nota: 4.5/10
"The Girl in the Mirror", de Lev Grossman (narrado por Sophie Turner)
Aquela que era uma premissa muito interessante acabou por perder algum alento com uma prosa pouco enérgica. Faltava-lhe ânimo e havia demasiadas coisas a distrair a atenção do leitor. Não havia um foco real. As coisas iam acontecendo para serem giras mas não senti grande ligação nem com as personagens nem com a escola de magia.
Nota: 5/10
"Second Arabesque, Very Slowly", de Nancy Cress (narrado por Janis Ian)
Uma história muito rica! Em poucas palavras percebemos que o mundo está um caos e como as regras da sobrevivência nele operam. A nossa protagonista é uma mulher considerada já velha entre os seus, embora não seja muito, e como ela lida com a sua crescente debilidade e como acaba por influenciar, sem saber bem como, outros mais novos a tomarem decisões que alterarão para sempre a vida de todos eles.
Adorei o conceito, a prosa e o final.
Nota: 7.5/10
"City Lazarus", de Diana Rowland (narrado por Scott Brick)
Com um protagonista tudo menos ortodoxo, que nem sequer pode ser chamado de anti-herói, foi na sua personalidade que residiu grande parte da força deste conto. A localização e o problema da cidade, como uma personagem por si só, foi do que mais manteve o meu interesse.
A mulher perigosa deste conto é fácil de adivinhar mas as suas motivações só transparecem aos poucos. A sua manipulação dos personagens é refrescante.
Nota: 7.5/10
"Virgins", de Diana Gabaldon (narrado por Alan Scott-Douglas)
Uma coisa que me intriga neste conto, e não tem mesmo nada a ver, é porque este título? Parece-me a mim que nenhuma destas personagens é propriamente virgem. Ehehe!
Este foi o meu primeiro contacto com a famosa escritora Diana Gabaldon e confesso que a prosa me agradou bastante. No entanto o machismo é bastante intenso em toda a trama e eu não posso ignorar isso, mesmo tendo em conta que isto se pasou há uns bons séculos atrás, quando as mulheres pouco mais eram que objectos.
Confesso, algumas cenas aqui deixaram-me desconfortável e isso não é coisa fácil de se fazer. Bom sinal? Claro!
O problema é que não consegui simpatizar muito com os protagonistas, o que me parece que será um empecilho caso eu alguma vez pretenda ler a série Outlander.
Prosa impecável, crueza que chegue e sobre, mas uma história que embora interessante acabou por se arrastar bastante e, na verdade, não surpreendeu muito.
Nota: 6.5/10
"Hell Hath no Fury", de Sherrilyn Kenyon (narrado por Stana Katic)
Este conto é um dos mais rurais pois, apesar de se focar num grupo de jovens moderno, passa-se numa cidade fantasma, amaldiçoada, onde coisas estranhas acontecem e são despelotadas muito graças a uma dessas jovens que é uma espécie de medium.
Apesar do início bastante comum, gostei de como o folclore foi usado e da própria protagonista. O final pareceu-me demasiado feliz.
Nota: 6.5/10
"Pronoucing Doom", de S.M. Stirling (narrado por Claudia Black)
Embora este conto seja bastante expositivo, eu na verdade gostei muito da protagonista e especialmente do conceito por detrás deste mundo envolto em caos. A força das mulheres nesta religião que as mesmas criaram é extraordinária. E gostei de como elas iam inventando as leis e os rituais à medida que deles iam precisando. Na prosa notava-se a hesitação da protagonista, mas também a sua resolução.
Os temas aqui abordados também são muito interessantes e algumas das abordagens e escolhas dão que pensar, quer seja pelo uso abusivo dos recursos do planeta, como pela culpabilidade da sociedade por ignorar os sinais de abusos nos seus vizinhos, ou pela transferência de justiça para as mãos do povo, que não pode apenas decidir qual o castigo mas deve também reforçá-lo e viver com isso na sua consciência.
Nota: 7.5/10
"Name the Beast", de Sam Sykes (narrado por Janis Ian)
Os saltos de cena deste conto poderiam ter sido bons instrumentos para manter o suspense do leitor, e na realidade ao princípio funcionou, mas depois comecei a ficar confusa, a misturar as sequências e a perceber que na verdade o leitor acaba por não saber nada de nada da espécie de criaturas que aqui são descritas. Só sabemos que são selvagens, letais e que tem inteligência talvez superior à dos humanas. O que realmente as motiva? Porquê aqueles alvos? Não sabemos, e isso para mim não é suficiente.
A relação entre o casal de estranhos seres estava muito interessante, mas nem isso nem a relação da fêmea com a filha foram suficientes para me convencer.
Nota: 4/10
"Caretakers", de Pat Cadigan (narrado por Maggi-Meg Reed)
Talvez o conto mais familiar de toda a antologia, não com uma, mas sim duas mulheres perigosas (ou poderei até dizer mais).
Também esta história fala da velhice e até de Alzheimers, mas do ponto de vista das duas filhas de uma pessoa doente. Não há aqui fantasia, nem sequer um grande mistério. É uma história de relacionamentos, de consciência, de vida e de decisões. Eu gostei muito!
Nota: 7.5/10
"Lies My Mother Told Me", de Caroline Spector (narrado por Jenna Lamia)
Este conto está empatado com o "Wrestling Jesus". Já tinha ouvido falar da série de livros Wild Cards (organizado do George R.R. Martin) mas nunca tinha lido nada da série e agora fiquei super-curiosa!
O conceito é muito rico mas realmente o que me prendeu neste conto, além da escrita, foram as personagens. Em poucas linhas elas ficam definidas e depois vamos ficando a cohecê-las cada vez melhor. Em pouco tempo sabemos muito sobre as três mulheres desta história, e o seu inimigo (se é que lhe podemos chamar assim). A premissa tem tanto de divertida como mórbida: uma mulher, cujo poder é o de criar bolhas a partir da sua gordura, está a participar numa parada quando a multidão é atacada por zombies.
Muito bom!
Nota: 9/10
"The Princess and the Queen", de George R.R. Martin (narrado por Ian Glen)
Ora eu já tinha lido algo do Martin mas realmente este conto não me convenceu. Não porque não fosse interessante mas porque o autor comprimiu a história para caber no formato de um conto e por mais que a prosa seja interessante, o facto de nos debitar informação constantemente e nos apresentar dezenas de personagens que depois acabam por ter pouca relevância (ou cuja relevância se perde porque é tão pouco o espaço para as conhecermos).
A história é super-interessante mas não era para ser um conto, era para ser, no mínimo, uma noveleta. Assim não cativa.
Nota: 5.5/10
sexta-feira, 11 de março de 2011
A Guerra dos Tronos
"A Guerra dos tronos (As Crónicas de Gelo e Fogo 1)", de George R. R. Martin (Saída de Emergência)
Sinopse:
Opinião:
Se ainda não reparam pelas minhas leituras, eu não sou grande fã de high-fantasy, por razões que estão para além da compreensão humana (leia-se, machismo incutido nas páginas, e não me contrariem nisto, por favor). E consequentemente são poucos os livros que me atrevo a ler dentro do género, já que muitas das vezes saiu decepcionada. Contudo, estou feliz por dizer que este foi um livro que fugiu a esse 'terrível destino'.
O prelúdio, a mim não me deixou muito rendida, e só a partir do 3º ou 4º capítulo é que as coisas mudaram um pouco de figura, pois fui sendo apresentada a um role de personagens interessantes e, em grande parte, carismáticas. Logo no 2º (ou 3º) capítulo o Ned, recebeu a noticia de que o seu 2º pai tinha morrido, e a reacção dele passou totalmente despercebida. Ou seja, o autor disse-nos que a mulher achava que ele ia ficar despedaçado, mas assim que ele soube que o 'rei' viria visitá-lo, esqueceu a morte de uma pessoa tão importante na vida dela. É pá! Não sei, caiu-me logo mal.
Mas esquecendo isso e seguindo em frente, pareceu-me que haviam personagens a mais, nomes a mais, tudo a mais. Isto era tão épico que eu não sabia quem era quem (só decorei mesmo o nomes dos principais).
Há de tudo no elenco, mas uma coisa é certa, todas as personagens têm virtudes e defeitos (embora este último seja mais proeminente) e o autor conseguiu tornar cada uma única. Não há dúvida que as personagens são um dos pontos fortes do livro.
Os meus favoritos são o Jon, o Bran e a Daenerys, por agora, embora não tenha achado nada natural a 'profunda' (e completamente injustificada) alteração na personalidade da rapariga supra mencionada.
A história em si, para já, não tem grande complexidade, embora não lhe faltem intrigas. Pessoalmente, acho que falhou um pouco e, momentos ouve, em que a burrice de certas acções me pareceu desconexo da inteligência que certas personagens diziam ter, apenas para que as intrigas se tornassem mais profundas. Claro que, tendo lido apenas metade do livro original e um oitavo do publicado até agora, não posso realmente assumir que tal não tenha sido por uma razão que me escapa.
No entanto também houve lugar a muitos momentos chave para a história.
A escrita do autor é muito boa e cativante, tanto a nível de prosa como de diálogos. As cenas são vívidas e nunca aborrecidas, e nem mesmo a overdose de informação serve para tornar o texto mesmo apelativo. Há um equilíbrio em cada página, que prende o leitor.
Para terminar, queria só dizer que estou feliz por não ter tido nenhumas expectativas em relação a este livro (as muitas opiniões bajuladores bem trabalhavam para me convencer, mas eu não me deixava vencer). Este é certamente um livro que se lê muito bem e que deixa vontade de pegar no livro seguinte (embora não seja um desejo tão forte que tenha de pegar nele já de seguida).
Fiquei rendida, mas não totalmente. É certamente uma saga forte no género, e com certeza lerei o resto, mas para já não mostrou ainda ser a épica saga que tanto se fala.
Muito bom, mas com lugar para ser melhor. Recomendo a todos que queiram um bom livro de fantasia, e aos que, como eu, não gostam de high-fantasy, mas estão à espera que algo os faça mudar de ideias.
Tradução (Jorge Candeias):
Apesar de não ser a favor da tradução dos locais que o tradutor escolheu fazer nesta saga, a verdade é que a tradução está impecável. Já tinha ouvido louvores, mas ouvir e ver são coisas bem distintas. Um trabalho excelente!
Capa, Design e Edição:
Não gostei muito do facto de dividirem os volumes originais em dois (o dobro do custo para o leitor), embora entenda que o volume original é enorme, deviam compensar com preços mais baixos, para não ser tão penosa a compra da saga completa.
Quanto à capa, não adoro, mas gosto. Infelizmente, pouco tem a ver com a história já que o Jon (quem está na capa) pouco aparece nesta primeira metade do volume (imagino que na 2ª a situação mude). Também não entendo os brasões, já que nenhum deles é das famílias mencionadas. Estão ali a fazer feitio? E, mais uma vez, a SdE comete um erro enormíssimo de não citar o nome do ilustrador (capa e mapa). para mim, isso é indesculpável!
Sinopse:
Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia! Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo.
Opinião:
Se ainda não reparam pelas minhas leituras, eu não sou grande fã de high-fantasy, por razões que estão para além da compreensão humana (leia-se, machismo incutido nas páginas, e não me contrariem nisto, por favor). E consequentemente são poucos os livros que me atrevo a ler dentro do género, já que muitas das vezes saiu decepcionada. Contudo, estou feliz por dizer que este foi um livro que fugiu a esse 'terrível destino'.
O prelúdio, a mim não me deixou muito rendida, e só a partir do 3º ou 4º capítulo é que as coisas mudaram um pouco de figura, pois fui sendo apresentada a um role de personagens interessantes e, em grande parte, carismáticas. Logo no 2º (ou 3º) capítulo o Ned, recebeu a noticia de que o seu 2º pai tinha morrido, e a reacção dele passou totalmente despercebida. Ou seja, o autor disse-nos que a mulher achava que ele ia ficar despedaçado, mas assim que ele soube que o 'rei' viria visitá-lo, esqueceu a morte de uma pessoa tão importante na vida dela. É pá! Não sei, caiu-me logo mal.
Mas esquecendo isso e seguindo em frente, pareceu-me que haviam personagens a mais, nomes a mais, tudo a mais. Isto era tão épico que eu não sabia quem era quem (só decorei mesmo o nomes dos principais).
Há de tudo no elenco, mas uma coisa é certa, todas as personagens têm virtudes e defeitos (embora este último seja mais proeminente) e o autor conseguiu tornar cada uma única. Não há dúvida que as personagens são um dos pontos fortes do livro.
Os meus favoritos são o Jon, o Bran e a Daenerys, por agora, embora não tenha achado nada natural a 'profunda' (e completamente injustificada) alteração na personalidade da rapariga supra mencionada.
A história em si, para já, não tem grande complexidade, embora não lhe faltem intrigas. Pessoalmente, acho que falhou um pouco e, momentos ouve, em que a burrice de certas acções me pareceu desconexo da inteligência que certas personagens diziam ter, apenas para que as intrigas se tornassem mais profundas. Claro que, tendo lido apenas metade do livro original e um oitavo do publicado até agora, não posso realmente assumir que tal não tenha sido por uma razão que me escapa.
No entanto também houve lugar a muitos momentos chave para a história.
A escrita do autor é muito boa e cativante, tanto a nível de prosa como de diálogos. As cenas são vívidas e nunca aborrecidas, e nem mesmo a overdose de informação serve para tornar o texto mesmo apelativo. Há um equilíbrio em cada página, que prende o leitor.
Para terminar, queria só dizer que estou feliz por não ter tido nenhumas expectativas em relação a este livro (as muitas opiniões bajuladores bem trabalhavam para me convencer, mas eu não me deixava vencer). Este é certamente um livro que se lê muito bem e que deixa vontade de pegar no livro seguinte (embora não seja um desejo tão forte que tenha de pegar nele já de seguida).
Fiquei rendida, mas não totalmente. É certamente uma saga forte no género, e com certeza lerei o resto, mas para já não mostrou ainda ser a épica saga que tanto se fala.
Muito bom, mas com lugar para ser melhor. Recomendo a todos que queiram um bom livro de fantasia, e aos que, como eu, não gostam de high-fantasy, mas estão à espera que algo os faça mudar de ideias.
Tradução (Jorge Candeias):
Apesar de não ser a favor da tradução dos locais que o tradutor escolheu fazer nesta saga, a verdade é que a tradução está impecável. Já tinha ouvido louvores, mas ouvir e ver são coisas bem distintas. Um trabalho excelente!
Capa, Design e Edição:
Não gostei muito do facto de dividirem os volumes originais em dois (o dobro do custo para o leitor), embora entenda que o volume original é enorme, deviam compensar com preços mais baixos, para não ser tão penosa a compra da saga completa.
Quanto à capa, não adoro, mas gosto. Infelizmente, pouco tem a ver com a história já que o Jon (quem está na capa) pouco aparece nesta primeira metade do volume (imagino que na 2ª a situação mude). Também não entendo os brasões, já que nenhum deles é das famílias mencionadas. Estão ali a fazer feitio? E, mais uma vez, a SdE comete um erro enormíssimo de não citar o nome do ilustrador (capa e mapa). para mim, isso é indesculpável!
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Bang! 8
"Bang!" nº8, revista lançada pela Saída de Emergência e FNAC
Quando fui ao Porto na semana passada, aproveitei para agarrar um exemplar do mais recente número da revista Bang!. Distribuída agora gratuitamente nas lojas da rede FNAC.
Abaixo seguem breves comentários sobre grande parte do conteúdo:
Ilustrador (Alejandro Dini):
Gostei bastante da capa, mas confesso que as escolhas que colocaram na página dedicada ao artista não me cativaram tanto. Mas como não conheço a obra do artista não sei se foram bem ou mal escolhidas. No entanto gostei do facto de dedicarem uma secção a isso.
Colecção Bang:
Faz todo sentido que uma revista preparada pela SdE, tenha uma secção para os seus livros de fantasia e ficção científica, e é isso mesmo que fazem nesta parte da revista. Não se estendem demasiado, o que é bom. Traz também algumas novidades para os que seguem os lançamentos da colecção, especialmente para os fãs de Anne Bishop e do David Soares, assim como lançarem novos nomes na colecção.
Também é nesta parte que fazem uma breve menção ao Fórum Fantástico deste ano (a a decorrer entre 12 e 14 de Novembro), mas poderiam ter sido mais detalhados (incluir a agenda, por exemplo), já que a editora da revista (Safaa Dib) é a mesma que organiza o evento.
"M, de Malária", de José Eduardo Agualusa:
Eu já tinha lido este conto na antologia Contos de Vampiros.
Podem ler a minha opinião aqui.
A minha história de Duna (Jorge Candeias):
É sempre interessante ler os artigos do Jorge Candeias (sigo o blog), e este, feito na perspectiva de tradutor, foi igualmente curioso, especialmente porque falava de um livro que ele, enquanto leitor, não gostava particularmente. Compreendo perfeitamente quando diz que não se tem de gostar de um livro para perceber o porquê de este ser um clássico.
"Com a manhã chega a neblina", de George R.R. Martin:
Sendo este o meu contacto com o escrita do autor, confesso que tinha as expectativas um pouco altas.
Gostei da narração do autor, mas não me pareceu que o conto fosse algo de extraordinário, ou sequer as descrições fossem tão bélicas como poderiam ter sido (já que ele mencionava a beleza ímpar do planeta, mas não a conseguia transcrever convenientemente).
Ainda assim gostei muito do conceito, até porque é um com o que identifico. Esta necessidade que o ser humano tem para querer respostas a tudo, cortando o mistério que torna tudo mais interessante. Sou apologista da imaginação e do desconhecido porque se soubermos tudo, a vida perde a graça.
Os livros da minha vida (Afonso Cruz):
Já tinha lido um qualquer artigo onde o autor falava dos livros que o marcaram e dos autores que mais gostava, mas não achei repetitivo, embora pudesse ter sido mais abrangente e talvez mais focado, tendo em conta o tema.
Távola Redonda (David Soares, Bruno Martins, Ana Vicente Ferreira, Ineês Botelho e Telmo Marçal):
Uma rubrica muito interessante, que reuniu vários autores em volta de uma mesma questão: O caminho da publicação.
Foi interessante ler, mas pareceu-me que a participação dos autores foi mal aproveitada, sendo estes apenas mencionados uma ou duas vezes ao longo da rubrica. Havia potencial para mais debate.
Gostei, mas também achei que poderia ter ido mais longe. Ainda assim espero que esta rubrica se mantenha.
A boa gente de Sodoma (Mathew Rossi):
Este pequeno ensaio divertiu-me imenso e colocou várias questões no meu subconsciente. Gostei muito pela sua pertinência e especialmente pela forma como o autor expõe as suas "teorias".
Os mundos imaginários do Fantástico Português (António de Macedo):
Um artigo que adorei, tanto por me mostrar um lado o "fantástico" (aqui esta uma palavra que eu pouco uso) português como por ter um, enquadramento histórico que eu ainda não havia lido (tenho de colmatar esta lacuna).
Só espero que este artigo tenha continuação, pois tem muito ainda por desvendar sobre a escrita fantástica em Portugal, se bem que o que já foi desvendado foi extremamente interessante.
"Os Cascos e o Casebre de Abdell Jameela", de Saladin Ahmed:
Sem dúvido o conto que mais gostei nesta edição. As personagens foram muito bem expostas e embora a história não fosse o ponto forte, também não foi má e adorei toda a controvérsia em causa. O final foi previsível, mas não sem um toque algo especial.
Légolas: rói-te de inveja [o nascimento de uma lenda] (R.A. Salvatore):
Nunca fui muita fã de elfos, nem sequer quando chegou o o fenómeno do "Senhor dos anéis", mas confesso que me parece mais interessante este lado mais aventureiro do elfo negro, do qual já ouvi histórias, sem sequer saber que fazia parte do jogo D&D ou de uma trilogia como esta.
O texto do autor foi interessante de ler, mas poderia ter sido bem mais cativante.
"Felicidade", de Inês Botelho:
Tendo apenas lido, desta autora, o "A filha dos mundos", notei claramente uma evolução narrativa e a nível da escrita (também já lá vão uns bons anos). Gostei bastante da escrita dela, mas pareceu-me que se perdeu por divagações morais exageras, o que não impediu de expor bastante bem a sociedade que retratava.
Nova Vaga, Novas Capas (Pedro Piedade Marques):
Um excelente artigo sobre um tema que sempre me fascinou, as capas de livros. Muito interessante e bem organizado, espero que nas próximas edições continuem com algo dentro do tema, pois há muito que dizer, no campo da SF&F.
Fantasia Urbana ou Romance Paranormal (Saffa Dib):
Um artigo muito bem exposto, com vários exemplos, sempre apropriados e que poderá esclarecer aqueles que ainda não conseguem perceber muito bem a distinção entre estes dois sub-géneros da fantasia. Especialmente porque são dois que costumam mesclar-se em muitas obras.
"As cidades do segundo esquerdo", de Afonso Cruz:
Depois de ler Os livros que devoraram o meu Pai, do mesmo autor, fiquei decepcionada com este conto, que mais se lê como um ensaio. Baseado num conto de Sigizmund Krzhizhanovsky, este curtíssimo texto só surpreendeu realmente no último paragrafo, deixando um sabor amargo após a leitura. Como se faltasse muita coisa.
Críticas:
As três primeiras críticas lera-se mais como sinopses (longas ...) do que qualquer outra coisa, pois por norma só o último parágrafo era realmente crítica.
Já a crítica ao "Se acordar antes de morrer", foi interessante e dinâmica, mas perdeu-se um pouco nas suas próprias teias.
As restantes duas foram mais bem conseguidas e interessantes, focando-se no que cada livro tem de melhor para oferecer, e também no pior (excepto a última, que apenas disse o bom).
De A a BD (João Miguel Lameiras):
SPOILERS MUCH?!? O João Lameiras não teve o mínimo cuidado e colocou um spoiler enorme bem no meio do texto. Até eu, que já li quatro volumes, fiquei parava a olhar para o texto. Que raio?
Supostamente este texto é para quem ainda não leu a BD, então porque é que ele meteu aquilo ali no meio?
Mau. Muito mau!
Até ali estava tudo bem com um resumo conciso e foco nos pontos fortes da história, e depois ... depois estragou tudo.
Conclusão (opinião final):
Com uma apresentação impecável, este projecto parece ter pernas para andar. Gostei do facto de a SdE não se focar somente nos seus livros (embora haja sempre espaço para mais) e ter colaborado com outras editoras nesta edição. Esperamos que isso se mantenha nas próximas (que se espera serem muitas).
Também gostei do facto de abranger outras vertentes da fantasia, como a ilustração e a banda desenhada. Ficou a ideia que o cinema também marcará presença num próximo número, o que outra mais valia ao projecto.
E embora me parecesse que os exemplos de ficção curta aqui mostrados não tivesse sido os melhores exemplares do género, posso dizer que a diversidade dos mesmos foi grande.
Em suma, uma aposta ganha, que tem ainda alguns pontos que poderão ser melhorados, mas que num todo está mais que bem conseguido. Espero que se mantenham por muito tempo.
Nota: Podem fazer download da versão ebook (pdf) AQUI.
Quando fui ao Porto na semana passada, aproveitei para agarrar um exemplar do mais recente número da revista Bang!. Distribuída agora gratuitamente nas lojas da rede FNAC.
Abaixo seguem breves comentários sobre grande parte do conteúdo:
Ilustrador (Alejandro Dini):
Gostei bastante da capa, mas confesso que as escolhas que colocaram na página dedicada ao artista não me cativaram tanto. Mas como não conheço a obra do artista não sei se foram bem ou mal escolhidas. No entanto gostei do facto de dedicarem uma secção a isso.
Colecção Bang:
Faz todo sentido que uma revista preparada pela SdE, tenha uma secção para os seus livros de fantasia e ficção científica, e é isso mesmo que fazem nesta parte da revista. Não se estendem demasiado, o que é bom. Traz também algumas novidades para os que seguem os lançamentos da colecção, especialmente para os fãs de Anne Bishop e do David Soares, assim como lançarem novos nomes na colecção.
Também é nesta parte que fazem uma breve menção ao Fórum Fantástico deste ano (a a decorrer entre 12 e 14 de Novembro), mas poderiam ter sido mais detalhados (incluir a agenda, por exemplo), já que a editora da revista (Safaa Dib) é a mesma que organiza o evento.
"M, de Malária", de José Eduardo Agualusa:
Eu já tinha lido este conto na antologia Contos de Vampiros.
Podem ler a minha opinião aqui.
A minha história de Duna (Jorge Candeias):
É sempre interessante ler os artigos do Jorge Candeias (sigo o blog), e este, feito na perspectiva de tradutor, foi igualmente curioso, especialmente porque falava de um livro que ele, enquanto leitor, não gostava particularmente. Compreendo perfeitamente quando diz que não se tem de gostar de um livro para perceber o porquê de este ser um clássico.
"Com a manhã chega a neblina", de George R.R. Martin:
Sendo este o meu contacto com o escrita do autor, confesso que tinha as expectativas um pouco altas.
Gostei da narração do autor, mas não me pareceu que o conto fosse algo de extraordinário, ou sequer as descrições fossem tão bélicas como poderiam ter sido (já que ele mencionava a beleza ímpar do planeta, mas não a conseguia transcrever convenientemente).
Ainda assim gostei muito do conceito, até porque é um com o que identifico. Esta necessidade que o ser humano tem para querer respostas a tudo, cortando o mistério que torna tudo mais interessante. Sou apologista da imaginação e do desconhecido porque se soubermos tudo, a vida perde a graça.
Os livros da minha vida (Afonso Cruz):
Já tinha lido um qualquer artigo onde o autor falava dos livros que o marcaram e dos autores que mais gostava, mas não achei repetitivo, embora pudesse ter sido mais abrangente e talvez mais focado, tendo em conta o tema.
Távola Redonda (David Soares, Bruno Martins, Ana Vicente Ferreira, Ineês Botelho e Telmo Marçal):
Uma rubrica muito interessante, que reuniu vários autores em volta de uma mesma questão: O caminho da publicação.
Foi interessante ler, mas pareceu-me que a participação dos autores foi mal aproveitada, sendo estes apenas mencionados uma ou duas vezes ao longo da rubrica. Havia potencial para mais debate.
Gostei, mas também achei que poderia ter ido mais longe. Ainda assim espero que esta rubrica se mantenha.
A boa gente de Sodoma (Mathew Rossi):
Este pequeno ensaio divertiu-me imenso e colocou várias questões no meu subconsciente. Gostei muito pela sua pertinência e especialmente pela forma como o autor expõe as suas "teorias".
Os mundos imaginários do Fantástico Português (António de Macedo):
Um artigo que adorei, tanto por me mostrar um lado o "fantástico" (aqui esta uma palavra que eu pouco uso) português como por ter um, enquadramento histórico que eu ainda não havia lido (tenho de colmatar esta lacuna).
Só espero que este artigo tenha continuação, pois tem muito ainda por desvendar sobre a escrita fantástica em Portugal, se bem que o que já foi desvendado foi extremamente interessante.
"Os Cascos e o Casebre de Abdell Jameela", de Saladin Ahmed:
Sem dúvido o conto que mais gostei nesta edição. As personagens foram muito bem expostas e embora a história não fosse o ponto forte, também não foi má e adorei toda a controvérsia em causa. O final foi previsível, mas não sem um toque algo especial.
Légolas: rói-te de inveja [o nascimento de uma lenda] (R.A. Salvatore):
Nunca fui muita fã de elfos, nem sequer quando chegou o o fenómeno do "Senhor dos anéis", mas confesso que me parece mais interessante este lado mais aventureiro do elfo negro, do qual já ouvi histórias, sem sequer saber que fazia parte do jogo D&D ou de uma trilogia como esta.
O texto do autor foi interessante de ler, mas poderia ter sido bem mais cativante.
"Felicidade", de Inês Botelho:
Tendo apenas lido, desta autora, o "A filha dos mundos", notei claramente uma evolução narrativa e a nível da escrita (também já lá vão uns bons anos). Gostei bastante da escrita dela, mas pareceu-me que se perdeu por divagações morais exageras, o que não impediu de expor bastante bem a sociedade que retratava.
Nova Vaga, Novas Capas (Pedro Piedade Marques):
Um excelente artigo sobre um tema que sempre me fascinou, as capas de livros. Muito interessante e bem organizado, espero que nas próximas edições continuem com algo dentro do tema, pois há muito que dizer, no campo da SF&F.
Fantasia Urbana ou Romance Paranormal (Saffa Dib):
Um artigo muito bem exposto, com vários exemplos, sempre apropriados e que poderá esclarecer aqueles que ainda não conseguem perceber muito bem a distinção entre estes dois sub-géneros da fantasia. Especialmente porque são dois que costumam mesclar-se em muitas obras.
"As cidades do segundo esquerdo", de Afonso Cruz:
Depois de ler Os livros que devoraram o meu Pai, do mesmo autor, fiquei decepcionada com este conto, que mais se lê como um ensaio. Baseado num conto de Sigizmund Krzhizhanovsky, este curtíssimo texto só surpreendeu realmente no último paragrafo, deixando um sabor amargo após a leitura. Como se faltasse muita coisa.
Críticas:
As três primeiras críticas lera-se mais como sinopses (longas ...) do que qualquer outra coisa, pois por norma só o último parágrafo era realmente crítica.
Já a crítica ao "Se acordar antes de morrer", foi interessante e dinâmica, mas perdeu-se um pouco nas suas próprias teias.
As restantes duas foram mais bem conseguidas e interessantes, focando-se no que cada livro tem de melhor para oferecer, e também no pior (excepto a última, que apenas disse o bom).
De A a BD (João Miguel Lameiras):
SPOILERS MUCH?!? O João Lameiras não teve o mínimo cuidado e colocou um spoiler enorme bem no meio do texto. Até eu, que já li quatro volumes, fiquei parava a olhar para o texto. Que raio?
Supostamente este texto é para quem ainda não leu a BD, então porque é que ele meteu aquilo ali no meio?
Mau. Muito mau!
Até ali estava tudo bem com um resumo conciso e foco nos pontos fortes da história, e depois ... depois estragou tudo.
Conclusão (opinião final):
Com uma apresentação impecável, este projecto parece ter pernas para andar. Gostei do facto de a SdE não se focar somente nos seus livros (embora haja sempre espaço para mais) e ter colaborado com outras editoras nesta edição. Esperamos que isso se mantenha nas próximas (que se espera serem muitas).
Também gostei do facto de abranger outras vertentes da fantasia, como a ilustração e a banda desenhada. Ficou a ideia que o cinema também marcará presença num próximo número, o que outra mais valia ao projecto.
E embora me parecesse que os exemplos de ficção curta aqui mostrados não tivesse sido os melhores exemplares do género, posso dizer que a diversidade dos mesmos foi grande.
Em suma, uma aposta ganha, que tem ainda alguns pontos que poderão ser melhorados, mas que num todo está mais que bem conseguido. Espero que se mantenham por muito tempo.
Nota: Podem fazer download da versão ebook (pdf) AQUI.
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