domingo, 1 de abril de 2012

Pantheons

"Pantheons (Pantheons 01)", de E.J. Dabel (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse (em inglês):
On the streets, they call fifteen year old orphan Isaiah Marshall the “Indestructible Diamond”. Isaiah is the leader of the “Redrovers”, a group of teenage misfits consisting of his friends Jeremy, Monty, and Pipsqueak, but when they trespass into “Kaliber Academy” to get even with the arrogant Jason Ollopa, they are in way over their heads. Principal Webb enrolls them into the High School and Isaiah soon learns about the existence of the gods of the Ancient World. Because the gods have refused to fight the last War for fear of the Mysterious Dark, the Powers-that-Be have stripped them of their spiritual bodies and given them mortal, teenage forms.
Isaiah discovers he's not only a god, but that he's the child of the Greek goddess Metis, the son destined to overthrow his cruel and sadistic father Zeus, the Darkener of the Sky, and become the greatest god in all the Pantheons. Isaiah is thrown into a world where the democratic Olympians, war-mongering Norse, Gothic Celts, firstborn Egyptians, the enlightened Hindu, the animal-like Aztecs, the martial artist Asians, the intelligent Babylonians, the great spirits of the Native American Indians, and the fierce Finnish will war against one another for the greatest of all prizes: the Dominion.

Opinião:
Como pessoa muito interessada em mitologia, foi com agrado que recebi este livro, que não só prometia misturar várias mitologias como incorporá-las nos tempos modernos, o que me pareceu uma ideia muito interessante (se bem que não original). E posso dizer que em relação a essa premissa, saiu-se bem, mas quanto ao resto ... deixou um pouco a desejar.

Se começarmos pela história central encontramos logo o ponto fraco do livro. A premissa em si está bem arquitectada, muito bem pensada e até executada. Se conseguirmos ultrapassar a 'estranheza' de todos os deuses serem adolescentes que não envelhecem, vemos que em termos de estrutura todo o sistema mitológico está bastante bem pesado e com isso somos apresentados a algumas personagens/situações/condições que mostram muita promessa e que, quando aproveitadas, conseguem ser bastante interessantes. Mas toda a restante história está imatura e  aborrecidamente conveniente. Ou não contasse eu, ao longo do livro, umas 4 ou 5 situações em que Deus Ex Machina seria a expressão certa a usar (e isto não é desculpável só porque o livro fala de divindades).
Resumindo essas situações posso dizer que o Isaiah (protagonista) é mais forte que os outros quando é conveniente para a história e é uma fraco quando é conveniente para a história. Se ele fosse fraco no início e depois forte no fim, não havia problema, pois seria evolução. O problema é que ele fraco, depois forte, fraco, forte, forte, fraco. Repetindo: Conveniente!
Além disso tudo acontece demasiado rapidamente, os picos chegam com demasiada frequência, o confronto que, a meu ver, só deveria acontecer no 2º ou 3º livro acontece neste 1º e acaba espantosamente mal.
No início a história estava interessante e gostei do facto de a personagem principal vir das ruas e daí trazer algumas experiências curiosas, mas tudo o resto foi um caos de conveniências.

Quanto às personagens, não houve nenhuma em particular de quem tivesse gostado, mas também não houve nenhuma de quem desgostasse especialmente. Embora tenha apreciado a personalidade do Isaiah e o seu passado, assim como o facto de ele ser bastante coerente ao longo da história, na verdade não me 'afeiçoei' a ele. A Silver Eyes pareceu-me ser talvez uma das personagens que mais promete, se o autor a conseguir utilizar bem.
No geral as personagens estão bem apresentadas mas por serem em tão grande número foi quase impossível ver a fundo qualquer uma delas.

Já no que diz respeito à prosa, notou-se um esforço do autor para simplificar o texto de forma a tentar chegar mais perto do público-alvo (jovens), mas isso fez com que para o restante público o texto fosse quase insípido, chegando mesmo a ser desprovido de outro interesse que não a apresentação de personagem e as milhentas reviravolta e cenas de acção. Por outro lado o autor revelava demasiados pormenores (da trama) em alturas indevidas, e pior, tentava convencer o leitor de que algo era assim e depois mostrava que era assado. Exemplo: O autor disse que uma armadura era invencível, que ninguém a podia destruir (isto incessantemente, durante 3 ou 4 capítulos) e depois, com um simples raio fraco, a armadura foi destruída. Repito: Conveniente!
Eu não gosto de catalogar um livro como sendo para rapazes ou raparigas (nunca gostei de rótulos), mas acho que este livro se pode dizer que é para rapazes. E não quero com isto denegrir o sexo masculino, de forma alguma.
Tenho ainda de referir que a nível de edição, o livro deixou a desejar. O protagonista tem um impedimento na fala em que não consegue dizer os "s", pois foram várias as vezes em que o Isaiah dizia os "s" que não era suposto dizer e outras vezes faltavam os "s" fora dos diálogos ou mesmo no diálogo de outras personagens.

Em suma, fiquei decepcionada. Embora em termos mitológicos fosse interessante, tanto a nível de enredo como personagens e prosa o livro não surpreendeu e chegou a aborrecer-me em momentos. Sustentando em demasiados contornos convenientes, poderá agradar a um público mais jovem em busca de acção, mas a um público mais exigente certamente não servirá.

Um livro bastante fraco, ainda que com alguns pontos a favor.

Capa:
A capa não é o meu estilo, mas acredito que seja boa para chegar ao público-alvo (rapazes jovens). Não posso é deixar de referir que fiquei surpreendida (e um pouco desapontada) quando descobrir quem era a personagem na capa. Na minha opinião seria bastante mais lógico colocar o Isaiah (protagonista), até porque o que figura na capa não aparece com muita frequência no livro, embora a sua 'presença' seja sentida constantemente.

Nota: Esta  ARC (Advanced Readers Ropy) foi-me fornecida, em formato ebook, pela editora SeaLion Books. E pode ser adquirido aqui.

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