terça-feira, 21 de maio de 2013

O Mapa do Tempo

"O Mapa do Tempo (Trilogia Victoriana 1)", de Félix J. Palma (Editorial Planeta)

Sinopse:
Londres, 1896. Inúmeros inventos convencem o homem de que a ciência é capaz de conseguir o impossível, como o demonstra o aparecimento da empresa Viagens Temporais Murray, que abre as suas portas disposta a tornar realidade o sonho mais cobiçado da humanidade: viajar no tempo, um anseio que o escritor H. G. Wells tinha despertado um anos antes com o seu romance A Máquina do Tempo. De repente, o homem do século XIX tem a possibilidade de viajar até ao ano 2000, e é o que faz Claire Haggerty, que vive uma história de amor através do tempo com um homem do futuro. Mas nem todos querem ver o amanhã. Andrew Harrington pretende viajar até ao passado, a 1888, para salvar a sua amada das garras de Jack, o estripador. E o próprio H. G. Wells enfrentará os riscos das viagens temporais quando um misterioso viajante chegar à sua época com a intenção de assassiná-lo e roubar-lha a autoria de um romance, obrigando-o a empreender uma desesperada fuga através dos séculos. Mas que acontece se alterarmos o passado? É possível reescrever a história?

Opinião (audiolivro):
Comentar este livro é difícil. Por um lado adorei o enredo e as suas personagens, amei a forma como o autor escolhei encadear a história e como manipulou o leitor. Mas, por outro lado, achei que o livro se estendeu demasiado, que o narrador contava coisas que não 'lembravam ao diabo' nem interessavam a ninguém, e que, claramente, só lá estavam para 'encher chouriços'.
Daí que, ainda hoje, me seja difícil decidir até que ponto gostei deste livro.

A história é soberba. Está muito bem estruturada e está sempre a testar a percepção do leitor. Raramente existem momentos mortos, e quando os havia, eram rapidamente ultrapassados. O que mais gostei foi mesmo o jogo que o autor fez com o leitor. Tão depressa acreditava que realmente as viagens no tempo existiam, como pouco depois já achava que eram impossíveis, e depois voltava a acreditar. Muito bom!
Foram duas as coisas que não gostei. Uma não gostei mesmo, outra desgostei por razões que se prendem com a minha forma de ver a literatura, e não porque o autor a tivesse usado mal.
A primeira tem a ver com os já mencionados 'tempos mortos'. Por vezes o narrador punha-se com descrições de não-cenas que podiam começar engraçadas, mas inevitavelmente acabavam por aborrecer rapidamente. Como quando duas personagens estavam a envolver-se romanticamente num quarto de uma estalagem, e o narrador decidiu pôr-se a descrever o corredor e o dono da estalagem, que nunca mais apareceu na história, nem teve a mais pequena relevância.
Bem sei que isto se prende com o estilo da história, mas não gostei.
O segundo ponto tem a ver com o facto de o autor usar figuras histórias no seu romance. E se algumas não me incomodam nada, por o seu papel ser relativamente ténue, já outras me incomodaram por serem, bem ... principais. Refiro-me especificamente ao H.G.Wells. Sim, o escritor!
Ok, há que admitir que o autor o usou de forma soberba, mas continuo a achar que teria tido o mesmo impacto se a personagem se chamasse George Bennet, ou outro nome qualquer. Isto porque o autor tomou milhentas liberdades com a vida e personalidade do escritor, acabando por o tornar seu, e assim corrompendo-o, a meu ver. Bem, provavelmente sou das poucas pessoas que pensa assim, mas não gosto de ver pessoas já falecidas retratadas assim (ficticiamente, com tantas liberdades históricas pelo meio). Faz-me impressão.

E por falar em personagens, neste livro temos um enorme rol de personagens fantásticas. Quase todas acabaram por se destacar, de uma forma ou de outra, e é impossível escolher uma favorita.

A prosa do autor é linda e muito evocativa. Agarra o leitor e não o larga. E este livro é muito grande! Eu não o li, verdade! Ouvi-o. Mas isso não me impediu de desfrutar da escrita do autor e, não fossem pelas cenas desnecessárias que de vez em quando surgiam, este poderia mesmo ter-se tornado um dos meus livros favoritos.

Ou seja, como vêem estou dividida. Gostei muito da histórias, ou melhor dizendo, das histórias; das personagens e da escrita do autor, mas algumas coisas impediram-me de realmente amar este livro. Ainda assim, aconselho toda a gente a ler/ouvir este belíssimo livro. Vale a pena!

Narração (James Langton):
O narrador deve ter sido escolhido a dedo para este livro, pois não se podia pedir alguém mais apropriado. A voz de James Langton está em perfeita sintonia com o narrador de "O Mapa do Tempo" e dá gosto ouvir este audiolivro.
Mesmo não tendo grande ginástica vocal para entoar diferentes personagens, sendo que o livro é muito narrativo, ele saí-se muito bem em quase toda a história.
Recomendo a versão audiolivro, se tiverem oportunidade de a adquirir.

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