sábado, 19 de novembro de 2011

O Fantasma de Canterville

"O Fantasma de Canterville", de Oscar Wilde (Biblioteca Sábado)

Sinopse:
Contém os contos: 
- O Fantasma de Canterville, 
- O Pescador e a sua alma 
- A aniversário da Infanta 
- A Esfinge sem segredos
- O crime de Lord Arthur Saville 

Sir Simon é um espírito bastante contente com o papel que interpreta no mundo: é um fantasma que se dedica a aterrorizar os moradores de Canterville Chase ... Até que tudo muda para sempre quando na sua mansão se instala uma família de norte-americanos que não acreditam nas superstições e que não têm medo de fantasmas, e ele descobre que o seu poder sobre os vivos começa a desaparecer.

Opinião:
Como este livro se divide em várias histórias, vou primeiro debruçar-me sobre cada uma delas de forma individual.

O Fantasma de Canterville
Sendo este possivelmente o conto mais famoso do escritor, tinha já ouvido muita coisa sobre ele.No entanto parti para a leitura sem saber quase nada.
Este "Fantasma de Canterville" foi uma excelente leitura. O sarcasmos sério do autor, misturado com a história mirabolante mas tão realista, rendeu-me. Adorei a forma como o autor escolheu contar a história, as personagens e muito especialmente a seriedade que incutiu na história, sem na verdade abdicar de um tom de brincadeira.
O único senão deste livro foi o fim. Mais propriamente as últimas três ou quatro frases cuja necessidade me passou completamente ao lado e, de certa forma, até me estragou um pouco o agrado do resto do conto.

O Pescador e a sua Alma
Possivelmente o meu conto favorito desta colectânea, apesar de usar muito da repetição, na verdade achei-o extremamente simbólico e pertinente.Mais uma vez fiquei rendida à forma de contar histórias do autor e achei que o final foi absolutamente perfeito.
Gostei muito da personagem do pescador e da sua relação com a Alma, que tanto o tentou aliciar com fortuna e poder, apenas para depois o conseguir seduzir com algo tão simples quanto perfeito.

O aniversários da Infanta
Esta foi uma história também bastante simbólica, mas que não funcionou tão bem quanto s restantes, muito por culpa de alguma divagação por parte do autor. Não compreendi porque faliu tanto dos pais da infanta, quando esse passado não teve qualquer impacto na história.
Apesar de ter achado muito interessante a forma como abordou o anão e a infanta, assim como o final, achei totalmente desnecessárias grande parte das páginas iniciais.

A Esfinge sem segredos
Este conto fez-me pensar nas fobias e manias de certas pessoas. Escrito um pouco num estilo um pouco semelhante ao de Sherlock Holmes (ou será que foi Arthur Conan Doyle que escreveu como Oscar Wilde?), este conto encerra em si um mistério tão simples quanto engenhoso, que nos leva a pensar que por vezes as ideias que temos na cabeça só nos prejudicam.

O crime de Lord Arthur Saville
Mais uma vez a voz sarcástico-realista do autor surpreendeu-me. O final não poderia ser melhor e achei que toda a acção se desenrolava de uma forma completamente absurda, mas também genial. No entanto e mais uma vez, notei que certas cenas em nada resultaram para melhorar o conto (maioritariamente no início do livro) e que pareciam ali estar apenas para 'encher palha'. Não que o autor não as torne interessantes, pois torna, mas depois fica a sensação que fomos 'enganados' por nos forcarmos em pormenores que nada tinham a ver com a história em si.


Este livro foi o meu primeiro contacto com a obra de Oscar Wilde. Embora já tivesse em ocasião lido várias citações famosas dele (e adorado quase todas), a verdade é que nunca tinha pegado num livro da sua autoria. Posso dizer agora que estou muito agradada com o estilo contista do autor e que vou certamente ler mais trabalhos dele no futuro. Adorei a sua seriedade sarcástica e a forma como conta histórias. Recomendo!

Tradução (João Gentil):
Não tendo bases de comparação com o original, posso no entanto dizer que a tradução está muito fluída e não notei nenhum erro de tradução. No entanto, uma vez mais, tenho de apelar ao sentido prático dos tradutores, muitos dos quais continuam a 'teimar' em não traduzir as ocasionais frases estrangeiras que surgem em certos textos. E isto, como já o disse mil vezes, é irritante e imperdoável.

Capa e Ilustrações (Wallace Goldsmith), Design e Edição:
A capa simples e evocativa, simboliza bastante bem o primeiro conto e cria uma atmosfera mais negra que eu sinto ser necessária, já que o livro trata temas bastante duros (assassínio, exclusão social, perseguição, etc.), apesar de o fazer num tom mais sarcástico.
As ilustrações interiores, constantes do primeiro conto (O Fantasma de Canterville) estão bastante fiéis aos textos e bastante bela, no entanto tenho de referir que as achei estranhamente dispersas em termos de estilo. O que quero dizer é que o artista tanto desenha com grafite, como com caneta, umas vezes com traço mais realista, outras quase cartoonista. Não é que isto seja mau, mas parece estranho pois nada parece ter a ver o próprio desenvolvimento narrativo do conto.
A edição em capa dura está primorosa e é bastante resistente. As margens estão generosas (até demais) e o tipo de letra é visível e de fácil leitura. Só tenho mesmo a apontar a falta da tradução de uma ou duas frases que apareceram nos contos em estrangeiro e que não foram traduzidas nem em rodapé nem em nota final.

---- Links relacionados: Site Oficial - Project Guttenberg - Goodreads

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