sábado, 30 de julho de 2011

Regresso de Sherlock Holmes I


"A Ciclista Solitária, A Escola do Priorado, Pedro Negro (Regresso de Sherlock Holmes I)", de Sir Arthur Conan Doyle (Global Notícias, Publicações)

Sinopse: 
O Regresso de Sherlock Holmes inclui originalmente treze contos de histórias do detective Sherlock Holmes, publicados em 1905. Os contos foram divulgados pela primeira vez na revista Strand Magazine, nos anos de 1903 e 1904. Neste primeiro livro de histórias estão reunidos A Ciclista Solitária, A Escola do Priorado e Pedro Negro.

Opinião:
Nunca fui muito fã do estilo "tell don't show", que é como quem diz, as histórias onde tudo é explicado através de diálogos, no entanto no último, e primeiro, livro de Sherlock Holmes que li (Memórias de Sherlock Holmes I), acabei por me habituar ao estilo e agora até gosto (somente nestes livros, pois noutros já não sei se a reacção seria a mesma). Afinal este é o estilo das histórias, tão característico.

A Ciclista Soitária
O que ao princípio parecia ser uma caso muito simples, mostrou-se até bastante complexo e inesperado. Gostei bastante da resolução, pois conseguiu ser de certa forma surpreendente e, mais que isso, conseguiu mostrar que nem Sherlock Holmes é infalível. Uma história interessante, com personagens curiosas e pistas colocadas nos sítios certos, sem no entanto desvendar tudo ao leitor (mesmo o mais atento), de forma a surpreendê-lo, mas não a irritá-lo. (Sabem quando nos fazem de burros?, pois não é o caso.)

A Escola do Priorado
Como já é habitual, o final conseguiu surpreender, já que nem o próprio detective conhecia todos os detalhes. Apesar de hoje em dia este tipo de 'mistério' já estar bastante batido, ainda assim o conto foi muito interessante.

Pedro Negro
Um caso curioso, que poderia ter seguido por muitos caminhos fáceis, mas que conseguiu não o fazer, escolhendo algo quase totalmente inesperado. Gostei do facto de, um detective que o Sherlock Holmes achava promissor, acabar por dar o caso por encerrado, mas o próprio Sherlock decidir seguir em frente. Mostra que por vezes não devemos deixar-nos enganar pela primeira impressão.

Em suma, este pequeno livro foi mais um bom exemplo de porque as aventuras de Sherlock Holmes foram e ainda são tão apreciadas. Sem dúvida um mestre na arte da literatura de mistério, que será um prazer continuar a ler.

Tradução:
Nada de errado a apontar, pareceu-me um trabalho excelente.

Capa, Design e Edição:
A capa, estranhamente (ou não) consegue simbolizar dois dos contos (A Ciclista Solitária e A Escola do Priorado), embora não seja exclusiva de nenhuma, pois há pormenores que parecem pertencer a uma, e outros a outra. É simples, masconsegue ser algo representativa do conteúdo.
O design interior é semelhante aos outros da colecção, simples, mas eficiente, tal como a edição.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Booking Through Thursday - Coruja


What’s the latest you’ve ever stayed up reading a book? Is staying up late reading a usual thing for you?

Acho que quase todas as pessoas, que gostam realmente de livros, já se viram presas a um na hora de dormir, e quando olharam para o relógio, quase berraram por ser tão tarde. Ou eu sou ave rara? :)
Não tenho nenhum problema em ficar a ler até tarde, a menos que no dia seguinte tenha de me levantar bem cedo. No entanto cada vez tenho menos 'cabeça' para ficar a ler até depois da 1h da manhã e pouco depois de entrar na cama, já estou quase a dormir, mesmo que o livro esteja a ser muito bom.
Claro que há excepções, e já dei por mim a gritar, literalmente, quando uma altura olhei para o relógio e vi que dali a três horas tinha de estar a pé.
Se a memória não me falha, os últimos livros que me fizeram ficar acordada até tarde foram: "A Filha da Floresta", de Juliet Marillier e "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino. E por até tarde, refiro-me a 3h, 4h da amanhã, pois não é difícil qualquer outro livro me fazer ficar a pé até à 1h.

Os Contos de Beedle o Bardo

"Os Contos de Beedle o Bardo", de J.K. Rowling (Editorial Presença)

Sinopse:
Os Contos de Beedle o Bardo oferecem-nos cinco histórias de feitiçaria, cada uma com a sua magia muito própria, que prometem deliciar, divertir e até arrepiar os leitores.
Cada conto é acompanhado de notas da autoria do Professor Albus Dumbledore, que agradarão tanto a Muggles como a feiticeiros. O Professor reflecte sobre as questões morais levantadas nos contos, ao mesmo tempo que revela pequenos detalhes sobre a vida em Hogwarts.

Opinião:
Desde que li o "Harry Potter e os Talismãs da Morte", que tinha alguma curiosidade em ler este pequeno livro de histórias. Abaixo fica uma opinião sucinta de cada um dos contos.

O Feiticeiro e o Caldeirão Saltitante
Um conto curioso, cujo desfecho era previsível, mas ainda assim bem conseguido. Certamente esta é uma daquelas histórias que podíamos contar aos mais pequenos, desde os primeiros anos, pois mantém aquela ideia de que quem é bom é recompensado, e quem não o é, acaba castigado.

A Fonte do Justo Merecimento
O meu conto favorito do livro, não só pela simplicidade (e ainda assim complexidade) da sua resolução, como por mostrar que quando as pessoas trabalham em conjunto, conseguem o que parece impossível.

O Feiticeiro do Coração Medonho
Este é um conto mais negro, mas ainda assim cheio de significado. Gostei muito, mas tal como 'Albus Dumbledore' menciona, acho que não o leria a uma criança de três anos. 

A Coelha Babita e a Árvore Tagarela
O mais (estranhamente) divertido dos contos, que evoca um sentimento de justiça, que não tem necessariamente de ser conseguida através da violência, um do mal dos outros, pois baste uma pouco de esperteza.

O Conto dos Três Irmãos
Quem leu "Harry Potter e os Talismãs da Morte" certamente que se recorda deste conto, que é impossível não comparar com "Os Três Porquinhos". Gostei pela diferença de acções nele narradas e pelas mensagens nele contidas.

Achei muito interessante a inclusão das 'anotações de Albus Dumbledore', que deram ainda mais valor aos pequenos contos, apesar de por vezes terem alguma informação dispersa.
Também as notas de rodapé foram curiosas, apesar de achar que, no caso das criaturas mágicas, deveriam ter feito uma descrição, ao invés de remeterem para a consulta de um outro livro, "Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los" (que nem faço ideia se está publicado cá, ou se sequer existe).

A escrita de todo o livro está consistente com o tom das fábulas, dando-lhe um ar já conhecido de todos.

Em suma, este é um livrinho muito curioso, que faz lembrar, em certos momentos, os contos de Grimm e outras fábulas, mas com um toque único. Recomendo a quem tenha lido a série de Harry Potter, porque vale bem a pena.

Tradução (Marta Fernandes, Manuela Madureira):
Ambas fizeram um excelente trabalho de tradução, não sendo perceptível qualquer erro (por mim, pelo menos).

Capa, Design e Edição:
Pessoalmente não compreendi muito bem a insistência da caveira, tanto na capa como ao longo do livro, mas em termos gerais gosto da capa (pela cor), apesar de achar que pouco descortina sobre o conteúdo do livro.
As ilustrações (de J.K. Rowling) contidas no interior, estão muito interessantes, vendo-se que a própria escolheu não representar de forma totalmente fiel as cenas que desenhou.
A edição em si está bastante primorosa, parecendo até mais resistente do que os restantes livros da série.

Palavras Escuras

"Palavras Escuras (Lords of the Underworld 4)", de Gena Showalter (publicado em Portugal pela Harlequin)

Sinopse:
Afinal, aquele demónio estava interessado em mais do que uma batalha... Sabin, preso ao demónio da Dúvida, destruía sem querer todas as suas amantes. Por essa razão, o guerreiro imortal passava a vida no campo de batalha em vez de no quarto. A vitória era a única coisa que lhe interessava… até que conheceu a tímida Gwen. Gwen, também imortal, sempre tinha pensado que se apaixonaria por um humano que não despertasse o seu lado obscuro. Mas quando Sabin a libertou da prisão, combater os seus inimigos para conseguir a caixa da Pandora não seria nada comparado com a batalha que ambos estavam prestes a iniciar...

Opinião:
O livro começou de imediato com acção, mas uma coisa eu não gostei: quando o Sabin começou a inspeccionar e descrever cada um dos seus companheiros. Eu percebo a intenção da autora ao fazê-lo, mas fez uma pausa absurda e algo cómica (no mau sentido) mesmo a meio de uma cena importante. Não fez grande sentido e cortou a acção.
Depois disso as coisas ficaram mais encarreiradas e desta vez a autora até nos mostrou mais do que se passava com os outros guerreiros, em vez de se focar exclusivamente no casal principal. Gostei muito do destaque dado ao Torin, à Cameo, ao Gideon, ao Paris e até ao Aeron (palpando já terreno para o próximo volume da série). Também foi bom ver o que se passava com os casais dos livros anteriores, e saber um pouco de como as suas relações estão a progredir, especialmente no caso da Anya.

Em termos do casalinho principal, Sabin e Gwen, posso dizer que não gostei por aí além do Sabin, embora o ache uma personagem forte e bem construída, a verdade é que ele é demasiado 'duro' e focado na guerra. Já a Gwen (que de tímida não tem nada, ao contrário do nome), gostei da personalidade dela, diferente das mulheres anteriores, mas do que não gostei, foi de a autora a ter poupado tanto. Afinal o que é a experiência dela comparada com a das outras mulheres cativas? Achei que a personagem teria ganho muito mais personalidade se não tivesse sido tão 'sortuda'. Pareceu-me uma jogada segura da autora, em não a deixar ser abusada, embora tenha explicação, simplesmente não consigo ter tanta pena dela como talvez fosse desejável.
Embora insatisfeita com a relação, não posso negar que os dois me pareceram absolutamente perfeitos um para o outro. Dificilmente haveria escolha melhor.
No entanto, o que me levou a não gostar particularmente de nenhum dos dois, foi a escolha de ambos, em pôr o outro à frente da família e dos amigos (que são quase como família, no caso). Compreendo que estes livros sejam sobre o poder do amor, mas quando uma personagem põe em perigo amigos e família só por causa do amante que conheceu à meia dúzia de dias (especialmente quando essas mesmas personagens passam o livro a dizer que nada é mais importante que os amigos/família), bem ... digamos que fico a não gostar dessa personagem. Neste livro, ambos o fazem.

Em termos de desenvolvimento da trama central, existiram alguns desenrolares interessantes, especialmente em relação ao Galen, mas também no que diz respeito às crianças.
Infelizmente aquele final, apesar de estranhamente apropriado, merecia outro tipo de consequência (especialmente para o Sabin).

A escrita da autora mantém-se semelhante aos volumes anteriores. Acessível, sem grandes floreados.

Em suma, este foi mais um volume algo banal, em que as personagens principais não me cativaram de forma conveniente, e onde a história se desenvolveu bem em termos mitológicos, mas não tão bem como desejado em termos de enredo. Conseguiu ser um pouco melhor que o primeiro volume, mas não chegou para superar o terceiro (que apesar de não encher as medidas totalmente, ainda é o melhor até agora).
Esta série é o meu guilty-pleasure, por qualquer razão que não consigo descortinar, mas sei que o que me mantém a lê-la é o Paris (o único que pôs os amigos e família, à frente dos seus desejos pessoais) e só por ele e pela mitologia, continuarei a ler até ao dia que o livro dele seja escrito (ou talvez dê um salto até lá). No entanto não sei ao certo quando pegarei no volume seguinte, apesar do Aeron ser outra personagem que me intriga.

Como nota final tenho de dizer que esta história me lembrou demasiado o "The Warlord Wants Forever", de Kresley Cole  (um livro publicado alguns anos antes deste de Gena Showalter). E tendo eu notado demasiadas semelhanças desde o início, foi mais um motivo para eu não gostar muito deste livro. O da Kresley Cole é muito mais pequeno (podem lê-lo de graça aqui), mas consegue ainda mais sentimento que este.

Tradução:
O trabalho de tradução tem alguns momentos menos brilhantes, tendo algumas frases estranhas, troca de sexos,etc. Mas no geral lê-se de forma razoável (baixa).

Capa, Design e Edição:
Não é segredo nenhum que gosto muito das capas desta série (se calhar só a leio por isso mesmo :). Esta não é excepção. Sou biased no que diz respeito à cor roxa. Depois temos um modelo bem jeitoso, numa pose que demonstra força mas também vulnerabilidade, e como sempre adorei que se dessem ao trabalho de colocar a tatuagem no sítio correcto, e ainda lhe meteram o colar que a autora descreve no livro.Apesar de imaginar o Sabin com aspecto um pouco mais velho, acho que esta capa o representa bem.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Futuro à Janela

"O Futuro à Janela", de Luís Filipe Silva (Editorial Caminho)
Podem ler este livro na íntegra AQUI ou AQUI (versões disponibilizadas pelo autor).

Sinopse:
Depois da revelação de João Aniceto, Daniel Tércio, Isabel Cristina Pires e Bráulio Tavares, com livros que marcaram fortemente a ficção científica de língua portuguesa, o Prémio Caminho de Ficção Científica de 1991 permite descobrir um novo talento, indiscutivelmente promissor: Luís Filipe Silva. Em «O Futuro à Janela», livro inteligente, ousado e inventivo, Luís Filipe Silva conta-nos histórias muito diversas, sempre aliciantes, em que o leitor pode ter a surpresa de encontrar o Infante D. Henrique e o seu «robot» ou as personagens e as situações mais inesperadas. «O Futuro à Janela» mais do que uma promessa é um livro já conseguido, que deve ser saudado com a satisfação de quem descobre novos territórios na ficção científica portuguesa.

Opinião:

Perdoem-me desde já as curtas opiniões por conto, mas não quis dizer demais.

Prefácio à  Versão Digital
Uma apresentação de como nasceu a antologia, e dos anos em que a ficção científica, apesar de parecer estar a florescer, ainda assim era vista como literatura 'menor'. Uma visão interessante e curiosa.

Introdução: A Importância do Conto
Como diz o título, este pequeno texto fala-nos dos primórdios do conto e de como este foi perdendo 'força' na nova era dos livros acessíveis a todos. Mesmo para os que já conhecem os factos apresentados, não deixa de ser um resumo a ter em conta.

Dois Estranhos, um Encontro
Bem escrito e curioso, numa mistura de passado (as lições de história fazem uma visita inesperada) e futuro. Gostei da forma como retratou a situação e as personagens, como nos mostrou o que os rodeava, sem na verdade dizer muita coisa. Só fiquei um pouco incompleta (não necessariamente insatisfeita) com o final, pois nada fica definido e parece que fica muito por contar.

Embaixadores da Boa Vontade, Ou Contacto!
Ri-me imenso com este conto. É tão ridículo como simples, mas ao mesmo tempo tão verdadeiro que até me leva a ter pena da nossa forma de viver (por vezes).

Os Poetas da Rua
Todas estas histórias, à excepção talvez da Dan Brook e António Silva , me pareceram excessivamente cruéis, apesar de realistas, de um certo ponto de vista. Percebi a conexão entre os textos e o título, mas no fim fica um certo sentimento de falta de algum elo de ligação.
Não foram maus, apenas diferentes (sendo que a escolha, muitas vezes, da quase micro-narrativa, funcionou melhor em certos casos)
Achei que curioso que, de todas as curtas histórias, apenas Mister Machine dá mesmo a sensação de ficção científica.

La Nausée II
Um conto com uma escrita um pouco diferente do que estou habituada do autor. Mais intimista e sôfrega, onde tudo é do momento.O protagonista tudo sente e tudo transmite ao leitor, deixando uma sensação estranha de compreensão. Acho que também qualquer pessoa (com mais de 15 anos) se poderá rever no tema retratado (a viragem do século)

O Fernando Pessoa Electrónico
Gostei muito desta 'troca de ideias'. Não só pela fluidez da conversa, mas pelas ideias nela contidas, terminando com um final merecedor.

Pequenos Prazeres Inconfessáveis
Gostei muito do estilo da prosa e do encadeamento da acção, mas esta é uma história capaz de revirar estômagos, não só pela crueza da narrativa, como pelos temas apresentados. Contudo a decisão de não contar a história de forma linear, fez com que esta tivesse ainda mais impacto, já que o que ao princípio pareciam ser histórias separadas, mostraram vir a ser uma e a mesma.

O Jogo do Gato e do Rato
Um conceito interessante e bem explorado pelo autor, dando a conhecer muitos detalhes sobre a 'civilização' existente. No entanto, pareceu-me que aquele final 'extra' não fez mais do que confundir, sendo que lhe fazia falta algo mais para se tornar sólido.

Série Convergente
Um conceito interessante, mas caótico, de tal forma que chegou a fazer confusão, apesar de a narrativa manter a atenção presa.

Também há Natal em Hanímedes
Um conto pequeno, mas carregado do espírito de Natal. Gostei da interacção familiar e do que o autor nos conta sobre a vida fora da Terra. Ficou no entanto a vontade de ler mais.

A Última Tarde
Uma história estranha, que pareceu ser várias coisas, e depois mostrou ser algo totalmente diferente. Recupera um pouco daquele sentimento de vontade de explorar o universo.

Criança entre as Ruínas
O mais comprido e para mim, sem dúvida, o melhor conto do livro. Cheio de emoção, de excelente construção  da situação, numa prosa alternada e apelativa. Uma história que toca muitos assuntos, e a todos dá interesse. Com um final triste, mas ao mesmo tempo cheio de esperança, perfeito para o conto.

Ala Anima
Belo suave como uma pena, mas estranhamente profundo. Gostei!


Em suma, esta compilação de contos foi uma boa leitura. Alguns contos foram mais violentos, outros mais meigos, mas todos foram escritos com mestria, tendo cada qual uma interpretação e voz únicas. O meu favorito foi, como já disse, o "Criança em Ruínas".
É também de louvar a 'intemporalidade' dos contos, pois embora não sejam assim muito antigos (já lá vão 20 anos!), não se lhes notam os anos em cima e tenho quase a certeza que mesmo daqui a mais duas décadas, ainda estarão actuais. E também é de notar o que me pareceu ser um  laivo de patriotismo que é sempre bom ver na literatura feita por portugueses, pois sem ser extremista, é reconfortante.
Vale bem a pena ler este livro que, certamente, de forma justa ganhou o prémio Caminho da Ficção Científica de 1991. Agradeço também ao Luís Filipe Silva por disponibilizar gratuitamente este livro.

Top Ten Tuesday - Books that Tackle Tough Issues

O tema desta semana vai um pouco de encontro ao que referi no fim do post da semana passada. "Books that Tackle "Tough" Issues" (Livros que falam de temas "difíceis").

1) A pedofilia em "Lolita", de Vladimir Nabokov

2) O suicídio em "Por Treze Razões", de Jay Asher

3) O incesto e a violência extrema em "Os Homens que odeiam as Mulheres", de Stieg Larsson

4) A mentalidade separatista em casos extremos, n' "O Deus das Moscas", de William Golding

5) O racismo em  "A Vida Secreta das Abelhas", de Sue Monk Kidd

6) A ditadura em "Os Jogos da Fome", de Suzanne Collins

7) O afastamento da família e uma doença grave em "A Vida na Porta do Frigorífico", de Alice Kuipers

8) O tráfico de pessoas dentro do seio das famílias, e outros temas em "Ruby", de V.C. Andrews

9) A crueldade levada ao extremo, em "Meridiano de Sangue", de Cormac McCarthy

10) A redenção (ou não) de pecados do passado em "O Leitor", de Bernhard Schlink


Extra: "A estrada", de Cormac McCarthy.

sábado, 23 de julho de 2011

As Cidades Invisíveis

"As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino (Biblioteca Sábado)

Sinopse:
Marco Polo fala a Kublai Kan das cidades do Ocidente, maravilhando o imperador mongol com as suas descrições. Estas cidades, no entanto, existem apenas na imaginação do mercador veneziano: a sua vida encontra-se apenas destro das suas palavras, uma narrativa capaz de criar mundos, mas que não tem forças para destruir «o inferno dos vivos».
Este livro tem o lirismo dos livros de poemas, poemas que por vezes descrevem cidades e outras vezes a forma de pensar e de ser dos seus habitantes. Invertendo os papéis do Livro das Maravilhas, através do qual Marco Polo revelou o Oriente ao mundo ocidental, Calvino arquitectou o livro que o estabeleceria como uma das referências incontornáveis da literatura pós-moderna.

Opinião:
Sinto necessidade de começar este meu comentário, dizendo que fiquei fascinada com este livro desde as primeiras páginas, por isso perdoem-me se a opinião for curta e cheia de elogios, mas é mesmo isso que penso deste livro fascinante.

Ancorado em descrições fantásticas e sucintas, que nos conseguem em poucas palavras transmitir toda a imponência e unicidade de cada cidade que sai da mente de Marco Polo, esta obra está cheia de segundas intenções e mensagens escondidas (ou nem tanto).
Cada cidade imaginada é única, mesmo quando repesca certos detalhes de outras já descritas, nunca entramos pelos portões da mesma urbe, onde o passado e o futuro se encontram e nos perdemos nas ruelas, nos esgotos, nos telhados de cada local imaginado.

A escrita do autor chega a ser poética, em certos momentos, e é assertiva, sem ser exagerada, embalando o leitor nas suas palavras e nos seus fraseamentos.

Questionando a realidade e a ficção; o passado, o presente e o futuro; a soberba e a ganância; a esperança e a capacidade de mudança; assim como também o ser humano, no meio do que criou, do que almeja e do que já foi.

O único senão deste livro, é o não ter mais cidades, mais conversas entre Kublai Kan e Marco Polo, o de não nos dar mais maravilhosas descrições para onde viajamos com cada palavra.

Parece-me quase ridículo dar uma opinião final, pois tudo o que disse acima o explica sem lugar para dúvidas. Adorei este pequeno grande livro. Perdi-me nas suas páginas e nas suas palavras, e anseio o momento em que revisitarei cada uma das muitas cidades imaginadas por Marco Polo e vividas por Kublai Kan. Este é um livro que vai directamente para a minha lista de favoritos.

Tradução (José Colaço Barreiros):
Embora notasse ocasionalmente certas pequeníssimas incorrecções, nada disso foi prejudicial ao texto completo. No geral houve lugar uma trabalho de tradução exemplar, que parece ter captado toda a essência da obra.

Capa, Design e Edição:
Embora não seja das minhas capas favoritas, não posso deixar de notar que é exemplarmente representativa do texto contido no seu interior. Não só no uso das peças de xadrez, como do reflexo nas peças e a cidade no céu (futuro ou ascensão). Uma muito boa representação que enaltece o texto.

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