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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Leituras de Janeiro 2019



Este mês consegui terminar algumas leituras que transitaram do ano anterior. Conheci novos autores e revisitei antigos.

"Flowers for Algernon", de Daniel Keys Adorei o início deste livro que, sendo contado do ponto de vista do Charlie, é muitos mais intimista e permite-nos relacionarmo-nos com ele. O facto de, a princípio, ele não se dar conta de como as pessoas fazem pouco dele e de ele gostar, na verdade, da simplicidade da sua vidas, dá mais intensidade ao que acontece depois da operação. seguir as suas reações, as suas descobertas e as suas tristezas, é uma montanha russa (perdoem o uso deste termo tão banal).
O meu único problema com este livro é que os tempos me pareceram pouco realistas. Tudo se processou rápido demais, no calendário. Tão depressa ele tinha problemas em aprender a ler como já era um génio. Além disso o final pareceu-me esticar-se demasiado em temáticas que me pareceram menos interessantes.
Fora isso, gostei muito do livro e recomendo.
7,5/10

"Ás Cegas (Bird Box)", de Josh Malerman (Topseller) Não sei se gosto ou não do facto de nada sabermos sobre as criaturas que causam o caos neste livro. por um lado fico irritada por permanecer na ignorância, mas por outro acho que é isso que também dá uma autenticidade e diferenciação ao livro.
Gostei muito da personagem da Mallory. Conseguimos sentir os seus medos, a sua força, a sua revolta, mas também a sua esperança (e por isso mesmo também a sua decepção quando essas esperanças acabam por não se concretizar ou não serem bem o que ela esperava). Gostei bastante deste livro, embora, como já referi, ainda esteja na dúvida se o não sabermos realmente o que aconteceu ao mundo é um ponto a favor ou contra.
7/10

"O Godungava", de Joel Puga
Logo no início conhecemos Seidus, um ferreiro com uma imaginação prolífica, que prefere viver dentro da sua cabeça do que fora dela. Iriáris, sua melhor amiga de infância, decide seguí-lo quando ele escolhe partir em busca de inspiração.
Este é um livro de aventura, onde conhecemos vários grupos de pessoas que estão atrás de um poderosíssimo artefacto que poderá mudar o resultado da guerra. Temos combates intensos ao longo de todo o livro, muito bem descritos e que vivemos intensamente. No entanto são tantos os grupos, tantas as pessoas, que é difícil relacionarmo-nos profundamente com elas. Tirando o grupo onde integram Seidus e Iriáris, confesso não ter decorado o nome de quase ninguém, e daí não ter tido nenhuma ligação emocional quando muitos deles faleceram ao longo da trama. E para mim esse é um grande senão.
São pessoas a mais e cenas de desenvolvimento a menos. No entanto refiro também que adorei o facto de as mulheres nesta história darem tanta ou mais porrada que os homens.
Mas para mim o que realmente não me deixou satisfeita foi o final. Senti que voltaram à estaca zero. Que nada na vida de Seidus e Iriáris mudou.
Por fim fica no ar a impressão de que haverá uma sequela
5,5/10


"Monstress (volume 3)", de Marjorie M. Liu, Sana Takeda (Saída de Emergência)
Apesar de a história estar a ficar cada vez mais rebuscada e complexa, cada vez conhecemos melhor as personagens. Esta história introduz sempre personagens curiosas, fortes e que marcam. Não posso dizer muito mais sem fazer spoilers.Estou muito curiosa por ler, e a arte é lindíssima.
8/10

terça-feira, 23 de maio de 2017

Fantasias Soltas

"Fantasias Soltas", de Joel Puga (Createspace)

Joel Puga escreve fantasia e terror já há vários anos, maioritariamente sob a forma de ficção curta. Já li outros trabalhos seus publicados em antologias, fanzines e na internet, por isso quando soube que ia lançar uma antologia de contos só seus, achei que estava mais que tempo de o revisitar.
Todos os contos incluídos neste volume já foram também publicados individualmente em ebook mas esta antologia está também disponível como livro físico, para os que ainda não estão bem ambientados com os ebooks.

Para começar vou falar da antologia como um todo e depois debruçar-me-ei um pouco sobre cada conto individualmente. No geral gostei bastante do ambiente sombrio e do facto de o autor escolher usar o território português ou ultramarino em quase todos. Em comum, entre a maioria das histórias, há quase que só o facto de serem fantasia, pois não existe um tema central. Isso, contudo, não é um ponto negativo.

Abaixo fica a minha opinião conto a conto:
"O Último"
Neste conto somos apresentados a um conceito muito interessante mas chegamos ao fim e não aconteceu nada de relevante. Os alicerces estão construídos mas pouco mais.

"Sasabonsam
 Uma escrita muito viva e uma história muito interessante. As personagens saltam das páginas e a acção está excelenete. Se não fosse aquele último parágrafo estava tudo óptimo.

"O Castelo"
Uma história que começa de forma amena mas que apanha o passo rapidamente. É bastante perturbante, tanto pelas traições como pelo desfecho.

"Susana"
 Este conto teria ganho muito em ser contado e não narrado pós-acontecimentos. A personagem perdeu muito com esta escolha narrativa e apesar da escrita ser bastante boa não teve o ritmo ou o impacto que seria desejável. Mesmo assim acaba por resultar, de certo modo.

"Uma Demanda Literária
Este conto eu já tinha lido na Fénix 2 (podem ler aqui) e a minha opinião mantem-se semelhante. Achei que as descrições da livrairia mística, em si, poderiam ter sido muito mais envolventes. O leitor não fica com a ideia de que se trata de algo de fenomenal. E mais uma vez o protagonista perde porque o que de interessante parece acontecer na sua vida é contado em tom de memória, e não vivido em primeira mão pelo leitor.

"A Saga de Eu, Justiça Divina"
O autor visita este 'mundo' em 3 contos distintos e vai construindo as suas regras aos bocados. A premissa aqui é muito interessante mas há no texto uma vertente de julgamento social que pode não agradar a todos os leitores. Mas sendo que se trata de uma das características do protagonista e da narrativa, eu acabei por me habituar.
O primeiro não me cativou muito, excepto pelo facto de nos mostrar este 'submundo'.
O segundo tem uma cena muito interessante no cemitério, mas o final é decepcionante porque quem acaba por resolver o problema em questão não é o protagonista e o leitor nem sabe ao certo o que aconteceu. 
O terceiro sofre um pouco do mesmo mal, sendo que a acção se passa fora das páginas mas neste conto o protagonista torna-se mais palpável e intrigante. Vale só por isso.

"Um Deus em Humaitá"
Adorei a mística desta história e a acção, a ambiguidade das personagens e como elas são punidas. O que faz com que o final tenha sido mais que apropriado. 

"Wendigo
A acção está soberba, com muito gore à mistura. Se não fosse o facto de título ser um spoiler, eu acho que teria funcionado ainda melhor. Penso que se a origem da figura tivesse permanecido um mistério seria mais interessante. 

"A Maldição da Ponte do Arco
Tal como "O castelo" (também nesta antologia), este conto é perturbante porque explora aquilo que as pessoas são capazes de fazer para protegerem aqueles que amam, mesmo quando isso resulta em algo de impensável. Foi um bom último conto para a a antologia, com uma prosa envolvente.

Sinopse:
Esta coleção reúne todos os contos já publicados de fantasia histórica e contemporânea da autoria de Joel Puga. Criaturas bizarras, espíritos malignos, ruínas fantásticas e cemitérios assustadores são apenas algumas das coisas que encontrarão nestas páginas.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Fantasias Negras e Outras Histórias - divulgação

Título: Fantasias Negras e Outras Histórias
Autor: Joel Puga
Edição: Março de 2015

Sinopse: Esta coleção reúne cinco contos de fantasia.
O Último – Aterrorizado com a ideia da morte, um homem deixa-se contaminar pelo vampirismo de forma a prolongar a sua vida indefinidamente. Porém, quando as legiões do Céu e do Inferno se enfrentam na derradeira batalha, vê-se como o último ser humano na Terra. Deixar-se-á arrastar pacificamente para um dos reinos do pós-morte?
Sasabonsam – Durante a Guerra da Guiné, um grupo de guerrilheiros guineenses abate um avião português. Ao investigar os destroços, descobrem não só que o piloto sobreviveu, mas também que este não é humano. Intelectual, um dos guerrilheiros, vê-se obrigado a enfrentar o monstro, assim como o tribalismo que infecta as mentes dos seus camaradas.
O Castelo – Tomás recebe um convite de última hora, do seu primo Miguel, para a ceia de Natal. Porém, os motivos de Miguel são mais negros do que Tomás alguma vez poderia imaginar.
Susana – Após uma vida curta e desagradável, Susana enfrenta a morte. Recordando os seus dias na Terra, tenta deduzir para qual dos reinos do pós-morte será enviada. Porém, o seu destino final revela-se surpreendente, de mais de uma maneira.
Uma Demanda Literária – Na sua busca por livros raros, Cirio encontra a ilusiva livraria de Mormont, cuja localização muda regularmente, mas que se diz conter volumes quase impossíveis de achar. Contudo, mesmo depois de tudo o que passou para ali chegar, terá Cirio concluído a sua demanda?

Sobre o autor: Joel Puga nasceu na cidade portuguesa de Viana do Castelo em 1983. Entrou em contacto muito cedo com a fantasia e a ficção científica, principalmente graças a séries e filmes dobrados transmitidos por canais espanhóis. Assim que aprendeu a ler, enveredou pela literatura de género, começando a aventura com os livros de Júlio Verne. Foi nesta altura que produziu as suas primeiras histórias, geralmente passadas nos universos de outros autores, cuja leitura estava reservada a familiares e amigos.
Em 2001, mudou-se para Braga para prosseguir os estudos, altura em que decidiu que a sua escrita devia ser mais do que um hobby privado. Isso valeu-lhe a publicação em várias antologias e fanzines portuguesas abordando diversos sub-géneros da ficção especulativa.
Vive, hoje, em Braga, onde divide o seu tempo entre o emprego como engenheiro informático, a escrita e a leitura.

Para saberem como adquirir o livro vão AQUI.

Visitem também blog do autor e o seu perfil no Goodreads.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O Último - divulgação

Título: O Último
Autor: Joel Puga
Editora: Smashwords
Edição: Fevereiro de 2015

Sinopse: Aterrorizado com a ideia da morte, um homem deixa-se contaminar pelo vampirismo de forma a prolongar a sua vida indefinidamente. Porém, quando as legiões do Céu e do Inferno se enfrentam na derradeira batalha, vê-se como o último ser humano na Terra. Deixar-se-á arrastar pacificamente para um dos reinos do pós-morte?

Sobre o autor: Joel Puga nasceu na cidade portuguesa de Viana do Castelo em 1983. Entrou em contacto muito cedo com a fantasia e a ficção científica, principalmente graças a séries e filmes dobrados transmitidos por canais espanhóis. Assim que aprendeu a ler, enveredou pela literatura de género, começando a aventura com os livros de Júlio Verne. Foi nesta altura que produziu as suas primeiras histórias, geralmente passadas nos universos de outros autores, cuja leitura estava reservada a familiares e amigos.
Em 2001, mudou-se para Braga para prosseguir os estudos, altura em que decidiu que a sua escrita devia ser mais do que um hobby privado. Isso valeu-lhe a publicação em várias antologias e fanzines portuguesas abordando diversos sub-géneros da ficção especulativa.
Vive, hoje, em Braga, onde divide o seu tempo entre o emprego como engenheiro informático, a escrita e a leitura.

Podem adquirir o livro AQUI, e em inglês AQUI

Visitem também blog do autor e o seu perfil no Goodreads.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

::Autor:: Joel Puga

Biografia (via Goodreads):
Joel Puga concluiu o curso de Engenharia de Sistemas e Informática em 2008 na Universidade do Minho. Os seus anos de formação foram passados entre os estudos, a leitura, o cinema e a escrita. Após um período de mais de dois anos como Bolseiro de Investigação, trabalha agora como programador.
Para além de ter contribuído para vários artigos científicos, conta também com alguns contos publicados em fanzines e antologias. Publicou os contos “O Último” na antologia Talentos Fantásticos (2009), “A Gloriosa Raça das Ratazanas” na Fénix n.º 0 (2010), “Hölestern” na Antologia BBDE (2011), “O Cornudo” na Nanozine n.º 1(2011), "O Mestre Arquitecto" na Nanozine nº4(2011) e uma reedição de "O Último" na Vollüspa(2012).


Livros que li do autor:
A Gloriosa Rala das Ratazanas (conto in Fénix 0) - Opinião
Hölestern (conto in Antologia BBdE) - Opinião
Uma Demanda Literária (conto in Fénix 2) - Opinião
Fuga (conto in Lisboa no Ano 2000) - Opinião
A Guerra Esquecida (conto in Comandante Serralves - Despojos de Guerra) - Opinião

Trabalhos editados em Português:
Talentos Fantásticos, Edita-Me (2009)
Fénix 0 (2010)
Antologia BBdE, Lulu (2010)
Nanozine 1 (2011)
Nanozine 4 (2011)
Vollüspa (2012)
Bang 13 (2012)
Alamanaque Steampunk 2012, EuEdito (2012)
Lisboa no Ano 2000, Saída de Emergência (2012)
Nanozine 7 (2012)
Fénix 2 (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume I, EuEdito (2013)
Almanaque Steampunk 2013, EuEdito (2013)
Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume II, EuEdito (2013)
Comandante Serralves - Despojos de Guerra, Imaginauta (2014) 
Lusitânia 3 (2014)
O Último / The Last, Smashwords (2015)

A visitar: Blog do Autor, Goodreads do Autor

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Comandante Serralves - Despojos de Guerra

"Comandante Serralves - Despojos de Guerra", de Ana Filipa Ferreira (Ana Ferreira), Carlos Silva, Inês Montenegro, Joel Puga, Rui Leite, Vitor Frazão

Este projecto, mais que uma antologia, é a raíz para algo que os criadores pretendem que seja mais grandioso, mais abrangente. Conhecem o conceito do Projecto Imaginauta? Convido-vos a visitarem o site para pereceberem melhor como nasceu este "Comandante Serralves - Despojos de Guerra" e, quem sabe, a contribuirem para o projecto.

Este antologia reúne várias aventuras do personagem que empresta o nome ao livro e cada uma é bastante independente das restantes, embora exista um centro coeso entre todas. Tudo se passa após uma guerra entre humanos e uns seres extraterrestres de nome Pahoehoentes, mas agora a luta é interna. Serralves e a sua tripulação querem mudar o sistema e nestas aventuras vemos alguns desses esforços intra e extra-planetários.

Como um todo a antologia funciona bem. Os contos não tem ligação imediata, ou sequer cronológica, entre si mas como refernciam os mesmos acontecimentos, os mesmos objectivos e algumas das mesmas personagens, torna-se fácil interligá-los. No entanto também esta falta de ligação imediata deixou alguns espaços mortos que, em certos acontecimentos maos maracantes, forma bastante sentidos, visto que não houve resolução ou consequências que fossem sentidas nos contos seguintes.
Em termos de personagens, por razões óbvias o Serralves é o mais explorado mas, estranhamente, é a Emily que se mostra mais consistente. o Serralves nem sempre age da mesma maneira, o que é um pouco bizarro, mas pode ser explicado or uma maior ou menor maturidade, visto que enm todos os episódios se passam no mesmo espaço temporal. Infelizmente o Serralves toma tão grande parte da história que torna todas as outras personagens esquecíveis e faz com que nenhuma se tenha gravado permanentemente na minha memória (tirando a Emily).

Todas as histórias têm algo de interessante e novo a acrescentar, mas nem todas me marcaram da mesma forma e as favoritas foram: "Métodos de Invasão, "Des Eigentum", e "A Guerra Esquecida".

Fica agora uma opinião mais individualizada de cada um dos contos:

"Métodos de Evasão", de Carlos Silva
Sem dúvida o meu conto favorito da antologia, esta história introduz-nos a este universo com uma bomba (não literal).
Apesar de não ter gostado da pressa do final (nem vemos como ele escapa), tudo o resto foi excelente.
Apresentou-nos o Serralves como um homem confiante, experiente e que é facilmente sobrestimado. Também nos mostra logo o(s) lado(s) inimigo(s) e algumas das motivações deste intrépido explorador do espaço.
A prosa está excelente e os diálogos fluem muito bem. Uma fantástica primeira incursão.

"Sinais", de Vitor Frazão
É neste segundo conto que conhecemos a "Maria" (nave espacial do Serralves) e a sua tripulação. Numa primeira parte cheia de conflito e desenvolviemento, passamos depois para uma segunda parte que prometia muito, mas que não funcionou tão bem como esperava.
Sem dúvida somos fornecidos com muita informação vital nesta história, e esta não nos é debitada de forma incómoda. Flui bem no contexto da aventura, mas em termos de acção (que é uma grande parte da última metade do conto) achei que ficou a faltar-lhe um certo brilho. E apesar de me apresentar uma série de pessoas, nenhuma ficou para a posteridade.
Por outro lado, o conceito da cidade está fabuloso!

"Dogson", de Inês Montenegro
Pela primeira vez vemos como funciona o sistema de vida continuada de Serralves e como isso afecta os que outrora se volutariaram para serem recipientes do icónico comandante. E, mais que isso, como lhes é impossível voltar atrás nessa decisão.
Dogson é o nome do desgraçadinho que um dia se lembrou de ser voluntário e que agora não tem grande vontade de dar o seu corpo ao Serralves.
Dito isto, o conceito está excelente e definitivamente funciona bem para mostrar em que consiste esta vida 'eterna' do Serralves. No entanto achei os diálogos fracos e houve pouco tempo para conhecer as personagens e, dessa forma, sentir pena (ou não) pelo desfecho que se seguiu.

"Despojos de Guerra", de Carlos Silva
Conto intenso e interessante, com uma sequência de cenas bem elaborada. Passa-se, maioritariamente, em Vénus, num Mercado Negro onde se pode arranjar de tudo, incluindo tecnologia extra-terrestre. E é isso que leva Serralves e a sua equipa a uma descoberta que pode ser tão promissora como perigosa.
A premissa está excelente, contudo a aventura, a escrita e as personagens não me cativaram tanto como no primeiro conto (também deste autor), apesar de não estarem más.

"Des Eigentum", de Ana Ferreira (Adeselna Davies)
Neste conto podemos ver o outro lado da guerra, entrar na mente de um Pahoehoente e só isso basta para tornar este um dos contos mais interessantes e, ao mesmo tempo, mais distante dos outros.
Gostei muito de como foi narrado de forma crua e directa, sem palavras desnecessárias, deixando lugar para que o leitor tire as suas próprias conclusões. E ainda, por fim, deu-nos um outro olhar sobre as acções do Comandante Serralves.


"A Guerra Esquecida", de Joel Puga
Uma história cheia de adrenalina, muito bem estruturada e que deixa sempre o leitor curioso e a querer mais. As personagens, enfim, estavam um pouco ocas, sacrificadas em detrimento do enredo, o que fez com que nenhuma me marcasse, nem mesmo o Serralves, apesar de eu ter gostado de ver como ele lidou com o novo corpo e com as pessoas que conheciam o dito corpo antes de ele tomar posse dele. No entanto isso me impediu de desfrutar bastante deste texto.

"Statica Falls", de Rui Leite
Entre este e os restantes contos nota-se uma maior diferença, tanto a nível temporal como por ser narrado na perspectiva de uma outra personagem: a Emily. E graças a isso posso dizer que o que mais gostei foi da interacção entre ela a o Serralves. Nota-se um amadurecimento na relação dos dois, em contraste com o segundo conto (Sinais).
Por outro lado, o conceito do povo que vive isolado do resto da humanidade, julgando-se a última colónia sobrevivente, foi bastante interessante, embora a resolução não me tenha enchido bem as medidas.

Nota: Na altura de divulgação do lançamento fiz uma entrevista relacionada com este livro e com o projecto Imaginauta. podem ler tudo AQUI.

Sinopse:
Depois da invasão Pahoehoente, a Aliança Humana trouxe paz e prosperidade ao Sistema Solar. Contudo trouxe também a supressão da cultura, a opressão e a padronização dos povos.
Existe, porém, uma lenda que há várias gerações traz esperança a todas as nações livres. O seu nome é: Comandante Serralves
Suba a bordo da nave Maria e deixe-se levar por um universo de relatos de resistência e luta. Conheça as muitas caras e corpos do Comandante e deixe-se maravilhar pelas comunidades que colonizaram os planetas de Mercúrio a Urano.
Que despojos de guerra contra os Pahoehoentes são esses que ainda hoje trazem perigo às nações livres? Que artefactos se escondem em torno do Sol que podem desiquilibrar o braço de ferro entre Serralves e a Aliança?

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Lisboa no Ano 2000

"Lisboa no Ano 2000 - Uma antologia assombrosa sobre uma cidade que nunca existiu", organizada por João Barreiros, com contos de A.M.P. Rodriguez, Ana C. Nunes, Carlos Silva, Guilherme Trindade, João Ventura, Joel Puga, Jorge Palinhos , Michael Silva, Pedro Afonso, Pedro G.P. Martins, Pedro Vicente Pedroso, Ricardo Correia, Ricardo Cruz Ortigão, Telmo Marçal.

Sinopse:
Bem-vindos à maior cidade da Europa livre, bem longe do opressivo império germânico. Deslumbrem-se com a mais famosa das jóias do Ocidente! A cidade estende-se a perder de vista. O ar vibra com a melodia incansável da electricidade.
Deixem-se fascinar por este lugar único, onde as luzes nunca se apagam, seja de noite, seja de dia. aqui a energia eléctrica chega a todos os lares providenciada pelas fabulosas Torres Tesla.
Nuvens de zepelins sobem e descem com as carapaças a brilhar ao sol. Monocarris zumbem por todo o lado a incríveis velocidades de mais de cem quilómetros à hora. O ar freme com o estímulo revigorante da electricidade residual. Bem-vindos ao século XX!
Lisboa no Ano 2000 recria uma Lisboa que nunca existiu. Uma Lisboa tal como era imaginada, há cem anos.


Opinião:
Demorei o meu rico tempo a ler a antologia da qual também faz parte um conto meu, mas deixem-me explicar-vos porquê: a antologia é bastante volumosa e eu decidi ler espaçadamente os contos, entre outras leituras. Podia tê-la lido toda de uma vez, mas não quis. E agora finalmente terminei.

Lisboa no Ano 2000 é um reinventar da capital portuguesa, como esta teria sido imaginada pelos autores do final do século XIX (com a monarquia ainda no poder e a electricidade como fonte de energia única). João Barreiros deu as regras e os outros autores exploraram os seus limites.

Fiquei agradavelmente surpreendida com alguns dos contos. Tive a oportunidade de conhecer, pessoalmente, quase todos os escritores (ou mesmo todos, se não estou em erro) e a grande maioria das histórias da antologia estão muito boas. Todas muito imaginativas.
Como em quase todas as antologias, existem uns contos que gosto mais que outros; os meus favoritos foram:  "Dedos", A.M.P. Rodriguez; "Energia  das Almas", João Ventura; "A Rainha", Pedro Vicente Pedroso; "Taxidermia", Guilherme Trindade; "Ex-Machina", Michael Silva; "Chamem-nos Legião", João Barreiros.

Podem ver as opiniões individuais nos posts que fiz para cada um dos contos:
"O Turno da Noite", João Barreiros- opinião (na Bang! 10)
"Venha a Mim o Nosso Reino", Ricardo Correia - opinião
"Os Filhos do Fogo", Jorge Palhinhos - opinião
"Dedos", A.M.P. Rodriguez - opinião
"As Duas Caras de António", Carlos Eduardo Silva - opinião
"Electro-dependência", Ana C. Nunes (o meu conto)
"Nanoamour", Ricardo Cruz Ortigão - opinião
"Energia  das Almas", João Ventura - opinião
"Fuga", Joel Puga - opinião
"Tratado das Paixões Mecânicas", João Barreiros - opinião
"O Obus de Newton", Telmo Marçal - opinião
"Ex-Machina", Michael Silva - opinião
"A Rainha", Pedro Vicente Pedroso - opinião
"Taxidermia", Guilherme Trindade - opinião
"Quem Semeia no Tejo", Pedro G.P. Martins - opinião
"Coincidências", Pedro Afonso - opinião
"Chamem-nos Legião", João Barreiros - opinião

Em suma, Lisboa no Ano 2000 é uma antologia surpreendente, cheia de histórias imaginativas. Uns contos agradaram-me mais que outros, como sempre acontece, mas recomendo vivamente. E, claro que, esta opinião é independente da minha participação na mesma.
Já agora, se leram ou lerem a antologia, agradecia que deixassem comentários a dizer o que acharam dela num todo e também do meu conto. :)

terça-feira, 22 de julho de 2014

::Entrevista:: Imaginauta

Hoje trago-vos algo novo: a primeira entrevista aqui do blog Floresta de Livros. Já tive oportunidade de vos falar do Projecto Imaginauta num post anterior (aqui) e agora segue-se uma entrevista exclusiva. Espero que gostem, e deixem os vossos comentários.

Floresta de Livros (FL): Começo então por perguntar: Exactamente em que consiste o Imaginauta? São uma espécie de Liga de autores nacionais? O vosso objectivo é somente partilhar as vossas histórias ou há algo mais?
Imaginauta (IM): Imaginauta é apenas um estandarte em redor do qual queremos unir esforços que até agora têm estado dispersos e trazer a público conteúdos que nos entusiasmam como escritores e leitores. Até agora, cada vez que um de nós começava um projecto tinha de construí-lo praticamente de raiz, com Imaginauta queremos usar o “balanço” gerado por um projecto para dar ritmo a outros, criando um sistema de apoio.

FL: Quantas pessoas fazem parte do projecto, neste momento, e como se dividem as tarefas?
IM: Somos um reduzido núcleo duro macgyveriano, com uma alergia patológica a hierarquias, com apenas uma prioridade: remar na mesma direcção. “Comandante Serralves – Despojos de Guerra” foi feito com Carlos Silva, Ana Ferreira, Rui Leite, Vitor Frazão, Joel Puga e Inês Montenegro, contudo, isso não significa que o próximo conteúdo o seja. Pode ser com apenas alguns deles ou mesmo com um alinhamento completamente novo. Até pode ser com um de vós.

FL: Sendo que todos os autores são conhecidos por escreverem maioritariamente Fantasia e Ficção Científica, será correcto dizer que o Imaginauta se focará nestes dois géneros (e todos os seus subgéneros) ou estender-se-ão por outros?
IM: Não escondemos a paixão por esses dois géneros, contudo, não queremos limitar-nos e estamos sempre dispostos a aceitar propostas/desafio. O Imaginauta não seria lá muito imaginativo se só viajasse por dois universos, não é?

FL: No que respeita à vossa primeira obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra", que segundo a vossa descrição é uma colectânea de várias histórias, sobre a mesma personagem, passadas no mesmo mundo; como foi trabalharem em conjunto? Como coordenaram as histórias de forma a serem um todo coeso e a manterem-se fiéis às personagens e ao cenário?
IM: A história nasceu de um conto que o Carlos Silva decidiu abrir a outros autores, para expandir o world-building, tornando-o mais complexo e fortalecendo-o como outras perspectivas. No centro dessa história estava uma personagem cujo mesmo “extra” que a torna diferente de todos os outros separatistas que lutam contra a Aliança Humana, também permite uma certa flexibilidade no manuseamento por vários autores. O facto do universo literário em questão ser um misto do que existia nesse conto inicial e do que foi criado à medida que novos contributos foram introduzidos, também ajudou a manter a coesão. Desde o princípio tivemos consciência que garantir coesão requereria muitas leituras e muito lapidar de pormenores. Afinal, não queríamos apenas uma simples antologia de contos desconexos que apenas partilhavam o mesmo universo, antes um conjunto de episódios que, mesmo valendo por si mesmo, seguiam uma linha narrativa e complementavam-se uns aos outros. Felizmente ao longo do processo tivemos duas boas surpresas. Em primeiro lugar, o autores entenderam bem o espírito das personagens criadas pelos colegas e, com os seus pontos de vista diferentes, ajudaram a vincá-lo. Em segundo, não se verificou o nosso receio que à medida que os primeiros contos saíssem e o world-building se tornasse mais definido, os outros autores se sentissem criativamente mais limitados. Não só isso não aconteceu, como elementos inseridos nos contos mais novos acabaram por influenciar alterações nos mais antigos, simplesmente porque funcionavam melhor ou levaram a ver o cenário de outro prisma. Verdade seja dita, apesar de existirem pontos assentes, ainda há no world-building muita margem para manobrar e/ou introduzir novos conceitos. Afinal, temos todo um Sistema Solar (e além?) para brincar.

FL: Ainda em relação a esta colaboração, qual foi o maior desafio que enfrentaram?
IM: Todos sabemos que em qualquer grupo com mais de uma pessoa há potencial para conflito. É natural que assim seja. Afinal, as diferentes opiniões, perspectivas e paixões fazem parte do interesse e do valor de trabalhar com outras pessoas. Como estereotipados solitários, os escritores podem ter alguma dificuldade em adaptar-se aos métodos de trabalho uns dos outros. Mas com calma, muitas horas de diálogo, mais uma dose de calma, paciência e, não sei se já disse, calma, acabámos por não só trabalhar bem em conjunto como até alimentar a criatividade uns dos outros.

FL: Fala-se muito da existência, ou inexistência de fantasia e ficção científica com cunho verdadeiramente nacional, ou seja, com algo que a marque como portuguesa e distinga da FC&F anglófona. Como o título da vossa primeira obra é obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra" será correcto assumir que tentaram levar a lusofonia ao espaço? Tentaram criar uma space-opera, uma aventura espacial com cunho nacional?
IM: Serralves é português. Gosta de o ser, foi por isso é que chamou Maria à nave que “pediu emprestada” aos pahoehoentes. Contudo, isso deve-se menos ao nosso desejo de carimbar um cunho nacional ao livro e mais ao mundo em que a aventura espacial se insere. Os separatistas lutam contra uma Aliança Humana que, entre outras coisas, procura activamente eliminar todas as evidências de um tempo em que os povos da Terra e suas colónias espaciais não estavam unidos sob uma égide. Falar em outros idiomas além da língua padrão oficial, comer determinados pratos, seguir determinadas tradições, etc, em suma, viver e mostrar a sua cultura é, por sim só, um acto de desafio perante o poder instituído. Sim, Serralves é português e ao mostrá-lo também está a lutar simbolicamente. Mas outros tripulantes da Maria têm outras nacionalidades e lutam da mesma maneira.

FL: Quando em entrevista no blog “Uma Biblioteca em Construção” dizem, e passo a citar: «(…) desde o início estamos preparados para expandir este universo em vários formatos.», querem dizer que não planeiam ficar-se apenas pela prosa? Podemos esperar trabalhos noutras áreas? Banda Desenhada, Cinema, Teatro, talvez?
IM: Tal como “Comandante Serralves - Despojos de Guerra” nasceu da partilha de um autor, temos todo o interesse em continuar nesse espírito, estando abertos a todo o tipo de colaborações, sejam elas textos em prosa ou outros formatos. Artistas das mais variadas áreas têm revelado algo interesse em contribuir, contudo, foram só conversas informais. Quando tivermos novidades partilharemos. Para já o importante é esclarecer que não é nossa intenção guardar o Serralves só para nós e que estamos sempre abertos a ideias, desafio, contributos, etc. Por isso, se tiverem vontade de aumentar este universo, enviem-nos um email.

FL: Por fim, será que podem desvendar um pouco do que pretendem fazer no futuro próximo no Imaginauta e como tentarão de diferenciar do que já existe no mercado nacional?
IM: É verdade que estamos a trabalhar em algumas coisinhas, mas mais interessante que levantar um pouco o véu seria passar a pergunta aos seguidores do blog. Que lacunas gostavam de ver preenchidas no mercado nacional? Que projectos gostariam de ver surgir? Quem quiser acompanhar o que vamos fazendo AQUI (newsletter)

FL: Deixo os meus mais sinceros agradecimentos pela vossa disponibilidade para esta entrevista. Votos de muito sucesso com este projecto.

Vistem o site IMAGINAUTA para seguirem de perto este projecto. E por fim convido-vos a deixarem os vossos comentários. Gostaram desta entrevista? Gostariam de ver mais do mesmo género ou diferentes? Digam de vossa justiça! :)

sábado, 19 de julho de 2014

Projecto Imaginauta - Divulgação

Já devem ter ouvido falar do novo projecto IMAGINAUTA, que se define desta forma:
Imaginauta é um projecto literário que está prestes a descolar. O seu principal objectivo é trazer à luz do dia boas obras independentes que se destaquem no panorama nacional. Não é uma editora, é uma marca comum a um conjunto de projectos. Juntem-se a ele e conheçam novos e excitantes Mundos, ficção de qualidade e vibrante de imaginação.

A primeira obra lançada é "Comandante Serralves - Despojos de Guerra", um livro escrito a várias mãos.
Aqui fica a sinopse:
Esta é a Era da Aliança Humana. Uma nova ordem Mundial forjada a sangue e fogo pela necessidade de unir os povos da Terra para derrotar uma invasão alienígena.
Não, esta não é a estória dessa guerra. Essa já nos foi contada e recontada pela FC desde os seus primórdios. Esta é a estória do que veio depois.
São tempos de paz, união, desenvolvimento, abundância e colonização do sistema solar. No entanto, tudo tem um preço e nem todos estão dispostos a aceitar o sacrifício da liberdade e da cultura de cada povo em troco deste futuro unido sobre uma única égide. E ninguém se rebela mais que o vulpino, grandíloquo e questionável Comandante Serralves. Armado com umas quantas “prendas” deixadas pelos derrotados invasores e na companhia de um caótico imbróglio de aliados, o perigoso rebelde garantirá que o poder estabelecido nunca tenha uma noite de sono descansada.
Na tradição das clássicas space operas, “Comandante Serralves – Despojos de Guerra” é um universo aberto escrito a seis mãos. O que começou como um modesto conto e um protagonista-conceito simples, floresceu em complexidade e novas perspectivas ao ser expostos aos talentos (e consideráveis neuroses) de um grupo de jovens escritores.
Uma aventura espacial excitante e intrigante que promete apelar a todos os leitores.
Os autores deste primeiro livro são: Ana Ferreira, Carlos Silva, Joel Puga, Inês Montenegro, Rui Leite e Vítor Frazão. Tudo autores que aprecio, por isso o livro promete ser bom!

Podem saber tudo sobre este projecto no site oficial. leiam também a opinião do Artur Coelho (Intergalactic Robot), que já leu o "Comandante Serralves - Despojos de Guerra" e a entrevista no blog Uma Biblioteca em Construção.
Quanto a mim, fiquem atento porque espero em breve trazer mais novidades sobre este projecto. Visitem o SITE.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

::Conto:: Fuga

"Fuga", Joel Puga (incluído na antologia "Lisboa no Ano 2000")

Opinião:
A ideia para este conto está engraçada e bem organizada, mas faltava-lhe ... algo. Havia alguma coisa no texto que me impedia de conectar com a história e as personagens.
Pessoalmente não gostei muito da prosa e achei os diálogos pouco eloquentes.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fénix 2

"Fénix, nº 2", fanzine

O terceiro volume da Fanzine portuguesa dedicada à fantasia e ficção-científica, desta feita com o tema "Livros". Inclui contos, artigos, entrevistas, entre outros -- bem como o suplemento humorístico "Pumba".
Organizado, dirigido e editado por Marcelina Gama Leandro.


Opinião:
"A Escuridão", de André Carneiro
Com uma escrita intensa e descritiva o suficiente para que o leitor entre na história, este conto tem momentos sublimes em que o autor consegue transmitir muito bem que as personagens sentem. Ficou a faltar apenas uma explicação para o que ocorreu.

"O Homem de Areia", de Domingo Santos (tradução de Álvaro de Sousa Holstein)
Um enredo intrigante que o leitor vai captando lentamente. Achei o romance bem construído, embora o fim do mesmo não fosse imprevisível. Já o fim do conto foi muito bem conseguido em termos de acção, enquanto as palavras não pareceram acompanhá-lo da melhor forma.

"Esferas e Tormentas", de Carlos Espigueiro
Sinceramente não entendi qual a finalidade deste conto.

"Um dia de Trabalho", de Ricardo Dias
Apesar de um começo fraco, logo o conto fica mais interessante. No entanto, na segunda parte a personagem 'do mal' estava demasiado cliché e só me fez revirar os olhos. Gostei do twist final e gostei do conceito, mas o recurso a diálogos e acções clichés, na parte do demónio, não ajudou nada.

"O Estranho Caso do Livro sem Palavras", de Ana C. Silva
Aqui temos uma personagem feminina decidida e cujas aventuras eu gostaria de continuar a seguir. Num ambiente victoriano, mas passado em Portugal, vislumbramos um mundo complexo, cheio de magia e criaturas interessantes. O enredo central mantém o leitor atento e só achei que a magia podia ser mais bem explicada e que o uso de certos termos devia ser mais contida, ou melhor envolvido na história.
O conto vem acompanhado de uma bela ilustração da autora.

"Despertar", BD de Rui Ramos
Uma banda desenhada curiosa, com boa transição de cenas mas que deixa quase tudo por explicar.

"A Passagem Secreta", de Sara Farinha
Apesar de a ideia ser muito boa achei que a narrativa não estava suficientemente envolvida nos acontecimentos, criando uma separação entre o leitor e a história. Mas aquele final esteve mesmo bem!

"Fismoth - O Último Inquilino", de Manuel Mendonça
Não me ficou na memória e foi demasiado fugaz, ao mesmo tempo que ficou disperso.

"Mundos em Mundos", de Vitor Frazão
Excelente diálogo e premissa intrigante ao ponto de deixar o leitor com vontade de saber mais mas, ao mesmo tempo, esclarecedor o suficiente para se aguentar como um micro-conto.

"Livros do Tempo", de Carlos Coelho de Faria
Um conceito curioso e suficientemente bem escrito para satisfazer o leitor e o deixar a pensar sobre como a protagonista terá adquirido o livro. A ideia, estranhamente, fez-me pensar no manga "Death Note".

"Pulsação", de Inês Montenegro
O melhor micro-conto da fanzine. Emotivo, evocativo e algo com que todos os leitores se conseguirão relacionar.

"Uma Demanda Literária", de Joel Puga
Fiquei com uma opinião ambígua sobre este conto. Por um lado gostei da ideia e da acção, mas por outro aquele final não me deixou completamente satisfeita ou esclarecida, embora eu assuma saber o que o autor sugere.

"A Dança das letras", de Ana C. Nunes
Remeto-me ao silêncio sobre este, ou não fosse eu a sua autora. :)  

"O Rosto Vivo", de Marcelina Gama Leandro
Não é certamente o melhor conto da autora mas é curioso chegar ao fim desta fanzine e ler este conto.

Depois de opinar sobre os contos, há que deixar umas palavras sobre o resto da revista. Gostei particularmente da entrevista a André Carneiro, uma autor que ainda não conhecia bem. No artigo sobre videojogos sentia-se que tinha sido escrito por alguém apaixonado pelo assunto e foi uma leitura interessante. A secção da Correspondência foi uma excelente adição à fanzine, dando mais uma vez a conhecer um pouco de Romeu de Melo. Também não posso deixar de mencionar o suplemento Pumba!, com um humor muito direccionado a quem anda a par do que se passa na FC&F em Portugal, mas que não deixa de ter muita graça, em certos momentos.
Fica também uma nota ao excelente design, maculado apenas por uma ou outra gafe que terá escapado à edição e que não incomoda por aí além. E, claro, não podia deixar de mencionar a belíssima capa da autoria da A.C. Silva.

Em suma, este segundo número da fanzine Fénix tem uma selecção bastante curiosa de contos, sendo que os que mais gostei foram: "A Escuridão" de André Carneiro, "O Estranho Caso do Livro sem Palavras" de A.C. Silva, "Mundos em Mundos de Vitor Frazão e  "Pulsação" de Inês Montenegro".

Podem comprar esta fanzine AQUI.
E no seguimento desta, foi lançada a Antologia Fénix de Ficção Cíentifica e Fantasia - Volume 1, que está disponível gratuitamente AQUI.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Antologia BBdE!

"Antologia BBdE!", de Adeselna Davies (Ana Ferreira), Joana Cardoso, Joel Puga, Marcelina (Gama) Leandro, Pedro Pedroso, R.B. Nortor, Sofia Nobre, Zé Chove

Sinopse:
Antologia de contos organizada pelo Ricardo Loureiro, através do fórum Bad Book don't Exist (BBdE), com participações de vários membros.
Os contos distribuem-se em cinco temas: O Fim; Sangue; Identidade; Cidades Reais ou Imaginárias; Naufrágios.

Opinião: 
Sendo este livro uma antologia, vou como de costume rever os contos um a um e no final dar uma opinião geral.
 
"O Fim do Sonho", Zé Chove 
Com uma prosa bem conseguida e uma sequência de acontecimentos bastante característica, o conto peca um pouco pela dispersão e aquele final foi estranho se bem que não anti-climático. Um conto que se lê bem mas que não fica na memória. 

"Rosa sobre fundo branco", Joana Augusto 
Um conto bastante curto mas com excelente ambiente e muito evocativo. Os sentimentos da protagonista saltam das páginas, no entanto teria sido interessante saber um pouco mais sobre o desastre. 'Soube' a pouco mas leu-se bem. 

"Znuff", Pedro Pedroso 
Como o título indica este é um conto um pouco grotesco que não agradará a qualquer um. No entanto não é de total mau gosto, tanto a nível de enredo como narrativo, o que faz com que seja desconfortável mas ao mesmo tempo consiga prender o leitor o suficiente para ficar até ao fim e descobrir o que ali se passa. A ideia em si é interessante e está muito bem executada. Temos um protagonista muito bem desenvolvido e restantes personagens que também conseguem sobressair. No geral foi uma boa surpresa, se bem que desconfortável de ler. 

 "Carne da minha carne, sangue do meu sangue", Sofia Nobre 
Outro conto bastante cru, se bem que não tanto como o anterior, este conto está bem conseguido porque o que ao principio parece um romance acaba por se revelar outra coisa completamente. O único senão do conto são as perguntas que ficam por responder. Apesar de intrigante, pouco é explicado o que deixa um sensação de 'e depois?'. 

"Prisão de Gelo", Adeselna Davies  (Ana Ferreira)
Esta história é daquelas que sabemos que é ficção, mas que de alguma forma parecem absolutamente verossímeis (sinceramente espanta-me que não tenha acontecido). A narrativa é quase claustrofóbica e tão focada que é como se estivéssemos na pele da protagonista (prisioneira numa instituição correctiva). O final foi extremamente agridoce, mas em concordância com o resto do conto. 

"A Cidade", R.B. Nortor 
Com um conceito interessante e uma bela execução em prosa, o conto é bastante interessante, mas senti que se arrastou um pouco no início. Gostei do final e gostei das personagens e do tom narrativo. 

"Jerusalém", Marcelina Leandro 
Tendo em atenção o tema (Cidades Reais ou Imaginárias) o texto é bastante rico, com boas descrições tanto de Jerusalém como da outra cidade), mas em termos narrativos o conto deixa bastante a desejar. A história em si é bastante interessante, mas as personagens estão mal desenvolvidas (quem é a mulher misteriosa? porque é que o protagonista quebrou as regras?) e no início a prosa é um pouco lenta, com um pouco de informação a ser despejada a mais. A sensação que fica é que este conto é o primeiro capítulo de um enorme romance e que o leitor ficou apenas com uma pequena fatia do bolo, faltando-lhe todo o recheio. Ou seja, não funciona como um conto. Necessitava de mais espaço para mostrar todo o seu potencial (que parece bem vasto). 

"Hölestern", Joel Puga 
Este é um conto com excelente prosa, boa acção (em todos os momentos) e um 'mundo' bem apresentado e muito interessante, assim como uma história bem estruturada e auto-suficiente. No entanto onde peca é nas personagens. O protagonista não sofre qualquer desenvolvimento e pouco nos é dado a saber sobre ele (de onde veio, porque fez o que fez, como tem aqueles poderes? etc.). O mesmo acontece com as outras personagens, onde estranhamente o escudeiro é o mais 'verossímil' de todos. 

Em suma, esta é uma antologia muito interessante, em que nenhum dos contos é particularmente mau e alguns são bastante bons. Todos estão bem enquadrados no tema, o que é uma mais valia e fiquei a conhecer alguns novos autores cujo trabalho tenciono seguir, assim como reli alguns que já conheço e que foi bom reencontrar noutras histórias. Vale a pena, especialmente para quem aprecia contos de fantasia/ficção científica mas também a simples ficção narrativa.

Capa, Design  Edição: 
A capa não evoca nenhum dos contos em particular, mas é suficientemente sóbria para ser interessante, apesar de um pouco ... simples.

O design interior é também ele bastante simples, mas eficiente. Apesar de esta ser uma publicação de autor, nota-se um cuidado com as margens e o espaçamento que tornam o livro agradável de folhear.

Nota: Este livro foi-me emprestado pela Ana Filipa Dias (Adeselna Davies). Obrigada!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fénix 0

"Fénix, nº 0", fanzine

Esta é uma fanzine dedicada à divulgação da fantasia, Ficção Científica e do Horror, constituída apenas de contos de variados autores portugueses, com organização de Álvaro de Sousa Holstein.
Começa com um editorial do organizador/coordenador, que relata como tudo começou e como, uma ano depois, a fanzine ganhou forma.

Opinião:
"O satélite de Natal", de João de Mancelos
No início do conto, confesso que fiquei apreensiva, pois a escrita não me cativou (especialmente alguns dos termos usados), no entanto as reviravoltas que o autor subtilmente introduziu na história, foram simplesmente 'deliciosas' (permitam-me o termo). Cheguei ao fim com um sorriso no rosto, pois achei a ideia muito interessante e bem executada, se bem que a nível de escrita poderia ser ainda mais aprimorada (não que esteja mal, mas poderia ser mais intuitiva).

"A gloriosa raça das ratazanas", de Joel Puga
A história está bastante bem pensada e fez-me recordar o "encantador de ratos" dos irmãos Grimm. Imagino que se tenha baseado na fábula, e nesse aspecto conseguiu utilizá-la bem. No entanto, a prosa não me apaixonou, chegando mesmo a roçar o monótono. Pareceu-me que de início tentou contar coisas que não precisavam realmente ser contadas, e a acção do meio e fim perdeu-se um pouco, não por falta dela, mas por falta de convicção das palavras. Contudo, graças à trama, o conto leu-se bem.

"Os pilares", de José Manuel Morais
A escrita maravilhosa do autor, fez com que o tema passasse para segundo plano, ganhando a prosa uma vida própria. Fiquei rendida desde as primeiras frases, mas felizmente também a história conseguiu manter o interesse, embora as palavras fossem a sua verdadeira força. José Manuel Morais é um autor a manter debaixo de olho.

"O velho das terças-feiras", de José Pedro Cunha
Achei este conto extremamente pitoresco e muito bem contado. Pareceu-me quase uma daquelas histórias que nos contam nas aldeias, e a escrita do autor conseguiu captar muito bem esse ritmo narrativo. Noutra nota, é engraçado notar como este conto é tão tipicamente português, nos cenários que descreve.

"O roubo dos figos", de Marcelina Gama Leandro
Mal se inicia a leitura do conto, sente-se também uma presença Lusa que é estranhamente reconfortante. A história é doce e curta, mas o fim deixou-me pouco satisfeita.

"E agora algo completamente diferente", de Regina Catarino
O conto em si não me surpreendeu tanto quanto o título parecia indicar, mas soltei uma gargalhada com a última frase. (Eu sei. Que crueldade!) Imagino que o estilo da narrativa tenha sido propositado e até funciona bem neste caso, mas pouco mostra do que autora poderá ter para dar enquanto escritora.

Crónica de Roberto Mendes
Embora já conhecesse praticamente tudo o que foi relatado na rubrica, não deixou de ser interessante lê-lo pelas palavras do próprio Roberto. Louvo o esforço tem feito e projectos que ele tem desenvolvido, mas também sei o que correu bem e o que ... nem por isso. Vale a pena ler para os que não conhecem.

Suplemento Pumba!, de Banrion
Ri-me com todas as páginas, sem excepção. Posso não conhecer uma ou duas das caras retratadas nesta sátira em forma de ilustrações, mas ainda assim as piadas não se perderam e forma bem retratadas pelo artista. Há que levar estas coisas pela piada.


No geral penso que foi uma fanzine bem conseguida, bem estruturada, e que publicou uma boa dose de contos interessantes. É certamente um projecto a seguir com interesse.

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