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domingo, 19 de agosto de 2018

The Best American Short Stories of the Century (parcial)

"The Best American Short Stories of the Century", de Sherwood Anderson, Ann Porter, F. Scott Fitzgerald, James Alan McPherson, Jean Stafford, Bernard Malamud, Cynthia Ozick, Rosellen Brown,  Thom Jones, Gish Jen, Grace Stone Coates, Dorothy Parker, Robert Penn Warren, Eudora Welty, E.B. White, John Updike, Donald Barthelme, Tom O'Brien, Raymond Carver, Lorrie Moore, Carolyn Ferrell, Pam Houston


Opinião:
Antes de mais, acho que devo dizer que esta opinião não abrange todos os contos da antologia original. Li a versão audiolivro que, só mais tarde percebi, não continha todos os contos. Tem cerca de metade. No entanto penso que será igualmente interessante dar a minha opinião sobre os contos que li.


Alguns dos contos que li são verdadeiramente interessantes e percebo porque terão sido considerados de entre "os melhores". No entanto, e isto é tudo uma opinião pessoal, poucos me marcaram de tal forma que possa dizer que ficaram sendo dos meus contos favoritos de todos os tempos. Além disso parece-me impossível não notar que, de todos os contos que li, nenhum era de ficção especulativa (ou pelo menos não o era de forma clara). Por isso seria mais correcto chamar esta uma antologia de ficção geral/normal e não simplesmente uma antologia dos melhores contos americanos, sendo que vários géneros foram deixados de fora (incluindo a não ficção). Será que os contos que não li da antologia abrangem outros géneros que não a ficção geral/história? Se algum de vocês souber digam nos comentários.


Mas deixando de lado estas questões a verdade é que gostei de alguns dos contos e recomendo esses. Não recomendo no entanto a versão áudio deste livro (Isto é raro acontecer!). A versão audiolivro conta com narradores muito variados, alguns dos quais talentoso mas a maioria dos quais parecem amadores sem grande interesse pelo trabalho que estão a fazer ou pelas histórias que estão a narrar. Foi-me, por vezes, realmente difícil abstrair do narrador e forcar na história. E isso é o pior que um narrador de audiolivros pode fazer.


Os meus contos favoritos foram: "The German Refugee", Bernard Malamud; "The Shawl", Cynthia Ozick; "How To Win", Rosellen Brown; "Proper Library", Carolyn Ferrell


Ficam abaixo as minhas opiniões conto a conto, com uma classificação que vai de 0 a 10 pontos.


"The Other Woman", Sherwood Anderson
Uma ideia simples, sobre um homem que parece ter tudo para ser feliz, mas que mina a sua própria felicidade por razões que nem ele entende. Gostei da auto-negação presente em todo o texto mas a história em si não teve nada de original. 
Nota: 5,5

"Theft", Catherine Ann Porter
A narradora audio deste conto não o favoreceu nada.
Gostei do texto, de todo o visual narrativos e dos diálogos. Aquele final foi tão surreal quanto natural, no contexto do resto da história.
Nota: 6

"Crazy Sunday", F. Scott Fitzgerald
A prosa é lindíssima, bem como o ambiente glamouroso em que as personagens se inserem. no entanto as personagens não me cativaram. Em uma ou outra situação gostei mas no geral achei-as plácidas demais.
Nota: 5

"Gold Coast", James Alan McPherson
No início tive mesmo muita dificuldade em entender o que o narrado estava a dizer. Tem um ... bem ... não sei se é sotaque ou se é mesmo a sua forma de falar, mas parecia que comia sílabas e era muito difícil seguir o que estava a dizer. Depois de me habituar foi fácil mas ... foi um início confuso.
Tirando isso, acho que temos aqui o caso de uma personagem que floresce e prospera no formato conto. Uma história banal que nos narra uma parte da vida de um homem que começa a trabalhar com todo o entusiasmo do mundo e que depois, aos poucos, se vai deixando afectar pelo negativismo dos outros e quando termina pouco resta do seu eu inicial. Temos também aqui umas críticas sociais muito interessantes e dolorosas.
Nota: 6,5

"The Interior Castle", Jean Stafford
Auch! Só de pensar em algumas das descrições desta narrativa já fico com dores no nariz. Este conta-nos a história de uma mulher, que ninguém sabe muito bem quem é, e que sofreu um terrível acidente automobilístico que a desfigurou. Ela não recebe visitas e mostra-se apática durante toda a sua estadia no hospital. E se isso a princípio levava a que muitos tivessem pena dela, cedo isso se alterou. A relação dela com o médico que lhe vai operar o nariz é linda de se ler. Não é que fiquemos a saber muito sobre ela, a acidentada, mas é impossível largar o conto. Gostei!
Nota: 7

"The German Refugee", Bernard Malamud
Um conto envolvente, que nos leva a conhecer um jovem que sobrevive dando explicações linguísticas a recém-chegados aos Estados Unidos da América, e a sua vivência com um refugiado alemão, durante a segunda guerra mundial. O conto não se foca na guerra, mas sim na deterioração do personagem do refugiado, sozinho, longe de tudo o que conhece, e consumido por uma culpa que não é perceptível até quase o final. Adorei a escrita e as personagens.
Nota: 8

"The Shawl", Cynthia Ozick
Uma história que me deixou angustiada, tanto porque, ao longo de todo o texto, realmente não sabemos ao certo onde as personagens estão nem o que realmente se está a passar (podemos pressupor, mas há tantas opções), como pela escrita que sufoca. É muito directa, curta, simples, acutilante. Gostei muito!
Nota: 8

"How To Win", Rosellen Brown
Um dos melhores contos da antologia. Com umas reflexões muito interessantes sobre a parentalidade e o matrimónio, o que realmente faz com este conto se destaque é o facto de, no início parecer que nos vai levar numa direcção (a mãe que não suporta mais o temperamento louco do filho) e no fim ... BAM ... levamos um estalo na cara, tal e qual como ela. Adorei!
Nota: 8,5

"I Want To Live", Thom Jones
As descrições dos processos da doença tocaram-me profundamente, bem como a solidão que a personagem sentia, embora estivesse sempre rodeada de amigos. Há aqui momentos muito intensos e com os quais qualquer pessoa se poderá relacionar, mas também achei que, por vezes, se estendia demasiado numa direcção menos interessante e o final desiludiu-me. Ainda assim, acho que toca o tema do cancro, do seu tratamento e da sua angústia, de uma forma crua e que vale a pena ler.
Nota: 6,5

"Birthmates", Gish Jen
Uma lindíssima história sobre um homem cujo casamento terminou após vários abortos. Um homem que trabalha numa indústria em extinção e que, parece também ele, pronto a extinguir-se. A sequência de acção desta história e a forma como ele vai-se recordando da vida com a esposa, dos momentos da gravidez, e de tudo o que poderia ter feito de diferente, é impossível não sentir uma ligação com ele. Gostei muito!
Nota: 7,5

"Wild Plums", Grace Stone Coates
Nem sei bem o que diga deste conto. Tão depressa começa como acaba e, no fim, fiquei sem perceber se ele tem algo a dizer. É suposto ser uma metáfora a alguma coisa? É que se sim não foi nada perceptível.
Nota: 4

"Here We Are", Dorothy Parker
Neste conto seguimos as primeiras horas (ou minutos) da vida de casados de um homem e uma mulher que não se entendem nem por nada. Ela, a típica mulher que nunca sabe se quer uma coisa ou outra (estereótipo ao extremo), ele o típico homem que concorda com ela só para a calar. Gostei da dinâmica dos diálogos mas não da história nem dos estereótipos. 
Nota: 4

"Christmas Gift", Robert Penn Warren
Há tanto por dizer nesta história! Adorei a escrita, as personagens, e os mistérios que rodeiam a vida do rapaz que foi à vila, a meio da noite, em busca do médico para assistir ao parto da sua "prima". Muito é dito. Muito fica por dizer. E o final é tão aberto mas o mesmo tempo tão acertado para a história, que não sei se fiquei satisfeita ou não.
Nota: 7,5

"The Hitch-Hikers" Eudora Welty
Eu gostei deste conto sobre o encontro entre um condutor que já conhece meio mundo, por viajar tanto, e dois "hitch-hikers" a quem ele dá boleia e sobre quem ele pouco ou nada sabe, o que torna a tragédia que acontece ainda mais intensa.
Nota: 7

"The Second Tree From The Corner", E.B. White
Esta história segue a sequência de pensamentos de um paciente numa (e várias) consultas de psiquiatria. Este conto consegue ter uma prosa interessante, mas a história em si não me agarrou.
Nota: 5


"Gesturing", John Updike
Este conto cativou-me de uma forma estranha. Fala-nos de um homem que se separa da esposa, com quem mantinha um relacionamento liberal que lhe permitia ter amantes e que dava à sua esposa a possibilidade de fazer o mesmo. A forma como os dois encaram esta relação, de forma plácida, quase automática, é o mais estranho de tudo, e por isso mesmo cativante. A obsessão dele com um edifício feito totalmente de espelhos, e a apatia com que segue com a vida, é também fascinante.
Nota: 7,5

"A City Of Churches", Donald Barthelme
Uma história estranha que parece meia ficção científica meia alucinação. É bastante curta mas nem fi pela sua dimensão que não me interessei pelo conto, mas antes porque além do cenário, não havia muito de interessante no texto ou na história.
Nota: 4

"The Things They Carried", Tom O'Brien
Um texto bem diferente, que nos narra histórias de guerra acompanhadas de intensas listas de itens que os soldados carregam consigo e que, em última instância, nos dizem muito sobres esses soldados. Foi uma leitura muito interessante mas, mais uma vez, o final deixou bastante a desejar.
Nota: 6

"Where I'm Calling From", Raymond Carver
Cheio de personagens super-interessantes cujas histórias de vida o protagonista absorve e quase que torna suas. A vida dele confunde-se, ao longo da narrativa, com a dos outros homens internados para tratamento de alcoolismo, muitos deles reincidentes que arruinaram as vidas familiares à custa da bebida, e não só. Gostei muito deste texto, excepto pelo final.
Nota: 7

"You're Ugly Too", Lorrie Moore
Uma história muito estranha, que parece mundana e que segue a linha de pensamento de uma protagonista muito pessimista e que parece não ver nada de bom no mundo, mas que na verdade parece nem ter grandes razões para ser assim. Só parece, a principio, porque depois vamos conhecendo um pouco melhor. No entanto não gostei do tom da história nem dos diálogos que ele teve com outras personagens. Pareceu tudo bizarro demais.
Nota: 5

"Proper Library", Carolyn Ferrell
Esta é uma das melhores histórias deste livros. Começa de uma forma muito estranha e, sinceramente, deixou-me bastante confusa quanto ao género da personagem principal bem até meio do conto (o facto de o narrador audio ser do sexo oposto também não ajudou muito a dissipar as dúvidas). É uma história crua, directa, sem mais palavras, que fala da vida de uma personagem que parece deixar-se levar pela corrente dos acontecimentos, a quem nada parece afectar de verdade, mas que no fundo se deixa afectar por tudo. Em poucas palavras aborda temas como o bullying, o racismo e preconceito e a homossexualidade.
Nota: 8

"The Best Girlfriend You Never", Pam Houston
Este conto foca-se em duas personagens que têm tido, ao longo da vida, experiências de romance e "amor" bastante doentias. A intensidade das memórias da personagem principal é fantástica, especialmente pela calma com ela as transmite, apesar de serem situações muito abusivas, por vezes. Gostei bastante deste conto.
Nota: 7,5

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Illuminae

"Illuminae (The Illuminae Files 1)", de Amie Kaufman e Jay Kristoff (Nuvem de Tinta)

Opinião:
Interessa-me sempre imenso ver romances que nascem da colaboração de dois. Imagino que deva ser uma experiência extraordinária de troca de ideias, valores, estilos e ritmos.

Tanto Amie Kaufman como Jay Kristoff são autores de romances YA, de fantasia e ficção científica, já bem conhecidos do público alvo. Eu ainda não tinha tido oportunidade nem, confesso, grande curiosidade em ler qualquer dos títulos destes autores mas depois de ler “Illuminae” e “Gemina”estou a pensar mudar isso.

Illuminae começa num planeta / colónia distante e desconhecido. Uma exploração pirata, por assim dizer. Em Kerenza moram milhares de pessoas, todas dependentes dessa exploração, de forma mais ou menos directa. Kady é a nossa protagonista nesta história que começa com acção e raramente larga a adrenalina nas suas muitas páginas.
E falando em páginas … eu li a versão audiolivro, que recomendo vivamente, mas façam um favor a vocês mesmos e tenham o livro ou o ebook sempre por perto porque a edição em papel (ou digital) é fenomenal! Isto porque “Illuminae” (assim como a sequela “Gemina”) consiste num recontar dos acontecimentos através de relatórios, emails, transcrições e mais mil e uma coisas super-interessantes de ouvir e ver. Foi esta, aliás, a vertente que mais me fascinou neste livro. Não que o resto não seja bom mas esta forma de narrar está muito bem conseguida e envolve o leitor do início ao fim.

Quanto às personagens, acho que será difícil não falar bem de todas as muitas que por aqui aparecem. Até o técnico que faz a transcrição dos vídeos tem uma personalidade memorável.
Na verdade a única falha a nível de personagens advém mesmo da vilã-mor, embora tenha de admitir que ela aparece poucas vezes.
O AIDAN é, de longe, a minha personagem favorita. Esta Inteligência Artificial, que ganha uma semblante de consciência humana, com a sua consequente descida ao abismo, leva-nos uma viagem intensa.

Na verdade a única parte deste livro que me deixou indiferente foi mesmo o romance. Não senti grande química entre a Kady e o Ezra. Gostei bastante mais do relacionamento entre a Kady e o AIDAN, especialmente na parte final.

Em suma, Illuminae foi uma viagem alucinante, cheia de aventura, boas personagens e um enredo com vários níveis que me mantiveram envolvida o tempo todo. Recomendo!

Sinopse:
Illuminae é diferente de todos os livros que alguma vez leste. Através de documentos pirateados, emails, mapas, arquivos militares, transcrições de interrogatórios e mensagens, vais descobrir que o pior dia da vida de Kadie é apenas o início da história mais trepidante e arrebatadora de sempre.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Who Fears Death

“Quem Teme a Morte (Who Fears Death 1)”, de Nnedi Okorafor (Saída de Emergência



Opinião:
Este foi um daqueles livros que me deu muito que pensar. Não é um romance fácil de ler ou de digerir mas é daqueles que primeiro se estranha e depois se entranha.
Esta história é tão rica que chega a saturar. Isso parece mau, e sê-lo-ia, se a escrita da autora não fosse tão fascinante, as personagens não fossem tão interessantes e o mundo onde se passa "Quem Teme a Morte (Who Fears Death)" não nos envolvesse tanto.
A mistura de uma áfrica semi-contemporânea com um cenário futurista e uma intensa presença do folclore tribal e africano (real e imaginário), é fabulosa , mas também um pouco assoberbante.
Toda a envolvente cultural é extraordinária e só por isso o livro valeria a pena mas não é só isso que há de bom neste romance

Onyesonwu é uma das personagens femininas mais fortes e mais determinadas que li nos últimos tempos, mas essa mesma força por vezes era demasiada. Mesmo quando era apenas uma criança ela mostrava um desrespeito pelos outros que não parecia ter grande justificativa. Mas isto sou eu a ser picuínhas. Onyesonwu é fascinante, e é também fascinante a sua viagem, as suas vivências o seu desfecho.

Mwita é outra personagem que me cativou, por si mesmo e especialmente pelo seu relacionamento com Onyesonwu.
Mas não são só estes dois. Acho que não há uma personagem neste livro que não tenha sido bem aproveitada e o desfecho de algumas delas surpreendeu-me, na positiva, apesar de quase nunca serem desfechos felizes.



É-me difícil descrever o que sinto por este livro. Adorei-o e de igual modo me irritei com ele, mas, olhando para trás, vejo que tudo estava lá por um propósito e embora continue a achar que em certas cenas a autora perdeu tempo demais, num todo o livro é brilhante.
Recomendo vivamente! Mas fica o aviso que é muito cru, tem muitas cenas violentas e a mentalidade da população é tudo menos moderna.



Sinopse:
Uma África pós-apocalíptica. Uma profecia misteriosa. Uma criança destinada a salvar o seu povo.

Num futuro distante, um holocausto nuclear devasta o continente africano e dá-se um genocídio numa das suas regiões. Os agressores, os Nuru, de pele mais clara, decidiram seguir o Grande Livro e exterminar os Okoke, de pele mais escura. Mas, depois de ser violada, a única sobrevivente de uma aldeia Okoke consegue escapar e refugiar-se no deserto. Dá à luz uma rapariga com cabelo e pele cor de areia e a mãe percebe, nesse momento, que a sua filha é diferente. Dá-lhe o nome de Onyesonwu, que significa “Quem Teme a Morte?”.
 
Treinada por um misterioso xamã, Onyesonwu sabe que tem um destino mágico a cumprir: pôr fim ao genocídio do seu povo. A jornada para cumprir tal proeza irá pô-la em confronto com a natureza, a tradição, o amor verdadeiro, os mistérios da sua cultura… e, por fim, com a própria morte.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A Idade do Ouro - Childhood’s End


A Idade do Ouro (Childhood’s End)”, de Arthur C. Clarke (Livros do Brasil - Colecção Argonauta)

Este romance de ficção científica atravessa várias gerações, várias décadas da existência humana a partir do nosso primeiro contacto com a raça alienígena, ou superior, os Overlords que começam por impôr regras de pacificação aos humanos. E embora estas regras façam sentido a longo prazo, há muito quem questione os motivos dos Overlords. À medida que os anos vão passando e o resultado dos esforços dos Overlords se vai notando mais e mais na Terra, certas crianças vão desenvolvendo capacidades extraordinárias. E daí para a frente tudo muda.

O compasso deste romance é perfeito. Saltamos de episódio em episódio, focando-nos num par de pessoas e de eventos que nos dão a conhecer mais sobre os humanos e sobre os Overlords, aos poucos. A revelação da aparência dos extra-terrestres foi muito bem feita e surpreendeu (ainda bem que eu só vi a capa portuguesa mais tarde porque esta está cheia de spoilers!), apesar de todas as pistas deixadas ao longo do texto.
O único senão do livro é que, devido aos saltos da trama e do tempo, não cheguei a criar elo com nenhuma personagem em específico.

Fora isso achei o livro fantástico, muito imaginativo (não original mas diferente) e adorei a escrita.
Planeio revisitar o autor assim que puder e recomendo a leitura deste clássico.

Sinopse (a partir da edição da Círculo do Livro:
Em plena Guerra Fria, enquanto russos e americanos se preparam para a corrida espacial, imensas naves surgem sobre as principais capitais do mundo, revelando um dos grandes mistérios da humanidade: O homem não está sozinho no universo. 
Seus ocupantes, chamados de Senhores Supremos, dominam a Terra de forma pacífica e melhoram substancialmente as condições de vida. A ignorância, a guerra e a pobreza deixam de existir, dando início a uma era de ouro. Porém, uma dúvida assombra a humanidade: quais seriam os verdadeiros objetivos dos Senhores Supremos? Até quando suas políticas iriam coincidir com o bem-estar dos homens? As respostas para essas questões podem revelar uma verdade aterradora.

domingo, 8 de outubro de 2017

The End is Now


"The End is Now (The Apocalypse Triptych 2)", de John Joseph Adams, Tananarive Due, Scott Sigler, Annie Bellet, Charlie Jane Anders, Seanan McGuire, Sarah Langan, Nancy Kress, David Wellington, Ken Liu, Elizabeth Bear, Ben H. Winters, Megan Arkenberg, Jonathan Maberry, Jake Kerr, Daniel H. Wilson, Will McIntosh, Jamie Ford, Desirina Boskovich, Hugh Howey, Robin Wasserman

Opinião:
Nesta sequela da antologia The End os Nigh, podemos ler algumas continuações para contos anteriormente apresentados, mas também hsitórias isoladas de outros autores.
Aqueles que são continuações, e por consequência terão uma terceira parte na antologia The End has Come, na grande parte das vezes, pareceram-me curtos e incompletos. Fica-se mesmo com a  sensação de que se tem que ler o próximo, o que por lado é bom mas por outro não.

"Herd Immunity", de Tananarive Due
Surpreendentemente, enquanto lia o conto não consegui associá-lo ao anterior "Removal Order", embora agora que o sei até faz algum sentido. Contudo a escrita e a relação que me atraiu na primeira parte desta história está ausente aqui. Não me consegui ligar ao homem que a protagonista encontra na estrada, embora a desolação me tenha imerso no mundo em ruínas. No entanto o fim voltou a surpreender-me. É tipo um murro no estômago que não é totalmente inesperado mas ainda assim nos afecta como se o fosse.

"The Sixth Day of Deer Camp", de Scott Sigler
Como sempre este autor consegue descrever o frio e as condições extremas de uma forma que chega a arrepiar. A neve e o isolamento são coisas que vi em todos os trabalhos do autor que já li e ele passa uma imagem muito viva. Contudo ainda não consigo distinguir os homens que estão neste acampamento. Parecem-me quase todos ter motivações semelhantes. Isto até ao momento em que eles entram na nave alienígena e aí começam as divisões. Gostei muito das cenas que se seguiram e do que pode vir na conclusão.

"Goodnight Stars", de Annie Bellet
Sendo que a primeira parte desta história foi uma das minhas favoritas do volume anterior, eu já contava que também este fosse bom. Aqui conhecemos a família de uma das astronautas e é fácil ligarmo-nos à sua filha e ao seu marido. Uma bela escrita e um conto agradável.

"Rock Manning can't hear you", de Charlie Jane Anders
Desta vez as experiências de vida e escolhas "profissionais" de Rock Manning levam a que comece a duvidar do que escolheu para o seu futuro. E no mesmo passo acelerado e escrita meia condutora da insanidade destas personagens, chegamos a um fim de conto surpreendente e que deixa no ar a promessa de uma sequela.

"Fruiting Bodies", de Seanan McGuiree
Depois de perder a esposa, a protagonista luta por proteger a filha do fungo que tudo consome. A sua obssessão com as limpezas é-lhes vital mas o tempo está contra elas. Adorei ver como mãe e filha se relacionavam e quando a filha lhe desobedeceu ... foi doloroso de ver o desenrolar, mas ao mesmo tempo fascinante. A narativa cativou-me do início ao fim, tal como a protagonista.

"Black Monday" de Sarah Langan
Esta história não é a mais original mas a escrita manteve-me agarrada e graças às personagens, que são bastante normais, o meu interesse manteve-se. A perspectiva científica da decisão final deles é grande. Sobreviverão graças aos cyborgs?

"Angels of the Apocalypse", de Nancy Kress
Passado vários anos desde "Pretty soon four horseman are going to come riding through", do volume anterior, neste encontramos as duas irmãs crescidas e separadas pelas suas visões, num mundo muito mais cruel e dado a extremos. As crianças que nasceram sem malícia, incapazes de violência nem que seja para se defenderem, mantém-se agora, adultas, à margem da sociedade e tentam viver pacificamente mas há sempre quem queira destruir isso.

"Agent Isolated", de David Wellington
O homem por detrás de uma lei-marcial cruel e que condena milhares a algo pior que a morte, vê-se também ele prisioneiro das regras que ajudou a criar, e depois de se juntar a grupo de sobreviventes e fugir a inúmeros perigos, onde julga haver salvação, acaba apenas por descobrir que em condições extremas o mantra "um por todos e todos por um" nem sempre é uma realidade. Adorei o desfecho deste conto. Cruel mas humano.

"The Gods will not be slain", Ken Liu
Na continuação do conto da antologia anterior, este sim mostra-nos eventos brutais da história, embora tudo se passe um pouco longe das personagens principais, que acabam por estar isoladas e protegidas do caos do mundo. Sinceramente não gostei tanto deste conto, embora as reviravoltas fossem muito boas. E aquele final ... não gostei mas só poderei ter uma confirmação mesmo quando ler a terceira parte, na próxima antologia.

"You've never seen everything", de Elizabeth Bear
Este conto, que narra a longa viagem de uma mulher de volta à sua família, após o surto de uma febre que mata grande parte da população, ambienta-nos bem naquilo em que a sociedade se tornou depois de uma doença debilitante isolar grande parte da sociedade. A protagonista passa quase todo o tempo sozinha e isso dá-lhe tempo para pensar em muita coisa. O final foi algo surpreendente e funcionou muito bem para o mundo e a personagem. No entanto penso que fez falta um pouco mais de tensão.

"Bring them Down", de Ben H. Winters
Após a morte voluntária de todos os habitantes do mundo, restam apenas dois e um deles ainda escuta as palavras de Deus, que vão envenenando-o aos poucos.
À medida que as personagens vão explorando o seu mundo, eu conseguia visualizá-lo de forma muito clara. A escrita cativa.

"Twilight of the Music Machines", de Megan Arkenberg
Há um ar de mistério em algumas das personagens e a tensão do mundo em colapso sente-se em cada uma das suas acções e dos seus diálogos. Muitos escolhem alienar-se dos acontecimentos, inebriando-se e afogando-se em drigas, outros escondem-se dos seus erros.
As personagens são a melhor parte desta história. Ricas e vulneráveis.

"Sunset Hollow", de Jonathan Maberry
Uma história envolvente e comovente de dois irmãos que têm de fugir de casa, do seu pai tomado pela loucura. Um deles é um adolescente e o outro ainda um bebé e têm de se escapar dos loucos que estão por todo o lado. É uma história frenética e intensa. Gostei muito!

"Penance", de Jake Kerr
Aqui vemos o outro lado da lotaria feita para ecolher quem iria ser transportado para zonas mais seguras, o lado de quem tinha de dar as más notícias a quem não era escolhido. E como isso afecta essas mesmas pessoas, tanto ou mais do que aqueles que não foram escolhidos para serem salvos.

"Avtomat", de Daniel H. Wilson
Este conto é um pouco diferente dos outros, não só porque se passa na Rússia, mas também porque não é bem um relato dos acontecimentos do apocalipse, mas antes do que o antecedeu. Sinto que teria feito muito mais sentido este conto estar no volume anterior.
Fora isso gostei do ambiente e da ideia de, no tempo dos czares russos, a alquimia ter sido usada para criar algo para além de humano. No entanto não me consegui relacionar com as persoangens nem com as suas motivações, tanto no caso dos humanos como dos avtomates.

"Dancicing with Batgirl in the land f Nod", de Will McIntosh
O antecessor deste conto havia sido um dos meus favoritos da antologia anterior, e este não desiludiu. Narra a história de persongens diferentes mas no fundo trata os mesmos temas: o afastamento humano perante uma catástrofe para a qual ninguém estava preparado, e como por vezes encontrar a pessoa certa pode mudar essa atitude.

"By the hair of the Moon", de Jamie Ford
Esta foi uma das premissas que mais me marcaram. O mundo sabia que o fim estava  a chegar à muito tempo e dessa forma a sociedade mutou-se para pior, para a degradação humana, onde o esclavagismo reina e as drogas tomam conta das ruas. pelo menos destas ruas. A protagonista deste conto teve uma vida difícil mas é forte e luta para sobreviver. E consegue, mas o que a espera depois pode ser bem pior.
A descrição da destruição está muito viva.

"To Wrestle not against Flesh and blood", de Desirina Boskovich
A protagonista assume o papel de mãe dos seus irmãos quando o mundo não acaba como estava prometido. O afastamento do seu pai e a descida da sociedade para o conflito interno, leva-a a ter de tomar decisões difícieis para manter a família unida e viva.
Gostei muito da prosa.

"In the Mountain", de Hugh Howey
Um grupo de pessoas que sabia que o fim estava a chegar, preparou-s epara sobreviver, tendo de mentir à família e aos amigos para também os conseguir salvar. E quando o pior parece já ter passado e eles só tem que esperar pelo momento certo para regressar, descobrem que afinal não tinham toda a informação necessária e que o seu regresso à "terra" não será tão célere quanto anteciparam. Como poderão assegurar a sua sobrevivência?
A história e o conceito estão excelentes, embora a protagonista não seja a mais interessante, o relacionamento dela com a família acaba por dar vida ao enredo.

"Dear John", de Robin Wasserman
Através de uma série de cartas a ex-amantes, vamos conhecendo uma personagem feminina numa seita dominada por um homem ainda criança. A escrita é rica e dá vida a esta protagonista e à suas experiências. Sentimos a sua dor, a sua angústia e resognação. Muito bom!

Sinopse (inglês):
Famine. Death. War. Pestilence. These are the harbingers of the biblical apocalypse, of the End of the World. In science fiction, the end is triggered by less figurative means: nuclear holocaust, biological warfare/pandemic, ecological disaster, or cosmological cataclysm.
But before any catastrophe, there are people who see it coming. During, there are heroes who fight against it. And after, there are the survivors who persevere and try to rebuild.
THE APOCALYPSE TRIPTYCH will tell their stories.
Edited by acclaimed anthologist John Joseph Adams and bestselling author Hugh Howey, The Apocalypse Triptych is a series of three anthologies of apocalyptic fiction. THE END IS NIGH focuses on life before the apocalypse. THE END IS NOW turns its attention to life during the apocalypse. And THE END HAS COME explores life after the apocalypse.
THE END IS NIGH is about the match. THE END HAS COME is about what will rise from the ashes. THE END IS NOW is about the conflagration. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Zoo City

"Zoo City", de Lauren Beukes (ainda não publicado em Portugal)

O conceito por detrás deste livro é fenomenal. Nesta África do Sul, bem como no resto do mundo neste romance, as pessoas que matam outras, ou cujas acções resultam na morte de alguém, seja de forma propositada ou não, recebem de “presente” um animal místico que lhes concede poderes mas também os marca de forma bem visível como assassinos, isto porque o animal não pode estar muito tempo afastado do seu “dono” sob pena de ambos sofrerem dores horríveis.
Premissa interessante, certo?

A protagonista é também muito complexa. Ganhou o seu animal devido a um terrível acidente com um familiar e a sua vida folgada nunca mais foi a mesma. Vive agora num bairro degradado, usando o seu poder para encontrar objectos perdidos e mal conseguindo pagar as dívidas que adquiriu noutros tempos.
As personagens deste livro são todas muito “feridas”, na medida em que quase todas têm animais místicos e são todas bastante complexas. Consegui relacionar-me com quase todas elas (excepto o vilão). E até mesmo o romance está interessante, com todas as suas reviravoltas.
A reviravolta final, confesso, apanhou-me totalmente de surpresa, mas não gostei muito da resolução do mistério. Faz sentido mas era demasiado conturbada para ser bem aproveitada no pouco tempo que restava à narrativa. Mas aquela cena com os gémeos a lutarem … chiça que me arrepiou toda.

Custou-me um pouco a gostar da escrita mas quanto mais penso neste livro mais pareço gostar dele.

Em suma, recomendo a leitura deste romance pelas personagens, pelo conceito, e porque a componente social aqui é bastante sagaz e crítica.

Sinopse (em inglês):
Zinzi has a Sloth on her back, a dirty 419 scam habit and a talent for finding lost things. But when a little old lady turns up dead and the cops confiscate her last paycheck, she’s forced to take on her least favourite kind of job – missing persons.
Being hired by reclusive music producer Odi Huron to find a teenybop pop star should be her ticket out of Zoo City, the festering slum where the criminal underclass and their animal companions live in the shadow of hell’s undertow.
Instead, it catapults Zinzi deeper into the maw of a city twisted by crime and magic, where she’ll be forced to confront the dark secrets of former lives – including her own.

sábado, 20 de maio de 2017

O Restaurante no Fim do Universo


"O Restaurante no Fim do Universo (The Hitchhiker's Guide to the Universe 2)", Douglas Adams (Saída de Emergência) 

 Tal como no primeiro livro, aqui a sátira é sempre presente.
É incrível como o autor consegue tornar as situações mais ridiculas numa crítica que pode até passar despercebida mas não é nada tímida.

Neste livro os protagonistas são várias vezes separados e lançados para diferentes locais no espaço e no tempo, enquanto tentam encontrar o homem que governa o universo. Quando o encontram ele é a figura mais inesperada do livro todo. Quase no fim, Arthur e Ford aterram num planeta lindíssimo mas descobrem uma terrível verdade que só me fez rir.
O autor tem um humor impagável e, no entanto, confesso que não gostei particularmente do fim. Parece que as personagens desistiram de lutar.

Em suma, recomendo esta leitura, para quem saiba apreciar uma boa dose de sátira disfarçada de loucura.

Sinopse:
"A primeira tentação para o leitor mais desprevenido que se cruze com “O Restaurante no Fim do Universo”, julgando tratar-se de um apetitoso livro de culinária pejado de receitas do outro mundo, será entrar em pânico [...] Eu compreendo: é provável que nunca antes ou depois deste livro, o caro leitor se tenha cruzado com tal torrente de ideias, conceitos, lições de vida e piadas, concentrada em tão poucas páginas. Um começo, para evitar grandes ataques de stress, será ler o primeiro volume desta trilogia em cinco livros: “À Boleia Pela Galáxia”. Mas mesmo assim, não ficará livre de uma valente overdose de ideias brilhantes, quando exposto a “O Restaurante no Fim do Universo”, o livro que o seu autor, Douglas Adams, considerava o mais conseguido de toda a saga. A média de estrondosas ideias por página é, em qualquer livro de Adams, avassaladora... mas este bate todos os recordes.” Excerto da Introdução, por Nuno Markl 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

The End is Nigh

"The End is Nigh (The Apocalypse Triptych 1), de John Joseph Adams, Hugh Howey , Ben H. Winters, Annie Bellet, Will McIntosh, Megan Arkenberg, Scott Sigler, Jack McDevitt, Nancy Kress, Seanan McGuire, Jonathan Maberry, David Wellington, Robin Wasserman, Matthew Mather, Paolo Bacigalupi, Sarah Langan, Desirina Boskovich, Charlie Jane Anders, Ken Liu, Jake Kerr, Tananarive Due, Tobias S. Buckell, e Jamie Ford (ainda não publicado em Portugal)

Opinião:
Nunca tinha ouvido falar de uma trilogia de antologias mas gosto do conceito!
The End is Nigh é o primeiro livro, e fala dos acontecimentos que antecedem o fim do mundo, pela mão de vários autores, alguns famosos e outros que descobri pela primeira vez neste livro.
Temos fins religioso, vírus, extra-terrestres, e muito mais. Há histórias para todos os gostos e de vários tamanhos.
Gostei bastante de vários dos contos e por isso conto ler a sequela muito em breve.
Fiquem com a opinião conto a conto:

"The Balm and the Wound", de Robin Wasserman
A história tem um início muito interessante visto que fala de um culto religioso e entra logo na mente do seu líder que nada mais quer do que ganhar uns trocos. Mas tudo muda quando o fim do mundo que ele previu realmente acontece. O senão deste conto é que realmente achei as outras personagens muito plásticas.

"Heaven is a Place on Planet X", de Desirina Boskovich
Este conto recordou-me um pouco o "Childhood's End" do Arthur C. Clarke, na medida em que tudo se despoleta quando uma raça alienígena decide liderar a raça humana para um futuro melhor. A diferença é que neste conto o período de transição é relativamente curto.
Gostei das personagens mas não gostei de o facto de não sabermos realmente o que acontece aos seres humanos que são considerados culpados dos crimes. Só nos dizem que são "enforced" e o leitor imagina que seja pena de morte mas nunca sabe ao certo.

"Break! Break! Break!", de Charlie Jane Anders
Adorei o ritomo da prosa. As personagens eram meias psicadélicas e a sua busca por adrenalina não fazia muito sentido no início, mas aos poucos as coisas foram-se desvendandado e tudo fez sentido. A brutalidade deste mundo, mesmo antes do seu fim, é cruamente descrita.
Gostei deste conto e só gostava que o final tivesse sido melhor.

"The Gods Will Not Be Chained", de Ken Liu
A construção da narrativa neste conto é calma mas resulta bem. A relação familiar que se vai desenrolando, bem como a ideia do rapto de mentes brilhantes e seu imprisionamento para uso corporativo, é na verdade bastante verossímil.

"Wedding Day", de Jake Kerr
Este conto tem muito sentimento. Trata de um casal de mulheres, que pensavam há anos casar-se mas que nunca tiveram oportunidade (porque era ilegal). A legalização do seu casamento é logo acompanhado pelo fim do mundo e o que se segue acaba por ser bastante previsível mas isso não é um problema porque, na verdade, aqui é o que elas sentem uma pela outra que importa. Gostei bastante.

"Removal Order", de Tananarive Due
Este conto fala de uma jovem mulher que fica com a sua avó eferma mesmo depois de toda a população ser evacuada. Adorei a forma como se focou na responsabilidade que ela sentia para com a avó e tudo o que fez por ela, sendo que a idosa está acamada e tem de ser a neta a fazer tudo por ela. A própria ideia por detrás do apocalipse, embora pouco clara, é suficientemente interessante e está sempre lá, como um manto em tudo o que acontece. O final surepreendeu-me e a prosa envolveu-me mesmo muito.

"System Reset", de Tobias S. Buckell
As personagens são o ponto forte deste conto, pelos seus valores e pela sua personalidade que se mostra logo nos primeiros parágrafos. A história podia ter fluído um pouco melhor no início, mas no fim a acção estava no passo certo. Espero que tenha continuação.

"This Unkempt World is Falling to Pieces", de Jamie Ford
Num passado que poderia ser nosso, a história começa de forma um pouco estranha. Não nos são dadas suficientes informações para sabermos onde estamos e quais as regras deste mundo mas aos poucos vamos percebendo o que se passa. Os detalhes são realmente fantásticos.Contudo não me consegui ligar muito às personagens nem ao romance.

"Bring her to me", de Ben H. Winters
Logo no início sabemos o que está em jogo e eu gostei muito disso. As personagens estão muito bem construídas e a sequência de acção é brilhante. Gostei mesmo muito deste conto que fala de um futuro onde todas as pessoas conseguem ouvir a voz de um homem que assumem ser Deus. O final está excelente e fiquei com vontade de ler mais.

"In the Air", de Hugh Howey
A acção deste conto não é sequencial e desta vez não acho que isso tenha funcionado a favor do conto. Aliás, acho que grande parte dos flashbacks nem fizeram grande diferença. Metade deles são desnecessários. No entanto o protagonista é bem explorado e ficamos a saber o que o move e como as suas decisões não só afectaram a sua família como também o resto do mundo.
No fim mal sabemos realmente qual o mal que se abateu sobre o mundo mas sabemos o suficiente.

"Goodnight Moon", de Annie Bellet
Este é um conto bastante curto (quase todos nesta antologia o são, mas este pareceu ainda mais pequeno) mas eu gostei do ambiente entre as personagens e de como as ficamos a conhecer relativamente bem em poucas linhas. Fala-nos de um grupo de astronautas que descobre , tarde de mais, que vão morrer e a vida na Terra nunca mais será amesma. No entanto pareceu-me que resolveram o seu dilema (de quem seria salvo) com um pouco de facilidade a mais. Será que seriam mesmo todos assim tão altruístas?
Mas fora isso o final foi muito bem escrito.

"Dancing with Death in the Land of Nod", de Will McIntosh
Um dos meus contos favoritos da antologia! Gostei mesmo muito da relação que se gerou entre os dois protagonistas, especialmente porque além de falar de algo pré-apocaliptico também tocou em assuntos como Alzheimer, o abandono dos idosos e dos efermos, um pouco como o conto "Removal Order" (também nesta antologia).
O final não foi inesperado mas ainda assim foi muito bem executado.

"Houses Without Air", de Megan Arkenberg
Não entendi este conto. Há histórias assim, que lemos mas realmente nada faz clique. Este foi um desses. É muito detalhado nas suas descrições mas o mundo é confuso e a única coisa que é certa é que o problema está no ar.

"The Fifth Day of Deer Camp", de Scott Sigler
Gostei de como este conto começou mesmo de forma muito banal. Parecia o prelúdio de um daqueles filmes de terror estilo Cabin in the Woods (não o filme com esse nome, que é bem diferente e muito fixe). No entanto achei que as personagens pareciam-se todas muito umas com as outras. Não as consegui individualizar. Mas fica a curiosidade por saber o que se vai passar a seguir.

"Enjoy the Moment", de Jack McDevitt
A protagonista neste conto é tão normal que é muito fácil relacionarm-nos com ela. O facto de que algo que ela econtrou, ao acaso, e que achou não ser nada des especial acabar por ter um desfecho tão negro, dá-lhe muita profundidade.

"Pretty Soon the Four Horsemen are Going to Come Riding Through", de Nancy Kress
Este conto fala de bullying e do próximo passo na evolução humana. Foi estranho mas muito interessante ver como a sociedade exilava e maltratava as crianças que eram diferentes e de como o seu lado mais animalesco sobresaía nos momentos mais estranhos. Fez-me reflectir.

"Spores", de Seanan McGuire
Este conto arrepiou-me toda, isto porque o conceito em si arrepia-me. Não sei porquê mas tenho mais nojo de fungos na pele do que sangue. Estranho? Sim mas eu sou assim.
Mas mesmo assim adorei! A prosa é muito boa e as personagens são realistas. Uma família normal, com uma mulher com um distúrbio obsessivo com o qual lidam bem, um casamento homossexual tratado com normalidade, e o vírus tão estranho e que se entranha lentamente no leitor.

"She’s Got a Ticket to Ride", de Jonathan Maberry
Este conto fala mesmo do que está por detrás de uma conspiração para manter o público ignorante de uma ameaça que os apelidados de lunáticos tentam avisar todos que está a chegar.
Como se foca no todo, acaba por negligenciar as personagens que são quase que irrelvantes. O que importa é a história.

"Agent Unknown", de David Wellington
O protagonista é um agente que está encarregue de suprimir uma doença virulenta que aparece aos poucos um pouco por toda a américa. Trabalha sozinho e através dele conhecemos a doença e o estado das coisas, até que ele percebe que nem ele está a par de tudo. Muito bom!

"Enlightenment", de Matthew Mather
Este conto é bastante arrepiante, pelo seu conceito e pelo encadeamento dos acontecimentos. Nele uma vegan com problemas de relacionamento vê-se envolvida com um culto com um estilo de vida mais que bizarro. Muito estranho! O que não foi óbvio foi o apocalipse em si. Como é que as acções deste culto levarão ao fim do mundo?

"Shooting the Apocalypse", de Paolo Bacigalupi
Este conto é, definitivamente, uma prequela para o "The Water Knife", que eu li no ano passado. Perecebi isto logo desde o início e, na verdade, foi bom regressar a este mundo imperdoável, e ao início de tudo. As personagens estão excelentes, a forma como interagem e dictutem e se movem funciona muito bem. Vale a pena, quer seja porque leram o romance ou porque querem conhecer o trabalho do autor.

"Love Perverts", de Sarah Langan
Este é um conto que fala do que as pessoas seriam capazes de fazer se soubessem que o fime stava próximo e não podiam mais ser salvas. O extremo das decisões e acções dos jovens protagonistas, do professor que trai a confiança deles, e de todos os outros com quem se cruzam. Nenhuma personagem é boa, nenhuma tem perdão, mas num mundo à beira do abismo, quem cometeu os priores crimes. Gostei da ambiguidade e da cruza deste conto.


Sinopse (inglês):
Famine. Death. War. Pestilence. These are the harbingers of the biblical apocalypse, of the End of the World. In science fiction, the end is triggered by less figurative means: nuclear holocaust, biological warfare/pandemic, ecological disaster, or cosmological cataclysm.
But before any catastrophe, there are people who see it coming. During, there are heroes who fight against it. And after, there are the survivors who persevere and try to rebuild. THE APOCALYPSE TRIPTYCH will tell their stories.
Edited by acclaimed anthologist John Joseph Adams and bestselling author Hugh Howey, THE APOCALYPSE TRIPTYCH is a series of three anthologies of apocalyptic fiction. THE END IS NIGH focuses on life before the apocalypse. THE END IS NOW turns its attention to life during the apocalypse. And THE END HAS COME focuses on life after the apocalypse.
THE END IS NIGH features all-new, never-before-published works by Hugh Howey, Paolo Bacigalupi, Jamie Ford, Seanan McGuire, Tananarive Due, Jonathan Maberry, Robin Wasserman, Nancy Kress, Charlie Jane Anders, Ken Liu, and many others.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Mil Sóis Resplandescentes

"Mil Sóis Resplandescentes (A Thousand Splendid Suns)", de Khaled Hosseini (Editorial Presença)

Opinião:
Já há muito tempo que um livro não me fazia ficar a pensar tanto em algo, durante e depois de eu terminar a sua leitura. Com cada leitura aprende-se algo. Seja da natureza humana, seja de ciência, ou de vida, mas quando se lê algo que está tão enraizado numa cultura, numa nação, num povo e numa religião que, apesar de tanta mediatização acaba por nos ser ainda tão desconhecido, parece que absorvemos ainda mais.
"Mil Sóis Resplandescentes" é ficção mas usa momentos-chave da história do Afeganistão, tradições da religião muçulmana e do povo afegão, para dar vida a uma história que mexeu comigo. Nesta história acontece uma tragédia a seguir à outra, de tal forma que já esperamos o pior de cada situação e é isto que, normalmente, acaba por acontecer mas não é por isso que o livro é menos interessante. Mesmo no fim, quando algo de bom acontece, há algo de bem pior que acaba por estragar a felicidade que nunca é completa.
A narrativa foca-se em duas mulheres com passados muito diferentes mas cujas vidas se cruzam de uma forma muito desumana. As duas acabam por criar um laço muito forte, após um começo espinhoso, e vão lutar pela sua liberdade numa casa e num país que não lhes garante segurança nenhuma em tempos difíceis.
Mariam e Laila são duas personagens muito diferentes mas que descobrem ter muito em comum.

Na verdade a única coisa que eu posso dizer de mal deste livro é realmente o facto ser tão trágico que já sabemos de antemão que cada nova coisa vai terminar da pior forma possível. Podemos não saber ao certo o que é mas já esperamos tudo. E não é que isso seja mau porque há vidas assim, onde tudo corre mal e as poucas coisas que trazem um pouco de felicidade acabam por ser pequenas demais.


"Mil Sóis Resplandescentes" é um livro poderoso porque nos embrenha no Afeganistão e nas vivências dos seus habitantes, na sua história, na sua riqueza e pobreza, e nas personagens cujas vidas conhecemos desde a infância. É inquietante, é brutal e mexeu muito comigo. Fiquei com muita vontade de saber mais sobre o povo Afegão e já vi vários documentários desde então. também estou a pensar ler o Alcorão, por pura curiosidade.
Isto, mais que outra coisa qualquer, é testemunho de como este livro mexeu comigo. É de livros assim que precisamos. Não em grandes doses, mas um de vez em quando é bom para nos tirar da nossa zona de conforto, levar-nos a conhecer outras realidades.
Está mais que recomendado e pretendo ler mais obras deste autor.

Sinopse:
Mil Sóis Resplandecentes é um romance pleno de sensibilidade que conta já com mais de meio milhão de exemplares vendidos e os lugares cimeiros dos tops dos diversos países onde se encontra publicado. Tendo como pano de fundo as convulsões sociopolíticas que abalaram o Afeganistão nas últimas três décadas, conhecemos Mariam e Laila, duas mulheres que a guerra e a morte obrigam a partilhar um marido comum e cuja coragem lhes permitirá lutar pela sua felicidade num cenário impiedoso. Uma obra inesquecível que evoca o que há de mais intrínseco a todos os seres humanos: o direito ao amor, a um lar e à integridade.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Em Busca do Carneiro Selvagem

"Em Busca do Carneiro Selvagem", de Haruki Murakami (Casa das Letras)

Opinião:
Este é um daqueles livros que se lê num instantinho. Flui tão bem! Infelizmente cá em casa houve um acidente envolvendo uma cadela com problemas de ansiedade, uma mesinha de cabeceira com livros ... e o resto é história. Resultado, estava eu a meio da leitura quando, certo dia, chego a casa e descubro o meu exemplar de "Em Busca do careiro Selvagem" selvaticamente atacado pela já mencionada cadela.
Dava para ler mas não era nada bonito de se ver ou folhear, por isso acabei por trocar para a versão ebook (desta feita em inglês). Sinceramente, acho que a versão impressa portuguesa está mais interessante. Adorei o trabalho da tradutora (Maria João Lourenço).

Mas falando do conteúdo do livro, que é o que realmente interessa. Esta é o meu terceiro contacto com o trabalho de Haruki Murakami e estou muito contente por lhe ter dado uma segunda e terceira oportunidades porque gostei bastante deste "Em Busca do Carneiro Selvagem".
A prosa do autor envolve o leitor na história das personagens mais banais, que rapidamente se revelam ser na verdade muito peculiares. O que nos leva a reflectir que mesmo as pessoas mais comuns normalmente têm algo de fantástico e surpreendente a revelar-nos.

A história é mirabolante, ou a sua premissa pelo menos é. Um homem que é coagido a partir em busca de um carneiro que por acaso aparecia numa fotografia que ele usou numa publicidade, e que por outro acaso tinha-lhe sido enviada por um amigo que ele já não vê há anos.Há medida que a história vai avançando, o enredo vai ficando mais surreal e as próprias personagens também. O nosso protagonista, que já não é uma pessoa muito sociável, vai aos poucos distanciando-se da sua vida e do mundo, até culminar numa conversa muito estranha (mas profunda) com uma (ou duas) certa personagem ainda mais bizarra.

Voltando ao assunto da prosa, por vezes o autor tende a filosofar um pouco mas não é nada que se alastre demasiado ou que deixe de ser interessante. De resto adorei e, repito, o texto flui muito bem.
Também adorei a parte histórica (da vila), que não sei se é baseada em factos reais ou completamente inventada pelo autor.

Em suma, foi mais um trabalho do autor que eu gostei, embora não tenha amado tanto como o "Sono". A história pode parecer muito sem-sentido mas na verdade é uma viagem ao interior das personagens e ao interior do próprio Japão. Recomendo!

Sinopse:
Ambientado numa atmosfera japonesa, mas com um pé no noir americano, Murakami tece uma história detectivesca onde a realidade é palpável, dura e fria, e seria a verdade de qualquer um, não fosse um leve pormenor: é uma realidade absolutamente fantástica. Um publicitário divorciado, que tem um caso com uma rapariga de orelhas fascinantes, vê-se envolvido, graças a uma fotografia publicitária, numa trama inesperada: alguém quer que ele encontre um carneiro! Mas não é um carneiro qualquer. É um animal que pode mudar o rumo da história. Um carneiro sobrenatural... Murakami dá a esta estranha história um tom que só um oriental pode imprimir a uma crença, fazendo-a figurar como um facto da realidade. Coloca, de uma forma genial, a fantasia na aridez do mundo real.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Stars Above

“Stars Above (The Lunar Chronicles 4,5)”, de Marissa Meyer (ainda não publicado em Portugal)

Opinião:
Esta antologia de contos foi lançada já depois do volume final da série The Lunar Chronicles e traz ao leitor histórias que se passam antes do primeiro, ao mesmo tempo que os livros da série e até mesmo depois do último. Com personagens conhecidas dos fãs da série e outras completamente novas. Há de tudo para todos os gostos.
No geral esta antologia tem contos interessantes que dão aos fãs uma visão mais abrangente do passado de quase todas as personagens e, embora nenhum conto me tenha arrebatado, adorei revisitar estas personagens e estes locais.
No entanto julgo que quem não seja já fã da série não será aliciado por este conjunto de contos. Só funciona mesmo com quem já gosta de The Lunar Chronicles.
Fica agora a minha opinião conto a conto:

“The Keeper”
Neste contos ficamos a conhecer melhor a Michelle Benoit, a avó da Scarlet e a pessoa que tomou conta da Cinder enquanto ela recuperava da tentativa de assassinato da sua tia, antes de ser adoptada por Lin Garren. Gostei bastante de conhecer um pouco melhor a personagem da Michelle, da qual sabíamos um pouco desde o segundo livro (Scarlet) mas cujo passado era um grande mistério.
A relação entre a Scarlet e a Michelle é a melhor parte deste conto. O amor entre avó e neta transparece nas cenas e diálogos que partilham. Infelizmente o mesmo não se pode dizer das cenas entre a Michelle e o Logan que pecaram pela falta de garra e de alguma atracção. Afinal os dois tinham uma história em conjunto, por mais breve que esta fosse. E sendo que os dois se envolveram e que vêm de passados tão distintos, havia potencial para situações mais intensas.
Dito isto, gostei deste pequeno conto mas ficou a vontade de ler algo mais.

“Glitches”
Já tinha lido este conto individualmente mas decidi voltar a escutá-lo para ver se da segunda vez era diferente e, realmente, foi um pouco, embora eu continue a achar que, tendo em conta o tipo de situação que ocorre no final, a emoção foi pouca. A tragédia não me comoveu.
No entanto este conto consegue dar-nos uma visão ainda melhor da Aubrey e das suas duas filhas, com a introdução do Garren. E permite-nos perceber um pouco melhor a animosidade da Aubrey para com a Cinder.

“The Queen’s Army”
O passado e origens do Wolf tinha sido referido várias vezes em Winter (o último livro da série) e este conto veio complementar tudo isso.
Gostei do facto de termos começado num tempo em que o Wolf ainda vivia com a família e depois termos lido sobre algumas das situações mais marcantes na sua vida no exército da rainha mas exactamente por só termos visto esses momentos mais fortes achei que faltou alguma ‘polpa’. E a cena com a rainha Levana também poderia ter sido mais bem descrita, mais empolgante.
No entanto acho que foi uma boa forma de nos mostrar as origens do Wolf e da sua personalidade e dos seus medos.

“Carswell’s Guide to Being Lucky”
Também já tinha lido este conto mas não tinha deixado opinião aqui no blog.
Esta segunda leitura foi ainda melhor. Vemos apenas uns dias da vida do Carswell mas é o suficiente para ficarmos a perceber um pouco melhor a sua personalidade e as suas origens. Achei a interacção com os seus pais especialmente revigorante.

“After Sunshine Passes By”
Ao contrário do que aconteceu com o conto do Wolf (The Queen’s Army) aqui não temos oportunidade de ver ou saber quase nada sobre a vida dos Shells. Isso para mim foi o que falhou. Este conto na verdade não traz nada de novo ao que já sabemos das personagens nele incluídas: Cress e Sybill. Mostra-nos apenas quando a Cress foi levada para o seu satélite mas não há nada que marque o leitor ou que fortaleça as personagens, excepto talvez o final e a solidão da Cress, mas depois ficamos como que pendurados, sem saber realmente a essência do que ela sentiu.

“The Princess and the Guard”
Um dos melhores contos da antologia, foca-se na vida de Winter enquanto criança e nos momentos que mais a marcaram até à adolescência. Sinto que se tivesse lido este conto antes de ler Winter teria tido ainda mais afinidade pelo casal Jacin+Winter porque, aqui sim, a relação dos dois floresce. As cenas estão todas bem escritas e são envolventes, além de vermos como cada momento marcou a Winter e o Jacin e a Levana. Gostei de todo o conto. Foi dos meus favoritos da antologia.

“The Little Android”
Este é o único conto da antologia que não se foca numa personagem existente na série. Aqui conhecemos um andróide que ganha afecto por um humano e que, depois de o salvar, tenta desesperadamente aproximar-se mais dele.
Gostei muito de como o andróide foi retratado, e da subtileza do uso da humanização do mesmo. Além de que a personagem seguiu por um caminho que eu não contava e é sempre bom ser surpreendida.

“The Mechanic”
Para mim o facto de este conto ser, basicamente, um recontar do início de Cinder mas desta vez na perspectiva do Kai até foi interessante. Como já não me recordava de tudo ao pormenor foi bom de rever o momento em que se conheceram, mas talvez para quem tenha lido recentemente o primeiro livro da série este conto já não seja tão interessante.
De qualquer forma é sempre uma boa maneira de saber um pouco mais sobre o Kai e o que o motiva.

“Something New, Something Old”
Foi bom ler algo passado depois de Winter, visto que todos os outros contos desta antologia aconteceram antes dos livros da série. Revisitar a quinta da Scarlet, e rever todas as personagens foi fantástico, especialmente pelo facto de que houve uma boda e esta foi tão diferente (embora menos não fosse de esperar, tendo em conta quem se estava a casar).
Achei, contudo, que o conto foi um pouco inocente. As barreiras do YA toldaram algumas cenas mais românticas entre a Cinder e o Kai com modéstia a mais.Faltou ali algo. Não que esteja a dizer que deviam ter existido cenas picantes porque nem se enquadraria com o resto da série, mas um pouco mais de chama seria uma mais valia para este conto. Apesar disso a relação entre o Wolf e a Scarlet esteve no seu melhor, assim como a interacção de amizade entre os personagens. A surpresa que eles preparam para a noiva foi muito boa.
Além disso o conto termina de forma muito amorosa e, certamente, fará as delicias dos fãs da série.

Sinopse (inglês):
The enchantment continues....
The universe of the Lunar Chronicles holds stories—and secrets—that are wondrous, vicious, and romantic. How did Cinder first arrive in New Beijing? How did the brooding soldier Wolf transform from young man to killer? When did Princess Winter and the palace guard Jacin realize their destinies?
With nine stories—five of which have never before been published—and an exclusive never-before-seen excerpt from Marissa Meyer’s upcoming novel, Heartless, about the Queen of Hearts from Alice in Wonderland, Stars Above is essential for fans of the bestselling and beloved Lunar Chronicles.
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The Little Android: A retelling of Hans Christian Andersen’s “The Little Mermaid,” set in the world of The Lunar Chronicles.
Glitches: In this prequel to Cinder, we see the results of the plague play out, and the emotional toll it takes on Cinder. Something that may, or may not, be a glitch….
The Queen’s Army: In this prequel to Scarlet, we’re introduced to the army Queen Levana is building, and one soldier in particular who will do anything to keep from becoming the monster they want him to be.
Carswell’s Guide to Being Lucky: Thirteen-year-old Carswell Thorne has big plans involving a Rampion spaceship and a no-return trip out of Los Angeles.
The Keeper: A prequel to the Lunar Chronicles, showing a young Scarlet and how Princess Selene came into the care of Michelle Benoit.
After Sunshine Passes By: In this prequel to Cress, we see how a nine-year-old Cress ended up alone on a satellite, spying on Earth for Luna.
The Princess and the Guard: In this prequel to Winter, we see a game called The Princess
The Mechanic: In this prequel to Cinder, we see Kai and Cinder’s first meeting from Kai’s perspective.
Something Old, Something New: In this epilogue to Winter, friends gather for the wedding of the century...

domingo, 24 de julho de 2016

Winter

“Winter (The Lunar Chronicles 4)”, de Marissa Meyer (ainda não publicado em Portugal)

Opinião:
Estava ansiosa por ler a conclusão deste série, ou não fosse ela uma das minha favoritas dos últimos anos e, tendo já lido três capítulos de antevisão que saíram na edição de Fairest, a antecipação era muita.
Winter começa quase onde Cress termina e fala-nos logo um pouco mais da princesa de Luna, Winter, e o seu amigo de infância, Jacin. Pois embora ambos já tivessem surgido nos livros anteriores foi neste que realmente os ficamos a conhecer. A eles e ao que já os une. Mas, talvez por ser, dos quatro casais da série, o único que já tinha uma ligação emocional e afectiva antes de o leitor o conhecer, o desenvolvimento não tenha sido tão marcante. Isso e também porque, bem, havia coisas mais prementes a acontecer na trama (embora nesta série haja sempre algo de grande a acontecer). E não é que o romance entre a Winter e o Jacin não seja fofo e o leitor não torça por eles, mas tudo o resto de sobrepôs um pouco a eles. Contudo, no início algumas das cenas foram excelentes alicerces para a relação destes dois, especialmente a cena do castigo do Jacin e da fuga da Winter. Mas visto que o leitor não presenciou o início da relação essa é uma falta que se sente.
Como personagens individuais são ambos muito interessantes, especialmente a Winter que não tem a garra da Cinder ou da Scarlet, ou a capacidade da Cress, mas que não lhes fica atrás com a sua lógica lunática e brilho geral. Não admira que o povo de Luna a adore. O Jacin, que já tinhamos visto mudar no livro anterior, fê-lo ainda mais neste último livro, mantendo-se ainda assim fiel ao de sempre: proteger a Winter.

A história teve neste volume várias revelações, várias reviravoltas e muitas cenas fortes, desde a quase morte da Cinder, à visita às colónias lunares, ao casamento da Levana com o Kai, o que não faltaram foram cenas poderosas em que o leitor se embrenhou mais e mais nesta série e investiu mais no seus desfecho.
E embora nem tudo me neste último volume fosse do meu total agrado, a verdade é que um final previsível nem sempre é mau, como se prova aqui. A Cinder cresceu muito enquanto personagem ao longo dos livros e isso notou-se especialmente na segunda metade deste livro.
O pior deste livro, e talvez mesmo o único defeito, acabou por ser a Levana que se foi abaixo e que não se revelou uma grande vilã neste livro. Ficou muito aquém daquilo que se esperava dela e a sua maldade concentrou-se mais na Winter do que na Cinder que era a maior ameaça. Mas mesmo com a Winter acho que as suas artimanhas foram fracas.

Tirando isso adorei o desfecho da série, a forma como todas as personagens tiveram espaço para evoluir. Foi um final merecedor que me deixou contente e satisfeita com uma série que foi uma das que mais gostei de ler nos últimos anos. Recomendo!

Sinopse (em inglês):
Princess Winter is admired by the Lunar people for her grace and kindness, and despite the scars that mar her face, her beauty is said to be even more breathtaking than that of her stepmother, Queen Levana.
Winter despises her stepmother, and knows Levana won’t approve of her feelings for her childhood friend—the handsome palace guard, Jacin. But Winter isn’t as weak as Levana believes her to be and she’s been undermining her stepmother’s wishes for years. Together with the cyborg mechanic, Cinder, and her allies, Winter might even have the power to launch a revolution and win a war that’s been raging for far too long.

Booktrailer (em inglês):

domingo, 12 de junho de 2016

Grave Doubts & Heaven Sent

Como tenho uma edição que contém os livros 5 e 6 da série The Mediator da Meg Cabot decidi opinar os dois ao mesmo tempo. Até porque os li quase de seguida. E fica o aviso que uma das opiniões será maioritariamente má.

"Grave Doubts / Haunted (The Mediator 5)", de Meg Cabot
Esta foi a minha segunda leitura deste livro este ano, isto porque a primeira foi em versão audiolivro editada, ou seja, era uma leitura da história só com as cenas mais fulcrais, deixando de lado grande parte do livro. Como só me apercebi disto no final decidi ler depois a versão em papel, visto que a tinha em casa.
Não passou assim tanto tempo desde que eu li o quarto livro da série mas neste quinto pareceu-me que a Suze regrediu como personagem e tornou-se mais adolescente, não tanto de 16 anos com a experiência que ela adquiriu, mas mais a Suze do primeiro livro: liderada por hormonas, algo irracional e pouco prática. Este comportamento afastou-me um pouco, mas por outro lado divertiu-me. Algumas  das alhadas em que ela se meteu porque era teimosa  foram divertidas: como quando ficou com os pés assados porque usou sapatos novos e depois decidiu ir para casa a pé.
Por outro lado a sua crescente atracção pelo Paul, embora justificável no sentido em que ela é uma adolescente e o Jesse a tem andado a ignorar, realmente não soou totalmente plausível. Quanto mais não seja pelo facto de o Paul, até aqui, não ter nada senão atrapalhar a vida da Suze e das pessoas com quem ela se preocupa. Por isso, não, eu não fiquei convencida pelas várias cenas entre a Suze  e o Paul.
Gostei do mistério por detrás do poder dos mediadores e de o facto de Paul ser manipulador a ponto de conseguir enganar a Suze. A adição do avô do Paul na história também foi uma boa jogada.
No entanto senti a falta do Jesse na maioria do livro, Ele esteve muito ausente, apenas tendo mais peso no final do livro.
Também achei que tudo aconteceu demasiado depressa, sendo que apenas uns dias passam entre o início e o fim deste livro. Acho que a trama teria ganho algo em dar mais espaço de tempo entre os acontecimento.
Por outro lado a única história de fantasmas neste livro foi posta muito de parte e achei que tinha potencial para ser algo mais do que realmente foi. Qual era a probabilidade de o fantasma só fazer mal ao irmão quando estava junto da Suze. Muito conveniente!

Em suma, este não foi o meu livro favorito da série mas teve alguns momentos bons. O Paul, em especial, foi uma personagem que me impressionou.

"Heaven Sent / Twilight (The Mediator 6)", de Meg Cabot
Para dizer a verdade eu nem sei bem por onde começar.
Estava tão ansiosa por terminar uma série que eu gostava tanto de ler que, quando chegou o desfecho, eu não compreendi como foi possível falhar de forma tão grande.
Se bem que, bem vistas as coisa, o quinto livro já indicava que as coisas iam descarrilar.

E antes que os fãs da série me digam que eu estou a ser cruel, a verdade é que eu não consegui digerir o poder que é revelado que os mediadores têm neste livro. Não faz sentido absolutamente nenhum! E o facto de, ao contrário do que foi dito à Suze e ao Paul, o uso de tal dom nem sequer lhes ter causado nenhuma sequela (mesmo quando eles o usaram durante quase dois dias seguidos) realmente tornou tudo ainda menos credível. mesmo tendo em conta que se trata de uma ficção tão aberta a novidades. Há limites!

Especialmente quando se percebe que esta artimanha apenas foi criada com um propósito:  arranjar uma maneira destrambelhada de a Suze poder ficar com o Jesse. Isto foi ainda pior que a maneira que a J.R. Ward inventou para a Jane e o Vishous ficarem juntos (em Na Sombra do Sonho).

Mais uma vez o Paul foi a estrela aqui. A única personagem consistente ... até ao fim onde a consistência se perde para o redimir.

Por outro lado a trama neste livro é super-previsível. Meu Deus! Foi mesmo muito mau. Nenhum dos livros anteriores era assim tão óbvio. Não que os mistérios fossem muito grandes mas pelo menos havia sempre alguma expectativa. Aqui? Nada! E, pior que isso, é que a Suze está completamente fora de sintonia e não percebe as coisas mais óbvias. Regressão total da personagem.

Para dizer a verdade, as únicas duas coisas que eu gostei neste livro foram: A relação da Suze com o pai, especialmente aquele final; e, claro, o facto de a Suze ter ficado com o Jessse, embora a forma como tal aconteceu tenha sido ridícula, o romance foi fofo.

Em suma, não achei que este fosse um final merecedor para uma série tão divertida. O poder dos Shifters caiu do nada e foi uma artimanha muito pouco convincente. Não gostei!

Nota: Entretanto saíram mais duas instâncias da série Mediator, uma noveleta (Proposal) e um romance (Remembrance)

The Water Knife

"The Water Knife", de Paolo Bacigalupi
Opinião:
Eu adorei a premissa (a escassez de água no mundo que cria desigualdade social e intriga politica) para este livro e há muito que tinha vontade de ler algo deste consagrado autor.
The Water Knife introduz o leitor a um mundo tão fascinante quanto assustador e, bem, diga-se que durante quase toda a trama não há qualquer chama de esperança. É um livro que salta de mau momento em mau momento, sem descanso para as personagens. Existem cenas muito poderosas nesta história mas este ambiente tornou-se muito sufocante, especialmente porque o final não foi mais próspero, ao contrário do que, em certa altura, pareceu sugerir.
As personagens todas tem falhas, e as de algumas são bem mais numerosas que as partes boas, mas é isso que as torna fascinantes. Pessoalmente não tive grande interesse pelo Angel mas a Lucy, a Maria e até o Tummi foram uma história diferente. Senti-os bastante humanos.
Uma das falhas deste livro é a quantidade de texto expositória, que relata as informações mais técnicas e, bem ... desinteressantes quando em demasia. Isto acontece com alguma frequência. Por culpa disto, e também pelo facto de no início a autora saltar logo para a acção sem preparação, custou-me um pouco a entrar na leitura.

O fim não foi bem aquilo que eu esperava, mais cruel do que eu contava, como já disse, mas na verdade não tenho como dizer mal dele porque foi bem apropriado. E também adorei como os fios da trama se uniram todos no fim.
Outro ponto a favor são as personagens fortes, especialmente as femininas.

Em suma, gostei do tema, da trama e de grande parte das personagens, mas o texto ganharia em ter um pouco menos de informação pesada. Além disso o início quase me afastou da leitura, mas ainda bem que não desisti.

Sinopse (em inglês):
Paolo Bacigalupi, New York Times best-selling author of The Windup Girl and National Book Award finalist, delivers a near-future thriller that casts new light on how we live today—and what may be in store for us tomorrow.
The American Southwest has been decimated by drought. Nevada and Arizona skirmish over dwindling shares of the Colorado River, while California watches, deciding if it should just take the whole river all for itself. Into the fray steps Las Vegas water knife Angel Velasquez. Detective, assassin, and spy, Angel “cuts” water for the Southern Nevada Water Authority and its boss, Catherine Case, ensuring that her lush, luxurious arcology developments can bloom in the desert and that anyone who challenges her is left in the gutted-suburban dust.
When rumors of a game-changing water source surface in Phoenix, Angel is sent to investigate. With a wallet full of identities and a tricked-out Tesla, Angel arrows south, hunting for answers that seem to evaporate as the heat index soars and the landscape becomes more and more oppressive. There, Angel encounters Lucy Monroe, a hardened journalist, who knows far more about Phoenix’s water secrets than she admits, and Maria Villarosa, a young Texas migrant, who dreams of escaping north to those places where water still falls from the sky.
As bodies begin to pile up and bullets start flying, the three find themselves pawns in a game far bigger, more corrupt, and dirtier than any of them could have imagined. With Phoenix teetering on the verge of collapse and time running out for Angel, Lucy, and Maria, their only hope for survival rests in one another’s hands. But when water is more valuable than gold, alliances shift like sand, and the only truth in the desert is that someone will have to bleed if anyone hopes to drink.

sábado, 28 de maio de 2016

Plutonium Blonde

“Plutonium Blonde (Nuclear Bombshell 1)”, de John Zakour e Lawrence Ganem (ainda não publicado em Portugal) 

Opinião:
Aos leitores que nunca experimentaram os audiolivros, ou que o fizeram mas não gostaram muito da experiência, eu deixo o desafio de escutarem este audiolivro da GraphicAudio porque foi uma experiência nova até para mim, que já ouvi umas boas dezenas de audiolivros. O slogan “A movie in your mind (Um filme na sua mente)” é totalmente apropriado para o trabalho que a GraphicAudio faz. Efeitos especiais ao longo de toda a narrativa, um narrador para cada personagem e banda sonora adequada a cada situação. O máximo!

Mas falando do enredo em si: lembram-se daquelas histórias de detectives da típica pulp-fiction? Pois The Plutonium Blonde é pulp fiction detectivesca num ambiente futurista de ficção científica, e a mistura dos dois funciona muito bem. Mas o melhor é mesmo o humor. É muito bom escutar as conversas entre o Zack e o Harve e os restantes diálogos também são excelentes.
A única falha será o romance. Não que seja mau mas transparece como pouco palpável. Faltava ali alguma química entre o Zack e a Jane. embora a interacção dos dois fosse sempre fascinante. Os diálogos, aliás, eram sempre excelentes, ao longo de todo o livro.

A história tem várias reviravoltas, muito suspense e cenas de acção. Confesso que algumas das revelaçõess finais me apanharam de surpresa, o que é sempre bom para mim, como leitora que gosta de ser surpreendida de uma forma verossímil. A verdadeira revelação da Bibi Star foi um desses momentos.

Em suma, The Plutonium Blonde conquistou-me, em parte devido ao fabuloso trabalho audio, mas também pelas suas personagens divertidas e bem desenvolvidas, os diálogos, e o enredo frenético. É bom voltar à pulp fiction! E certamente seguirei outras aventuras da série Nuclear Bombshell.

Sinopse (inglês):
"My name is Zachary Nixon Johnson. I am the last private detective on Earth...not exactly one hundred percent true, but it sounds good. The year is 2057 and, after a handful of species-altering upheavals, earth-shattering cataclysms, history changing extra-terrestrial contacts, and pop-culture disasters, the world is now a pretty safe place...But every once in a while some crazy thing happens that threatens all of society, all of humanity, or the entire space-time continuum. And for some reason it always happens on my watch." So begins the first installment of this all-new, all-hilarious trilogy that pokes fun at the pulps, and skewers sci-fi, as a private dick of the future goes after the most dangerous prey of all...The Plutonium Blonde.

domingo, 17 de abril de 2016

You’re Never Weird on The Internet (Almost)

“You’re Never Weird on The Internet (Almost)”, de Felicia Day (ainda não publicado em Portugal) 

Opinião:
É muito raro eu ler auto-biografias, ou mesmo não-ficção geral, mas quando soube do lançamento deste livro fiquei logo curiosa.
Julgava eu que o primeiro contacto com a Felicia Day tinha sido através do meu irmão, que via o The Guild, e só depois percebi que também já a conhecia da Buffy - The Vampire Slayer e mais tarde ela apareceu também no Supernatural (Sobrenatural). Não posso dizer que saiba muito sobre a sua carreira, mas a personalidade de Felicia Day sempre me suscitou interesse, por isso mergulhei neste livro (versão audiolivro) com entusiasmo.

Felicia Day fala-nos da sua vida, e dos eventos que, para ela, mais ajudaram a moldar a pessoa que é no presente, começando pela sua infância e o facto de ter sido, desde nova, educada em casa e não numa escola pública ou privada, passando pelas suas duas licenciaturas, o seu início de carreira de atriz e posterior entrada no mundo das webséries. Não há nenhum tema sobre o qual se debruce mais, fala de tudo com naturalidade mas sem grandes detalhes. Não se trata de uma biografia romanceada mas mais de um relato com humor e um olhar crítico e permissivo sobre tudo o que se passou na sua vida e que, de uma forma ou outra, a levou a onde se encontra agora.
Gostei muito dos pequenos momentos que ela inseria com, abundância, descrevendo situações específicas e caricatas, quer porque eram divertidas, quer porque eram assustadoras.
Para terem uma ideia, Felicia Day falou da mesma forma de quando a The Guild foi lançada com sucesso e das suas duas depressões. A mesma naturalidade e um tom muito semelhante, ao mesmo tempo criando um afastamento que só o tempo permite e uma proximidade com que o leitor se pode identificar.
Este tom, no entanto, também tem o seu revés e eu na verdade gostaria que o livro se tivesse debruçado um pouco mais sobre certas situações como, por exemplo, a depressão e toda a envolvência de começar de raiz uma websérie. Felicia Day referiu tudo isto mas apenas por alto, com ocasionais descrições de acontecimentos marcantes.
Na verdade eu também esperava um pouco mais de geekiness mas penso que talvez a ideia deste livro fosse mesmo dar a ver um outro lado da Felicia, que não aquele que já é tão popularizado na internet.

Por tudo isto, You’re Never Weird on the Internet (Almost) é uma biografia que se lê/ouve muito bem, com situações bem divertidas e uma perspectiva um pouco diferente de uma pessoa cuja vida está muito exposta na internet mas que na verdade ainda consegue surpreender.
A versão audiolivro é muito boa de se ouvir, especialmente porque é lida pela própria autora e, sendo ela uma actriz, ela consegue dar vida às cenas. Importa também referir que Joss Whedon é quem faz (e narra) a Nota Introdutória.

Sinopse (em inglês): 
In the tradition of #Girlboss and Mindy Kaling’s Is Everyone Hanging Out Without Me?—a funny, quirky, and inspiring memoir from online entertainment mogul, actress, and “queen of the geeks,” Felicia Day, about her unusual upbringing, her rise to Internet-stardom, and embracing her individuality to find success in Hollywood.

The Internet isn’t all cat videos…almost.

There’s also Felicia Day—violinist, filmmaker, Internet entrepreneur, compulsive gamer, hoagie specialist, and former lonely homeschooled girl who overcame her isolated childhood to become the ruler of a new world…or at least the world of Internet-geek fame and Goodreads book clubs.
Growing up in the south where she was homeschooled for hippie reasons, Felicia moved to Hollywood to pursue her dream of becoming an actress and was immediately typecast as a crazy cat-lady secretary. But Felicia’s misadventures in Hollywood led her to produce her own web series, own her own production company, and become an instant Internet star.
Felicia’s short-ish life and her rags-to-riches rise to Internet fame launched her career as one of the most influential creators in new media. Now, Felicia’s strange life is filled with thoughts on creativity, video games, and a dash of mild feminist activism—just like her memoir.
Hilarious and inspirational, You’re Never Weird On the Internet(Almost) is proof that everyone should embrace what makes them different and be brave enough to share it with the world, because anything is possible now—even for a digital misfit.

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