"Receitas Fantásticas", de Ana Ferreira, Carina Portugal, Carlos Silva, Sara Farinha e Mogu-Mogu chan (Fantasy & Co - ebook gratuito)
Li recentemente mais uma antologia de contos do grupo de escritores portugueses: Fantasy & Co. Desta vez a ideia era cada escritor escrever um conto que envolvesse uma receita culinária com ingredientes ou bases fantásticas.
Vamos então falar dos contos um a um:
"Pão do Caminho", de Mogu-Mogu chan
Este é o texto que menos gostei porque não se lê como um conto e não tem nada de especial. O tom engraçado da autora até é divertido mas não é prosa e não se encaixa no resto da antologia. Além do mais em vez de usar algo seu decidiu antes usar uma receita para algo que é muito usado no "Senhor dos Anéis" (J.R.R. Tolkien), o que não demonstra grande imaginação, embora pudesse ter funcionado se fosse apresentado de outra forma mais fantástica.
"Biscoitos da Vida Eterna", de Carina Portugal
A Carina não decepcionou, mais uma vez. Uma receita super-divertida, bem escrita e que dá gosto ler (embora a vontade de a fazer possa não ser grande, visto o trabalho que dá. Ehehehe!)
"Estufado de Miolos", de Ana Ferreira
Uma receita feita à medida dos zombies com o palato mais refinado. Este é mais um conto bem engraçado que poderia ter sido espectacular se não fosse por incluir ali um cérebro de criança que a mim me deu mais nojo e cortou o tom de comédia do resto.
"Túbaros de Troll Estufados", de Sara Farinha
Exactamente o que eu esperaria de uma receita do outro mundo, no entanto falta-lhe algo extra: um flare, um ZING! O texto está bom mas podia ser ainda melhor com alguns ajustes.
"Receita: Bolo de Chocolate", de Carlos Silva
Este fez-me mesmo rir. Uma receita à preguicite, onde a tecnologia de ponta está no centro das atenções e que é uma clara 'homenagem' às Bimbys e afins. E a referência aos supermercados Cascata Doce ... muito bom!
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terça-feira, 21 de julho de 2015
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Leituras de Abril e Maio 2015
Este vídeo acabou por ficar demasiado longo. Para a próxima tenho de dividir por meses. :) Só espero que não aborreça.
Leituras de Abril e Maio 2015:
- "The Hero of Ages", Brandon Sanderson
- "The Martian", Andy Weir
- "A Cada Dia", David Levithan
- "Xerazade - A Última Noite", Manuela Gonzaga
- "How to Flirt with a Naked Werewolf", Molly Harper
- "Ready Player One", Ernest Cline
- "Universos Literários", Ana Ferreira, Carina Portugal, Carlos Silva, Liliana Novais, Pedro Cipriano, Pedro Pereira e Sara Farinha
- "A Culpa é das Estrelas", John Green
- "Great Expectations", Charles Dickens
Contos:
- "The Eleventh Metal", Brandon Sanderson
BD e Manga:
- "The Walking Dead 17 a 2", Robert Kirkman e Charlie Adlard
- "Rugas", Paco Roca
- "Grimm Fairy Tales 5", Ralph Tedesco
- "Age of Ultron", Brian Michael Bendis
- "Fatale", Ed Brubaker, Sean Phillips
- "Black God 16 a 19", Dall -Young Lim e Sung-Woo Park
- "Koimoku 1", de Dall-Young Lim e Hae-Won Lee
E vocês? Quais foram as vossas melhores leituras dos últimos meses?
Leituras de Abril e Maio 2015:
- "The Hero of Ages", Brandon Sanderson
- "The Martian", Andy Weir
- "A Cada Dia", David Levithan
- "Xerazade - A Última Noite", Manuela Gonzaga
- "How to Flirt with a Naked Werewolf", Molly Harper
- "Ready Player One", Ernest Cline
- "Universos Literários", Ana Ferreira, Carina Portugal, Carlos Silva, Liliana Novais, Pedro Cipriano, Pedro Pereira e Sara Farinha
- "A Culpa é das Estrelas", John Green
- "Great Expectations", Charles Dickens
Contos:
- "The Eleventh Metal", Brandon Sanderson
BD e Manga:
- "The Walking Dead 17 a 2", Robert Kirkman e Charlie Adlard
- "Rugas", Paco Roca
- "Grimm Fairy Tales 5", Ralph Tedesco
- "Age of Ultron", Brian Michael Bendis
- "Fatale", Ed Brubaker, Sean Phillips
- "Black God 16 a 19", Dall -Young Lim e Sung-Woo Park
- "Koimoku 1", de Dall-Young Lim e Hae-Won Lee
E vocês? Quais foram as vossas melhores leituras dos últimos meses?
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
Universos Literários
"Universos Literários", antologia com contos de Ana Ferreira, Carina Portugal, Carlos Silva, Liliana Novais, Pedro Cipriano, Pedro Pereira, Sara Farinha (Fantasy & Co)Esta antologia, pareceu-me, foi criada com o intuito de mostrar as leitores os universos literários que estes escritores haviam criado para outras obras, mais propriamente romances e sagas em que muitos deles trabalharam e/ou continuam a trabalhar. E, só por isso, Universos Literários chamou-me rapidamente a atenção.
Infelizmente, e talvez por alguns dos escrites estarem tão envolvidos nos mundos que criaram, nem todos os contos funcionaram como tal. Uns pareciam capítulos retirados de uma narrativa maior, e outros pareciam (pior ainda) partes de capítulos, que não funcionavam, de forma alguma, como histórias independentementes.
Ora um conto tem de ser autoo-suficiente, assim como um romance o tem de ser, mesmo que tenha uma sequela. E isso nem sempre aconteceu nesta antologia. Pese embora os que conseguiram tal feito me tenham suscitado bastante interesse.
Dito isto os contos que se destacam são: "A destilação do Absurdo, de Carlos Silva; e "O Canto da Ninfa", de Carina Portugal.
Abaixo ficam as opiniões conto a conto:
"Imtharien - O Canto da Ninfa", de Carina Portugal
Esta primeira história é doce e chega mesmo a surpreender. Gostei muito das personagens, do romance e das descrições.
"Inbicta - Pintar os Franceses de carmim", de Ana Ferreira (Adeselna Davies
A Adosinda é, sem dúvida, uma personagem caricata e super-interessante. Toda a situação representada no conto é engraçada mas infelizmente tudo aconteceu tão depressa, tão fora de cena que me senti um pouco alienada do conto.
Noutra nota, a tradução das frases em inglês e francês são, para mim, uma falha bem notada (embora eu perceba, não quer dizer que todos saibam falar minimamente as línguas).
"Apocalipse - A Queda de Berlim", de Pedro Pereira
Este foi um dos contos que se leu como um capítulo retirado de uma narrativa maior (o que não quer dizer que o seja, literalmente). A história está bastante boa e a sequência de acção também, mas o desfecho é péssimo porque não existe qualquer tipo de resolução. O leitor fica na corda bamba.
"Percepção - Túmulo 62", de Sara Farinha
Uma aventura passada no Egipto, com o ritmo narrativo certo e que está bastante bem escrita. Funciona como um conto embora fiquem muitas perguntas no ar. O único ponto fraco é o facto de não me ter conseguido ligar com a personagem.
"Urbania - A Destilação do Absurdo", de Carlos Silva
Definitivamente o meu conto favorito da antologia. Muito bem escrito, com excelentes descrições e uma história muito intrigante que me deu vontade de pegar no "Urbania" para ler o quanto antes.
"Ahelanae - O primeiro Voo", de Liliana Novais
Este conto não funciona porque não tem fim, nem meio (quase se pode dizer). Parece um excerto de um capítulo sem lógica, e no qual as persoangens não cativam, nem a prosa.
"Era Dourada - A Alvorada", de Pedro Cipriano
Um conto com uma boa prosa e uma linha narrativa muito interessante, mas que peca por não explicar nada do que se está a passar ao leitor. Não sabemos porque os personagens estão ali ou porque o conto teve o final que teve. Ficam demasaidas perguntas no ar.
sábado, 21 de março de 2015
Leituras de Dezembro 2014 a Fevereiro 2015
Se já leram algum destes livros deixem ficar as vossas opiniões.
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Joel Puga,
John Scalzi,
José Carlos Fernandes,
Laini Taylor,
Luís Filipe Alves,
Sandór Marái,
Vitor Frazão
domingo, 22 de fevereiro de 2015
::Autor:: Carlos Silva
Biografia (via Goodreads):
Carlos Eduardo Silva nasceu no auspicioso ano de 1989 em Lisboa e, desde aí, o Mundo continuou a mudar. Actualmente estuda para ser um homem de ciência, mas quando ninguém está a olhar escreve as histórias que andam pela sua cabeça.
Poderão encontrar alguns dos seus contos espalhados por publicações amadoras e profissionais em Portugal e no Brasil.
Livros que li do autor:
O Navio de Teseus (conto in Fénix 1) - Opinião
A Ceia - Last Christmas I Gave you my Heart (conto) - Opinião
Gosma Literária (conto) - Opinião
Problemas que não Existem (conto in tecendo Nós) - Opinião
Trials Version (conto) - Opinião
Carta para o Cosmos (conto in O Legado de Eros) - Opinião
Diligência (conto in Antologia 7 Virtudes) - Opinião
Chekhov's Gun (conto in Antologia Halloween)- Opinião
Preguiça (conto in 7 Pecados) - Opinião
As Duas Caras de António (conto in Lisboa no Ano 2000) - Opinião
Métodos de Evasao & Despojos de Guerra (conto in Comandante Serralves - Despojos de Guerra) - Opinião
Trabalhos editados em Português:
4njo5 (2011)
A Ceia, Smashwords (2012)
A Fantástica Literatura Queer - Amarelo, Tarja Editorial (2012)
Vollüspa (2012)
Fénix 1 (2012)
Alamanaque Steampunk 2012, EuEdito (2012)
Lusitânia (2012)
Lisboa no Ano 2000, Saída de Emergência (2012)
Phantasia, Smashwords (2013)
Urbania, Smashwords (2013)
Dandaleão, Smashwords (2013)
Tecendo Nós, Smashwords (2013)
Almanaque Steampunk 2013, EuEdito (2013)
Comandante Serralves - Despojos de Guerra, Imaginauta (2014)
A visitar: Site do Autor, Blog do Autor, Goodreads do Autor, Fantasy & Co (projecto de autores de fantasia e FC)
Carlos Eduardo Silva nasceu no auspicioso ano de 1989 em Lisboa e, desde aí, o Mundo continuou a mudar. Actualmente estuda para ser um homem de ciência, mas quando ninguém está a olhar escreve as histórias que andam pela sua cabeça.
Poderão encontrar alguns dos seus contos espalhados por publicações amadoras e profissionais em Portugal e no Brasil.
Livros que li do autor:
O Navio de Teseus (conto in Fénix 1) - Opinião
A Ceia - Last Christmas I Gave you my Heart (conto) - Opinião
Gosma Literária (conto) - Opinião
Problemas que não Existem (conto in tecendo Nós) - Opinião
Trials Version (conto) - Opinião
Carta para o Cosmos (conto in O Legado de Eros) - Opinião
Diligência (conto in Antologia 7 Virtudes) - Opinião
Chekhov's Gun (conto in Antologia Halloween)- Opinião
Preguiça (conto in 7 Pecados) - Opinião
As Duas Caras de António (conto in Lisboa no Ano 2000) - Opinião
Métodos de Evasao & Despojos de Guerra (conto in Comandante Serralves - Despojos de Guerra) - Opinião
Trabalhos editados em Português:
4njo5 (2011)
A Ceia, Smashwords (2012)
A Fantástica Literatura Queer - Amarelo, Tarja Editorial (2012)
Vollüspa (2012)
Fénix 1 (2012)
Alamanaque Steampunk 2012, EuEdito (2012)
Lusitânia (2012)
Lisboa no Ano 2000, Saída de Emergência (2012)
Phantasia, Smashwords (2013)
Urbania, Smashwords (2013)
Dandaleão, Smashwords (2013)
Tecendo Nós, Smashwords (2013)
Almanaque Steampunk 2013, EuEdito (2013)
Comandante Serralves - Despojos de Guerra, Imaginauta (2014)
A visitar: Site do Autor, Blog do Autor, Goodreads do Autor, Fantasy & Co (projecto de autores de fantasia e FC)
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Comandante Serralves - Despojos de Guerra
"Comandante Serralves - Despojos de Guerra", de Ana Filipa Ferreira (Ana Ferreira), Carlos Silva, Inês Montenegro, Joel Puga, Rui Leite, Vitor Frazão
Este projecto, mais que uma antologia, é a raíz para algo que os criadores pretendem que seja mais grandioso, mais abrangente. Conhecem o conceito do Projecto Imaginauta? Convido-vos a visitarem o site para pereceberem melhor como nasceu este "Comandante Serralves - Despojos de Guerra" e, quem sabe, a contribuirem para o projecto.
Este antologia reúne várias aventuras do personagem que empresta o nome ao livro e cada uma é bastante independente das restantes, embora exista um centro coeso entre todas. Tudo se passa após uma guerra entre humanos e uns seres extraterrestres de nome Pahoehoentes, mas agora a luta é interna. Serralves e a sua tripulação querem mudar o sistema e nestas aventuras vemos alguns desses esforços intra e extra-planetários.
Como um todo a antologia funciona bem. Os contos não tem ligação imediata, ou sequer cronológica, entre si mas como refernciam os mesmos acontecimentos, os mesmos objectivos e algumas das mesmas personagens, torna-se fácil interligá-los. No entanto também esta falta de ligação imediata deixou alguns espaços mortos que, em certos acontecimentos maos maracantes, forma bastante sentidos, visto que não houve resolução ou consequências que fossem sentidas nos contos seguintes.
Em termos de personagens, por razões óbvias o Serralves é o mais explorado mas, estranhamente, é a Emily que se mostra mais consistente. o Serralves nem sempre age da mesma maneira, o que é um pouco bizarro, mas pode ser explicado or uma maior ou menor maturidade, visto que enm todos os episódios se passam no mesmo espaço temporal. Infelizmente o Serralves toma tão grande parte da história que torna todas as outras personagens esquecíveis e faz com que nenhuma se tenha gravado permanentemente na minha memória (tirando a Emily).
Todas as histórias têm algo de interessante e novo a acrescentar, mas nem todas me marcaram da mesma forma e as favoritas foram: "Métodos de Invasão, "Des Eigentum", e "A Guerra Esquecida".
Fica agora uma opinião mais individualizada de cada um dos contos:
"Métodos de Evasão", de Carlos Silva
Sem dúvida o meu conto favorito da antologia, esta história introduz-nos a este universo com uma bomba (não literal).
Apesar de não ter gostado da pressa do final (nem vemos como ele escapa), tudo o resto foi excelente.
Apresentou-nos o Serralves como um homem confiante, experiente e que é facilmente sobrestimado. Também nos mostra logo o(s) lado(s) inimigo(s) e algumas das motivações deste intrépido explorador do espaço.
A prosa está excelente e os diálogos fluem muito bem. Uma fantástica primeira incursão.
"Sinais", de Vitor Frazão
É neste segundo conto que conhecemos a "Maria" (nave espacial do Serralves) e a sua tripulação. Numa primeira parte cheia de conflito e desenvolviemento, passamos depois para uma segunda parte que prometia muito, mas que não funcionou tão bem como esperava.
Sem dúvida somos fornecidos com muita informação vital nesta história, e esta não nos é debitada de forma incómoda. Flui bem no contexto da aventura, mas em termos de acção (que é uma grande parte da última metade do conto) achei que ficou a faltar-lhe um certo brilho. E apesar de me apresentar uma série de pessoas, nenhuma ficou para a posteridade.
Por outro lado, o conceito da cidade está fabuloso!
"Dogson", de Inês Montenegro
Pela primeira vez vemos como funciona o sistema de vida continuada de Serralves e como isso afecta os que outrora se volutariaram para serem recipientes do icónico comandante. E, mais que isso, como lhes é impossível voltar atrás nessa decisão.
Dogson é o nome do desgraçadinho que um dia se lembrou de ser voluntário e que agora não tem grande vontade de dar o seu corpo ao Serralves.
Dito isto, o conceito está excelente e definitivamente funciona bem para mostrar em que consiste esta vida 'eterna' do Serralves. No entanto achei os diálogos fracos e houve pouco tempo para conhecer as personagens e, dessa forma, sentir pena (ou não) pelo desfecho que se seguiu.
"Despojos de Guerra", de Carlos Silva
Conto intenso e interessante, com uma sequência de cenas bem elaborada. Passa-se, maioritariamente, em Vénus, num Mercado Negro onde se pode arranjar de tudo, incluindo tecnologia extra-terrestre. E é isso que leva Serralves e a sua equipa a uma descoberta que pode ser tão promissora como perigosa.
A premissa está excelente, contudo a aventura, a escrita e as personagens não me cativaram tanto como no primeiro conto (também deste autor), apesar de não estarem más.
"Des Eigentum", de Ana Ferreira (Adeselna Davies)
Neste conto podemos ver o outro lado da guerra, entrar na mente de um Pahoehoente e só isso basta para tornar este um dos contos mais interessantes e, ao mesmo tempo, mais distante dos outros.
Gostei muito de como foi narrado de forma crua e directa, sem palavras desnecessárias, deixando lugar para que o leitor tire as suas próprias conclusões. E ainda, por fim, deu-nos um outro olhar sobre as acções do Comandante Serralves.
"A Guerra Esquecida", de Joel Puga
Uma história cheia de adrenalina, muito bem estruturada e que deixa sempre o leitor curioso e a querer mais. As personagens, enfim, estavam um pouco ocas, sacrificadas em detrimento do enredo, o que fez com que nenhuma me marcasse, nem mesmo o Serralves, apesar de eu ter gostado de ver como ele lidou com o novo corpo e com as pessoas que conheciam o dito corpo antes de ele tomar posse dele. No entanto isso me impediu de desfrutar bastante deste texto.
"Statica Falls", de Rui Leite
Entre este e os restantes contos nota-se uma maior diferença, tanto a nível temporal como por ser narrado na perspectiva de uma outra personagem: a Emily. E graças a isso posso dizer que o que mais gostei foi da interacção entre ela a o Serralves. Nota-se um amadurecimento na relação dos dois, em contraste com o segundo conto (Sinais).
Por outro lado, o conceito do povo que vive isolado do resto da humanidade, julgando-se a última colónia sobrevivente, foi bastante interessante, embora a resolução não me tenha enchido bem as medidas.
Nota: Na altura de divulgação do lançamento fiz uma entrevista relacionada com este livro e com o projecto Imaginauta. podem ler tudo AQUI.
Sinopse:
Depois da invasão Pahoehoente, a Aliança Humana trouxe paz e prosperidade ao Sistema Solar. Contudo trouxe também a supressão da cultura, a opressão e a padronização dos povos.
Existe, porém, uma lenda que há várias gerações traz esperança a todas as nações livres. O seu nome é: Comandante Serralves
Suba a bordo da nave Maria e deixe-se levar por um universo de relatos de resistência e luta. Conheça as muitas caras e corpos do Comandante e deixe-se maravilhar pelas comunidades que colonizaram os planetas de Mercúrio a Urano.
Que despojos de guerra contra os Pahoehoentes são esses que ainda hoje trazem perigo às nações livres? Que artefactos se escondem em torno do Sol que podem desiquilibrar o braço de ferro entre Serralves e a Aliança?
Este projecto, mais que uma antologia, é a raíz para algo que os criadores pretendem que seja mais grandioso, mais abrangente. Conhecem o conceito do Projecto Imaginauta? Convido-vos a visitarem o site para pereceberem melhor como nasceu este "Comandante Serralves - Despojos de Guerra" e, quem sabe, a contribuirem para o projecto.
Este antologia reúne várias aventuras do personagem que empresta o nome ao livro e cada uma é bastante independente das restantes, embora exista um centro coeso entre todas. Tudo se passa após uma guerra entre humanos e uns seres extraterrestres de nome Pahoehoentes, mas agora a luta é interna. Serralves e a sua tripulação querem mudar o sistema e nestas aventuras vemos alguns desses esforços intra e extra-planetários.
Como um todo a antologia funciona bem. Os contos não tem ligação imediata, ou sequer cronológica, entre si mas como refernciam os mesmos acontecimentos, os mesmos objectivos e algumas das mesmas personagens, torna-se fácil interligá-los. No entanto também esta falta de ligação imediata deixou alguns espaços mortos que, em certos acontecimentos maos maracantes, forma bastante sentidos, visto que não houve resolução ou consequências que fossem sentidas nos contos seguintes.
Em termos de personagens, por razões óbvias o Serralves é o mais explorado mas, estranhamente, é a Emily que se mostra mais consistente. o Serralves nem sempre age da mesma maneira, o que é um pouco bizarro, mas pode ser explicado or uma maior ou menor maturidade, visto que enm todos os episódios se passam no mesmo espaço temporal. Infelizmente o Serralves toma tão grande parte da história que torna todas as outras personagens esquecíveis e faz com que nenhuma se tenha gravado permanentemente na minha memória (tirando a Emily).
Todas as histórias têm algo de interessante e novo a acrescentar, mas nem todas me marcaram da mesma forma e as favoritas foram: "Métodos de Invasão, "Des Eigentum", e "A Guerra Esquecida".
Fica agora uma opinião mais individualizada de cada um dos contos:
"Métodos de Evasão", de Carlos Silva
Sem dúvida o meu conto favorito da antologia, esta história introduz-nos a este universo com uma bomba (não literal).
Apesar de não ter gostado da pressa do final (nem vemos como ele escapa), tudo o resto foi excelente.
Apresentou-nos o Serralves como um homem confiante, experiente e que é facilmente sobrestimado. Também nos mostra logo o(s) lado(s) inimigo(s) e algumas das motivações deste intrépido explorador do espaço.
A prosa está excelente e os diálogos fluem muito bem. Uma fantástica primeira incursão.
"Sinais", de Vitor Frazão
É neste segundo conto que conhecemos a "Maria" (nave espacial do Serralves) e a sua tripulação. Numa primeira parte cheia de conflito e desenvolviemento, passamos depois para uma segunda parte que prometia muito, mas que não funcionou tão bem como esperava.
Sem dúvida somos fornecidos com muita informação vital nesta história, e esta não nos é debitada de forma incómoda. Flui bem no contexto da aventura, mas em termos de acção (que é uma grande parte da última metade do conto) achei que ficou a faltar-lhe um certo brilho. E apesar de me apresentar uma série de pessoas, nenhuma ficou para a posteridade.
Por outro lado, o conceito da cidade está fabuloso!
"Dogson", de Inês Montenegro
Pela primeira vez vemos como funciona o sistema de vida continuada de Serralves e como isso afecta os que outrora se volutariaram para serem recipientes do icónico comandante. E, mais que isso, como lhes é impossível voltar atrás nessa decisão.
Dogson é o nome do desgraçadinho que um dia se lembrou de ser voluntário e que agora não tem grande vontade de dar o seu corpo ao Serralves.
Dito isto, o conceito está excelente e definitivamente funciona bem para mostrar em que consiste esta vida 'eterna' do Serralves. No entanto achei os diálogos fracos e houve pouco tempo para conhecer as personagens e, dessa forma, sentir pena (ou não) pelo desfecho que se seguiu.
"Despojos de Guerra", de Carlos Silva
Conto intenso e interessante, com uma sequência de cenas bem elaborada. Passa-se, maioritariamente, em Vénus, num Mercado Negro onde se pode arranjar de tudo, incluindo tecnologia extra-terrestre. E é isso que leva Serralves e a sua equipa a uma descoberta que pode ser tão promissora como perigosa.
A premissa está excelente, contudo a aventura, a escrita e as personagens não me cativaram tanto como no primeiro conto (também deste autor), apesar de não estarem más.
"Des Eigentum", de Ana Ferreira (Adeselna Davies)
Neste conto podemos ver o outro lado da guerra, entrar na mente de um Pahoehoente e só isso basta para tornar este um dos contos mais interessantes e, ao mesmo tempo, mais distante dos outros.
Gostei muito de como foi narrado de forma crua e directa, sem palavras desnecessárias, deixando lugar para que o leitor tire as suas próprias conclusões. E ainda, por fim, deu-nos um outro olhar sobre as acções do Comandante Serralves.
"A Guerra Esquecida", de Joel Puga
Uma história cheia de adrenalina, muito bem estruturada e que deixa sempre o leitor curioso e a querer mais. As personagens, enfim, estavam um pouco ocas, sacrificadas em detrimento do enredo, o que fez com que nenhuma me marcasse, nem mesmo o Serralves, apesar de eu ter gostado de ver como ele lidou com o novo corpo e com as pessoas que conheciam o dito corpo antes de ele tomar posse dele. No entanto isso me impediu de desfrutar bastante deste texto.
"Statica Falls", de Rui Leite
Entre este e os restantes contos nota-se uma maior diferença, tanto a nível temporal como por ser narrado na perspectiva de uma outra personagem: a Emily. E graças a isso posso dizer que o que mais gostei foi da interacção entre ela a o Serralves. Nota-se um amadurecimento na relação dos dois, em contraste com o segundo conto (Sinais).
Por outro lado, o conceito do povo que vive isolado do resto da humanidade, julgando-se a última colónia sobrevivente, foi bastante interessante, embora a resolução não me tenha enchido bem as medidas.
Nota: Na altura de divulgação do lançamento fiz uma entrevista relacionada com este livro e com o projecto Imaginauta. podem ler tudo AQUI.
Sinopse:
Depois da invasão Pahoehoente, a Aliança Humana trouxe paz e prosperidade ao Sistema Solar. Contudo trouxe também a supressão da cultura, a opressão e a padronização dos povos.
Existe, porém, uma lenda que há várias gerações traz esperança a todas as nações livres. O seu nome é: Comandante Serralves
Suba a bordo da nave Maria e deixe-se levar por um universo de relatos de resistência e luta. Conheça as muitas caras e corpos do Comandante e deixe-se maravilhar pelas comunidades que colonizaram os planetas de Mercúrio a Urano.
Que despojos de guerra contra os Pahoehoentes são esses que ainda hoje trazem perigo às nações livres? Que artefactos se escondem em torno do Sol que podem desiquilibrar o braço de ferro entre Serralves e a Aliança?
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Lisboa no Ano 2000
"Lisboa no Ano 2000 - Uma antologia assombrosa sobre uma cidade que nunca existiu", organizada por João Barreiros, com contos de A.M.P. Rodriguez, Ana C. Nunes, Carlos Silva, Guilherme Trindade, João Ventura, Joel Puga, Jorge Palinhos , Michael Silva, Pedro Afonso, Pedro G.P. Martins, Pedro Vicente Pedroso, Ricardo Correia, Ricardo Cruz Ortigão, Telmo Marçal.
Sinopse:
Bem-vindos à maior cidade da Europa livre, bem longe do opressivo império germânico. Deslumbrem-se com a mais famosa das jóias do Ocidente! A cidade estende-se a perder de vista. O ar vibra com a melodia incansável da electricidade.
Deixem-se fascinar por este lugar único, onde as luzes nunca se apagam, seja de noite, seja de dia. aqui a energia eléctrica chega a todos os lares providenciada pelas fabulosas Torres Tesla.
Nuvens de zepelins sobem e descem com as carapaças a brilhar ao sol. Monocarris zumbem por todo o lado a incríveis velocidades de mais de cem quilómetros à hora. O ar freme com o estímulo revigorante da electricidade residual. Bem-vindos ao século XX!
Lisboa no Ano 2000 recria uma Lisboa que nunca existiu. Uma Lisboa tal como era imaginada, há cem anos.
Opinião:
Demorei o meu rico tempo a ler a antologia da qual também faz parte um conto meu, mas deixem-me explicar-vos porquê: a antologia é bastante volumosa e eu decidi ler espaçadamente os contos, entre outras leituras. Podia tê-la lido toda de uma vez, mas não quis. E agora finalmente terminei.
Lisboa no Ano 2000 é um reinventar da capital portuguesa, como esta teria sido imaginada pelos autores do final do século XIX (com a monarquia ainda no poder e a electricidade como fonte de energia única). João Barreiros deu as regras e os outros autores exploraram os seus limites.
Fiquei agradavelmente surpreendida com alguns dos contos. Tive a oportunidade de conhecer, pessoalmente, quase todos os escritores (ou mesmo todos, se não estou em erro) e a grande maioria das histórias da antologia estão muito boas. Todas muito imaginativas.
Como em quase todas as antologias, existem uns contos que gosto mais que outros; os meus favoritos foram: "Dedos", A.M.P. Rodriguez; "Energia das Almas", João Ventura; "A Rainha", Pedro Vicente Pedroso; "Taxidermia", Guilherme Trindade; "Ex-Machina", Michael Silva; "Chamem-nos Legião", João Barreiros.
Podem ver as opiniões individuais nos posts que fiz para cada um dos contos:
"O Turno da Noite", João Barreiros- opinião (na Bang! 10)
"Venha a Mim o Nosso Reino", Ricardo Correia - opinião
"Os Filhos do Fogo", Jorge Palhinhos - opinião
"Dedos", A.M.P. Rodriguez - opinião
"As Duas Caras de António", Carlos Eduardo Silva - opinião
"Electro-dependência", Ana C. Nunes (o meu conto)
"Nanoamour", Ricardo Cruz Ortigão - opinião
"Energia das Almas", João Ventura - opinião
"Fuga", Joel Puga - opinião
"Tratado das Paixões Mecânicas", João Barreiros - opinião
"O Obus de Newton", Telmo Marçal - opinião
"Ex-Machina", Michael Silva - opinião
"A Rainha", Pedro Vicente Pedroso - opinião
"Taxidermia", Guilherme Trindade - opinião
"Quem Semeia no Tejo", Pedro G.P. Martins - opinião
"Coincidências", Pedro Afonso - opinião
"Chamem-nos Legião", João Barreiros - opinião
Em suma, Lisboa no Ano 2000 é uma antologia surpreendente, cheia de histórias imaginativas. Uns contos agradaram-me mais que outros, como sempre acontece, mas recomendo vivamente. E, claro que, esta opinião é independente da minha participação na mesma.
Já agora, se leram ou lerem a antologia, agradecia que deixassem comentários a dizer o que acharam dela num todo e também do meu conto. :)
Sinopse:
Bem-vindos à maior cidade da Europa livre, bem longe do opressivo império germânico. Deslumbrem-se com a mais famosa das jóias do Ocidente! A cidade estende-se a perder de vista. O ar vibra com a melodia incansável da electricidade.
Deixem-se fascinar por este lugar único, onde as luzes nunca se apagam, seja de noite, seja de dia. aqui a energia eléctrica chega a todos os lares providenciada pelas fabulosas Torres Tesla.
Nuvens de zepelins sobem e descem com as carapaças a brilhar ao sol. Monocarris zumbem por todo o lado a incríveis velocidades de mais de cem quilómetros à hora. O ar freme com o estímulo revigorante da electricidade residual. Bem-vindos ao século XX!
Lisboa no Ano 2000 recria uma Lisboa que nunca existiu. Uma Lisboa tal como era imaginada, há cem anos.
Opinião:
Demorei o meu rico tempo a ler a antologia da qual também faz parte um conto meu, mas deixem-me explicar-vos porquê: a antologia é bastante volumosa e eu decidi ler espaçadamente os contos, entre outras leituras. Podia tê-la lido toda de uma vez, mas não quis. E agora finalmente terminei.
Lisboa no Ano 2000 é um reinventar da capital portuguesa, como esta teria sido imaginada pelos autores do final do século XIX (com a monarquia ainda no poder e a electricidade como fonte de energia única). João Barreiros deu as regras e os outros autores exploraram os seus limites.
Fiquei agradavelmente surpreendida com alguns dos contos. Tive a oportunidade de conhecer, pessoalmente, quase todos os escritores (ou mesmo todos, se não estou em erro) e a grande maioria das histórias da antologia estão muito boas. Todas muito imaginativas.
Como em quase todas as antologias, existem uns contos que gosto mais que outros; os meus favoritos foram: "Dedos", A.M.P. Rodriguez; "Energia das Almas", João Ventura; "A Rainha", Pedro Vicente Pedroso; "Taxidermia", Guilherme Trindade; "Ex-Machina", Michael Silva; "Chamem-nos Legião", João Barreiros.
Podem ver as opiniões individuais nos posts que fiz para cada um dos contos:
"O Turno da Noite", João Barreiros- opinião (na Bang! 10)
"Venha a Mim o Nosso Reino", Ricardo Correia - opinião
"Os Filhos do Fogo", Jorge Palhinhos - opinião
"Dedos", A.M.P. Rodriguez - opinião
"As Duas Caras de António", Carlos Eduardo Silva - opinião
"Electro-dependência", Ana C. Nunes (o meu conto)
"Nanoamour", Ricardo Cruz Ortigão - opinião
"Energia das Almas", João Ventura - opinião
"Fuga", Joel Puga - opinião
"Tratado das Paixões Mecânicas", João Barreiros - opinião
"O Obus de Newton", Telmo Marçal - opinião
"Ex-Machina", Michael Silva - opinião
"A Rainha", Pedro Vicente Pedroso - opinião
"Taxidermia", Guilherme Trindade - opinião
"Quem Semeia no Tejo", Pedro G.P. Martins - opinião
"Coincidências", Pedro Afonso - opinião
"Chamem-nos Legião", João Barreiros - opinião
Em suma, Lisboa no Ano 2000 é uma antologia surpreendente, cheia de histórias imaginativas. Uns contos agradaram-me mais que outros, como sempre acontece, mas recomendo vivamente. E, claro que, esta opinião é independente da minha participação na mesma.
Já agora, se leram ou lerem a antologia, agradecia que deixassem comentários a dizer o que acharam dela num todo e também do meu conto. :)
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terça-feira, 22 de julho de 2014
::Entrevista:: Imaginauta
Hoje trago-vos algo novo: a primeira entrevista aqui do blog Floresta de Livros. Já tive oportunidade de vos falar do Projecto Imaginauta num post anterior (aqui) e agora segue-se uma entrevista exclusiva. Espero que gostem, e deixem os vossos comentários.
Floresta de Livros (FL): Começo então por perguntar: Exactamente em que consiste o Imaginauta? São uma espécie de Liga de autores nacionais? O vosso objectivo é somente partilhar as vossas histórias ou há algo mais?
Imaginauta (IM): Imaginauta é apenas um estandarte em redor do qual queremos unir esforços que até agora têm estado dispersos e trazer a público conteúdos que nos entusiasmam como escritores e leitores. Até agora, cada vez que um de nós começava um projecto tinha de construí-lo praticamente de raiz, com Imaginauta queremos usar o “balanço” gerado por um projecto para dar ritmo a outros, criando um sistema de apoio.
FL: Quantas pessoas fazem parte do projecto, neste momento, e como se dividem as tarefas?
IM: Somos um reduzido núcleo duro macgyveriano, com uma alergia patológica a hierarquias, com apenas uma prioridade: remar na mesma direcção. “Comandante Serralves – Despojos de Guerra” foi feito com Carlos Silva, Ana Ferreira, Rui Leite, Vitor Frazão, Joel Puga e Inês Montenegro, contudo, isso não significa que o próximo conteúdo o seja. Pode ser com apenas alguns deles ou mesmo com um alinhamento completamente novo. Até pode ser com um de vós.
FL: Sendo que todos os autores são conhecidos por escreverem maioritariamente Fantasia e Ficção Científica, será correcto dizer que o Imaginauta se focará nestes dois géneros (e todos os seus subgéneros) ou estender-se-ão por outros?
IM: Não escondemos a paixão por esses dois géneros, contudo, não queremos limitar-nos e estamos sempre dispostos a aceitar propostas/desafio. O Imaginauta não seria lá muito imaginativo se só viajasse por dois universos, não é?
FL: No que respeita à vossa primeira obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra", que segundo a vossa descrição é uma colectânea de várias histórias, sobre a mesma personagem, passadas no mesmo mundo; como foi trabalharem em conjunto? Como coordenaram as histórias de forma a serem um todo coeso e a manterem-se fiéis às personagens e ao cenário?
IM: A história nasceu de um conto que o Carlos Silva decidiu abrir a outros autores, para expandir o world-building, tornando-o mais complexo e fortalecendo-o como outras perspectivas. No centro dessa história estava uma personagem cujo mesmo “extra” que a torna diferente de todos os outros separatistas que lutam contra a Aliança Humana, também permite uma certa flexibilidade no manuseamento por vários autores. O facto do universo literário em questão ser um misto do que existia nesse conto inicial e do que foi criado à medida que novos contributos foram introduzidos, também ajudou a manter a coesão.
Desde o princípio tivemos consciência que garantir coesão requereria muitas leituras e muito lapidar de pormenores. Afinal, não queríamos apenas uma simples antologia de contos desconexos que apenas partilhavam o mesmo universo, antes um conjunto de episódios que, mesmo valendo por si mesmo, seguiam uma linha narrativa e complementavam-se uns aos outros.
Felizmente ao longo do processo tivemos duas boas surpresas. Em primeiro lugar, o autores entenderam bem o espírito das personagens criadas pelos colegas e, com os seus pontos de vista diferentes, ajudaram a vincá-lo. Em segundo, não se verificou o nosso receio que à medida que os primeiros contos saíssem e o world-building se tornasse mais definido, os outros autores se sentissem criativamente mais limitados. Não só isso não aconteceu, como elementos inseridos nos contos mais novos acabaram por influenciar alterações nos mais antigos, simplesmente porque funcionavam melhor ou levaram a ver o cenário de outro prisma.
Verdade seja dita, apesar de existirem pontos assentes, ainda há no world-building muita margem para manobrar e/ou introduzir novos conceitos. Afinal, temos todo um Sistema Solar (e além?) para brincar.
FL: Ainda em relação a esta colaboração, qual foi o maior desafio que enfrentaram?
IM: Todos sabemos que em qualquer grupo com mais de uma pessoa há potencial para conflito. É natural que assim seja. Afinal, as diferentes opiniões, perspectivas e paixões fazem parte do interesse e do valor de trabalhar com outras pessoas. Como estereotipados solitários, os escritores podem ter alguma dificuldade em adaptar-se aos métodos de trabalho uns dos outros. Mas com calma, muitas horas de diálogo, mais uma dose de calma, paciência e, não sei se já disse, calma, acabámos por não só trabalhar bem em conjunto como até alimentar a criatividade uns dos outros.
FL: Fala-se muito da existência, ou inexistência de fantasia e ficção científica com cunho verdadeiramente nacional, ou seja, com algo que a marque como portuguesa e distinga da FC&F anglófona. Como o título da vossa primeira obra é obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra" será correcto assumir que tentaram levar a lusofonia ao espaço? Tentaram criar uma space-opera, uma aventura espacial com cunho nacional?
IM: Serralves é português. Gosta de o ser, foi por isso é que chamou Maria à nave que “pediu emprestada” aos pahoehoentes. Contudo, isso deve-se menos ao nosso desejo de carimbar um cunho nacional ao livro e mais ao mundo em que a aventura espacial se insere.
Os separatistas lutam contra uma Aliança Humana que, entre outras coisas, procura activamente eliminar todas as evidências de um tempo em que os povos da Terra e suas colónias espaciais não estavam unidos sob uma égide. Falar em outros idiomas além da língua padrão oficial, comer determinados pratos, seguir determinadas tradições, etc, em suma, viver e mostrar a sua cultura é, por sim só, um acto de desafio perante o poder instituído. Sim, Serralves é português e ao mostrá-lo também está a lutar simbolicamente. Mas outros tripulantes da Maria têm outras nacionalidades e lutam da mesma maneira.
FL: Quando em entrevista no blog “Uma Biblioteca em Construção” dizem, e passo a citar: «(…) desde o início estamos preparados para expandir este universo em vários formatos.», querem dizer que não planeiam ficar-se apenas pela prosa? Podemos esperar trabalhos noutras áreas? Banda Desenhada, Cinema, Teatro, talvez?
IM: Tal como “Comandante Serralves - Despojos de Guerra” nasceu da partilha de um autor, temos todo o interesse em continuar nesse espírito, estando abertos a todo o tipo de colaborações, sejam elas textos em prosa ou outros formatos. Artistas das mais variadas áreas têm revelado algo interesse em contribuir, contudo, foram só conversas informais. Quando tivermos novidades partilharemos. Para já o importante é esclarecer que não é nossa intenção guardar o Serralves só para nós e que estamos sempre abertos a ideias, desafio, contributos, etc. Por isso, se tiverem vontade de aumentar este universo, enviem-nos um email.
FL: Por fim, será que podem desvendar um pouco do que pretendem fazer no futuro próximo no Imaginauta e como tentarão de diferenciar do que já existe no mercado nacional?
IM: É verdade que estamos a trabalhar em algumas coisinhas, mas mais interessante que levantar um pouco o véu seria passar a pergunta aos seguidores do blog. Que lacunas gostavam de ver preenchidas no mercado nacional? Que projectos gostariam de ver surgir? Quem quiser acompanhar o que vamos fazendo AQUI (newsletter)
FL: Deixo os meus mais sinceros agradecimentos pela vossa disponibilidade para esta entrevista. Votos de muito sucesso com este projecto.
Vistem o site IMAGINAUTA para seguirem de perto este projecto. E por fim convido-vos a deixarem os vossos comentários. Gostaram desta entrevista? Gostariam de ver mais do mesmo género ou diferentes? Digam de vossa justiça! :)
Floresta de Livros (FL): Começo então por perguntar: Exactamente em que consiste o Imaginauta? São uma espécie de Liga de autores nacionais? O vosso objectivo é somente partilhar as vossas histórias ou há algo mais?
Imaginauta (IM): Imaginauta é apenas um estandarte em redor do qual queremos unir esforços que até agora têm estado dispersos e trazer a público conteúdos que nos entusiasmam como escritores e leitores. Até agora, cada vez que um de nós começava um projecto tinha de construí-lo praticamente de raiz, com Imaginauta queremos usar o “balanço” gerado por um projecto para dar ritmo a outros, criando um sistema de apoio.
FL: Quantas pessoas fazem parte do projecto, neste momento, e como se dividem as tarefas?
IM: Somos um reduzido núcleo duro macgyveriano, com uma alergia patológica a hierarquias, com apenas uma prioridade: remar na mesma direcção. “Comandante Serralves – Despojos de Guerra” foi feito com Carlos Silva, Ana Ferreira, Rui Leite, Vitor Frazão, Joel Puga e Inês Montenegro, contudo, isso não significa que o próximo conteúdo o seja. Pode ser com apenas alguns deles ou mesmo com um alinhamento completamente novo. Até pode ser com um de vós.
FL: Sendo que todos os autores são conhecidos por escreverem maioritariamente Fantasia e Ficção Científica, será correcto dizer que o Imaginauta se focará nestes dois géneros (e todos os seus subgéneros) ou estender-se-ão por outros?
IM: Não escondemos a paixão por esses dois géneros, contudo, não queremos limitar-nos e estamos sempre dispostos a aceitar propostas/desafio. O Imaginauta não seria lá muito imaginativo se só viajasse por dois universos, não é?
FL: No que respeita à vossa primeira obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra", que segundo a vossa descrição é uma colectânea de várias histórias, sobre a mesma personagem, passadas no mesmo mundo; como foi trabalharem em conjunto? Como coordenaram as histórias de forma a serem um todo coeso e a manterem-se fiéis às personagens e ao cenário?
IM: A história nasceu de um conto que o Carlos Silva decidiu abrir a outros autores, para expandir o world-building, tornando-o mais complexo e fortalecendo-o como outras perspectivas. No centro dessa história estava uma personagem cujo mesmo “extra” que a torna diferente de todos os outros separatistas que lutam contra a Aliança Humana, também permite uma certa flexibilidade no manuseamento por vários autores. O facto do universo literário em questão ser um misto do que existia nesse conto inicial e do que foi criado à medida que novos contributos foram introduzidos, também ajudou a manter a coesão.
Desde o princípio tivemos consciência que garantir coesão requereria muitas leituras e muito lapidar de pormenores. Afinal, não queríamos apenas uma simples antologia de contos desconexos que apenas partilhavam o mesmo universo, antes um conjunto de episódios que, mesmo valendo por si mesmo, seguiam uma linha narrativa e complementavam-se uns aos outros.
Felizmente ao longo do processo tivemos duas boas surpresas. Em primeiro lugar, o autores entenderam bem o espírito das personagens criadas pelos colegas e, com os seus pontos de vista diferentes, ajudaram a vincá-lo. Em segundo, não se verificou o nosso receio que à medida que os primeiros contos saíssem e o world-building se tornasse mais definido, os outros autores se sentissem criativamente mais limitados. Não só isso não aconteceu, como elementos inseridos nos contos mais novos acabaram por influenciar alterações nos mais antigos, simplesmente porque funcionavam melhor ou levaram a ver o cenário de outro prisma.
Verdade seja dita, apesar de existirem pontos assentes, ainda há no world-building muita margem para manobrar e/ou introduzir novos conceitos. Afinal, temos todo um Sistema Solar (e além?) para brincar.
FL: Ainda em relação a esta colaboração, qual foi o maior desafio que enfrentaram?
IM: Todos sabemos que em qualquer grupo com mais de uma pessoa há potencial para conflito. É natural que assim seja. Afinal, as diferentes opiniões, perspectivas e paixões fazem parte do interesse e do valor de trabalhar com outras pessoas. Como estereotipados solitários, os escritores podem ter alguma dificuldade em adaptar-se aos métodos de trabalho uns dos outros. Mas com calma, muitas horas de diálogo, mais uma dose de calma, paciência e, não sei se já disse, calma, acabámos por não só trabalhar bem em conjunto como até alimentar a criatividade uns dos outros.
FL: Fala-se muito da existência, ou inexistência de fantasia e ficção científica com cunho verdadeiramente nacional, ou seja, com algo que a marque como portuguesa e distinga da FC&F anglófona. Como o título da vossa primeira obra é obra “Comandante Serralves - Despojos de Guerra" será correcto assumir que tentaram levar a lusofonia ao espaço? Tentaram criar uma space-opera, uma aventura espacial com cunho nacional?
IM: Serralves é português. Gosta de o ser, foi por isso é que chamou Maria à nave que “pediu emprestada” aos pahoehoentes. Contudo, isso deve-se menos ao nosso desejo de carimbar um cunho nacional ao livro e mais ao mundo em que a aventura espacial se insere.
Os separatistas lutam contra uma Aliança Humana que, entre outras coisas, procura activamente eliminar todas as evidências de um tempo em que os povos da Terra e suas colónias espaciais não estavam unidos sob uma égide. Falar em outros idiomas além da língua padrão oficial, comer determinados pratos, seguir determinadas tradições, etc, em suma, viver e mostrar a sua cultura é, por sim só, um acto de desafio perante o poder instituído. Sim, Serralves é português e ao mostrá-lo também está a lutar simbolicamente. Mas outros tripulantes da Maria têm outras nacionalidades e lutam da mesma maneira.
FL: Quando em entrevista no blog “Uma Biblioteca em Construção” dizem, e passo a citar: «(…) desde o início estamos preparados para expandir este universo em vários formatos.», querem dizer que não planeiam ficar-se apenas pela prosa? Podemos esperar trabalhos noutras áreas? Banda Desenhada, Cinema, Teatro, talvez?
IM: Tal como “Comandante Serralves - Despojos de Guerra” nasceu da partilha de um autor, temos todo o interesse em continuar nesse espírito, estando abertos a todo o tipo de colaborações, sejam elas textos em prosa ou outros formatos. Artistas das mais variadas áreas têm revelado algo interesse em contribuir, contudo, foram só conversas informais. Quando tivermos novidades partilharemos. Para já o importante é esclarecer que não é nossa intenção guardar o Serralves só para nós e que estamos sempre abertos a ideias, desafio, contributos, etc. Por isso, se tiverem vontade de aumentar este universo, enviem-nos um email.
FL: Por fim, será que podem desvendar um pouco do que pretendem fazer no futuro próximo no Imaginauta e como tentarão de diferenciar do que já existe no mercado nacional?
IM: É verdade que estamos a trabalhar em algumas coisinhas, mas mais interessante que levantar um pouco o véu seria passar a pergunta aos seguidores do blog. Que lacunas gostavam de ver preenchidas no mercado nacional? Que projectos gostariam de ver surgir? Quem quiser acompanhar o que vamos fazendo AQUI (newsletter)
FL: Deixo os meus mais sinceros agradecimentos pela vossa disponibilidade para esta entrevista. Votos de muito sucesso com este projecto.
Vistem o site IMAGINAUTA para seguirem de perto este projecto. E por fim convido-vos a deixarem os vossos comentários. Gostaram desta entrevista? Gostariam de ver mais do mesmo género ou diferentes? Digam de vossa justiça! :)
sábado, 19 de julho de 2014
Projecto Imaginauta - Divulgação
Já devem ter ouvido falar do novo projecto IMAGINAUTA, que se define desta forma:
A primeira obra lançada é "Comandante Serralves - Despojos de Guerra", um livro escrito a várias mãos.
Aqui fica a sinopse:
Imaginauta é um projecto literário que está prestes a descolar. O seu principal objectivo é trazer à luz do dia boas obras independentes que se destaquem no panorama nacional. Não é uma editora, é uma marca comum a um conjunto de projectos. Juntem-se a ele e conheçam novos e excitantes Mundos, ficção de qualidade e vibrante de imaginação.
A primeira obra lançada é "Comandante Serralves - Despojos de Guerra", um livro escrito a várias mãos.
Aqui fica a sinopse:
Esta é a Era da Aliança Humana. Uma nova ordem Mundial forjada a sangue e fogo pela necessidade de unir os povos da Terra para derrotar uma invasão alienígena.
Não, esta não é a estória dessa guerra. Essa já nos foi contada e recontada pela FC desde os seus primórdios. Esta é a estória do que veio depois.São tempos de paz, união, desenvolvimento, abundância e colonização do sistema solar. No entanto, tudo tem um preço e nem todos estão dispostos a aceitar o sacrifício da liberdade e da cultura de cada povo em troco deste futuro unido sobre uma única égide. E ninguém se rebela mais que o vulpino, grandíloquo e questionável Comandante Serralves. Armado com umas quantas “prendas” deixadas pelos derrotados invasores e na companhia de um caótico imbróglio de aliados, o perigoso rebelde garantirá que o poder estabelecido nunca tenha uma noite de sono descansada.Na tradição das clássicas space operas, “Comandante Serralves – Despojos de Guerra” é um universo aberto escrito a seis mãos. O que começou como um modesto conto e um protagonista-conceito simples, floresceu em complexidade e novas perspectivas ao ser expostos aos talentos (e consideráveis neuroses) de um grupo de jovens escritores.Uma aventura espacial excitante e intrigante que promete apelar a todos os leitores.
Os autores deste primeiro livro são: Ana Ferreira, Carlos Silva, Joel Puga, Inês Montenegro, Rui Leite e Vítor Frazão. Tudo autores que aprecio, por isso o livro promete ser bom!
Podem saber tudo sobre este projecto no site oficial. leiam também a opinião do Artur Coelho (Intergalactic Robot), que já leu o "Comandante Serralves - Despojos de Guerra" e a entrevista no blog Uma Biblioteca em Construção.
Quanto a mim, fiquem atento porque espero em breve trazer mais novidades sobre este projecto. Visitem o SITE.
domingo, 1 de junho de 2014
::Conto:: As Duas Caras de António
"As Duas Caras de António", Carlos Eduardo Silva (incluído na antologia "Lisboa no Ano 2000")Opinião:
O Carlos Silva é um autor cujo trabalho já conheço minimamente e confesso que esperava algo mais.
Este conto tem por trás uma boa ideia e o final está excelente, mas, por outro lado, os diálogos estão mais e a execução da ideia está mal conseguida. Não fiquei fã desta história que não está a par de outras que já li do autor.
domingo, 11 de maio de 2014
Antologia 7 Pecados
"7 Pecados", antologia com contos de Carina Portugal, Carlos Silva, Liliana Novais, Pedro Cipriano, Pedro Pereira, Sara Farinha e Vitor Frazão (ebook)
Sinopse:
Sete escritores portugueses, de fantasia e ficção científica, exploram 7 Pecados: Gula, Orgulho, Ira, Luxúria, Preguiça, Inveja e Avareza
Opinião:
Mais uma antologia do projecto Fantasy & Co. Não é a melhor colectânea que li até agora mas tem alguns textos que vale a pena ler. Só é pena que sejam tão curtos, pois alguns deles bem que podiam ser melhores com mais espaço. Adoro contos de todos os tamanhos, mas o texto tem de ser tão grande, ou tão pequeno, quanto seja requerido para que se crie um elo entre o leitor e a história. Pode ser uma frase, ou vinte páginas. Há que encontrar o balanço e, infelizmente, alguns contos aqui não conseguiram alcançar esse objectivo.
Fora isso, os meus favoritos foram: Luxúria e Preguiça.
Gula, de Carina Portugal
Um conto grotesco, por vezes até em demasia. O final é pouco satisfatório por parecer deixar o relato a meio. No entanto gostei, mais uma vez, da escrita da autora e do ritmo da história.
A Cidade Perdida - Um conto acerca do Orgulho, de Liliana Novais
Este pequeno conto romântico não me cativou. Os diálogos eram fracos, especialmente entre o Jobel e a Princesa, e a atracção dos dois não funcionou. Infelizmente acaba por ser uma história igual a tantas outras, apesar de eu ter gostado do setting.
Ira, de Pedro Pereira
Um conto pouco memorável e muito pouco detalhado. O leitor não tem tempo suficiente para criar laços com as personagens.
Luxúria, de Sara Farinha
Excepção feita ao primeiro parágrafo, que está demasiado carregado, a prosa está excelente! Muito luxuriante e ritmada, como a música da discoteca. Gostei muito, especialmente do fim. Sem dúvida o melhor conto que li da Sara Farinha até hoje.
Preguiça, de Carlos Silva
Um belo texto, actual e que fez, para mim, muito sentido, com uma pitada de sarcasmo que cai bem.
Desejos (Inveja), de Vítor Frazão
Gostei bastante do conto até chegar ao último parágrafo! Ficava bem sem ele, mas, ainda assim, a história perece-me imensamente incompleta.
Nada e Tudo (Avareza), de Pedro Cipriano
Texto hipotético, pouco empolgante e demasiado expositório. Não me aliciou.
Sinopse:
Sete escritores portugueses, de fantasia e ficção científica, exploram 7 Pecados: Gula, Orgulho, Ira, Luxúria, Preguiça, Inveja e Avareza
Opinião:
Mais uma antologia do projecto Fantasy & Co. Não é a melhor colectânea que li até agora mas tem alguns textos que vale a pena ler. Só é pena que sejam tão curtos, pois alguns deles bem que podiam ser melhores com mais espaço. Adoro contos de todos os tamanhos, mas o texto tem de ser tão grande, ou tão pequeno, quanto seja requerido para que se crie um elo entre o leitor e a história. Pode ser uma frase, ou vinte páginas. Há que encontrar o balanço e, infelizmente, alguns contos aqui não conseguiram alcançar esse objectivo.
Fora isso, os meus favoritos foram: Luxúria e Preguiça.
Gula, de Carina Portugal
Um conto grotesco, por vezes até em demasia. O final é pouco satisfatório por parecer deixar o relato a meio. No entanto gostei, mais uma vez, da escrita da autora e do ritmo da história.
A Cidade Perdida - Um conto acerca do Orgulho, de Liliana Novais
Este pequeno conto romântico não me cativou. Os diálogos eram fracos, especialmente entre o Jobel e a Princesa, e a atracção dos dois não funcionou. Infelizmente acaba por ser uma história igual a tantas outras, apesar de eu ter gostado do setting.
Ira, de Pedro Pereira
Um conto pouco memorável e muito pouco detalhado. O leitor não tem tempo suficiente para criar laços com as personagens.
Luxúria, de Sara Farinha
Excepção feita ao primeiro parágrafo, que está demasiado carregado, a prosa está excelente! Muito luxuriante e ritmada, como a música da discoteca. Gostei muito, especialmente do fim. Sem dúvida o melhor conto que li da Sara Farinha até hoje.
Preguiça, de Carlos Silva
Um belo texto, actual e que fez, para mim, muito sentido, com uma pitada de sarcasmo que cai bem.
Desejos (Inveja), de Vítor Frazão
Gostei bastante do conto até chegar ao último parágrafo! Ficava bem sem ele, mas, ainda assim, a história perece-me imensamente incompleta.
Nada e Tudo (Avareza), de Pedro Cipriano
Texto hipotético, pouco empolgante e demasiado expositório. Não me aliciou.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Antologia Halloween
"Halloween", antologia de contos de Carina Portugal, Carlos Silva, Liliana Novais, Pedro Pereira, Sara Farinha, Vitor Frazão (ebook)
Sinopse:
Seis escritores portugueses, de fantasia e ficção científica, exploram o Halloween, em toda a sua ligação com o fantástico e o desconhecido.
Opinião:
Seguem-se as opinião individuais dos contos e, no fim, uma opinião geral.
A Menina que não Gostava de Doces, de Carina Portugal
Adorei este conto. Não era nada do que parecia a princípio. Divertiu-me mas, ao mesmo tempo, o tema era sério. Bem escrito, mostrou uma excelente protagonista da qual gostaria de ler mais aventuras.
Morte Branca, de Liliana Novais
Nem sei muito bem o que dizer em relação a este texto. Apressado. Sem nexo, E confuso, mas de uma forma desagradável. O final é .. err ... ridículo, mas o conceito em si não é melhor. E já agora, porquê um coelho?
Bruxaria, de Pedro Pereira
Um texto grotesco mas bem escrito. Suponho que essa fosse a ideia.
A Noite de Todas as Sombras, de Sara Farinha
Gostei da prosa mas a história sabe a pouco. É demasiado vaga e eu não gostei do final.
Chehkov's Gun, de Carlos Silva
Um conto intenso, bem escrito e empolgante. O final não podia ser melhor
Se uma Árvore cai na Floresta, de Vítor Frazão
Mais um conto muito grotesco mas, igualmente, muito interessante. Mais uma vez o autor, Vítor Frazão, pegou numa personagem mitológica pouco usual e escreveu-a de forma brilhante. Gostei.
Em suma, uma antologia bem conseguida, com contos muitos interessantes e alguns que definitivamente me ficarão na memória. Os favorios foram: "A Menina que não Gostava de Doces" e "Se uma Árvore cai na Floresta".
Sinopse:
Seis escritores portugueses, de fantasia e ficção científica, exploram o Halloween, em toda a sua ligação com o fantástico e o desconhecido.
Opinião:
Seguem-se as opinião individuais dos contos e, no fim, uma opinião geral.
A Menina que não Gostava de Doces, de Carina Portugal
Adorei este conto. Não era nada do que parecia a princípio. Divertiu-me mas, ao mesmo tempo, o tema era sério. Bem escrito, mostrou uma excelente protagonista da qual gostaria de ler mais aventuras.
Morte Branca, de Liliana Novais
Nem sei muito bem o que dizer em relação a este texto. Apressado. Sem nexo, E confuso, mas de uma forma desagradável. O final é .. err ... ridículo, mas o conceito em si não é melhor. E já agora, porquê um coelho?
Bruxaria, de Pedro Pereira
Um texto grotesco mas bem escrito. Suponho que essa fosse a ideia.
A Noite de Todas as Sombras, de Sara Farinha
Gostei da prosa mas a história sabe a pouco. É demasiado vaga e eu não gostei do final.
Chehkov's Gun, de Carlos Silva
Um conto intenso, bem escrito e empolgante. O final não podia ser melhor
Se uma Árvore cai na Floresta, de Vítor Frazão
Mais um conto muito grotesco mas, igualmente, muito interessante. Mais uma vez o autor, Vítor Frazão, pegou numa personagem mitológica pouco usual e escreveu-a de forma brilhante. Gostei.
Em suma, uma antologia bem conseguida, com contos muitos interessantes e alguns que definitivamente me ficarão na memória. Os favorios foram: "A Menina que não Gostava de Doces" e "Se uma Árvore cai na Floresta".
domingo, 13 de abril de 2014
Antologia 7 Virtudes
"7 Virtudes", de Ana Ferreira, Carina Portugal, Carlos Silva, Pedro Cipriano, Pedro Pereira e Sara Farinha (ebook)
Sinopse:
Seis escritores portugueses, de fantasia e ficção científica, exploram 7 Virtudes: Castidade, Generosidade, Temperança, Diligência, Paciência, Caridade e Humildade
Opinião:
Mais uma antologia do grupo Fantasy & Co. Como já é costume, deixo opiniões individuais e, no final uma opinião geral.
Castidade, de Sara Farinha
Um conto bem escrito, passado num mundo curioso e com personagens interessantes mas ... que raio de final é aquele? Parece que ficamos a meio da história, sem a promessa de haver continuação. Onde está o resto?
O Protótipo (Generosidade), de Pedro Cipriano
O conto em si está bem escrito e a ideia é interessante mas não chegamos a perceber as motivações do protagonista e por isso o fim não impressiona. A prosa pouco dinâmica também não ajuda.
O que não Cura, Satisfaz (Temperança), de Ana Ferreira
Sensual e pouco convencional. Um conto interessante que gostei de ler, apesar de que gostaria de ter sabido algo mais sobre a restante vida da protagonista.
Diligência, de Carlos Silva
Passado num mundo promissor (ferradentes = gostei), tem também uma história eficaz. No entanto foi um conto que não me marcou.
O Paciente é o mais Forte (Paciência), de Pedro Pereira
Este conto parece uma daquelas histórias de auto-ajuda (tipo Paulo Coelho, ou coisa parecida; não que tenha algo contra). Contudo este texto não me tocou, nem marcou.
Corpo, Alma e Coração (Caridade), de Carina Portugal
Uma história muito estranha, que pouco tem a ver com a virtude em questão (Caridade). Um texto muito estranho, com boa escrita mas que, no fim, é tão somente bizarro.
O Documento (Humildade), de Ana Ferreira
Talvez por conhecer a autora e o seu trabalho, este conto me pareceu mais um sermão, um desabafo, do que propriamente ficção. Além do mais não tem nada de fantasia. Não me tocou, no entanto fez bem o trabalho de representar a virtude em questão (Humildade).
Em suma, está aqui mais uma antologia interessante deste grupo de escritores. Nem todos estão ao mesmo nível mas existem aqui trabalhos dignos de nota, especialmente "Castidade" e "O que não Cura, Satisfaz".
Sinopse:
Seis escritores portugueses, de fantasia e ficção científica, exploram 7 Virtudes: Castidade, Generosidade, Temperança, Diligência, Paciência, Caridade e Humildade
Opinião:
Mais uma antologia do grupo Fantasy & Co. Como já é costume, deixo opiniões individuais e, no final uma opinião geral.
Castidade, de Sara Farinha
Um conto bem escrito, passado num mundo curioso e com personagens interessantes mas ... que raio de final é aquele? Parece que ficamos a meio da história, sem a promessa de haver continuação. Onde está o resto?
O Protótipo (Generosidade), de Pedro Cipriano
O conto em si está bem escrito e a ideia é interessante mas não chegamos a perceber as motivações do protagonista e por isso o fim não impressiona. A prosa pouco dinâmica também não ajuda.
O que não Cura, Satisfaz (Temperança), de Ana Ferreira
Sensual e pouco convencional. Um conto interessante que gostei de ler, apesar de que gostaria de ter sabido algo mais sobre a restante vida da protagonista.
Diligência, de Carlos Silva
Passado num mundo promissor (ferradentes = gostei), tem também uma história eficaz. No entanto foi um conto que não me marcou.
O Paciente é o mais Forte (Paciência), de Pedro Pereira
Este conto parece uma daquelas histórias de auto-ajuda (tipo Paulo Coelho, ou coisa parecida; não que tenha algo contra). Contudo este texto não me tocou, nem marcou.
Corpo, Alma e Coração (Caridade), de Carina Portugal
Uma história muito estranha, que pouco tem a ver com a virtude em questão (Caridade). Um texto muito estranho, com boa escrita mas que, no fim, é tão somente bizarro.
O Documento (Humildade), de Ana Ferreira
Talvez por conhecer a autora e o seu trabalho, este conto me pareceu mais um sermão, um desabafo, do que propriamente ficção. Além do mais não tem nada de fantasia. Não me tocou, no entanto fez bem o trabalho de representar a virtude em questão (Humildade).
Em suma, está aqui mais uma antologia interessante deste grupo de escritores. Nem todos estão ao mesmo nível mas existem aqui trabalhos dignos de nota, especialmente "Castidade" e "O que não Cura, Satisfaz".
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
O Legado de Eros
"O Legado de Eros", antologia com contos de Carina Portugal, Carlos Silva, Inês Montenegro, Pedro Cipriano, Sara Farinha e Vitor Frazão (ebook grátis)
Sinopse:
Contos eróticos e românticos, de vários autores do blog Fantasy & Co.
Opinião:
Na sequência do excelente trabalho que o grupo Fantasy & Co tem vindo a fazer, resulta mais uma antologia, que reúne contos de vários autores residentes do projecto. Como é habitual em colectâneas, alguns contos são melhores que outros, mas no geral posso dizer que gostei e que, definitivamente, há romance nestas páginas, e algum erotismo também, se bem que não muito.
Ficam então as apreciações individuais e no fim revelo os favoritos.
"A Presa e o Caçador", de Inês Montenegro
Neste conto a autora parece sair um pouco da sua zona de conforto. A ideia em si é bastante boa e a reviravolta final foi muito bem conseguida, no entanto a escrita romântica/erótica mostra-se crua e insípida, sem qualquer laivo de emoção, já para não falar que a mitologia envolvida não foi bem conseguida. Não fui capaz de me ligar com as personagens, ou de apreciar o que elas sentiam e os que as motivava.
"Rumo a Casa", de Sara Farinha
Uma história emotiva e com um final que marca, que consegue explorar uma das personagens sem necessidade de grandes artefactos. Contudo negligenciou a personagem feminina, o que se fez sentir no texto e deixou uma lacuna indesejável. No geral gostei mas queria algo mais.
"Carta para os Cosmos", de Carlos Silva
Bom conceito, apesar de não ser original, mas com diálogos um pouco fracos e algo lamechas, que peca por um final algo fácil, se bem que adequado. Não é que tenha desgostado, mas não é um trabalho que me fique na memória.
"Amor-Perfeito", de Vitor Frazão
Excelente texto, com bons diálogos, personagens que se gravam na memória do leitor e uma escrita muito coerente. O autor consegue sempre criar personagens marcantes e este conto não é excepção. Só não gostei particularmente da parte final, em que os diálogos tomaram demasiado protagonismo e houve uma lacuna temporal que eu senti que deveria ter sido preenchida. Fora isso, mais um excelente conto do Vitor Frazão.
"A Primavera", de Pedro Cipriano
Para esta história tenho uma opinião dividida. Se por um lado acho que o autor conseguiu retratar bem as personagens e as suas vidas, por outro acho que a ideia já está muito batida e não fiquei fã de algumas transições de acção. Por outro lado não entendo como o autor pode dizer que esta história se passa depois de 2019, quando na verdade em nada difere de um relato que se poderia ter passado na 1ª ou 2ª Guerra Mundial, num conto em que nada indica que estamos no futuro. Bem pelo contrário! E aí também reside uma incoerência, pois este é o único conto da antologia que não tem nada de ficção científica ou fantasia. Pelo menos não que eu tenha percebido.
Fora isso, como já disse, gostei de como está escrito e explorado, mas não trouxe nada de novo.
"Sementes de Fada", de Carina Portugal
Belíssimo conto, com muito boas personagens, uma mitologia bem explorada e cenas muito convincentes. Adorei esta pequena história, embora o fim não me tenha convencido completamente. A escrita da autora está excelente e conseguiu dar vida ás personagens, que acabaram por ser o melhor do conto.
E os meus contos favoritos são: "Amor-Perfeito" do Vitor Frazão, e "Sementes de Fada", da Carina Portugal.
Podem ler esta antologia, gratuitamente, AQUI:
Sinopse:
Contos eróticos e românticos, de vários autores do blog Fantasy & Co.
Opinião:
Na sequência do excelente trabalho que o grupo Fantasy & Co tem vindo a fazer, resulta mais uma antologia, que reúne contos de vários autores residentes do projecto. Como é habitual em colectâneas, alguns contos são melhores que outros, mas no geral posso dizer que gostei e que, definitivamente, há romance nestas páginas, e algum erotismo também, se bem que não muito.
Ficam então as apreciações individuais e no fim revelo os favoritos.
"A Presa e o Caçador", de Inês Montenegro
Neste conto a autora parece sair um pouco da sua zona de conforto. A ideia em si é bastante boa e a reviravolta final foi muito bem conseguida, no entanto a escrita romântica/erótica mostra-se crua e insípida, sem qualquer laivo de emoção, já para não falar que a mitologia envolvida não foi bem conseguida. Não fui capaz de me ligar com as personagens, ou de apreciar o que elas sentiam e os que as motivava.
"Rumo a Casa", de Sara Farinha
Uma história emotiva e com um final que marca, que consegue explorar uma das personagens sem necessidade de grandes artefactos. Contudo negligenciou a personagem feminina, o que se fez sentir no texto e deixou uma lacuna indesejável. No geral gostei mas queria algo mais.
"Carta para os Cosmos", de Carlos Silva
Bom conceito, apesar de não ser original, mas com diálogos um pouco fracos e algo lamechas, que peca por um final algo fácil, se bem que adequado. Não é que tenha desgostado, mas não é um trabalho que me fique na memória.
"Amor-Perfeito", de Vitor Frazão
Excelente texto, com bons diálogos, personagens que se gravam na memória do leitor e uma escrita muito coerente. O autor consegue sempre criar personagens marcantes e este conto não é excepção. Só não gostei particularmente da parte final, em que os diálogos tomaram demasiado protagonismo e houve uma lacuna temporal que eu senti que deveria ter sido preenchida. Fora isso, mais um excelente conto do Vitor Frazão.
"A Primavera", de Pedro Cipriano
Para esta história tenho uma opinião dividida. Se por um lado acho que o autor conseguiu retratar bem as personagens e as suas vidas, por outro acho que a ideia já está muito batida e não fiquei fã de algumas transições de acção. Por outro lado não entendo como o autor pode dizer que esta história se passa depois de 2019, quando na verdade em nada difere de um relato que se poderia ter passado na 1ª ou 2ª Guerra Mundial, num conto em que nada indica que estamos no futuro. Bem pelo contrário! E aí também reside uma incoerência, pois este é o único conto da antologia que não tem nada de ficção científica ou fantasia. Pelo menos não que eu tenha percebido.
Fora isso, como já disse, gostei de como está escrito e explorado, mas não trouxe nada de novo.
"Sementes de Fada", de Carina Portugal
Belíssimo conto, com muito boas personagens, uma mitologia bem explorada e cenas muito convincentes. Adorei esta pequena história, embora o fim não me tenha convencido completamente. A escrita da autora está excelente e conseguiu dar vida ás personagens, que acabaram por ser o melhor do conto.
E os meus contos favoritos são: "Amor-Perfeito" do Vitor Frazão, e "Sementes de Fada", da Carina Portugal.
Podem ler esta antologia, gratuitamente, AQUI:
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
::Conto:: Trial Version
"Trial Version", de Carlos Silva (conto grátis)
Sinopse:
Uma vida preenchida, uma morte feliz, uma conta bancária a zeros…Também, quem precisa de dinheiro quando se tem a vida perfeita?
Opinião:
Uma boa ideia, com um final bem conseguido e inteligente, mas que pecou por um início um pouco fraco e muito expositivo, sem dar nada de palpável ao leitor.
No geral, gostei.
Visitem: Site do Autor * Autor no Goodreads * Fantasy & Co
Sinopse:
Uma vida preenchida, uma morte feliz, uma conta bancária a zeros…Também, quem precisa de dinheiro quando se tem a vida perfeita?
Opinião:
Uma boa ideia, com um final bem conseguido e inteligente, mas que pecou por um início um pouco fraco e muito expositivo, sem dar nada de palpável ao leitor.
No geral, gostei.
Visitem: Site do Autor * Autor no Goodreads * Fantasy & Co
domingo, 27 de outubro de 2013
Tecendo Nós
"Tecendo Nós", antologia organizada por Ana Costa, Cristina Delgado e Renata Silva; com contos de Ana C. Nunes, Andreia Silva, Carla Ribeiro, Carlos Silva, Érica Bombardi, Fernando Évora, Manuel Alves, Pedro Pinto, Olinda P. Gil e Victor Eustáquio (ebook)
Sinopse:
Tecendo Nós é uma pequena antologia de contos criados para a assinalar o primeiro aniversário do Clube de Leitores em Português, um grupo criado no Goodreads.
Todos os contos encontram-se subordinados ao tema Imaginação vs Realidade.
Opinião:
Tratando-se de uma antologia e, como de costume, vou primeiro comentar o contos, um a um.
"Lili", de Manuel Alves
A minha opinião sobre este conto está AQUI, já que o conto também está disponível sozinho, com ilustrações do autor, que vale a pena serem vistas.
"Vivo, Morto X", de Érica Bombardi
Neste conto a prosa funcionou bem e o protagonista também, mas a trama não me convenceu, apesar de ter achado a intriga envolvente, simplesmente senti que faltava mais pano de fundo, mais informação sobre o que os levara àquela situação. Havendo dito isto, esta foi uma história que me manteve agarrada ao kindle do início ao fim.
"Sede de Ser", de Victor Eustáquio
As descrições contidas neste conto são bastante vivas e evocam sentimentos e emoções fortes no leitor; o autor tem jeito com as palavras. No entanto o desfecho deixou algo a desejar.
"Uma Demanda de Bertolameu, Frei de Portugal", de Fernando Évora
Gostei deste conto e da forma como está escrito. Apesar de longo, nunca chegou a aborrecer. A prosa é limpa e evoca bem as situações, personagens e emoções, no entanto acabou por se arrastar demasiado tempo e o final pecou pela falta de detalhe e de uma verdadeira resolução.
"Por Detrás de uma Leitura", de Olinda P. Gil
Com um conceito interessante, cuja reviravolta se mostrou imprevista, confesso que ainda assim o tom narrativo não me manteve ligada à história. Existiu um distanciamento que não consegui ultrapassar e que fez com que o conto não me ficasse muito tempo na memória.
"Uma Miragem na Chuva", de Ana C. Nunes
Sendo eu a autora, abstenho-me de comentar, mas agradeço a vossa opinião, se o lerem. :)
"Ensina-me a Amar", de Pedro Pinto
Esta é uma história romântica que, a meu ver, foi a que menos se enquadrou no tema da antologia (realidade vs imaginação). Não que isso tenha sido razão suficiente para prejudicar o conto.
A história em si tem potencial e as personagens são interessantes mas, a forma como o autor se arrastou na descrição da vida das personagens, das situações que elas viveram, na intensidade de um suposto amor que não atravessou a barreira das palavras até ao leitor. Infelizmente este conto não me produziu qualquer faísca em mim, apesar de simpatizar com as personagens, achei que a história, que era tão simples, foi esmiuçada até à exaustão, e por isso perdeu o seu brilho.
"As Últimas Horas do Rei Cego", de Carla Ribeiro
Um conto que peca apenas por ser demasiado curto. Não houve tempo para uma ligação mais profunda com o protagonista, mas foi o suficiente para que se percebesse a sua situação. Gostei da claustrofobia incutida no texto, e da ideia.
"Conversas Sobre Carris", de Andreia Silva
Este conto tem um conceito muito interessante e é emocionante visitar a mente do protagonista, especialmente quando chega o final, no entanto a prosa pareceu-me algo pesada para o tema e não funcionou a seu favor.
"Problemas que Não Existem", de Carlos Silva
Um tema muito imaginativo, que me relembrou um pouco do Lili (do Manuel Alves) mas que acabou por não ter o mesmo impacto. Apesar de o conceito ser bastante refrescante e ter gostado de alguns trechos, o final foi demasiado básico, faltando-lhe uma faísca do fantástico que permeou outras partes do pequeno conto.
No geral, esta é uma antologia bastante coerente, com autores que mostram talento e histórias bastante diversificadas. Alguns contos foram mais satisfatórios que outros (como sempre acontece com antologias de vários autores), mas nenhum foi particularmente mau. Ficou a vontade de ler mais trabalhos de vários dos autores presentes na colectânea.
Visitem: Tecendo Nós na Smashwords (grátis) * Tecendo Nós no Goodreads * Clube de Leitores em Português
Sinopse:
Tecendo Nós é uma pequena antologia de contos criados para a assinalar o primeiro aniversário do Clube de Leitores em Português, um grupo criado no Goodreads.
Todos os contos encontram-se subordinados ao tema Imaginação vs Realidade.
Opinião:
Tratando-se de uma antologia e, como de costume, vou primeiro comentar o contos, um a um.
"Lili", de Manuel Alves
A minha opinião sobre este conto está AQUI, já que o conto também está disponível sozinho, com ilustrações do autor, que vale a pena serem vistas.
"Vivo, Morto X", de Érica Bombardi
Neste conto a prosa funcionou bem e o protagonista também, mas a trama não me convenceu, apesar de ter achado a intriga envolvente, simplesmente senti que faltava mais pano de fundo, mais informação sobre o que os levara àquela situação. Havendo dito isto, esta foi uma história que me manteve agarrada ao kindle do início ao fim.
"Sede de Ser", de Victor Eustáquio
As descrições contidas neste conto são bastante vivas e evocam sentimentos e emoções fortes no leitor; o autor tem jeito com as palavras. No entanto o desfecho deixou algo a desejar.
"Uma Demanda de Bertolameu, Frei de Portugal", de Fernando Évora
Gostei deste conto e da forma como está escrito. Apesar de longo, nunca chegou a aborrecer. A prosa é limpa e evoca bem as situações, personagens e emoções, no entanto acabou por se arrastar demasiado tempo e o final pecou pela falta de detalhe e de uma verdadeira resolução.
"Por Detrás de uma Leitura", de Olinda P. Gil
Com um conceito interessante, cuja reviravolta se mostrou imprevista, confesso que ainda assim o tom narrativo não me manteve ligada à história. Existiu um distanciamento que não consegui ultrapassar e que fez com que o conto não me ficasse muito tempo na memória.
"Uma Miragem na Chuva", de Ana C. Nunes
Sendo eu a autora, abstenho-me de comentar, mas agradeço a vossa opinião, se o lerem. :)
"Ensina-me a Amar", de Pedro Pinto
Esta é uma história romântica que, a meu ver, foi a que menos se enquadrou no tema da antologia (realidade vs imaginação). Não que isso tenha sido razão suficiente para prejudicar o conto.
A história em si tem potencial e as personagens são interessantes mas, a forma como o autor se arrastou na descrição da vida das personagens, das situações que elas viveram, na intensidade de um suposto amor que não atravessou a barreira das palavras até ao leitor. Infelizmente este conto não me produziu qualquer faísca em mim, apesar de simpatizar com as personagens, achei que a história, que era tão simples, foi esmiuçada até à exaustão, e por isso perdeu o seu brilho.
"As Últimas Horas do Rei Cego", de Carla Ribeiro
Um conto que peca apenas por ser demasiado curto. Não houve tempo para uma ligação mais profunda com o protagonista, mas foi o suficiente para que se percebesse a sua situação. Gostei da claustrofobia incutida no texto, e da ideia.
"Conversas Sobre Carris", de Andreia Silva
Este conto tem um conceito muito interessante e é emocionante visitar a mente do protagonista, especialmente quando chega o final, no entanto a prosa pareceu-me algo pesada para o tema e não funcionou a seu favor.
"Problemas que Não Existem", de Carlos Silva
Um tema muito imaginativo, que me relembrou um pouco do Lili (do Manuel Alves) mas que acabou por não ter o mesmo impacto. Apesar de o conceito ser bastante refrescante e ter gostado de alguns trechos, o final foi demasiado básico, faltando-lhe uma faísca do fantástico que permeou outras partes do pequeno conto.
No geral, esta é uma antologia bastante coerente, com autores que mostram talento e histórias bastante diversificadas. Alguns contos foram mais satisfatórios que outros (como sempre acontece com antologias de vários autores), mas nenhum foi particularmente mau. Ficou a vontade de ler mais trabalhos de vários dos autores presentes na colectânea.
Visitem: Tecendo Nós na Smashwords (grátis) * Tecendo Nós no Goodreads * Clube de Leitores em Português
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domingo, 8 de setembro de 2013
::Conto:: Gosma Literária
"Gosma Literária", de Carlos Silva (disponível gratuitamente AQUI)Sinopse:
Um cientista afirma que descobriu a substância que irá mudar o modo como se experiencia a literatura, mas será que o conteúdo vai mudar?
Opinião:
Aqui está um texto que é produto dos tempos (embora o tema não seja de hoje). De uma forma bastante directa e, diria até, divertida, o autor critica o que é ou não considerado literatura e, mais importante que isso, aquilo que a maioria dos leitores procura quando lê um livro.
Para quem lê regularmente, certamente que este texto dirá muito. Se se concorda ou não, já é outra história.
Falando do conto em si, acho que serviu bem o seu propósito, de sátira/crítica, mais do que para ser um instrumento das personagens (elas que são quase irrisórias neste texto). A escrita do autor funciona bem aqui e, tratando-se de um conto curto, lê-se muito bem.
Visitem: Site do autor - Blog Fantasy & Co (antigo)
Podem ler este conto, gratuitamente, no blog Fantasy & Co (Ebook)
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Urbania - Divulgação
Título: Urbania
Autor: Carlos Silva
Edição: Fevereiro 2013
Sinopse: Que influência terá sobre Lisboa a cidade em movimento, onde os sonhos e a lucidez se vendem como um mero produto? As duas cidades estão em rota de colisão e Hugo sabe que é a única oportunidade de alguma vez conseguir passar de uma para a outra, mas para isso terá de compreender o que os Lobos lhe dizem. Um romance sobre ciclos que se cruzam e entrecruzam, onde a única constante é a mudança.
Preço: 1,99€ (lançamento)
Onde é que o livro pode ser adquirido? Smashwords
Visitem também o site do autor, o autor no Goodreads, o seu perfil no Facebook.
Booktrailer:
Autor: Carlos Silva
Edição: Fevereiro 2013
Sinopse: Que influência terá sobre Lisboa a cidade em movimento, onde os sonhos e a lucidez se vendem como um mero produto? As duas cidades estão em rota de colisão e Hugo sabe que é a única oportunidade de alguma vez conseguir passar de uma para a outra, mas para isso terá de compreender o que os Lobos lhe dizem. Um romance sobre ciclos que se cruzam e entrecruzam, onde a única constante é a mudança.
Preço: 1,99€ (lançamento)
Onde é que o livro pode ser adquirido? Smashwords
Visitem também o site do autor, o autor no Goodreads, o seu perfil no Facebook.
Booktrailer:
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
::Conto:: Last Christmas I gave you my heart
"Last Christmas I gave you my heart" de Carlos Silva (ebook)
Sinopse:
O Natal é um tempo de paz, harmonia e alegria. Joaquim a nada disto terá direito ao ter aceite passar a noite de consoada com a tenebrosa família da sua noiva, que transformarão um simples jantar num festival de horror e constrangimento.
Opinião:
Este conto de Carlos Silva é uma história bem contada e muito curiosa. O autor jogou bem com as palavras e acções das suas personagens, de tal forma que conseguiu surpreender o leitor.
Gostei especialmente de como ele introduziu cada uma das personagens na narrativa.
O final inesperado foi uma mais-valia, apesar de um pouco confusa. O início foi uma das partes mais fracas e acho que o conto funcionaria melhor se fosse um pouco mais longo mas, no geral, esta foi uma leitura muito agradável.
Só não entendo o título ...
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Fénix 1
"Fénix, nº1", fanzine
Esta fanzine é dedicada à divulgação da Fantasia, Ficção Científica e do Horror, constituída por contos e artigos de variados autores portugueses.
Este número foi organizado pelo Roberto Mendes e a belíssima capa é da autoria de Hauke Vagt (um ilustrador de origem alemã a viver em Lisboa).
Opinião:
"O Navio de Teseus", de Carlos Silva
Uma excelente ideia, bem executada. Um bom conto,cuja única falha me pareceu ser nos (poucos) diálogos. Mas vale a pena.
"Natal em Little Town", de João Ventura
Gostei do conceito deste conto, no entanto achei que o final não foi tão bem entregue como poderia ter sido e caiu um pouco do nada.
Romeu de Melo e a Ficção Científica, artigo de Álvaro de Sousa Holstein
A amizade e respeito que Álvaro Sousa Holstein tem por Romeu de Melo transparece neste texto- confesso que desconhecia o autor e fiquei muito curiosa por descobrir trabalhos deste senhor que infelizmente já cá não se encontra.
"O Factor Genético", de Romeu de Melo
Apesar de este conto ter sido publicado pela primeira vez em 1978, permanece bastante actual, o que de certo modo chega a ser assustador, se pensarmos bem nisso. O conceito está brilhante: uma raça de extra-terrestres que estuda os poucos terrestres sobreviventes e que avaliam como estes se auto-destruíram.
No entanto confesso que o facto de toda a informação nos ser dada através de diálogos extensos e explicativos, tirou um pouco de energia à história. Mesmo assim, é um bom conto e fiquei com vontade de ler mais deste autor.
"Floresta de Homens", de Valter Marques
O conto começa um pouco fraco, mas tal acontece para estabelecer as personagens e por isso não se incia mal. O autor consegue desenvolver bem as personagens e até o cenário o que cria um conto rico e cujo final adorei. Sem dúvida o meu favorito da fanzine.
Entrevista a José Manuel Morais
É sempre interessante ler entrevistas com autores portugueses, especialmente aqueles já um pouco esquecidos pelo tempo e quando o entrevistador os conhece bem. Concordando ou não com algumas das coisas ditas, vale a pena ler.
No geral este foi mais um bom número desta fanzine, com contos interessantes e diversificados, e alguns artigos curiosos. Apesar de alguns erros ortográficos que não incomodaram muito, a fanzine está bem organizada. Só gostaria também de ter visto um pequeno artigo sobre o artista da capa (temos alguma informação básica mas sabe a pouco).
Fica a vontade de ver mais números da Fénix em breve.
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