terça-feira, 29 de junho de 2010

::Conto:: Dreams

"Dreams" de Keri Arthur, na antologia "The Mammoth book of Vampire Romance" (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse:
Quinn é um vampiro antigo que quer possuir Riley não só em sonhos como também na realidade.

Opinião:
O princípio não me cativou, mas o que menos gostei foi mesmo da personagem da Riley. Sinceramente nunca gostei de personagens (quer femininas, quer masculinas) que dormissem com tudo o que tem pernas (independentemente de quantas pernas tem), por isso ela até pode ser uma personagem interessante (que não parece), mas eu pessoalmente não fiquei a gostar. São gostos!
Mesmo o Quinn, que até consegue ser interessante, embora seja demasiado poderoso (perfeito, perfeito), mais do que o desejável mesmo e não tem nada de realmente "único", o que o torna um personagem que não fica na memória.
Pessoalmente este conto fez-me lembrar a Saga Anita Blake, cujo primeiro título eu li e detestei.
O confronto com os inimigos foi interessante e até dinâmico, tendo sido a melhor parte do conto.

A escrita da autora é interessante mas pessoalmente não gostei muito das personagens, por isso possivelmente não voltarei a ler nada desta saga, mas até poderei ler algo mais da autora.

Este conto é baseado no mundo da Saga Riley Jensen, da autora.

::Conto:: Viper's Bite

"Viper's Bite" de Delilah Devlin, na antologia "The Mammoth book of Vampire Romance" (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse:
Viper decide, naquela noite, seduzir em vez de caçar, mas Mariah não lhe é totalmente desconhecida.

Opinião:
Com um início muito interessante e um compasso sempre certeiro, com diálogos inteligentes e naturais, este conto foi muito bom de ler.
Tanto o Viper (Danny) como a Mariah são personagens muito interessantes e carismáticas, deixando-me com vontade de ler mais sobre os dois, mas ao mesmo tempo a autora conseguiu dar um nó na história, para não deixar os leitores desapontados.
A escrita da autora foi muito cativante e energética, em todos os momentos, o que ajudou ainda mais a que gostasse da leitura.

E, se não estou em erro, esta curta história faz parte da história da Saga Veiled Alliance (pelo menos fala no Danny na sinopse).

Com certeza irei dar uma oportunidade a um livro mais longo da autora, pois adorei a forma como escreve. É simples, mas muito perspicaz.

Amante de Sonho

"Amante de Sonho (Predador da Noite 0.5)" de Sherrilyn Kenyon (Edições Chá das Cinco (Grupo Saída de Emergência))

Sinopse:

Grace Alexander, uma bonita terapeuta sexual de Nova Orleães, julgava estar destinada a uma vida sem paixão. Até ao dia em que a amiga Selena a convence de que, por artes mágicas, poderá convocar um escravo de amor durante um mês. Certa de que a magia da amiga irá falhar, Grace deixa-se levar pela brincadeira.
Opinião: 
Como amante (*pun intended*) que sou da mitologia (de todo o tipo) não pude deixar de adorar essa parte da história, que me pareceu ter sido bem aproveitada pela autora, especialmente aquando a personificação das divindades. E esta vertente tem, definitivamente, pano para mangas e acredito que a autora o explore nos restantes livros da saga.
Quanto à história em si, a ideia é interessante e foi bem apresentada e explorada. Quem nunca imaginou "o que aconteceria se uma personagem saltasse para fora de um livro"? E melhor, quem nunca quis ver um autêntico "Deus grego"?
Tudo isso está incluído neste livro, e muito bem.
As duas personagens principais são divertidas e ambas têm virtudes e defeitos, o que as torna um pouco mais "amistosas". Achei também que o facto de o Julian ser o amante perfeito, foi bem explorado. Aliás, dir-se-ia mesmo, perfeito demais, mas isso já é outra história.
O amor dos dois não surgiu do nada, o que foi uma mudança agradável já que normalmente neste tipo de romance apaixonam-se mal se vêm. Com a Grace e o Julian, as coisas foram progredindo à medida que se foram conhecendo melhor, o que pareceu muito mais natural.
Só achei um pouco "chata" a parte da história relacionada com a Grace. Tanto o antigo namorado (que miraculosamente encontraram uma noite num bar, e que em seguida levou uma tareia), como o caso do paciente stalker. Simplesmente tudo isso me pareceu estar lá para encher palha, embora nos mostrasse um lado mais protector do Julian, achei que estes dois foram momentos mal aproveitados. O mesmo já não aconteceu com a história dos pais da Grace, que achei um toque bem interessante.
Houve bastante desenvolvimento de personagens, o que permitiu que acabasse por gostar da Grace e do Julian, apesar das coisas que ele fez no passado (e que não têm perdão nem desculpa).

Em suma, foi uma leitura divertida, mas que não me cativou como outras do género. As cenas mais "escaldantes" não estavam "quentes" o suficiente (ver tradução) e algumas pareciam mesmo vindas do nada, o que era algo estranho.
Gostei muito do uso das mitologias e da introdução de vários e diferentes divindades que deram um gostinho subliminar à narrativa.
Gostava de ler o segundo livro, mas possivelmente fá-lo-ei em Inglês (ver tradução), com muita pena minha.

Tradução (Eduardo Fernandes):
Infelizmente acho que muita da razão porque não desfrutei mais deste livro foi pela tradução. Muitas das palavras pareciam-me desadequadas e as cenas de sexo não eram escaldantes, muitas vezes, graças à escolha do vocabulário. E bem sei que o português é traiçoeiro, mas não era só nestas cenas que eu sentia uma certa "irritabilidade" com a tradução.
Em termos gerais está correctamente traduzido, mas talvez esteja demasiado fiel ao original, o que lhe tira um certo "lirismo" e cria um entrave na leitura.
Também achei que fizeram falta umas quantas notas de rodapé, especialmente para esclarecer sobre as várias figuras mitológicas que foram surgindo. Eu por acaso conhecia-os quase todos, mas nem toda a gente é igual e uma notinha de rodapé vinha bem a calhar (pelo menos para os deuses menos conhecidos).

Capa & Design: 
O design interior está simples mas bem conseguido. Já a capa, embora envolvente e cativante, cedo se torna desleal pois não representa em absoluto a personagem que a autora tão bem descreve. Julian, o personagem principal, deveria ter cabelo loiro, olhos azuis celeste e a barba feita; enquanto que o homem na capa tem  cabelos escuros, barba e olhos de um verde azulado. E também não percebi o porquê da mansão. Na história não é referida nenhuma mansão. Já a lua cheia foi um toque interessante.
Gostei muito foi da encadernação que não se deformou nem um bocadinho mesmo depois de eu escancarar o livro (não devia fazê-lo, eu sei).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

::Conto:: Knowledge of evil

"Knowledge of evil" de Raven Hart, na antologia "The Mammoth book of Vampire Romance" (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse:
Um vampiro milenar, sedento de conhecimento, encontra uma professora universitária com a mesma afinidade que ele e a mesma vontade de aprender.

Opinião:
Este conto traz de volta um pouco da loucura original dos vampiros, pelo menos em alguns momentos, mas noutros tenta ser "politicamente correcta" e isso estraga um pouco o entusiasmo.
O Nick, um vampiro dos tempos da Grécia antiga, sempre odiou os outros vampiros e por isso dedicou-se a dizimá-los até à quase extinção. Infelizmente esta parte da sua história foi pouco aproveitada e para além do que a autora "diz" pouco ficamos a conhecer sobre o "como" ele fez o que fez.
Adorei a ideia de ele não se cansar de aprender e de estar sempre atrás de mais e mais informação. Foi a melhor parte da história.
Depois Nick conhece Victoria e aos poucos ela mostra-se uma lunática com modos e ideais tresloucadas.
Foi divertido, e até diferente, ler a parte em que ambos se confrontavam verbalmente numa luta de ideias e objectivos e posso dizer que os dois faziam um "casal" muito "escaldante".
O final, embora "correcto" e até desejável, deixou-me um certo gosto amargo, porque não houve a prometida "vingança". Uma pena!

Em suma, este conto entretêm, mas não chega a ser verdadeiramente único, como poderia ter sido. A história é única, mas a forma como foi contada (especialmente no fim) limitou-a um pouco.

::Conto:: The righteous

"The righteous" de Jenna Maclaine, na antologia "The Mammoth book of Vampire Romance" (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse:
Narra a história de Justine, uma caçadora de vampiros que se vê com a cabeça a prémio pelo regente dos vampiros, que não está nada contente com a quantidade de mortes que ela tem causado.
Este conto é uma prequela à saga Cin Craven da autora, que inclui os títulos: Wages of Sin, Grave Sins, Bound by Sin.

Opinião:
A história é interessante, mas acho que lhe faltou mais impacto e, certamente, mais incredulidade por parte da personagem principal. Pareceu-me que a Justine se adaptou demasiado depressa, e demasiado bem à presença do Devlin. Mas, mais que isso, fiquei desapontada com a facilidade com que aceitou que ele a mordesse, mesmo depois de nos ser contado que ela havia sido atacada violentamente por vampiros anos antes, e ficado traumatizada.
Também me pareceu que tudo foi tratado muito superficialmente, especialmente a relação entre a Justine e a irmã.
O que mais gostei foi mesmo a interacção entre a Morrigan e o High King (Rei Supremo). Não me importaria de ler mais sobre os dois.

Mostrando vários pontos interessantes sobre o "mundo" que criou, a autora deixa a curiosidade no ar sobre o que a saga Cin Craven pode trazer.

domingo, 27 de junho de 2010

A Princesa e o sapo

A Princesa e o sapo
Este recente filme animado da Disney, que infelizmente parece ter sido mal recebido pelo público (segundo dizem, por incluir a palavra "princesa" no título, o que afastou os meninos da tela), fez-me relembrar porque sempre gostei do género.
Com uma animação fluída, que é a marca da casa, sem grandes aparatos digitais (embora se notem diferenças) e com uma história cheia de pequenas lições, este foi um filme muito divertido de ver.

Depois de ter lido, recentemente, o conto dos Irmãos Grimm no qual este filme se baseia, posso dizer que pouco ou nada tem a ver com o original, o que não é necessariamente mau.
O que manteve do original foi a princesa cheia de mimo (aqui mostrada na forma da melhor amiga da Tiana), que sempre viveu com tudo o que quis, graças ao pai babado. No entanto ela até consegue ser divertida, e solidária, pois no fim está disposta a ajudar a amiga a ficar com o príncipe, além de que durante todo o filme, mesmo sendo mimada, não deixa de ser um doce de rapariga (com as suas muitas excentricidades).

Pessoalmente adorei o facto de a Tiana ser de uma família pobre, e de fazer de tudo para cumprir os seus sonhos. Foi algo muito diferente do que a Disney nos habituou nas heroínas, e garanto que o deviam fazer mais vezes.
O príncipe também estava super-divertido, com a sua excessiva confiança, especialmente depois de se tornar um sapo.
Os restantes personagens também estavam bem, especialmente o crocodilo que toca jazz, e o pirilampo. E falando do pirilampo, palmas para a Disney, pelo desfecho tocante desta personagem tão engraçada.
O vilão infelizmente foi a parte menos bem conseguida deste filme. Não foi desenvolvido o suficiente e chegamos ao fim sem saber muito bem de onde ele veio ou porque se tornou no "vilão". Também o "mordomo" ficou áquem das expectativas, sem nunca nos ser verdadeiramente mostrado porque ele odiava tanto o príncipe. Uma pena!

A música estava muito gira, com um toque de jazz e baladas do Bayou (acho que é assim que se escreve). Muito bom!

Um suma, este foi mais um filme Disney para toda a a família, com uns temas um pouco diferentes do habitual, mas que deveriam ser usados mais vezes pois são actuais e realistas. E mais, o facto de quase todas as personagens não serem "brancas" deu uma riqueza extra ao filme. Repitam e não excluam pois afinal somos todos iguais.

sábado, 26 de junho de 2010

Ciranda de Pedra

"Ciranda de Pedra" de Lygia Fagundes Telles (Editorial Presença)

Sinopse:
Na magnífica casa de Natércio, que Virgínia visita semanalmente, há num recanto frondoso do jardim, uma fonte dentro de uma roda formada por cinco anões de pedra. Ela efabula que essas cinco figuras são as suas irmãs, Bruna e Otávia e os amigos Afonso, Letícia e Conrado. Porém, Virgínia sente o peso da rejeição junto dessa família idealizada. Por isso, ao descobrir quem é o seu verdadeiro pai, após a morte trágica de Laura e Daniel, pede a Natércio que a deixe estudar em regime de internato. Voltará quase adulta para finalmente descobrir o que se oculta por detrás do mito familiar que cristalizou na imagem da ciranda dos anões de pedra.

Opinião: 
Fez-me alguma impressão, especialmente ao início, o facto de o livro não estar adaptado ao português de Portugal. Certas palavras e especialmente certas expressões eu estranhava muito. Talvez por isso não tenha desfrutado mais deste pequeno livro.

Adorei a forma como todo o livro é contado e como é notório o crescimento da personagem principal ao longo da narrativa, fazendo-nos entrar na sua lógica e obscurecendo a verdade, da mesma forma que ela vê as coisas.
A Primeira Parte, contada enquanto Virgínia era ainda uma criança e lutava pela atenção de todos, foi muito genuína. Senti-me mesmo como se estivesse no interior da cabeça de uma menina que queria integrar-se, mas que ao mesmo tempo era incapaz de se erguer e tomar uma posição, sempre limitada pelo que acreditava ser o desprezo e incompreensão de todos.
A Segunda Parte, contada já quando Virgínia era uma mulherzinha, depois de ela ter crescido, sozinha e enclausurada por vontade própria, num colégio de freiras, deixa-nos entrar na pele dela, mais uma vez, com uma veracidade tal que não conseguimos entrar na pele das outras personagens. Vemos tudo pelo prisma dela, um prisma limitado pela solidão e ancorado pela raiva.
Isto foi o que mais gostei no livro, pois consegue mesmo retratar a personagem, fazer-nos senti-la, mas ao mesmo tempo não conseguiu, pelo menos na primeira parte, transmitir convenientemente a dor da perda que ela sentiu. Esse foi o primeiro ponto negativo.

Interessante é ver como a autora jogou com as repetições, ou melhor, com as memórias. Virgínia vive no passado, e ainda assim é assaltada pelos fantasmas do presente. Cresceu mas ao mesmo tempo continuou sendo a mesma menina de sempre, com medo de encarar os outros, incapaz de lhes perguntar de frente aquilo que lhe moí o coração, e isso condiciona e ao mesmo tempo exalta toda a narrativa.

O que menos gostei neste livro foi mesmo o fim, pois depois de ela finalmente conseguir mudar-se e ter aquilo que tanto deseja, vira costas a tudo, como uma covarde e volta a ficar sem nada. Não compreendi a lógica do final e deixou-me um gosto muito amargo.
Também não gostei do facto de todos, mas mesmo todos os personagens serem hipócritas e de poucas virtudes terem. Sou a favor de personagens tridimensionais, com virtudes e defeitos, mas não de personagens que apenas conseguimos odiar.

Uma outra coisa muito interessante nesta obra é que ela se torna intemporal. Não há nada na narrativa que condicione esta obra, nada que nos diga em que "tempo" se passou, e isso joga a seu favor.


Em suma, foi uma leitura muito interessante, forte e extremamente emotiva e realista, sob um prisma diferente do que costumo ler. Custou-me a habituar ao Português do Brasil (a editora falhou neste ponto, limitando-se a publicar sem ao menos umas notas de rodapé que auxiliassem em certas expressões) mas no fim já estava comodamente adaptada, só que no início não gostei da leitura por esta mesma razão.
Recomendo.


Capa & Design: 
A capa tem uma textura fantástica e um esquema de cores harmónico, mas não percebo porque cortaram a cabeça à rapariga (não gosto nada quando fazem isso, mais valia cobrirem-lhe a cara com o cabelo), mas por outro lado a imagem adapta-se muito bem pois representa uma parte fulcral da história, com a flor vermelha e o vestido negro.


Nota: Esta leitura foi feita no âmbito tema do mês de Junho do Desafio Literário 2010.  

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