domingo, 11 de julho de 2010

::Filme:: Everything is Illuminated

"Everything is Illuminated (Está tudo iluminado)", baseado na obra homónima de Jonathan Safran Foer, este filme é uma pequena delícia.

Já há algum tempo que o queria ver, mas não sabia ao certo o que esperar. Hoje de manhã, não sabendo muito bem o que ver, lá me decidi a assistir a esta película de 2005.

Elijah Wood e Eugene Hutz mostram-nos umas actuações cheias de sentido e simplesmente magistrais. Acompanhados de perto de outros bons actores (e actrizes) que fazem deste filme um daqueles que fica na memória.

Se ao principio pareceu quase uma comédia, aos poucos fui percebendo realmente a seriedade do tema e quando chegou o final, as lágrimas escorreram sem que me desse conta.
Como muitos outros filmes (e séries, e livros), este mostra-nos um pouco do que foi a perseguição aos judeus na época nazista, embora este filme o faça de uma forma tão ... natural, que não podemos evitar sentir o mesmo que as personagens. Como se nós estivessemos lá, à procura de Trachimbrod.

Não posso deixar de recomendar este grande filme. Vejam!

Noutra nota, adorei a Sammy Davis Jr. Jr. (The Eye Seeing Bitch). XD

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Feira do Livro de Barcelos 2010

É hoje inaugurada, pelas 17 horas, a Feira do Livro de Barcelos 2010, que estará patente entre 9 e 18 de Julho na Avenida da Liberdade e no Largo da Porta Nova (mudam de sítio este ano, mas fica ainda mais no centro da cidade).

Para os interessados, podem consultar o programa AQUI.
Quase todos os dias há novos lançamentos e diariamente há ateliers de arte (ilustração e pintura), assim como espectáculos de música, teatro e algumas conversas com escritores, especialmente para os mais novos.

Eu tenho intenções de lá ir quase todas as noites para aproveitar os eventos e comprar uns livrinhos, embora não possa abusar pois já comprei livros de mais este ano. Só espero, sinceramente, que os editores tenham este ano apostado em descontos, porque no ano passado (e nos anteriores) os livros estavam ao preço de livraria e eu acabei por não comprar quase nada.
Se passarem por Barcelos, dêem lá um saltinho. Não é nada muito grande, mas também não costuma ser pequenina.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

::Conto:: What's at stake

"What's at stake" de Alexis Morgan, na antologia "The Mammoth book of Vampire Romance" (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse:
Rafferty está condenado à morte por, aparentemente ter assassinado um humano. Para seu executor, ele escolhe Josalyn, uma amiga e quase amante.

Opinião:
Com duas personagens bem expostas e uma história interessante, num mundo excepcionalmente bem mostrado (tendo em conta que se trata de um conto), este conto consegue cativar e entreter.
Definitivamente tanto a Josalyn como o Rafferty são duas personagens muito interessantes, mas a vilã foram algo estereotipado, o que tirou uma certa graça (e cunho próprio) à história.


Valeu a pena, especialmente pela parte do romance, mas fiquei com a sensação que poderia ter sido muito melhor, se o confronto final não fosse tão previsível e insípido.

O Leitor

"O Leitor", de Bernhard Schlink (Edições ASA)

Sinopse:
Em 1960, Michael Berg é iniciado no amor por Hanna Schmitz. Ele tem 15 anos, ela 36. Ele é apenas um adolescente. Ela é uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta e finalmente fazem amor. Mas este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece subitamente. Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes. 

Opinião:
Não estava à espera de muito quando comecei este livro, embora soubesse que é muito aclamado, mas, por vezes é mesmo bom que não tenhamos expectativas, pois assim podemos desfrutar muito melhor dos livros, como no caso deste.

Este livro é, antes de mais, um retrato de duas gerações: Uma remoída pelos crimes cometidos, mas ainda enterrada num orgulho há muito ultrapassado; Outra decidida na mudança e emersa numa culpa que não é sua.

As duas personagens que conhecemos ao longo da narrativa, tem uma profundidade estrondosa. Em poucas palavras e usando de escassos diálogos, o autor consegue fazer-nos sentir com e pelos protagonistas, mesmo quando queremos odiar uma personagem, a narrativa está escrita de uma forma que quase impossibilita qualquer julgamento, pois mantêm um distanciamento proporcional à letargia que toma conta dos personagens. Ambos demasiado orgulhosos e incapazes de se compreenderem embora estejam mais próximos um do outro do que alguma vez estiveram de outra pessoa. Nenhum dos dois tem a coragem de estender a mão ao outro, embora se amparem da forma que podem.

Há muitas obras literárias que são mencionadas. Grandes clássico, maioritariamente, e que nos mostram um pouco mais das personagens.

Mais do que uma culpabilização, esta obra retrata vivamente um povo, uma sociedade que se tenta recompor das desgraças e arrependimentos da guerra.

Não posso deixar de recomendar este livro, curto, simples e quase evasivo mas que consegue ser estranhamente profundo. Como se estivéssemos na ponta de um riacho, a olhar pela superfície da água, sem termos de mergulhar pois a água é cristalina. Ficamos distantes, mas ao mesmo tempo perto o suficiente para compreender o que se passa lá em baixo.

Tradução (Fátima Freire de Andrade):
Uma tradução exemplar! Nada a assinalar.

Capa & Design:
A capa, com a brancura predominante, tem um estilo que se relaciona muito bem com o conteúdo do livro. O problema é que colocaram não só uma menção ao filme, como também aos óscares e globos de ouro, aos actores., e inclusive na contracapa puseram os créditos do filme. Isto, sinceramente, achei de muito mau gosto, pois afinal estou a ler o livro e não a ver o filme. Tudo bem que mencionem a adaptação cinematográfica, mas isto já é demais!

Nota: Esta leitura foi feita no âmbito tema do mês de Julho do Desafio Literário 2010.  

::Conto:: Love Bites

"Love Bites" de Kimberly Raye, na antologia "The Mammoth book of Vampire Romance" (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse:
Dannielle Blue está na sua primeira missão: Matar um vampiro.

Opinião:
Antes de mais nada ... Snippers of Otherwordly Beings = SOBs = LOL :) Desculpem lá mas o nome é ridículo! (para quem não sabe SOB são as siglas de Son of a Bitch).

Mas voltando ao conto.
Ao princípio gostei muito da Dannielle e da forma como ela narrava a história, intrigando-me sobre o trabalho dos SOBs e da comunidade sobrenatural que os rodeava. O problema foi quando o Max apareceu. A partir daí foi cliché atrás de cliché. Nada neste conto sobressaiu e embora a escrita fosse interessante, não foi o suficiente para me entreter.
Havia alguma tensão sexual que foi +/- bem jogada, mas depois quando finalmente chegou o momento de "consumar" essa paixão, autora estragou tudo ao ser demasiado evasiva.

Em suma, um conto medíocre que não me encheu as medidas e com personagens muito fracas, tanto a nível narrativo como de personalidade.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Cidade dos Ossos

"A Cidade dos Ossos (Caçadores de Sombras 1)" de Cassandra Clare (Planeta Manuscrito)

Sinopse:
No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cobertos de estranhas tatuagens.
Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota... 

Opinião:
Comecei esteve livro sem grandes expectativas. Não sabia bem do que tratava mas infelizmente já tinha lido uns quantos spoilers (e dos grandes) que infelizmente me estragaram um pouco "a festa" mas que nem por isso tiveram efeito nefasto sobre o livro ou o divertimento que este me causou.
O primeiro ponto que tenho de mencionar é o facto de os diálogos estarem muito bons. Em momento algum me pareceram forçados e tendo em conta que os protagonistas eram jovens, estes estavam muito bem adequados. Houve situações em que me ri bastante com os diálogos, que mesmo num tom sério, por vezes tinham uma graça espantosa. Melhor que isso foi notar-se uma diferença nos diálogos dos adultos e dos jovens.

O mundo que a autora imaginou está bem mostrado e bem explorado, com muitas potencialidades, e, embora neste primeiro volume só os vampiros, os lobisomens e os nefilins tenham tido protagonismo, foram mencionados muito tipos de criaturas que podem ser exploradas nos volumes seguintes (e espero que sejam).

As personagens estavam todas bem distinguidas, com características próprias e bem definidas, o que proporcionou uma leitura bem agradável. A minha favorita foi mesmo a Clary que é uma protagonista cheia de garra. Já o Jace foi o que deu mais gozo ler, mas é daquele tipo de personagens que se alguma vez eu encontrasse na rua (estou a falar hipoteticamente, claro), estava capaz de o esmurrar. O Simon também é bastante curioso e os vilões estão bem caracterizados, se bem que lhes faltou uma certa profundidade.

Quanto à história, conseguiu surpreender em certos momentos, e foi bem simples de seguir, embora nunca recorresse a facilitismos.
A autora tem uma prosa muito boa (ou pelo menos a tradução assim o faz parecer) e consegue que a história tenho um compasso acelerado, mas não apressado.
Não houve nenhum pormenor esquecido e pequenas pistas eram-nos dadas ao longo do livro, para a grande revelação no final (que eu já conhecia por causa dos spoilers). Também gostei do facto de não haver "palha" a encher páginas. Tudo o que era contado tinha um propósito e isso é muito bom pois não cansa o leitor.

Pontos negativos, não tenho nada a apontar, sinceramente. O que, diga-se, é novidade para mim. XD
Ainda assim não consegui gostar demasiado deste livro, talvez por estar à espera dos restantes para poder dar uma nota mais acertada. E também acho que me lembrou, em certas ocasiões, demasiado o Harry Potter. Não que isso seja necessariamente mau, mas era estranho.

Em suma, é um livro que dá prazer ler, com personagens interessantes, diálogos divertidos e uma história bem explorada e com potencialidades para muito mais. Aconselho a todos que gostem de Fantasia (especialmente urbana) sem querer algo de muito complexo, mas que ainda assim consegue cativar.

Tradução (José Luís Luna):
Excelente! Não houve uma palavra que eu achasse que ficava mal, ou expressão que me irritasse. 
Um trabalho muito bem feito embora por duas vezes eu tenha notado uma troca no nome das personagens (Jace com Simon).

Capa (Cliff Nielsen) e Design:
Ainda estou para perceber porque decidiram usar a capa do segundo livro (na versão original) para o primeiro livro (em Portugal). É que no fim de contas nem faz muito sentido porque neste livro a Clary não é uma caçadora de sombras e por isso a imagem engana.
Fora isso, eu pessoalmente não acho a capa muito apelativa. Como já aqui disse, não gosto quando cortam cabeças, e embora a cor do cabelo esteja fenomenal, toda a capa grita "cliché", que é coisa que o livro até nem é.
A ideia da capa brilhante até está gira e dá-lhe um toque extra que na verdade não incomoda. Resumindo, não está má, mas também não está boa.

Nota: Este livro foi-me emprestado pela Anna Raffaela. Obrigada.

sábado, 3 de julho de 2010

Zona Negra

"Zona Negra" de André Oliveira, Bruno Bispo, Carla Rodrigues, Eduardo Monteiro, FIL, Gustavo Carreira, João Vasco Leal, Hugo Teixeira, Luís Lourenço Lopes, Manuel Alves, Maria João Careto, Paulo Marques, Pedro Carvalho, Raz, Roberto Macedo, Rui Alex, Victor Freundt e Vidazinha

Sinopse:
Uma colectânea de bandas desenhadas e ilustrações de vários artistas (amadores e/ou profissionais) portugueses e até estrangeiros.
O projecto ZONA! conta já com vários números: Zona Zero, Zona Negra (este), Zona Fantástica, Zona Gráfica.

Opinião: 
- Capa (Eduardo Monteiro): Maravilhosa! Sempre adorei o contrate preto/branco e vermelho, e nesta ilustração sentimos um certo terror (quase oriental) e acho que é impossível não ficar a olhar para ela uns bons minutos.
- Ilustração (FIL): Muito expressivo e com traços distintos, mas que se baralha um pouco, tirando-lhe algum simbolismo mais profundo.
- Ilustração (Carla Rodrigues): Adorei o trocadilho e a ilustração está bastante boa, expressiva e com um bom uso das tonalidades.
- BD (Sunday Zombie Sunday de Pedro Carvalho): Ri-me do princípio ao fim e imagino que a referência ao trabalho do Romero tenha sido propositada, o que lhe deu um toque ainda mais fantástico. Com movimentos bem conseguidos (faz-me lembrar os desenhos do Cartoon Network) e uma história totalmente nonsense, este foi dos meus preferidos da colectânea. 
- Ilustração (João Vasco Leal): O desenho das personagens está bastante bem conseguido e elas estão expressivas, mas falta-lhe um verdadeiro toque de originalidade.

- BD (Crónica de um morto vivo de Paulo Marques): Esta história fez-me lembrar a recente moda literária dos romances zombies. Foi interessante e original, mas não fiquei rendida. Os desenhos estão interessantes e não são estáticos, mas faltou-lhes um pouco de perspectiva.
- Ilustração (Raz): Mostrando uma grande originalidade e bom uso das linhas, esta ilustração tem vida própria. Só lhe faltou um pouco mais de obscuridade e uma pose menos estática.

- BD (Insane de Luís Lourenço Lopes): Adorei! Pequena, simples, mas totalmente alucinante e com uma expressividade fabulosa. Só achei que o artista poderia ter jogado mais com as linhas e intensidades, já que está tudo muito uniforme. De resto, está soberba!
- Ilustração (FIL): Com um traço maravilhoso, esta ilustração pecou apenas pela estática, parece demasiado parada, mas isso é compensado pelo nível de pormenor e pelo uso inteligente das tonalidades, sombras e focos.

- BD (A.L.I.E.N. de Bruno Bispo e Victor Freundt): Uma BD extremamente visual, mas que faz um uso muito inteligente da parte narrativa. Com um desenho que se sente, um design intuitivo, este trabalho sobressaí para deixar o leitor a pensar no que nos entra pelos olhos adentro dia após dia.
- BD (A minha maldição de Vidazinha e Hugo Teixeira): Uma composição com um grafismo fantástico, um uso brilhante do preto, e que consegue não se confundi com tanta expressividade. Só achei que o texto poderia estar mais envolvente.
- BD (A fome de Manuel Alves): Graficamente apelativo e mostrando uma mestria visual espantosa, esta BD peca pela fraca balonagem que estorva (e muito) a apreciação do trabalho artístico, obscurecendo-o. O texto em si está muito bom, mas a dinâmica dos balões está horrível.
- Ilustração (Manuel Alves): Visualmente estonteante e eye-catching. Uma ilustração que mostra as verdadeiras potencialidades dos tons-de-cinza e a mestria do artista.
- BD (Non Mortuos de Roberto Macedo Alves): Uma história rica e inteligente,acompanhada de desenhos absorventes e usando as linhas de uma forma bastante original e mostrando um ambiente muito negro. Gostei!
- BD (A derradeira arma de Rui Alex): Embora o artista dê mostras de ter muito talento, esta BD pecou pelo uso exagerado de vinhetas repetidas e por muita da acção estar representada por ilustrações demasiado estáticas. A história estava bem aproveitada, mas estes pontos fracos obscureceram as potencialidades do artista.
- BD (Rotina de Gustavo Carreira e FIL): A história está bem conseguida, mas infelizmente termina demasiado depressa, cortando a piada pela metade. A mensagem foi bem passada e os desenhos conseguiram enquadra a "rotina", ao mesmo tempo que a letra da música fazia exactamente o oposto, colocando-nos alerta.
- BD (A mulher do manto branco de André Oliveira e Maria João Careto): Adorei o uso do preto e branco nesta BD e a história estava interessante e foi bem transmitida, na companhia dos desenhos simples mas fabulosos do artista.

Em suma, esta colectânea (revista?) foi muito boa, mostrando vários artistas (tanto a nível de desenho como argumento) e que conseguiu manter-se coesa, o que por vezes é difícil nestes casos.
Sem dúvida um projecto a seguir com expectativas altas.

Visitem o SITE e o BLOG do projecto Zona!

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