domingo, 27 de outubro de 2013

A Conspiração dos Fidalgos

"A Conspiração dos Fidalgos", Alexandre Rocha (Ésquilo)

Sinopse:
A trama passa-se sobre um período dado das Histórias de Portugal e do Brasil, entre os séculos XVIII e XIX, em que o autor compõe personagens, reconstituiu cenários e atmosferas entrelaçando factos e fantasia no decurso da narrativa, destacando da sombra o herói Miguel Herculano. A vida na casa senhorial é tratada, lado a lado, e com o mesmo pormenor da vida na sanzala afro-brasileira. Definindo-se, a cada capítulo, esta personagem vem levantar grandes questões que chegam a tocar o leitor de hoje. Por outro lado, é envolvido na famosa «Conspiração dos Fidalgos» da corte de D. João V.

Opinião:
Escrever uma opinião sobre este romance vai ser uma tarefa um pouco difícil, já que o li em duas partes, com um intervalo bastante grande pelo meio, Mas vou tentar ser o mais objectiva possível.
"A Conspiração dos Fidalgos" foi sugerido como leitura para o Clube de Leitura de Braga, pelo próprio autor que esteve presente no dia da discussão, juntamente com os membros do clube.
Não é segredo nenhum que o romance histórico está longe de ser o meu género literário favorito, mas como gosto sempre de experimentar novos terrenos, foi com curiosidade que iniciei esta leitura.

O livro, por si só, está praticamente dividido em duas partes, uma no Brasil, e outra em Portugal. As duas têm tons narrativos bastante distintos, que acompanham, de certa forma, a evolução da personagem e, claro, as diferenças sociais e culturais de cada local.
O que mais gostei na primeira parte foi da descrição da vida na fazenda e depois, na segunda parte, o contraste com a vida na corte. No entanto achei a primeira parte um pouco fantasiosa demais, especialmente quando o protagonista ficou preso numa ilha. Toda a situação me fez lembrar o "Vida de Pi" e falhou em ser tão profundo quanto este. Também não apreciei o facto de o autor, deliberadamente, nos esconder acontecimentos que mais tarde foram revelados do nada, e que, segundo a narrativa, deveriam ter sido mostrados anteriormente (*spoiler* refiro-me ao facto de o protagonista ter trazido uma fortuna imensa da ilha; muito conveniente *fim de spoiler*).
Outra coisa que me incomodou na primeira parte foi o desfecho do romance. Aquele desenlace surgiu do nada. pois nada fazia prever que a rapariga fosse fazer algo semelhante ao protagonista. Felizmente na segunda parte isto foi resolvido (*spoiler* com outro interesse amoroso *fim de spoiler*) mas ainda assim ficou o amargo do antigo romance cujo término não me convenceu.
Por outro lado gostei muito de como o autor retratou a família e o relacionamento familiar do protagonista.

Passando à segunda parte, já em território português, a história tornou-se mais dinâmica mas também um pouco mais sombria, mais cheia de intrigas, como convinha à vida na corte. Aqui o romance foi muito melhor conseguido e a história fluiu bem, apesar de em momentos os acontecimentos serem muito convenientes, Gostei da visão do autor sobre a Conspiração. Só me fez um pouco de confusão a quantidade de personagens que surgiram e que acabaram por se atropelar, já que não havia possibilidade de dar protagonismo a todas.
Só não achei muito credível a forma como o protagonista falava com os monarcas, como se fossem amigos. Parece-me um pouco fantasioso demais, mesmo depois de toda a Conspiração ter acontecido.
O fim dado à família do protagonista foi bem conseguido e até inesperado, o que acabou por ser bom para a trama. Já a cena da vingança me pareceu excessivamente longa e preenchida de personagens e acontecimentos sem grande relevância.

Do que não gostei menos neste livro, foi da situação das 'vidas passadas' e 'vidas futuras'. Achei toda a trama irrelevante, inconsequente e sem grande interesse. A história teria tido o mesmo (ou ainda mais) impacto sem a história paralela no tempo presente. Afinal de contas o leitor, a determinada altura, já nem se recordava que existia essa 'vida paralela'.

A prosa do autor é bastante atractiva e as suas descrições, na maioria das vezes, não são exageradas, dando vida aos locais e situações. No entanto tem um tom um pouco romântico de mais para o meu gosto e perdia-se demasiado com filosofias, em situações que as faziam soar forçadas.  Também achei que certos diálogos soavam demasiado modernos, com palavras que não se encaixavam no tempo, e atitudes pouco convencionais.
Tenho é de deixar uma nota de apreço pelo facto de o texto do autor ser português de Portugal. Não tenho nada contra o português do Brasil, mas foi uma surpresa agradável ler assim e ver todas as palavras pouco conhecidas explicadas em pequenas notas de rodapé (serei eu a única a gostar de notas de rodapé, quando estas auxiliam o texto?).

Em suma, este livro foi uma leitura interessante e onde se vê a paixão do autor pelo romance histórico; onde é possível visitar um Brasil ainda colonial, e um Portugal ainda governado pela monarquia, de forma corriqueira e sem grandes pretensões. Não foi um livro excepcional, mas satisfez-me, e teve cenas marcantes, com personagens interessantes.

Capa, Design e Edição:
A capa é bastante evocativa do que se passa no livro, por isso acaba por funcionar bem, apesar de não ser muito chamativa. O design interior está bem conseguido, o que torna o livro fácil de ler. E, como já mencionei, adorei as notas de rodapé, que são poucas mas eficientes.

Booktrailer:

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Vida aos Quadradinhos - Setembro 2013

Em Setembro terminei alguns mangas e manhwas que já seguia há bastante tempo. Também continuei a seguir alguns webcomics e ainda li algumas BDs em ebook. E vocês? Que leram?

Gaia, de Powree e Oliver Knörzer (leiam grátis AQUI)
O dia da execução aproxima-se e a rebelião toma novas proporções. Excelente desenvolvimento de personagens e da trama, além de arte excepcional.


Steves, de Keiichi Matsunaga (leiam gratuitamente
AQUI
Esta pequena BD está bastante bem desenhada e é divertida. Ficou só a sensação de que é demasiado curta e a prometida sequela não se encontra em lado nenhum. Uma pena!

Lady Ice, de  Barbara G. Tarn (podem ler gratuitamente AQUI)
Despite having liked a few panels, this comic lacked narrative focus and character development. The art wasn't superb, but that wasn't really what made it bad. The story just had nothing going for it. No build-up, no real confrontation, the action bounced around without logic and it was just hard to firgure out what it was all about.
Still, the art wasn't all that bad and it worked well as an ebook.

Antique Bakery Dj, de Fumi  Yoshinaga

Antique Bakery, o original, foi um dos mangas que mais me surpreenderam, há uns anos atrás. Mas não contente com o que podia fazer no manga original, a artista pegou nas personagens e criou o seu próprio doujinshi (bd feita e vendida por amadores), atrevendo-se a integrar cenas e temas que não podia fazer quando a série estava serializada.
Para fãs de Antique Bakery, este doujin é imperdível. Aqui conhecemos ainda melhor as personagens, os seus passaos, os seus receios, e as suas relações, no entanto este é um manga yaoi, que, para quem não sabe, é um manga que contém cenas de sexo entre homens. Enfim, este não é muito explícito, por isso não deverá ser esse o motivo para não ler.
Confesso que, apesar de ter adorado reencontrar as personagens, as histórias em si não me cativaram tanto, mas também não dei o tempo por perdido.

Ice Revolution (I-Rev), de Tsutsumi Aya e Youhei Takemura
Este é um pequeno manga, cheio de espírito, sobre um desporto que raramente vejo retratado em banda desenhada. Muito ao estilo shounen, cheio de garra e de objectivos impossíveis, ainda assim é fácil simpatizar com a protagonista.
A história é bastante simples, mas em certos momentos consegue brilhar. A arte, por sua vez, é belíssima.
Só tive pena que acabasse tão depressa.

Change 123, de Iku Sakaguchi e Shiuri Sakaguchi
Change 123 é o tipo de manga que, em princípio, eu nunca iria gostar.É super ecchi (cheio de momentos em que se vê a roupa interior das raparigas, e em que elas estão em poses dignas de revistas +18), e, no entanto, Change 123 é tão mais que isso!
Acho que foram várias as razões porque me cativou tanto: a personagem principal e as suas múltiplas personalidades e os conflitos que isso gera, o protagonista masculino que apesar de ser um totó sem força, acaba por nunca desistir e ter uma personalidade muito afável; e, claro, as cenas de acção que são brutais!
A história em si também é bastante forte, apesar de o final me ter deixado pouco satisfeita, na verdade acaba por ser o desfecho perfeito para a série.
Este é um manga que recomendo a todos os tipos de leitores de manga. Experimentem! Pode ser que sejam surpreenddidos.

Unbalance x Unbalance, de Dal Young Im e Soo Hyun Lee
Este manhwa é uma espécie de BD harem, que também não é um género que eu aprecio com regularidade. No entanto, Unbalance x Unbalance, além de mostrar uma sociedade diferente (Coreia) também tem personagens fortes e distintas (se bem que por vezes são bastante irritantes). Para quem está habituado aos mangas japoneses, e à seu sistema educacional, este manhwa será uma experiência diferente.
Com belíssima arte e uma história bastante romântica e com alguns momentos deliciosos, Unbalance x Unbalance acabou por perder alguma força nos anos em que esteve parado, mas o final que finalmente chegou, acaba por ser satisfatório. Na memória ficam alguns capítulos marcantes, especialmente quando focados no romance entre Myung Jin-Ho e Nah Hae-Young.

Kagijin, de Yasuki Tanaka
Conheci Kagijin através do seu belíssimo capítulo experimental, que além de muito bem executado, prometia uma excelente história, com personagens bem vincadas. Infelizmente, quando foi serializado, Kagijin foi tão alterado que acabou por piorar, e muito. Nenhum do brilho do capítulo 0 ficou, apesar de a premissa ser basicamente a mesma. As personagens mudaram, o foco alterou-se, e com isso perdeu-se muita qualidade.
Kagijin prometia algo excelente, mas acabou por ser perder rapidamente e não deixará saudade.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

The Opal Deception

"The Opal Deception (Artemis Fowl 4), de Eoin Colfer (ainda não publicado em Portugal)

Sinopse (Inglês):
The evil pixie Opal Koboi has spent the last year in a self-induced coma, plotting her revenge on all those who foiled her attempt to destroy the LEPrecon fairy police. And Artemis Fowl is at the top of her list.
After his last run-in with the fairies, Artemis had his mind wiped of his memories of the world belowground. But they have not forgotten about him. Once again, he must stop the human and fairy worlds from colliding—only this time, Artemis faces an enemy who may have finally outsmarted him.


Opinião (audiolivro):
Longe de ser a melhor aventura de Artemis Fowl até agora, The Opal Deception foi, ainda assim, um livro muito divertido.

Com as mesmas personagens que já conhecemos nos livros anteriores, a progressão destas foi bastante boa, especialmente no que diz respeito ao Artemis e à Holy, particularmente no final, que promete muitas mudanças nos livros seguintes.
Por outro lado que não gostei do desfecho dado à Opal. Não me pareceu apropriado a alguém que deu tanto trabalho.
Já no que respeitante ao Julius, bem ... gostei, mas fiquei triste, claro.

Em termos de enredo, confesso que esperava um pouco mais de uma vilã como a Opal, mas o início foi muito bom e aquela cena no antigo parque temático, com os trolls, foi memorável.
Como já referi, o final não me encheu as medidas mas como o resto do livro foi razoável, acabou por ser aceitável, especialmente por culpa da decisão da Holy.

Artemis Fowl acaba por não ser tanto o génio do crime que a sinopse indica, ou que ele pensa que é, e a trama acaba por, muitas vezes, ser mais simples do que o esperado, mas alguns toques especiais dão a estes livros um valor acrescido e evitam que as aventuras se tornem monótonas.

A escrita do autor continua eficiente, embora mais dirigida a um público infanto-juvenil, acaba por não repelir o leitor mais adulto. Eu gostei!

No geral, The Opal Deception foi mais uma divertida aventura, que passa num instante e deixa sempre a vontade de ler mais.

Narração (Nathaniel Parker):
Que posso dizer sobre a narração de Nathaniel Parker, que já não tenha dito antes? Adoro! E recomendo os audiolivros.

sábado, 5 de outubro de 2013

domingo, 29 de setembro de 2013

::Conto:: O Monstro e a Musa

"O Monstro e a Musa", de Pedro Cipriano (ebook; ou no blog: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10)

Sinopse:
Walter é um cientista além mar que foi capturado enquanto participava numa expedição às terras bárbaras. Cedo o líder do povo das montanhas lhe prova que está enganado, revelando que Walter faz parte dos seus planos. Num futuro distante, vários séculos depois de holocausto nuclear, a humanidade enfrenta o mesmo desafio que a levou à Terceira Guerra Mundial. Haverá uma solução para o problema energético?

Opinião:
O Monstro e a Musa tem descrições excelentes de um Portugal que ainda não existe mas que não deixa de ser familiar. Esta foi, sem dúvida, a coisa que mais gostei neste conto. Bem, isso e o facto de se tratar de uma história sobre o uso de energias renováveis e amigas do ambiente (um tema que sempre me fascinou).
Mas, por outro lado, e apesar de o protagonista e o antagonista estarem bem personalizados, achei que todas as outras personagens eram uni-dimensionais e nada acrescentaram à história. Falo em especial do interesse amoroso que surgiu na segunda metade do livro, e cuja existência nada mais era do que uma artimanha para o protagonista cometer um erro. Esta personagem, a meu ver, foi o suficiente para estragar a segunda parte, pela sua falta de personalidade.

Por outro lado, a escrita do autor, que tão bem descrevia as paisagens e a envolvente, estendeu-se demasiado em explicações detalhadas de maquinarias e funcionalidades que, apesar de um pouco interessantes, rapidamente se tornaram aborrecidas. Mas, pior que isso, foi a forma como o autor escolheu distribuir a informação sobre a sociedade que apresenta e como esta lida com a energia, a guerra, e a vida em geral: usando de diálogos forçados e muito pouco naturais, que começavam com falas do estilo de: "Nós sabemos como funciona, mas queremos ouvir da sua boca.", como desculpa para a personagem nos dar a informação necessária. Pessoalmente, detesto quando o autor recorre a esta técnica.

No geral, O Monstro e Musa tem alguns pontos de interesse mas a prosa deixou algo a desejar e achei que se arrastou demasiado. No entanto posso dizer que gostei do final e do conceito.

Visitem: Blog do Autor * Blog Fantasy & Co * O Monstro e a Musa no Goodreads

::Conto:: Os Deuses do Fogo

"Os Deuses do Fogo", de Liliana Novais (ebook; ou no blog: 1, 2, 3, 4, 5)

Sinopse:
Uma família de Deuses do fogo tem opiniões muito diferentes sobre os humanos que habitam o sopé da montanha.

Opinião:
Uma história que me transportou para as antigas civilizações e antigas crenças mas que, por culpa da sua prosa, não me cativou. Os diálogos não funcionaram, a história foi contada com demasiada pressa, e não houve qualquer espaço para dar profundidade às personagens.
À escrita faltou emoção e, apesar de a autora dizer que a situação estava má, não descrevia as cenas de forma a convencer o leitor dessa mesma fatalidade.
Este não foi um conto que me tivesse agradado, especialmente por culpa do final. No entanto a história em si tinha potencial.

Visitem: Site da Autora * Blog Fantasy & Co * Deuses do Fogo no Goodreads

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Especiais

 "Especiais (Uglies 3)", de Scott Westerfeld (Vogais)

Sinopes:
Tally Youngblood pensou que tudo não passava de um rumor, mas agora é uma Especial.Uma máquina de luta criada para controlar os Imperfeitos e manter os Perfeitos na maior ignorância.Ser programada de forma perfeita, com uma força extraordinária e um único propósito, talvez não seja a melhor coisa que lhe podia ter acontecido. Tally ainda tem memórias de algo mais. Tem sido fácil ignorá-las, até que lhe é oferecida a possibilidade de exterminar os rebeldes do Novo Fumo para sempre. Tudo se resumirá a uma escolha final: seguir aquele longínquo bater do coração ou levar a cabo a missão para a qual a conceberam.


Opinião (audiolivro):
Custa-me começar assim mas ... este livro  não foi tão bom como os anteriores. A acção era mais frenética mas, por isso mesmo, não me consegui ligar tanto às personagens ou à história.
O maior problema acaba por ser o facto de que o autor usa a mesma fórmula que nos livros anteriores (Imperfeitos, Perfeitos) e acaba por cansar.

Por outro lado, a protagonista, Tally, consegue ser ainda mais irritante que nos outros livros (se é que tal pode ser possível). E já que falo de personagens, posso dizer que gostei do que o autor fez com o Zane e com a Shay, e também gostei de como deu personalidade à cidade de Diego (muito mais do que deu à cidade onde os outros dois livros se passavam).

Já a história, além de repetir a fórmula, não me satisfez de todo e achei que lhe faltou um toque humano. Foi tudo muito maquinal, muito pouco pessoal. Não sei bem como explicar mas existia um distanciamento que me impedia de desfrutar da história e das suas personagens.
No entanto, o final propriamente dito encheu-me bem as medida e, pareceu-me que seria o final perfeito para a série inteira. Ao terminar este livro não conseguia imaginar o que mais o autor tinha para contar. E tinha razão porque quando li o quarto livro (Extras), soube logo que estava certa (opinião em breve).

Com muitas repetições de trama, estrutura e conflitos/dilemas existencialistas, "Especiais" pouco trouxe de novo, e o pouco que trouxe não foi suficiente para o tornar um livro acima da média.

No geral, "Especiais" foi uma decepção, enquanto livro sozinho, mas como potencial final da série, funcionou bem, Infelizmente não foi o final da série, e isso tornou-o ineficiente.


Narração (Carine Montbertrand):
Uma das vozes às quais acabei por me habituar ao fim de dois audiolivros. Desta vez achei que esteve melhor na parte das vozes masculinas e gostei especialmente do toque que deu às vozes dos especiais. Não é a melhor narradora que já escutei, mas fez um trabalho razoável.

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